O Resgate a Bryan Lewis
1 Prólogo
Notas iniciais
Em um sábado de inverno em dias próximos ao Natal, caminho até a casa de Bryan pelas nevadas ruas da pacata Summerville, uma cidade que fica ao sul dos Estados Unidos da América. As ruas daqui são largas, com muitos carros que correm em diferentes sentidos.
O caminho era longo, portanto, paro para descansar e me sento num banco de madeira situado em uma grande praça, que nunca tinha visto antes. Retiro a touca e desfaço o coque que prendia meus cabelos ruivos, em seguida colocando-a de novo. Olho ao redor e sorrio observando crianças que brincam fazendo anjinhos na neve ou construindo fortes e lançando bolinhas umas nas outras. Isso me lembra da infância que passei em New York. Sinto falta desses tempos, em que não tinha tantas mágoas e tristezas e tudo se resumia a brincar com os amigos.
Dez minutos depois, retomo o caminho. Bryan, após tristes fatos terem abalado minha amizade com outras pessoas, tornou-se meu melhor amigo, e eu o visito três vezes por semana. Mas nas últimas semanas, pouco depois de entrarmos na faculdade, por causa do falecimento dos pais, ele se isola e não quer ninguém por perto, inclusive a mim. Não sei o que fazer para protegê-lo e ficar a seu lado, então decidi visitá-lo. Bryan se mutila e se culpa pelo que aconteceu.
...
– Não é sua culpa, Bryan. Escute-me, por favor!
– Não há nada que você possa fazer, Samantha. Nada me fará pensar de outra forma. Eu fui o responsável. Por favor, me deixe sozinho.
– Eu sou sua amiga. Eu vou proteger você até o fim.
E ela o abraçou. Samantha sabia que o que Bryan amava abraços, mas dificilmente recebia um. Aqueles que se diziam amigos não se importavam de verdade com os problemas que ele passava. Poucos, incluindo Samantha, estavam preocupados com sua vida e desejavam que voltasse a ser o garoto de sempre.
...
Cheguei à casa da Sra. Lewis e bati três vezes à porta de madeira, mas ninguém atendeu, mesmo depois de muitos minutos. Como era um fim de semana, provavelmente nenhum dos dois estaria fora de casa, pois não tinham o hábito de sair muito. Bato novamente três vezes, com pancadas mais fortes, mas o silêncio continuou.
– BRYAN! – grito. – SOU EU, SAMANTHA! VIM TE VISITAR!
Suspiro, enquanto o vento que vem do leste joga meus cabelos longos e flocos de neve caem no meu rosto. Afasto-me da entrada e corro até ela, chutando a porta. Consigo derrubá-la e entro na casa.
A sala de estar está escura, sem nenhuma iluminação. As cortinas e as janelas estão fechadas, impedindo que um raio de luz clareasse o ambiente, o que me assusta. Sigo até o quarto da avó de Bryan.
– Sra. Lewis? A senhora está aí? – em pequenos passos, chego ao cômodo. A porta está aberta, mas não há ninguém. Subo as escadas que ficam no canto da sala de estar e vou até o quarto de Bryan. Está fechado, mas não me importo e puxo a maçaneta. O quarto também está vazio. Não há ninguém em casa.
Sento na cama e telefono para seu número, mas ninguém responde à chamada. O mesmo com a Sra. Lewis.
“Não devo me preocupar, estão passeando e se divertindo. É um dia gostoso e devem estar aproveitando como todos os outros”.
...
A noite chegara e Bryan não dera sinal de vida. Não telefonara de volta e não atendia às minhas chamadas, então resolvo ir até a uma delegacia próxima a de minha casa.
O delegado responde que só poderá ser realizada uma investigação à procura dos Lewis quando se passarem vinte e quatro horas após o desaparecimento. Antes disso, nada acontecerá. Frustrada, vou para casa e sento em minha cama. Perdi o sono, portanto fico mexendo no celular e conversando com os amigos no WhatsApp e observo a foto de Bryan. Ele é lindo, com seus cabelos loiros e seus olhos encantadoramente azuis.
No momento em que o sono começa a vir, desligo o celular e estou prestes a dormir, quando ocorre uma vibração e recebo um SMS. Digito a senha e leio a mensagem anônima, que diz:
“Não contate à polícia, senão Bryan estará morto. Entrarei em contato com você, Samantha Morrison”.
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