O Renegado
21 Me Caso Como um Grego Antigo
Notas iniciais
[Jace Stephen]
No meu sonho eu estava com uma roupa especial, uma túnica grega própria para o casamento e eu estava em pé vendo uma discussão entre meu pai e outro homem, eu sabia que aquilo era uma enguesis, uma negociação entre o pai da jovem (ou o seu tutor) e o noivo e que poderia acontecer vários anos antes da concretização do casamento. Depois eu estava ao lado de uma jovem, fazendo os votos, eu não via seu rosto, mas eu estava muito feliz, pois eu sabia que aquela garota era Rovena. Não tinha nenhum sacerdote ali, pois não era necessária a presença de sacerdotes na cerimónia do casamento. Nós nos casávamos em Janeiro, no período de Gamalion (Janeiro/Fevereiro).
Então a cena mudou, eu estava fazendo sacrifícios (proteleia, programia) a divindades como Hera e Zeus (deuses do casamento), a Ártemis (deusa da virgindade) e a Ilítia (protetora dos partos). Minha noiva, ainda coberta pelo véu oferecia todos os seus brinquedos à deusa Ártemis, que simbolizava o fim da sua infância.
Então eu comecei a tomar um banho ritual de purificação com água da fonte Calírroe transportada em vasos especiais (os lutróforos) por mulheres em cortejo.
A cena mudou novamente, já no dia do casamento nossas casas estavam decoradas com ramos de oliveira e de loureiro. O pai da noiva nos ofereceu um banquete e a noiva ainda estava com o rosto encoberto. Durante o banquete trocamos presentes e comemos bolos de sésamo, que favorecerem a fecundidade.
De noite ocorreu o ritual de condução da minha esposa para a sua nova casa. Subimos para um carro puxado por bois, fomos acompanhados por parentes e amigos que seguiam a pé carregando tochas e cantando o himoneu, o hino do casamento. Na porta da minha casa meus pais nos esperavam, prontos para receber a noiva; minha mãe segurava uma tocha na mão e meu pai tinha uma coroa de mirto. Deram para minha noiva envolta no véu um bolo de sésamo e mel e uma tâmara. Atiraram então sobre a cabeça desta, figos secos e nozes enquanto minha mãe a levava até ao fogo sagrado. Chegou então o momento de conhecermos o novo quarto, para consumar a união.
A noiva foi manhosamente até a cama e eu fui junto, meu coração batia acelerado com a ideia de agora eu ser o homem de Rovena, ser o marido dela. Mesmo em sonho essa ideia me animava muito e me deixava muito feliz.
Fui em direção ao véu e comecei a puxá-lo para cima, sorri de orelha a orelha, pensando em Rovena com seus lindos olhos cor de chocolate e seu cabelo ondulado caindo sobre as costas. Puxei o véu por completo e me assustei com o que vi.
O lindo rosto de Rovena sorriu terno para mim, mas em poucos segundos o rosto mudou e no lugar uma das Fúrias de meu pai apareceu. Dei uns passos para trás e acabei caindo no chão ao tropeçar em mim mesmo.
- Em breve eu estarei ai, Renegado. Trago uma mensagem do Senhor do Mundo Inferior, não se deixe iludir como no sonho. Agora acorde fraco!
Acabei acordando com um pulo de susto. Olhei ao redor e vi Alice no posto de vigilância, ela parecia visivelmente cansada, então resolvi começar meu turno. No meu momento do susto Rovena havia acordado simultaneamente, mas virou de costas para mim e voltou a dormir.
-Lice, eu posso ficar agora, vá dormir.
-Ainda faltam vinte minutos para o meu turno Jace, pode descansar.
-Não consigo mais dormir. Preciso pensar um pouco.
-Está bem então- Lice bocejou e se aninhou no peito de Josh, que a acomodou melhor perto dele.
O frio começou a bater e sorri ao me lembrar das palavras da música de Josh. “Hurt by the cold” (Machucados pelo frio). Esse cara é demais.
Pensei em outras coisas, mas Hurt by the cold fixou em minha mente. Pensei em Rovena, no sonho, em minha condição de Renegado e pensei até na maldita Fúria que estava a caminho de nosso acampamento improvisado.
Hurt by the cold.
Hurt by the cold.
Acabei adormecendo com Saga da Morte em meu peito e Hurt by the cold na cabeça.
Notas finais
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