O Reino dos Morangos

3 Áreas de Livre Convívio


Capítulo três: Áreas de Livre Convívio

Por sorte o país-sede do Conselho havia sido o Brasil, então com alguns toques no celular a senhorita Nunes deu um fim aos descrentes no quarto dia de reunião.

Logo no início do evento, foram postas três cadeiras extras à frente, uma delas ocupada por um homem, a outra por uma mulher e a terceira estava vazia. Mais uma vez a presidenta do Brasil garantia a capa dos jornais. O homem era Henrique Carvalho, e diante do pedido da brasileira transformou-se em um lobo, com a mesma facilidade que deveria ter ao escovar aqueles dentes enormes.

- Esta é Tatiana – Gabriela continuou, ignorando as expressões de espanto de todos e a queda da cadeira do presidente italiano – uma velha amiga de mamãe. Ela é uma fada, ou pelo menos o mais perto disso que vocês conseguem ver. Na verdade, ela é uma fada no corpo de um humano, o que a debilita muito – Sorriu para a bela mulher, com certeza muito animada com a situação, como se assistisse a uma bela encenação de Shakespeare, e fosse ela o próprio autor – Vamos lá, Tati, mostre algo a eles.

- O que esta pensando, senhorita Nunes? – Carlos Bertolli, o presidente italiano, levantara-se, a cabeça vermelha como um morango, parecia ligeiramente mais careca que há alguns minutos atrás – Isto não é um show de horrores! O que esta mulher vai fazer? Criar asas e nos transformar em duendes? Isso é um absurdo, pare já com isto!

- Estás a urinar as calças? – Desde que se revelara vampiro, Nuruyev perdera o respeito pelos outros governantes do globo, fazendo a imagem de raça superior – Tenho certeza de que todos estamos apreciando muito a situação. Já que é de extrema importância para a decisão sobre o futuro do nosso planeta – Enquanto dizia a última frase, passou os olhos por cada um dos presentes, demorando-se um pouco mais em Michael Evans, que permanecia calado.

- Certo, Cossack! – Gabriela animou-se como uma criança de oito anos, apesar dos seus mais de vinte – Vamos, Tati, vamos.

A mulher não abriu a boca para responder, apenas fechou os olhos calmamente, escondendo seu brilho âmbar, ao abri-los, Bertolli voltou a revoltar-se.

- Não é possível! Isso é um absurdo! Um absurdo, repito, um absurdo! O cabelo da mulher está azul... Agora rosa! Verde, roxo, laranja... – caiu desmaiado no chão.

- Acho que agora podemos conversar em paz – Nuruyev riu-se quando um par de seguranças veio acolher o presidente italiano, levando-o ainda desacordado nos braços.

- O que será feito? – era a primeira vez que o rei francês se pronunciava no dia.

- Vamos ver o que a criança tem a nos mostrar, ué! – Cossack dera de ombros.

- Criança? – Dois ou três deles questionaram.

- Ah, como eu já esperava. Vocês não podem ver o Thithi. Então, ele é uma fada de verdade, enão uma presa no corpo de um humano, como a Tati. Talvez Cossack o veja por ser um vampiro.

- Você está do lado de Nuruyev, não é, senhortia Nunes? Quer nos ver nas mãos dessas criaturas estranhas? Isto é uma infâmia! – Desta vez era Michal Evans, o ditador americano a interromper, levantando-se, mas não disse muito. Voltou a sentar-se e dedicou-se a cutucar o nariz pelo resto dos dias das reuniões.

* * *

Tatiana Prado, a meia fada recebeu diversos convites de grifes internacionais e acabou assinando um contrato com a Louis Vuitton, tornando-se modelo exclusiva da marca. Henrique Carvalho não foi mais visto após o fim do quarto dia de Conselho e Gabriela Nunes colocou seu nome na história.

Pelo que depois a governante brasileira explicou ser influência da presença de Tatiana, o Conselho transcorreu tranquilamente, todos os dias foram frutíferos e no final do sétimo haviam tomado uma decisão bem elaborada, que revista várias vezes, parecia não haver muitos furos.

Todas as raças deveriam se revelar, caso existisse mais alguma além dos vampiros, das fadas e dos lobisomens. E todas teriam direitos iguais. Poderiam governar como humanos, viver como humanos, estudar, conviver naturalmente. Também teriam os mesmos deveres dentro da lei, e limitações. Assassinatos não seriam permitidos para que os vampiros se alimentassem, deveriam viver com o sangue sintético, que seria produzido em massa sob o controle japonês. Em questão das transformações, também eram livres para fazê-lo, mas precisavam avisar ao Controle de Raças, o novo órgão internacional criado, e obviamente que o humano a ser transformado deveria ir junto ao vampiro, mostrando estar de acordo. Transformar menores de idade era proibido, pois estavam considerados ainda não capazes de si pela lei, e o vampiro que fosse contra isso seria condenado à morte. A forma de matar um vampiro havia sido revelada ao Controle das Raças, mas nada além, até hoje são poucos os cientes disso, embora há muitas especulações, a maioria sem fundamento.

Caso as raças não humanas se sentissem ameaçadas do convívio social aberto, elas poderiam ser refugiadas nas ALC (Áreas de Livre Convívio) que deveriam ser criadas por todo o globo. Ao fim do Conselho dos Males, três já estavam com todos os planos acertados para a sua criação (repetindo que tal sucesso era puro poder feérico).

O primeiro seria O Império da Neve Vermelha, o segundo maior, com vários subdomínios. 30% do território Russo seria evacuado para outras áreas, deixando o norte do país apenas para vampiros, todas as nacionalidades eram aceitas, o cargo de Imperador foi dado ao vampiro-pai de Nuruyev, fato que garantiu sustentação com o país russo.

O segundo, a Floresta de Pedra, seria a cidade de São Paulo, no Brasil, que também seria evacuada e destinada aos lobisomens. O Brasil também seria responsável pela criação da maior e mais inusitada ALC, O Reino dos Morangos, que prometia dar lar a todos os não humanos, tendo o imenso espaço da Floresta Tropical como área a ser construída.

E o Segundo Big Bang tomava sua forma.