O Reino de Março
1 Prólogo
Notas iniciais
Abele Edmond
Eu era feliz, sozinha, excluída, com apenas uma amiga, mas feliz. Eu tinha uma escola, e iria começar o segundo ano do ensino médio dia 03 de março. Ana Ratre, minha melhor amiga, estava na minha casa no dia em que eu fui ''sequestrada'', 24 de janeiro, nós estávamos nos preparando para uma festa de boas vindas antes das aulas, eu não estava tão animada, mas resolvi ir, para que Ana não ficasse sozinha.
Eu morava em Paris, eu nasci lá, e quando fiz um ano minha família se mudou para os Estados Unidos, nem me lembro mais o nome da cidade, depois de dois anos, voltamos para Paris, e por lá ficamos, conheci Ana com 11 anos, ela tinha 13, comecei a escola com 4 anos, todo mundo se espantava por causa disso. Ana foi a única que ficou realmente feliz em ser minha amiga, o resto fingia que gostava de mim porque eu era boa em algumas matérias.
Eu amava escrever também, e um dia, revirando por todas as estantes de uma biblioteca, li um livro, falava sobre um reino, um reino enorme, chamado O Reino de Março, falava sobre um rei que perdeu sua filha, Alice, e ''sequestrava'' garotos e garotas com a minha idade para ajudarem ele a ressucitá-la, fiquei encantada e pedi para minha tia comprar o livro, ela disse que a história era para criancinhas medrosas como eu, mas mesmo assim continuei acreditando naquela história.
Em 2014, um garoto desapareceu, Oroa, o sobre nome era algo como Skuins ou Eskeins, por aí, ele tinha 17 anos e eu 15, ele morava em Paris também, estudava na mesma escola que eu, eu via ele de vez em quando. Não tivemos aula por uma semana depois que deram ele como morto, mas nem tinham encontrado o corpo, pra mim isso é falta de respeito.
Minha prima, Carmenny, me disse que ele tinha ido para aquele reino, eu não sabia se acreditava ou achava graça, porque ela era bem estranha, um mês depois ela fugiu de casa, levou mala, comida, duzentos reais, duas facas enormes e um garfo, minha tia sabia exatamente quantos talheres ela tinha, contando com o garfo e as facas sumidas, eram 140, sim, 140 talheres.
Eu ainda tenho as palavras de minha tia ecoando em minha mente ''Esta história não passa de uma grande mentira! Várias palavras mentirosas feitas para assustar criancinhas medrosas como você. Esta história nunca vai se tornar realidade.'', ela estava completamente errada.
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