Sempre achei Kira um tolo. Suas ações eram previsíveis. Não, não digo previsíveis no sentido de que qualquer idiota saberia seus planos, mas sim no sentido de que qualquer idiota saberia que ele cairia logo. Se eu tivesse o seu divino poder de assassinar, o que eu faria? Provavelmente nada, ou pelo menos não o usaria para punir criminosos, pois o que esperar com isso? Um dia eu morreria e crimes voltariam a ser feitos. Bem, mas saindo dessas divagações, esse era o meu pensamento antigo.

O meu pensamento mudou.

Digamos que eu sou, junto da Cindy, o melhor aluno da Wammy's House, orfanato feito para crianças com alto QI, em que uma delas substituiria o L, a mais genial. E eu e Cindy estávamos empatados nos testes. Cindy sempre foi minha melhor amiga, isso porque convivemos juntos desde crianças. Eu me lembro como se fosse ontem dela sentada no chão do lado de fora do orfanato, chorando, e eu fui até ela saber o que estava acontecendo. Ela se virou para mim e disse que tinha caído, torcido o pé. A levei carregando nas costas até a enfermaria.

Eu tenho uma pele clara e um cabelo curto em franja e negro, assim como olhos castanhos-mel. Sou relativamente alto e sei lutar um pouco também. Cindy era uma bela garota também de pele clara e cabelo ruivo, assim como olhos verdes como esmeraldas. Ambos tínhamos quinze anos quando aconteceu. Havíamos acabado mais uma prova teórica de resolução de um suposto assassinato e eu fiquei sentado na sala, olhando para a janela. Assassinatos, estupros, tudo isso era comum e atos assim causavam um equilíbrio natural, eu pensava. Não conseguia entender as ações de Kira, que teve o seu nome manchado na História, pois L sempre seria visto como o herói.

Esse era o politicamente correto.

Cindy estava logo atrás de mim e se levantou, indo entregar a prova para o professor. Ela pegou o meu braço no caminho, me levando também. Ela sabia que eu havia terminado a prova, até mesmo antes dela, então como eu sempre fui bastante preguiçoso, ela me levou para entregar. Cindy sempre foi a minha motivação para fazer tudo nessa vida, para fazer tudo que fiz. Ela era aquela que eu mais queria proteger e estar perto.

Entregamos as lições e fomos dispensados. Ela, ainda pegando em meu braço, foi me puxando. Quando saímos da sala, ela começou a falar.

- Damian, você é o melhor aluno daqui, por que é tão preguiçoso? — ela dizia, brava. Eu dei um sorriso sem graça.

- Perdão, perdão. Mas você sabe, não é? — eu ia dizendo, enquanto andávamos pelo o corredor.

- Como assim? — foi a primeira vez que ela me olhou nos olhos. Oh, céus, como eu tive vontade de tocar aquele rostinho branco e acariciá-lo! Engoli em seco e voltei à minha expressão normal.

- Não tenho intenção alguma de ser L — eu disse. — Você seria um L muito melhor do que eu.

- Eu não acho — ela olha para baixo, com a voz soando reflexiva. — Eu também não quero ser L, não quero ter que desvendar casos, apenas quero ficar perto de você para sempre. Damian, você se lembra da nossa promessa? — Cindy disse, olhando para mim e sorrindo em seguida. Sorri em retorno.

- Sim, vamos nos casar — eu falei.

- Não por amor, mas por confiança — ela disse. Senti vontade de gritar, "mas eu te amo!", mas não fiz isso. Apenas fiquei calado, percebendo que ela ainda pegava em meu braço. — Bem, agora vou ao meu dormitório. O que acha de nos vermos lá fora depois? — ela disse novamente.

- Está certo — eu já estava de mal humor. Nos separamos e fomos para nossos respectivos rumos. Eu fui para o meu quarto, o abrindo com a chave, e não esperava encontrar nada de novo. Nada mesmo.

Apenas uma infinidade de mangás Shoujo, Shounen e Seinen, livros e anotações.Perto da cama, havia uma mesa com o computador e fui até lá para ligá-lo, mas não sem antes fechar a porta do quarto. Gostava de privacidade. Então, notei algo curioso: havia algo em cima da minha cama, percebi isso enquanto olhava para ver se ela estava mal arrumada. Fui até lá e percebi ser algo negro.

- Um caderno? — perguntei baixinho. E o toquei.

Quando o toquei, vi que havia alguém em cima da cama, uma espécie de monstro, eu pensei. Dei um pulo pra trás, caindo no chão, mas não sem antes soltar um grito — era um homem com vestes antigas e mal conservadas e uma cabeça de esqueleto, que surpreendentemente sorriu para mim.

- O-o que diabos é você!? — eu perguntei. Ele sorriu ainda mais e fez uma curvatura.

- Olá, o meu nome é Golaz. Sou um shinigami — ele disse.

Notas finais
Deixem reviews. xD