O Renegado
9 Minha Diversão não Acaba como Esperada
Notas iniciais
[Arianna]
Se existe injustiça no mundo ela começa quando uma filha de Athena decide algo no palitinho. E essa decisão não inclui você. E essa decisão é sobre salvar a vida de um amigo. Injustiça.
Sai irritada de lá. Não posso acreditar, não vou numa missão.
-Calma Arin, é só uma missão- Anthony vinha atrás de mim, tentando me acalmar.
Como se conseguisse acalmar uma filha de Ares.
- Não me chame de Arin! Esse é o apelido do Jer!- Virei para olhá-lo furiosa com tal ousadia, mas ele não calculou que eu fosse fazer isso e bateu de cara comigo.
Quando fomos para cair no chão, Anthony girou numa velocidade assustadora e colocou o corpo para absorver todo o impacto da queda. Não foi nada que eu gostasse de fazer, ser o tipo “donzela em perigo”. Odeio isso, mas não é de todo mal quando seu namorado te protege de arranhar a cara toda.
- Se machucou? Está doendo algo? Te machuquei linda?- Anthony tinha me sentado no chão e me analisava furiosamente a procura de algum arranhão.
- Não, não foi culpa sua- Anthony me olhou curioso- Na verdade, foi sim e espero que esteja feliz seu jumento! Vá pastar agora e me deixe em paz.
- Arianna...
Interrompi-o.
-Por Ares Anthony! Quer me deixar um pouco? Você está me sufocando! Preciso de um tempo para mim poxa!
Levantei e sai batendo o pé irritada. Só ouvi ao longe Anthony falando um simples:
- Tudo bem, se é assim que quer.
Continuei caminhando sem dó dele. Se ele queria mesmo namorar comigo, teria que me aguentar.
Resolvi que estava na hora da diversão. Peguei minha espada no arsenal e sai das barreiras do acampamento. Só assim mesmo para me distrair um pouco. Sentei numa pedra particularmente grande e esperei.
Esperei.
Esperei.
Fiquei tanto tempo quanto é possível para um filho de Ares esperar por uma luta. Comecei a pensar na possibilidade de fazer uma placa neon escrita “Semideus delicioso aqui, venham e pegue seu pedaço!”. Foi então que sorrateiramente ele apareceu.
Uma criatura cujo corpo é formado pela dianteira de um cavalo e a traseira de um galo. Têm enormes garras amareladas nas patas de trás, asas vermelhas e cauda cheia de penas, avançou contra mim fazendo barulhos que variavam de um grunhido de fera e cacarejar de galo. Assustador, mas nem tanto para uma filha de Ares.
Antes que eu pudesse insultar a mãe que o fez, ele veio com tudo para cima de mim, suas patas dianteiras de cavalo soterraram a terra onde minutos antes eu estive em pé. Por pouco não havia sido esmagada. Levantei num pulo e ataquei a traseira de galo do animal, o que eu não contava é que suas penas eram afiadas como lâminas de vidro, muitas delas fizeram cortes em meus braços e deixaram o chão vermelho com meu sangue.
Sai de perto dali e corri até um pedra mais alta que o animal, subi com dificuldade na pedra e comecei a gritar:
- Aqui, animal estúpido! Vem aqui porque eu vou decepar essa sua cabecinha feiosa!
Ou o animal entendeu os insultos, ou ele estava com vontade de me matar mesmo pois em poucos segundos o animal tentava me acertar com seus cascos. Para minha sorte a pedra era alta de mais para ele e fiz um mortal de costas parando em cima de sua lombar de cavalo, como se fôssemos fazer um belo passeio de cavalo pelo campo.
O problema é que esse cavalinho/galo era indomado. Ele lutava para tirar de suas costas o lanche (eu), mas consegui cravar minha espada em sua pata esquerda, deixando-o aleijado. Cortei muitas penas/lâminas de sua cauda e preparei para decepar sua cabeça, quando perdi o equilíbrio e bati a cabeça com tudo numa pedra especialmente pontuda ali perto.
Comecei a perder a visão, tudo ficou negro e embaçado, para minha sorte (ou azar) a última coisa que vi foi um anjo moreno que não tinha asas voando furiosamente em minha direção. Por uma fração se segundo tive medo do anjo, ele parecia furioso e disposto a matar (se é que anjos saem por ai matando). Ele chegou perto de mim e uma luz dourada iluminou o céu que nos rodeava, tudo pareceu muito tempo, mas foi apenas alguns segundos entre o cair com a cabeça na pedra e acabar numa escuridão dolorosa. A única coisa que vinha na mente era um nome, um apelido na verdade Pirata.
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