O Resgate de Hadassah

5 O Baile da Estrela de Fogo



​O salão do Grand Imperial Hotel estava transformado em um jardim de inverno etéreo. Milhares de orquídeas brancas e luzes de LED pendiam do teto, criando o efeito de uma galáxia particular. Garçons circulavam com bandejas de cristal, e a elite de Nova York — entre magnatas da publicidade e amigos íntimos da família — preenchia o espaço com o burburinho de conversas refinadas.

​Nos bastidores, em uma suíte reservada, o clima era de pura euforia.

​— Hadassah, para de tremer, ou eu vou borrar o seu batom! — Beatriz, a melhor amiga de escola, ria enquanto segurava um pincel de maquiagem. Beatriz era uma jovem vibrante, filha de um dos sócios da Lioncort, e tornara-se o porto seguro de Hadassah no colégio.

​— Eu não consigo evitar, Bia! — Hadassah exclamou, olhando-se no espelho. — Parece que meu coração vai saltar pelo espartilho.

​Alycia, deslumbrante em um vestido dourado, entrou na sala com duas taças de suco espumante.

— Você está maravilhosa, Hadas. Bia tem razão. Hoje não é noite de tremer, é noite de brilhar. Somos as irmãs Lioncort, esqueceu? — Alycia piscou, abraçando a amiga e a irmã de coração.

​As três deram as mãos e começaram a pular e dançar em um círculo improvisado, rindo alto enquanto uma música animada tocava ao fundo.

— Feliz 15 anos para a ruiva mais inteligente e linda do mundo! — Bia gritou, e as três brindaram com o suco, celebrando a amizade que as unia.

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​Lá fora, o mestre de cerimônias anunciou o início da valsa. A orquestra silenciou por um segundo e, então, os primeiros acordes de Moon River começaram a ecoar, suaves e profundos.

​Jason estava de pé na base da imensa escadaria de mármore. Ele vestia um tuxedo sob medida, negro como a noite, que realçava seu porte atlético e seu rosto de traços firmes. Ao lado dele, Marta Lioncort, elegante em um vestido de seda azul-marinho, exibia um sorriso de puro orgulho. Olívia, a governanta, estava em um lugar de honra na primeira fila, usando um vestido discreto que Jason fizera questão de comprar para ela, seus olhos brilhando com lágrimas contidas.

​Então, os refletores se voltaram para o topo da escada.

​Hadassah surgiu. Ela usava um vestido de gala branco perolado, com milhares de cristais Swarovski bordados à mão no corpete, que desciam pela saia de tule como uma chuva de estrelas. O cabelo ruivo estava preso em um penteado semi-preso sofisticado, adornado com uma pequena tiara de diamantes.

​O fôlego de Jason simplesmente parou.

​Por anos, ele a vira como a "ruivinha", a menina que ele resgatara e protegera. Mas, naquele momento, enquanto ela descia os degraus com uma graça que silenciou o salão inteiro, Jason sentiu um impacto diferente. O rosto de Hadassah florescera; a estrutura óssea delicada, os lábios rosados e, principalmente, a profundidade daqueles olhos verdes cercados por cílios longos... Ela não era mais uma criança. Hadassah era uma mulher de uma beleza estonteante e magnética.

​Jason sentiu uma batida descompassada no peito — um sentimento desconhecido e perigosamente intenso. Quando foi que ela cresceu tanto?, ele se perguntou, sentindo uma pontada de posse e admiração que o deixou momentaneamente sem fala.

​Ela chegou ao último degrau e estendeu a mão para ele. Jason a pegou, sentindo a pele dela macia e quente contra a sua. Ele curvou-se em uma reverência impecável e sussurrou, para que apenas ela ouvisse:

​— Você está... absolutamente deslumbrante, Hadassah. Eu mal consigo acreditar no que estou vendo.

​— É graças a você, Jason — ela respondeu, os olhos fixos nos dele, brilhando de emoção.

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​Eles se moveram para o centro do salão. Jason colocou a mão firmemente na cintura dela, e Hadassah repousou a mão no ombro dele. Enquanto deslizavam pelo mármore sob o olhar atento de todos os convidados — incluindo seus colegas de escola que assistiam boquiabertos e os parceiros de negócios da família —, o mundo pareceu desaparecer ao redor dos dois.

​— Está nervosa? — Jason perguntou, guiando-a com uma facilidade magistral.

​— Menos agora que estou aqui com você — ela admitiu, relaxando o corpo contra o dele. — Jason, obrigada por tudo isso. Por não ter me deixado naquele beco... Por ter me dado este nome.

​Jason a girou, os vestidos brancos dela flutuando como uma nuvem, e a trouxe de volta para perto, um pouco mais do que o estritamente necessário para uma valsa de irmãos. O perfume floral de Hadassah o atingiu, inebriante.

​— Eu já te disse, Hadassah... — ele sussurrou perto do ouvido dela, a voz mais rouca que o habitual. — Você foi o melhor "negócio" que eu já fiz na vida. Você trouxe luz para a minha frieza. Ver você assim hoje, tão forte e linda... é o meu maior orgulho.

​— Você é meu herói, Jason. Sempre foi — Hadassah levantou o rosto para olhar para ele, e por um instante, a troca de olhares foi carregada de uma eletricidade que nenhum dos dois sabia nomear, mas que ambos sentiam vibrar.

​A valsa terminou sob aplausos calorosos. Marta aproximou-se e abraçou os dois, chorando de alegria.

— Minha filha... Minha princesa — Marta beijou o rosto de Hadassah.

​Logo, a música mudou para algo moderno e agitado. Alycia e Beatriz correram para o centro da pista, puxando Hadassah com elas.

​— Chega de formalidades! Vamos dançar! — Beatriz gritou, e as três começaram a pular ao som de um pop atual, cercadas pelos amigos do colégio que se juntaram à festa.

​Jason afastou-se para o bar, pegando uma taça de champanhe. Ele observava de longe Hadassah rir, girar e celebrar com as amigas. Ela era o centro das atenções, a estrela da noite. Pela primeira vez em dez anos, o implacável Jason Lioncort sentiu um medo estranho: o medo de que o mundo agora também notaria o quão especial ela era, e que ele teria que lutar muito mais para mantê-la sempre sob sua proteção.

​Ele bebeu um gole longo, seus olhos azuis nunca deixando a silhueta da ruiva que, naquela noite, deixara de ser apenas sua irmã adotiva para se tornar a mulher que dominava seus pensamentos mais profundos.