O Reino de Telmamlet - O Castelo de Gelo
11 Prioridades
Notas iniciais
Fui para a escola e resolvi ficar na aula. Preciso manter as aparências. Quando voltei pra casa tinha um bilhete na geladeira. “Tem comida na geladeira e dinheiro pra EMERGÊNCIAS debaixo do pote de biscoitos. Volto em duas semana.” Será que eu poderia chamar de emergência o fato de que eu tava com preguiça de fazer almoço?
Abri a geladeira para ver o que tinha e peguei a primeira comida congelada que vi. Comi rápido e subi para o quarto afim de pegar alguns livos que tinha trago da minha antiga casa. Estava na hora de aprender um pouco mais sobre Telmamlet e Orygo antes de voltar lá.
—*-
Aprender sobre Telmamlet era bem mais complexo do que eu poderia imaginar. Afinal era um mundo totalmente novo. Com línguas novas, apesar de a mais usada era a mesma que a minha, com poucas diferenças. No começo isso me intrigou, mas ao ler mais um pouco percebi que fazia algum sentido.
Basicamente, a pérola que estava no meu pescoço era usada não como um portal para viagens, mas uma “cela de prisão”. O meu mundo, a Terra, era usada como prisão para mal feitores de Orygo, ou seja, a Terra foi povoada por criminosos de outro mundo. Agora eu sabia porque no meu mundo tinha tanta coisa errada.
Ainda era cedo e não tinha ideia do que fazer para matar o tempo. A única coisa que sabia era que estava com uma vontade enorme de aprender a lutar. Não do tipo auto defesa, eu podia me virar muito bem na Terra, mas em Telmamlet era outra história. Nada lá era familiar. Eu precisava aprender a me defender.
Peguei algumas coisas e coloquei dentro da minha mochila. Também coloquei dois livros lá. Um que tinha a história de Smir e outro com a história de Mary, a antiga namorada dele. É, esse livro existe, e quem sabe ele pode me ajudar a ser uma lutadora melhor.
Abri o portal e passei por ele. Assim que cheguei vi que não tinha ninguém na cabana. Fui direto para a porta, ela estava aberta e eu sai. Não queria ir muito longe, por isso fiquei dando voltas na casa. Olhando a floresta, que por sinal era muito mais densa do que parecia. Depois de um tempo eu ouvi alguns passos e me escondi. O ser saiu da floresta e eu soltei um alívio. Finalmente Smir tinha chegado. Ele estava com um machado na mão e um animal morto nos ombros. Eu devia ter ficado com nojo, mas nas últimas semanas tanto tinha acontecido que aquilo não me incomodou.
― Achei que nunca ia voltar. ― eu disse saindo de onde estava.
― Você aqui de novo? ― ele falou parando a alguns metros de mim ― O que eu tenho que fazer pra me livrar de você?
― Ótimo que perguntou. ― falei sorrindo. Dei mais alguns passos e me aproximei. ― Quero aprender a lutar.
― Bom pra você. Obrigado por me manter informado. Agora suma. ― Smir disse balançando a mão no ar, como se eu fosse um cachorro qualquer. Já passou o tempo em que eu me importava com isso.
― Mas você vai me ensinar. ― eu disse.
Smir me encarou por um tempo. E começou a rir. Depois de um tempo rindo e eu encarando, ele parou.
― E você poderia me falar por que, na minha vida infernal, eu faria a escolha idiota de te ensinar a lutar? E por que quer aprender? Não era você que não iria ficar nesse mundo?
― Porque eu tenho uma coisa que você quer. E estou num reino estranho, com seres estranhos e com uma rainha que quer me matar. ― eu disse me sentindo triunfante.
― Seres estranhos? ― ele disse ― Sério?
― No meu mundo não tem o que você é, o que quer que seja, nem magia, nem reinos mais.
― Eu sou um elfo, menina tola.
― Não interessa o que você é. Eu tenho um livro que te interessa e você vai me ajudar.
― Essa eu duvido. Você não tem nada, e não vai aprender a lutar coisa alguma comigo. Pode arrumar outro que te ature. ― ele falou.
― Eu tenho o livro com sua história. ― eu disse cruzando os braços.
― Pode ficar com ele. Você já sabe e o reino todo. Eu sou uma lenda. ― Smir disse com uma voz bem sarcástica. Mais do que a que ele tinha usualmente. Ele começou a anda em direção a cabana.
― Então eu tenho outra coisa a oferecer. ― eu disse.
Ele parou e suspirou. Agora ele estava mais perto de mim. Pensei por um momento se ele teria coragem de me matar. Eu torcia para que não.
― Fala logo as baboseiras porque eu tenho um animal pra limpar.
― Eu tenho o livro de um certa arqueira chamada Mary. ― as sobrancelhas dele se levantaram um pouco. Ahá, te peguei grandão.
― Você está mentindo. ― ele disse cerrando os olhos.
―Se estou mentindo então como sei que você já foi um vidente? E que por isso conheceu a Mary, e a perdeu. ― eu mal podia colocar em palavras a felicidade que eu estava por finalmente calar aquele idiota. Me sentia a maior vencedora daquele mundo. ― E ele pode ser seu se você me ensinar a lutar com uma espada.
A respiração dele ficou um pouco mais acelerada. Era nítida a indecisão dele. Para o meu bem era melhor que a Mary significasse mais pra ele do que eu estava pensando.
― Ok. Mas quero o livro primeiro.
― Não, depois que eu aprender eu te entrego.
― Você que precisa de ajuda e não eu. O livro primeiro.
― O livro na metade. Me ensina a lutar e então daqui a cinco dias eu te entrego o livro. Fechado? ― Eu estendi a mão. Smir olhou pra minha mão quase com cara de nojo, mas a apertou. E apertou tanto que quase quebrou os meus dedos.
― Tá bem. Vamos para dentro. Tenho uma espada sobrando.
Fale com o autor