O Reino de Março
13 Oroa e sua amiguinha?
Notas iniciais
Abele Edmond
Nós estávamos no fim da peça, quase na cena do beijo, quando um senhor entrou na sala.
—Eu procuro Abele Edmond.-ele fala, olhando para o professor como se fosse mata-lo.
—Ela está fazendo a peça, majestade.-o professor responde, apontando para mim.
—Não importa, eu preciso que ela venha comigo.
—Sim, majestade. Abele, venha aqui.-o professor me chama.
Eu olho para Oroa, que estava de pé, perto de mim e depois para o professor, que olha para Oroa, que olha pra mim e vou até a ''majestade''.
Ninguém fala nada o caminho inteiro, estávamos em uma espécie de carruagem feia. O rei estava ao meu lado, dormindo.
—Chegamos, majestade.-um senhor abre a porta.
Nós entramos em seu enorme castelo, caminhamos pelo menos um quilômetro até chegar em uma sala enorme, com uns cinco sofás nada confortáveis e um lustre enorme que poderia cair em minha cabeça a qualquer momento.
—Então... Senhorita Abele, o que faz aqui?-o rei pergunta, me entregando uma xícara de café.
—Que eu saiba, foi você quem me trouxe.
—Não ouse falar assim com a majestade!-um guardinha fala, indo em minha direção.
—Não, Alb, está tudo bem.-o rei fala, fazendo um movimento positivo com a cabeça.-Abele, você está aqui para me ajudar, não está?
—Como vou saber?
—Eu te trouxe aqui para me ajudar a salvar minha filha.
—Quem?
—Alice, minha filha. Eu só queria ter ela de volta...
—Olha, majestade... Eu sinto em dizer que não posso te ajudar, não sou bruxa nem algo do tipo.
—Sim, entendo... E aquela peça que estava fazendo?
—Era tipo um teatro...
—Hum... Interessante.
—Eu já posso ir, majestade? Tenho que ir para a escola, sabe? Estudar...
—Claro! Vamos para a carra.
—Carra?
—Isso, onde você veio para cá.-ele fala, se levantando e indo até a porta.
—Hum...
Nós fizemos toda aquela viajem cansativa novamente, ele dormindo e eu acordada.
Eu me despedi da ''majestade'' e entrei na escola, quando um bilhete cai em minha frente.
'' Mesmo que você não saiba quem sou, ou talvez saiba, porque eu sou burro o bastante para escrever uma carta com minha letra.
Mas eu sou inteligente o bastante para ser amigo de alguém como você.
Mesmo tendo o perigo de vadias me matarem durante a noite, ou até mesmo de você arrancar minhas orelhas e me deixar morrendo de hemorragia.
Eu não vou escrever nada demais nessa carta, porque não gosto nem um pouco dessas coisas. E saiba também que Betert me obrigou a escrever uma carta com meus sentimentos.
De Você-sabe-quem
Para Abele Edmond :)''
Eu terminei de ler a carta e fiquei olhando em volta, procurando Oroa ou Bete.
—E aí, Abele.-era a voz de Bete.
—Cadê o Oroa?
—Sei lá. Deve estar por aí.
—E essa carta?-eu pergunto, balançando a carta.
—Essa carta.
—Por que você obrigou ele a fazer isso?
—Não obriguei ninguém. Eu sei que disse tudo aquilo... Mas obrigar ele a escrever uma carta já é muito.
—Ele não escreveria uma carta desse tipo sem ninguém o obrigar.
—Ou sim... Nunca se sabe, Abele. Mas de onde você tirou que essa carta é de Oroa? Pode ser de qualquer outra pessoa.-ele fala e eu mostro a carta para ele.-É dele mesmo... Cara...
—Pois é, Bete.
—Ok, enquanto não achamos ele, que tal irmos ali?-ele aponta para uma lanchonete estranha.
—Claro. Onde tem comida, tem Abele...-eu falo e ele ri.
—Verdade...
Comemos batatas enquanto falávamos sobre a carta e sobre várias outras coisas esquisitas.
—Eu tenho que achar Oroa... Na verdade posso deixar ele aqui, e ir pra casa sozinha.
—Ele deve estar com... Deixa pra lá.
—Com quem?-eu pergunto e ele olha em volta.-Betert, me responda.
—Tem... Tem uma aluna que ele disse que conhecia, então ele ficou conversando com ela. Até agora eu não vi os dois.
—De boa. Ele me escreveu uma carta.-eu falo e ele ri.
—Sim, claro. Verdade. Só não quero que ele te deixe triste, sabe?
—Hum... Também não quero que ele te deixe triste, Bete.-eu falo num tom divertido e ele ri.-Ok, vamos procura-lo... Está tarde.
—Sim.-ele fala e me oferece o braço, eu aceito e ficamos andando por aí, procurando Oroa.
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