O Reino de Março
6 Estudando com um retardado
Notas iniciais
Abele Edmond
''Nossa, eu acordei! Estou viva!'' isso foi o que eu pensei quando acordei, eu não sei como eu não estava morrendo ou morta depois que bebi aquele copo gigante de cerveja, na verdade nem sei se aquilo era cerveja, porque eu me lembro de exatamente nada, na verdade só me lembro de cuspir o café na cara de Oroa, mas isso é normal... Ou não?
—Acorda!-eu gritei puxando o braço de Oroa até fazer um barulhinho estranho, eu acho que quebrei o braço dele.
—Ai... Eu só não te bato porque eu sou um anjo.
—Hum... Sei. Então, você tá bem? Não quebrei nada?
—Não...-alguém bate na porta. Quem entra é Maria.
—Olá. Eu só vim dizer que tem uma escola sendo aberta lá no outro lado da cidade. Acho melhor vocês entrarem, pois o rei disse que iria mandar para fora do reino quem não entrasse, pois ele quer mais trabalhadores para ele ganhar mais dinheiro...
—O que? Eu não volto naquele inferno!
—Você vai voltar sim, mocinho já faz dois anos que você não estuda, aposto que se esqueceu como se soma dois mais dois.
—Hum... Mas ela vai comigo.-ele diz apontando para mim.
—Talvez eu vá...
—Talvez nada, vai sim.
—Eu trouxe algumas roupas para vocês irem... Que não são tão ruins assim.-ela diz entregando uma bolsa. Eu peguei um vestido vermelho e azul escuro~, dava pra confundir com preto.
—Nunca imaginei que eu fosse virar gótica.-eu digo analisando o vestido. Eu olho para a roupa de Oroa, uma calça preta, uma camisa branca e um casaco marrom, a combinação fica bem estranha.
—Somos dois.-ele diz dobrando as roupas e as colocando na caixa.
—Vocês vão começar amanhã, das três e meia da tarde até as oito.
—Ótimo, menos quatro horas e meia de tédio no meu dia.-eu digo dando um sorriso.
—Agora, acho melhor vocês irem lá conhecerem, são quase sete horas da noite!
—Nossa.-eu digo, coçando a cabeça.
—Ninguém mandou você me desafiar.
—Cala a boca.
—Vamos logo! Eu vou com vocês para mostrar.
—Pera aí, deixa eu pegar uma batata senão eu morro desnutrida antes de chegar lá.-eu digo, correndo até a cozinha e pegando duas batatas.
—Me dá uma, eu também dormi o dia inteiro.-Oroa diz, estendendo a mão.
—Não vou dar, você não merece.-Oroa pega a minha batata e a levanta, e como eu sou minúscula, não consigo pegar.—Vou te matar, Maria me dá uma faca?
—Espere para chegar à escola, você mata ele escondida, aqui é um lugar público...-ela diz sussurrando.
—Maria, você sabe que ela não tá falando sério, não é?
—Mas é claro que sei, não sou burra.
Eu olho em volta e acho uma gaivota voando, sim, uma gaivota. O que significa? Que por perto tem mar.
—Aquilo é uma gaivota?-eu pergunto, olhando para a gaivota. Oroa burro, cai na minha mentira/verdade e eu pego a batata, devorando no mesmo segundo.
—Que burro.-eu digo, com a boca cheia.
—Vai ter volta...
—Não se eu te matar primeiro. Só espera até a gente chegar na escola, eu te mato, cavo um buraco e te jogo lá.
—Hum... Sei.
—Não duvide de mim, mocinho.-eu falo e vou correndo até Maria.
—Ei. Maria, desde quando você conhece ele?
—Desde quando ele me ajudou a escapar dos guardas do rei.
—Hum... E quando foi isso, ele já estava aqui há quanto tempo?
—Há quatro meses. Porque as perguntas, querida?
—Só curiosidade.-pior que era curiosidade mesmo, eu sou conhecida como Abele, a Curiosa. Menitira, não sou. Mas se tem uma coisa que eu sou é curiosa.
—Chegamos.-ela diz, mostrando a frente da escola, que era enorme, devia caber uma baleia ali dentro.
—Escola...-foi isso que eu disse, depois de abrir e fechar a boca várias vezes.
—Anda logo, Abel.-Oroa diz, se virando para mim.
—Tá...-eu saio correndo, quando uma pessoa grita, eu olho pra trás e esbarro em alguém, Oroa. Eu caio de bunda no chão e ele começa a rir.
—Eu disse que ia ter volta.
—Você sabe se teletransportar... Legal.-eu digo, massageando a minha bunda.
—Anda logo.
—Tá, tá...
Nós ficamos um bom tempo perdidos, procurando Maria, as pessoas desse reino sabem se teletransportar e isso é muito legal... Mentira.
—Aí estão vocês! Eu fiquei falando sozinha todo esse tempo...-ela diz, enquanto caminha até nós.
—É que a Abele ficou babando na frente da escola.
—Tá, vamos logo, vou mostrar as salas e os banheiros.-eu não sabia que existiam banheiros em reinos... Melhor.
Depois de quase uma hora nos mostrando a escola, a gente resolveu encontrar o diretor. Quando finalmente encontramos, depois de meia hora, eu quase me joguei no chão de tanto cansaço.
—Finalmente.-eu falo baixinho.
—Então, esse é o Sr. Baleuza.-ela disse mesmo Baleuza? Eu tentei me segurar, mas não deu, desculpe Sr.Baleuza.
—Mas o que deu nessa menina?-o Baleuza pergunta à Maria.
—Ela tem ataques de risos de vez em quando, não se preocupe.-Oroa diz, o que era verdade.
—Hum... Melhor ela se controlar.-eu parei de rir com certa dificuldade e olhei para Oroa que olhou para mim, depois olhou para Maria, que olhou para Oroa, que olhou para o Baleuza.
—Desculpe, Sr. Baleuza...-eu me esforcei bastante para não rir novamente.
—Tudo bem, agora se mandem!-que grosso.
Ficamos andando muito, um garoto passou, me olhou de baixo para cima e sorriu, eu dei um dos meus olhares mortais mais caprichados, e mostrei o dedo do meio, claro.
—Mas que garoto metido, vou esganá-lo.-eu disse, quando o menino já tinha passado.
—Não vou deixar ele chegar perto de você.-Oroa disse, me segurando, no sentido ''proteger'' e olhando para o garoto. Eu ri.
—Eu posso me defender sozinha.-eu tirei a minha... faquinha do bolso e mostrei.
—Com a sua ''faquinha''?
—Isso mesmo, ela é super útil. E não duvide de algum dia, eu pular em você e arrancar suas orelhas com ela.
—Hum... Sei.
Nós andamos até em casa falando sobre coisas sem nexo, tipo de como os pinguins são altos, sobre a escola e o Baleuza.
—Chegamos.—diz Maria.
—Até que enfim, meus pés estão gritando.
—Nossa, já é quase meia-noite.
—Eu vou indo, até logo.-diz Maria, indo embora, novamente sem esperar resposta.
—Eu vou dor...-Oroa já estava babando, dormindo na cama.-Hum... Boa noite...
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