O Renegado
12 No meio do caminho tinha uma pedra...
Notas iniciais
[Rovena Marie]
Tinha uma pedra no meio do caminho.
Quer dizer...
A pedra no caso era a Arin (não literalmente) que nos deu um susto com toda a história do Hipaléctrion e depois de perder o Anthony da memória. Um minuto atrás ela estava lá brigando com o Anthony por ele ser tão grudento e agora chamando o Jer de amor e achando que ele é o namorado. O pior de tudo é o Anthony, o garoto está arrasado e a maioria do tempo passa sozinho no Punho de Zeus, quando vou até lá para conversar com ele ou tentar alguma aproximação ele só me diz “Preciso ficar um tempo sozinho com meu pai”.
Depois de uma manhã parei de procurar ele no Punho de Zeus e resolvi que estava mais do que na hora de partir para procurar pelo meu namorado.
- Então vamos agora Josh?- Perguntei para ele enquanto cruzava com ela na terceira volta do Punho de Zeus.
- Não precisa nem dizer duas vezes, vou chamar Alice!
E saiu correndo.
Para não ficar para trás, corri também para o chalé. Peguei as coisas básicas de qualquer missão (Néctar, ambrosia, algumas camisetas, um mini quite de primeiros socorros, a bolsa com dinheiro que ganhei de mamãe em minha primeira missão, as mensagens de papel de fogo e caneta, caso precisasse de comunicação com o acampamento e comida) e tirei a camiseta do acampamento para colocar uma roupa normal. Ai que me lembrei de onde eu estava indo e peguei casacos. Minha mochila ficou enorme de tantas coisas que consegui enfiar lá dentro.
- Demorou em filha de Athena?
Lice já me esperava em frente ao meu chalé e ela estava muito bonita. Usava uma calça jeans escura e umas botas aveludadas e pretas (fazia um calor razoável no acampamento e ela já estava de botas) e uma blusa curta. Levava uma mochila quase igual a minha no quesito “cheio”.
- Desculpe, é que eu reparei no último minuto que estamos indo para o Alasca.
- Deu pra reparara, vem que eu te empresto uma bota dessas, aqui elas estão me matando de calor, mas lá elas vão ser muito úteis.
- Ta bem.
Andamos até o chalé de Afrodite e fiquei pasma ao ver a quantidade de roupeiros, de sapateiros e penteadeiras no lugar. Uma infinidade que me assustava muito. Além de tudo o que estava aparente, tinha mais um closet subterrâneo de roupas. Assustador.
Alice foi até uma sapateira e puxou de lá um par de botas pretas que me pareceram enormes para mim, mas experimentei e serviu perfeitamente.
-Todas as roupas aqui são encantadas, elas se ajustam ao corpo de quem usa. Por isso que não há tanta briga assim, podemos usar o que quiser porque tudo aqui serve em todo mundo.
Pasmei totalmente. Pensei em pedir algumas roupas para mim...
-Vamos então, Josh deve estar esperando com nosso transporte- Alice me puxou para longe de suas irmãs psicóticas por maquiagens e roupas.
Chegamos ao topo da colina e avistei ao longe Arianna e Jer treinando esgrima, ele tentava ao máximo derrota-la, mas não conseguia. Anthony ainda devia estar no Punho de Zeus se lamentando pelo ocorrido e Josh estava mesmo nos esperando, com mais dois amigos.
- Este é Níger.
Olhei para o primeiro Pégaso marrom que parecia mais um garanhão de tão lindo e tão confiante que se portava.
-Olá Níger- Afaguei a cabeça do lindo Pégaso.
- E este- Josh falou apresentando o outro amigo- É Neblon.
- Olá Neblon- Falei afagando o outro lindo Pégaso que parecia num toma mais de cinza.
- Eles vão nos levar até o Alasca, viajem curta, mais ou menos uma hora sem parada. Uma e meia se pararmos- Josh me informou.
- Acho que prefiro uma hora sem parada, já deixamos Jace sozinho por muito tempo- Falei.
-Também acho, vamos então- Alice disse tomando a dianteira e subindo no dorso de Níger.
Josh subiu também no dorso de Níger e eu subi em Neblon. “Vamos buscar O Renegado no Alasca amigão”.
Josh também falou algo para o Pégaso e nossos novos amigos subiram em alta velocidade em direção ao céu claro de Nova Iorque.
Durante um tempo eu curti a brisa em meus cabelos e me deixei deleitar por aquele momento tão bom e único. Níger e Neblon voavam em alta velocidade, cortando as nuvens com suas asas imponentes e desbravando novos territórios. Ao longo da viajem reparei o cenário mudando, cidade, prédios (até um vislumbre do Olimpo ao longe), campos, cidades pequenas e por incrível que pareça, até Hermes com seus tênis alados.
-Olá crianças! Cuidado no Alasca!- Gritou o deus mensageiro após cruzar conosco.
Josh segurava Alice fortemente e ela relaxa pousada no ombro do filho de Apolo. Fiquei imaginando onde meu Jace estaria, o que estaria fazendo, se estaria com frio ou sede, fome... Se estaria com saudade de mim, foi então que meu anel ficou muito quente em meu dedo e tive que reprimir o impulso de arrancá-lo do dedo imediatamente.
De repente a palavra “bem” surgiu como fogo no líquido do anel e desapareceu assim que eu a li. Não sei como explicar, mas eu soube que fora Jace quem me mandou tal mensagem. Pensei em Jace e pensei na palavra “indo” e esperava que ele entendesse que eu estava a caminho e em pouco tempo “fast” (rápido) apareceu novamente em meu anel, mandei um “amo” pra ele, essa ele devia entender e ele me respondeu com um “amo” de volta.
O anel ficou na temperatura normal em meu dedo e resolvi prestar atenção às coisas a minha volta. Passado ao que me pareceu uns 45 min de voo com o Pégaso comecei a sentir frio e pedi para Josh para pararmos apenas um pouco para eu poder me agasalhar melhor.
Tirei um casaco da mochila, que não era muito grosso e um gorro de lã em forma de uma panda, além de luvas. (Eu sei que nem pareço uma semideusa prestes a matar muitos monstros, mas o frio estava ficando insuportável).
-Podemos continuar amigão- Falei alto o suficiente para que ambos os Pégasos ouvissem e zarpamos voo novamente. Em 15 min estávamos com uma visão coberta de gelo.
Para todo o lado tudo que eu via eram camadas de gelo e frio, muito frio. Aconcheguei mais perto de Neblon e vi que Josh e Alice ficavam mais pertos um do outro.
Em pouco tempo Josh deu comando para Níger parar e fiz o mesmo com Neblon, paramos um pouco longe das casas do vilarejo que havia ali, o suficiente para que nossos amigos não fossem incomodados e fomos para a cidade a procura de um local para nos aquecer e pensar nosso próximo destino.
Chegamos a um estabelecimento estilo faroeste antigo, onde a porta rangia e tudo era de madeira, ao lado uma lareira crepitava um fogo reconfortante, Jace adoraria o local. Sentamos na mesa perto da lareira e pedimos três chocolates quentes.
-Então, e agora vamos para onde?- Alice perguntou.
-É um local alto, quanto mais longe da terra, mais provável é- Josh nos lembrou.
-Então estamos falando de uma cordilheira, ou de uma montanha.
- Vai que é no Evereste e nós aqui?- Alice A Otimista falou.
-Não tem essa possibilidade. Jace me disse que os deuses não tinham poder no tal local e esse local é aqui, terra antiga e cheia de monstros, existe local melhor para esconder um elmo das trevas?
-De fato, não- Josh concordou.
-Af- Alice bufou.
Ficamos um tempo em silêncio quando a mulher nos trouxe nossa bebida e bebemos um pouco em silêncio.
- Espere!- Tive uma ideia súbita- Nossa, como eu sou lerda! Estamos falando do monte McKinley, também conhecido como Denali que é a montanha mais alta da América do Norte, com 6194 metros de altitude.
- Faz todo sentido mesmo- Josh concordou.
- O McKinley faz parte do grupo restrito dos sete cumes, e a sua ascensão é bem mais complicada, devido ao fator latitude. Por estar distante da linha do equador, seus dias e noites são bem mais frios do que em montanhas mais altas, como o monte Everest, por exemplo, fica próximo da pequena localidade de Talkeetna- Informei tudo o que eu sabia sobre o McKinley.
- Nossa! Como você sabe de tudo isso?- Alice me perguntou abismada.
-Ah... É que eu tive um trabalho sobre esse cume uma vez...
-Obrigada deusa dos nerds!- Alice exclamou feliz.
-Haha- Ri sem o mínimo de humor, nunca me considerei uma nerd.
- Então, onde estamos? Precisamos chegar ao Talkeetna o mais rápido possível- Josh salientou.
-Moça!- Alice chamou.
-Pois não?
A mulher que nos servira antes veio até nos pelo chamado de Alice.
- Gostaríamos de saber onde fica o Talkeetna e onde exatamente estamos- Josh perguntou.
-Ah perdidos?
-Um pouco- Alice confirmou.
- O Talkeetna é uma Região censo-designada localizada no Distrito de Matanuska-Susitna. Fica no entroncamento de três rios, o Chulitna, o Talkeetna e o Susitna. E vocês estão em Petersville que fica á 35 km do Talkeetna, mais alguma coisa?
-Não obrigada, quanto fica nossa conta?
Saímos rapidamente para os nossos Pégasos e para finalmente encontrar o Jace. Para nossa sorte apenas falamos Talkeetna e mais precisamente monte McKinley que Neblon sabia exatamente que caminho tomar.
Em pouco tempo estávamos no Talkeetna. Reparei que havíamos chegado pelo grande cume que ficava sobre a cidade.
-Chegamos!- Gritei ao vento e minha voz ecoou na montanha.
Descemos dos Pégasos e nos despedimos deles, para voltar tínhamos que achar outro meio. O que me pareceu a tarefa mais difícil que era achar o Jace no meio de tanta neve se tornou a mais fácil que eu já tivera na vida.
Num declive que dava para uma caverna Jace estava amarrado e aparentemente fora do ar (ou seja, inconsciente, ou dormindo, ou desmaiado, essas coisas). Pareceu-me tão fácil que quase duvidei que aquilo fosse mesmo real.
- É sério isso?- Alice perguntou.
- Não sei, está fácil demais. Não há nada perto dele- Josh respondeu.
-Então vamos lá, mesmo que esteja um monstro horrível nos esperando, nós precisamos salvar o Jace.
-É verdade, vamos lá jovens- Alice tomou a dianteira enquanto eu pegava Gladio e sussurrava “afýpnisi̱” para minha espada, ela tremulou num brilho fraco pela falta de uso (isso é possível sim).
Começamos a subir o cume, o que me pareceu alto antes, agora parecia muito baixo e em pouco tempo estávamos a uns quatro metros de Jace. Foi então que a verdadeira pedra entrou no nosso caminho.
No caminho tinha uma pedra.
Tinham vários Abomináveis Homens das Neves no caminho.
Sim. Vários AHN pareceram desgrudar das paredes do cume e olharam para nós, primeiro com curiosidade e depois que se fossem nos destroçar (o que era muito provável). Fique me lembrando de algum mito grego sobre eles e algo que me ajudasse a derrota-los, mas nada me veio. Nada.
Então era isso. Íamos perecer com pedras AHN.
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