O Resgate
1 Hummm... Biscoitos
Notas iniciais
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-Socorro!Socorro!-Dizia eu, correndo como uma louca por uma Rua deserta de Nova York.
Já estava cansada e soada de tanto correr, mesmo não sabendo o que era aquilo, pois, monstros quadrúpedes com dentes pontudos e sedentos por sangue não eram comuns em meu dia-a-dia. Sabia que estava correndo perigo e não poderia ficar parada, esperando pelo pior, e aquele ser, parecia não se cansar. Corria, rugia e batia seu grande corpo nos carros estacionados na calçada disparando seu alarme e destruindo-os.
Seus rugidos, que se assemelhavam aos de um leão eram tão fortes que pareciam estourar os meus tímpanos.
- Não tem como pioraaarrrrr!!!.... haaaaaaaa!!!!
Foi a única frase que eu consegui dizer naquele momento de pânico, mas depois me arrependi profundamente por dize-las.
Eu não parava de correr já estava ofegante, não tinha muita “Força física”, pois era só mais uma menina do ensino médio... admito que um pouco baixinha para minha idade, mas isso não vem ao caso agora, o importante é que, eu tinha disparado um turbilhão de ventos, e assim, aquela “coisa” horrenda tinha parado de me seguir.
Entrei então em uma Loja de Conveniências, afinal, havia acabado de sair da escola, era pleno meio dia, e depois de correr uma maratona naquele sol intenso, não tinha outra opção além de tomar pelo menos meio litro de água e comer um lanche natural da tia Eda(Um lanche com duas fatias de pão de forma, dois bifes de frango, duas rodelas de tomate, três folhas de alface, duas fatias de queijo, uma fatia de presunto e a maionese de frango que só ela sabia fazer, era como... o hambúrguer de siri do Bob Esponja, só ela sabia a receita).
Quando saí da lanchonete da Tia Eda, olhei para os lados, para me assegurar que aquela coisa não estava mais atrás de mim, mas, aquela altura nem acreditava mais que aquilo fosse real, afinal, poderia mesmo um labrador se mutar para um monstro imenso parecido com um cão infernal?, será um cão infernal?. Devem estar se perguntando agora o por que uma menina de quinze anos, meio alienada e com notas baixas saberia algo sobre mitologia grega..., simples, quando era pequena, minha mãe havia me ensinado tudo sobre isso, e dizia que na terra haviam os meio-sangues, que eram assim chamados por serem filhos de um Deus ou uma Deusa com humanos, e que eles eram muito fortes, podendo fazer coisas inimagináveis aos olhos humanos, contou também a existência da névoa, que faz com que os humanos não possam ver a real forma das coisas, como cães infernais, por exemplo, o que eu não acreditava que seria real, mas como de costume, eu estava enganada.
Com medo de que aquele “cãozinho” me fizesse uma visita novamente quis ir o mais rápido possível para o suposto acampamento, que, segundo o mapa ficava a cerca de uns 50 quilômetros dali. A temperatura tinha baixado drasticamente, agora, do lado de fora da lanchonete estava nevando!, era quase impossível acontecer duas coisas tão estranhas no mesmo dia, “quase”, pois isso era só o começo.
Como o ônibus estava com a neve tampando até o começo da escada da porta, decidi ir a pé, corria pela avenida escorregando nas esquinas por causa da neve que acabara de cair, então passei perto de um grupo de mendigos que ficaram intrigados com alguma coisa, pensei que fosse por conta do jeito que corria,mas de repente eles também começaram a correr e gritar. Corriam como se acabassem de ver uma coisa horrenda- O que poderia ser?-Mas, viraram em uma esquina e desapareceram.
Já estava sem fôlego, passei por uma praça (em que haviam apenas três mulheres muito velhas e feias, parecendo múmias, sentadas no banco),uma igreja antiga,um restaurante que estava fechando,por uma barraquinha de cachorros quentes...mas então de repente, apareceram na minha frente, duas mulheres com asas, também feias como as outras três velhas da praça, elas vinham na minha direção, era impossível aquilo estar acontecendo, elas deviam estar com fantasias... tentei acreditar nesta minha mentira e tentar parar de me indagar o por que aquelas velhas usariam fantasias se nem era hallowen, entrei em uma rua extremamente escura, e percebi que foi o maior erro da minha vida,pois percebi que no final da rua(em média uns 100 metros da minha posição), não havia saída e não tinha mais como voltar pois já sentia os passos dos seres que estavam se aproximando.
Corri até o final da rua,as casas ali eram abandonadas e fantasmagóricas e nem se eu quisesse, não haveria ninguém para ajudar.
Pensei em me esconder,mas o único lugar que via era uma enorme lata de lixo, pensei:“É melhor continuar viva do que estar fedendo a comida estragada”, então, sem pestanejar, entrei nele, e esperava ficar ali por mais algumas horas, assim, liguei meu celular, para que houvesse alguma luz naquele emaranhado de ratos e lixos.
A lata de lixo não estava tão lotada como imaginava, só haviam umas caixas de papelão e umas latas de refrigerante... mas havia um probleminha que eu não havia notado de inicio: por conta da escuridão,a lata estava com um enorme buraco do tamanho de uma pizza redonda. Então, eu estava desprotegida e seria um alvo fácil para a coisa... coisas,ou melhor um cachorro enorme no tamanho de um caminhão de lixo e algumas velhas estranhas que pareciam te desmontar apenas pelo olhar.
Mergulhei dentro de todo aquele lixo, sei que parece nojento, mais aquilo era questão de sobrevivência, consegui finalmente enxergar o cão, ele era enorme,tinha os pelos extremamente negros,olhos vermelhos que pareciam brilhar por conta do sangue que escorria de seu olho
O mostro sentiu meu cheiro, então me encolhi o máximo possível para que não fosse vista.Isso pareceu funcionar pois o cachorro (se é que aquilo poderia ser considerado um) não me notou.... ele foi virando para outro lado e começou a rosnar...
-Oh, Meu Deus! — Estava assustada, pois acabara de ouvir um grito de um garoto, a voz era razoavelmente grossa, então estimei que ele estivesse na minha faixa de idade...a questão era: será que ele estaria querendo me ajudar?. Não conseguia ver mais o monstro, e estava ouvindo barulhos, como se engrenagens estivessem se mexendo, e ao mesmo tempo, se estivessem despejando grãos de areia no chão.
Mas um a coisa deu errado,muito errado percebi que havia um rato do tamanho de um coelho no meu braço e, devo admitir, foi mais forte que eu.
-Haaaaaa...Saaaaiiiii!, Tira!, Ajuda...-Gritei desesperada, chutando sacos de lixo, e pulando para fora da lixeira.
Mas percebi que o monstro ainda estava próximo, então, fiquei estática, minha boca havia se calado, e minhas pernas, por mais que eu tentasse, não se mexiam.
Tarde demais.
O cachorro enorme avançou em cima de mim.O animal me jogou no chão e colocou suas patas em meus ombros, prensando-me contra o chão, e babando na minha face.
Não sabia o que fazer, então resolvi, que se caso eu fosse morrer, morreria com dignidade... fechei meus olhos e relaxei meu corpo, então, senti que não havia mais nada pressionando meu ombro, resolvi abrir os olhos, e percebi que não havia mais monstro!, apenas um menino de mais ou menos 1,70, cabelos crespos pretos, e olhos cor de mel, como os meus!, pouco atrás dele, tinha outro menino, não consegui discernir exatamente a altura, pois ele estava muito longe, e eu atordoada, mas pude perceber que ele tinha olhos e cabelos castanhos, e sua pele era morena.
O menino que vi destruir o monstro com uma espada que estava em sua mão direita perguntou se eu estava bem, mas, senti uma dor muito forte na cabeça, e acho que desmaiei, pois não lembro de nada do que aconteceu a seguir...
Enquanto estava desacordada, lembrei de tudo o que ocorrera no dia anterior, e tudo o que passara para estar nesta situação...
Havia acordado com os raios de sol que atingiam exatamente meus olhos, diferentemente do que ocorria normalmente, quando minha mãe tinha de ficar me chamando por alguns minutos até que eu levantasse da cama para ir á escola.
Morava em um orfanato em Nova York, lá, vivia com mais 12 crianças, dentre elas Emma, uma garotinha com cerca de 10 anos que tinha cabelos longos morenos e uma pele bem branquinha, por isso a chamava de branca de neve, a considerava minha melhor amiga, pois era a única que não zombava de mim por ter dislexia e défict de atenção. Quem cuidava de nós era um casal de senhores de cerca de quarenta anos (Marta e Gregory), não muito ricos, e que criaram o orfanato pois não podiam ter filhos. Eram muito gentis, embora Marta sempre brigasse comigo por conta de certas atitudes minhas, e Greg pelas minhas notas na escola.
Saimos de dentro de casa, para brincar, por volta das 7 horas da manhã... escondidas, como sempre, pois Marta não me deixava sair de jeito nenhum de dentro do orfanato, ela dizia que coisas horríveis poderiam acontecer, o que eu nunca acreditei, mas, naquele dia, deveria ter dado atenção a essas palavras.
Quando voltamos ao orfanato recebemos o típico sermão de sábado, no qual, os dois brigavam conosco por nossa desobediência, e nos colocavam para lavar a louça da manhã e da tarde, e como já tinha se tornado habitual, nós nãoi nos importávamos muito.
Branca de neve e eu fomos lavar a louça, então, ouvi algumas palavras capciosas sairem de sua pequena boquinha:
- Olga... estou com vontade de comer doces, e aqueles biscoitos parecem deliciosos...
Como tinhamos feito coisas erradas, não podíamos comer um doce depois do almoço, assim, fiquei com dó da branca de neve, pois quem na verdade não poderia sair era eu, então Emma só me acompanhava para que eu não ficasse brincando sozinha lá fora, e eu alcançava o pote de doces.
-É, realmente parecem deliciosos... quer um?-Disse eu, esticando minha mão para conseguir alcançar o pote. Pois, mesmo sabendo que era errado, queria recompensar Emma por me acompanhar tantas e tantas vezes, e ter se dado mal em maioria delas...
Entreguei o pote em sua mão, só haviam dois biscoitos e... um papel, espera, porque haveria um papel dentro do pote de biscoitos?. Como Branca de neve era curiosa esqueceu dos biscoitos e foi logo abrindo o papel, mesmo eu falando que isso não seria seguro (afinal, estaríamos fazendo mais coisas contra as regras do que de costume), nele havia um mapa, para um lugar muito estranho, seu nome era Meio-Sangue, esse nome me lembrava morte, mas, quando observei cautelosamente aquele mapa, senti uma “Boa vibração”, não sei porque, mais senti que deveria ir pra lá.
De repente, Marta entrou na cozinha para ver se não estávamos cuspindo nos pratos ao invés de lavá-los, o que eu nunca havia feito, mas não posso assegurar nada á respeito de branca. Ela olhou para nós, com o pote de biscoitos nas mãos, e sua feição mudou completamente, ela estava apática, seu olhar parecia nervoso, e seus lábios não paravam de se contrair.
-Saiam daqui!- Foi a única coisa que ela nos disse, e saímos. Eu estava totalmente triste, já Emma estava ocupada(dobrando o mapa e colocando no bolso de trás da sua calça), e como Marta estava aparentemente atordoada, não nos pediu que o devolvesse.
Passadas algumas horas, começamos a ouvir estrondos na porta de entrada, mas isso não significava muito, pois James e Kell faziam muitos barulhos diferentes enquanto brincavam de corrida de tatu bolinha no chão da sala.
Como este barulho era diferente, resolvi ir lá e ver o que estava acontecendo... enquanto descia a escada, ouvia gritos de Marta, e das outras crianças.
Quando cheguei na sala, havia um buraco na parede do tamanho de uma geladeira grande, meus 3 “irmãos” estavam estirados no chão, sangrando. Minha primeira reação foi ver se estavam vivos, e, infelizmente, Kell não tinha mais pulso... fiz o que pude, mas ele já tinha ido... quando olhei para o lado direito, ví Marta ao lado de Greg(que estava inconsciente no chão), ela estava lutando contra uma criatura estranha, grande e gorda com assas, não sei descrever direito, mas abruptamente, aquela coisa bateu em Marta, lançando-a contra a parede e quebrando suas pernas, e veio na minha direção. Estava ajoelhada, ao lado de James, que ainda tinha sinais de vida, aquele monstro vinha se aproximando, e quanto mais ele chegava perto com mais raiva eu ficava, então, joguei meu corpo em cima de James, para que ele não se ferisse mais e estendi minha mão como uma tentativa besta de parar o monstro. Mas, foi a]graças á esta tentativa “besta”, que eu sobrevivi, pois, quando levantei os olhos, o monstro estava sendo eletrocutado, e os raios se originavam da palma da minha mão... assim, ele simplesmente deu um rugido e desapareceu em uma espécie de pó negro.
James já estava bem, não se lembrava de nada do que havia acontecido, então fui atrás de Marta, para ver se ela ainda estava viva, pois, Branca tinha acabado de descer da escada, e estava ligando para a emergência, polícia, FBI, e quaisquer órgãos mais do governo que conhecesse, para salvar quem ainda pudéssemos.
Quando me ajoelhei ao seu lado, Marta me contou algumas coisas, disse que eu era uma filha de Zeus, e, se ficasse no orfanato, mais ataques assim ocorreriam... também me contou sobre a existência daquele mapa, e ao fim, me fez jurar que não contaria isso a ninguém, o que cumpri, com muito prazer. Tentei mantê-la consciente o máximo que pude, mas ela não suportou aquela dor imensa. O último diálogo que tivemos foi:
- Você é filha de um Deus, por isso é muito poderosa!, me prometa que irá para este acampamento, custe o que custar!
- Prometo!- Disse eu com uma voz trêmula.- Mas, como a senhora sabe?- Questionei ela sobre isso, pois não haveria motivo para que ela mentisse para mim sobre minha paternidade, não naquela hora.
- Pois... eu sou sua mãe!- E sorriu, não mais como se estivesse sentindo aquela dor, mas como se estivesse feliz por ter minha companhia e partindo para um lugar melhor.- Como não estarei mais aqui, quando precisar, realmente precisar!, chame seu pai, ele saberá o que fazer.
Eu sorri para ela e a abracei(chorando)... sua voz então foi ficando mais e mais baixa, até que ela não disse mais nada, apenas sorria, e soltava minha mão, como se estivesse no paraíso.
Tudo se acalmou, então percebi que Greg tinha visto tudo o que havia acontecido, o que eu tinha feito... ele estava com um olhar zangado, como eu nunca tinha visto antes. Continuamos nossa rotina normalmente, enquanto tiravam o corpo de Kell do orfanato, levavam os outros meninos e meninas, e o senhor Greg ao hospital, e James chorava com a perda de seu irmão.
Eram umas cinco horas da manhã quando decidi fugir do orfanato, só haviam alguns policiais, pessoas da perícia, e alguns bombeiros checando se não haviam mais crianças nos escombros, e logicamente Emma, que não havia presenciado todo o ocorrido, só fora lá depois de mim, quando o monstro viera para minha direção. Dormíamos no mesmo quarto, então, quando tinha terminado de arrumar minhas coisas, ela despertou, não se surpreendeu com minha ida, só perguntou o por que, e eu a respondi, de forma mais delicada possível.
- Digamos que... eu sou alguém especial, e... se eu ficar aqui, monstros como o de hoje podem aparecer novamente.
- Okay, não vai poder me levar nessa aventura né?!- Perguntou Emma.
- Não...- Retruquei de forma calma.
- Então tome!- Ela me entregou o mapa.- Você já me levou para muitas e muitas aventuras, então fique com o meu tesouro, ele pode não ser muito útil, mais é tudo o que posso lhe oferecer... quando olhar para ele, você se lembrará de mim?
- Obrigada Branca de neve!, e... com certeza, mas não se preocupe, nunca me esquecerei da minha melhor amiga!- Dei um sorriso, e saí, em busca do meu novo lar!
Notas finais
NA PRÓXIMA TERÇA SAIRÁ O PRÓXIMO CAPITULO,AGUARDEM!
DE SUA OPINIÃO!!!
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