O Reino de Março
7 Abele odeia teatro
Notas iniciais
Abele Edmond
Eu nunca mais sonhei com aquela garotinha esquisita, e nada de estranho aconteceu. Melhor. Eu não sentia falta de Ana e nem de ninguém de Paris, que bom, pois se eu sentisse eu sofreria muito.
—Acordem! Já está na hora.-Maria nos acordou, puxando os nossos braços, o meu fez até um barulhinho.
—Ai.-eu disse, pegando o meu pobre bracinho.
—Andem logo!
—Bom dia...-eu disse, limpando a baba.
—Não posso dizer o mesmo...-Oroa diz, esfregando a cara.
—Se vistam e comam algo.-ela disse, jogando as roupas em cima de nós.
—Tá...-eu tirei a camisola tranquilamente e logo depois, percebi que tinha um certo alguém olhando, não preciso dizer que fiquei vermelha, não é? Eu peguei e vesti o vestido rapidamente, andando para a cozinha. Procurando comida.-Cadê as minhas batatas?-eu revirei tudo, e quando achei eu me sentei em uma cadeira e fiquei pensando em como as pessoas desse reino são fedorentas, pois ela tem que esperar dias para tomar banho, não é? Credo. Eu devo estar fedendo.
—Cadê a Abele?-Oroa diz, fingindo me procurar pela cozinha.
—Ela foi morta por mim, eu arranquei a sua orelha e ela morreu de hemorragia.
—Quanta violência.
—É isso que vai acontecer quando eu resolver acabar com a sua vida.
—Andem! Temos que sair daqui meio-dia, e são...-ela olha para o relógio- onze e cinquenta e oito.
—Anda logo, Oroa!-eu grito batendo na cabeça dele.
—Ai.-ele pega uma bolsa, deve ter coisas estranhas para uma escola estranha.
—Tomara que não me chamem de esquisita.
—Não tem como não chamar, Branca de Neve.-quando ele disse isso, eu me lembrei daquele dia, o dia em que minha mãe morreu.
—Você quer pipoca, Branca de Neve?
—Sim, mamãe.-batem na porta.
—O que desej...-houve um silêncio. Eu fui até minha mãe e ela estava lá, deitada no chão.
—Mamãe, você está dormindo? Você vai acordar para me contar uma história?-eu falo, sacudindo ela. Seu corpo estava ensanguentado, com marcas de facada no pescoço e no rosto, o que desfigurava a sua face.
—Abele você está bem?-Oroa me chama, eu deixo uma lágrima escorrer, mas me viro e a limpo rapidamente.
—Estou bem...-eu digo, sem mostrar nenhuma emoção.
—Hum...-eu sabia que ele estava preocupado, mas não fez nenhuma pergunta.
Nós andamos o caminho inteiro em silêncio, foi estranho, mas pelo menos ninguém fez perguntas. Melhor.
—Chegamos.-Maria diz, entrando na escola.
—Você anda muito devagar.-Oroa diz, se abaixando e pegando as minhas pernas, me fazendo ficar pendurada em seu ombro. Pelo menos eu estava de vestido... Não é?
—Me larga!-eu grito, socando as costas dele.
—Não vou te largar.
—Eu vou te matar.-eu arranho as costas dele com força.
—Ai.
—Era pra doer mesmo, pra você aprender. Agora me larga!
—Vou te largar.-eu ouvi o seu sorriso, sério, dava realmente pra ouvir o seu sorriso. Depois ele não me largou, ele me jogou dentro de uma piscina, e eu fiquei lá, igual a uma morsa retardada. Eu dei um sorriso e o puxei junto, como a sua perna estava perto da piscina. Oroa burro.
—Toma essa.-eu disse e ele me lançou um olhar mortal. Medo.
—Você não devia ter feito isso.-quando ele ia fazer algo, tipo me estrangular, Maria chega, desesperada.
—Saiam daí! A aula já vai começar!-eu agarro a borda da piscina e fico igual a uma retardada tentando sair dali.
—Ser baixinha é horrível.-eu não era tão baixinha assim, eu tinha um metro e sessenta e sete, por aí.
—Me dá a mão, anã.-Oroa diz, estendendo a mão. Eu lhe lancei o meu melhor olhar mortal, recusando a ajuda. E depois de um milhão de anos tentando subir, eu consegui. Mentira. Depois de uns vinte segundos, talvez trinta.
—Conseg...-eu vejo alguém conhecido passando na frente, era um garoto com cabelos cinzas.
—Anda logo.-diz Oroa, me puxando pelo braço.
—Cadê o Sr Baleuza?- eu falo e começo a rir.
—Pare de rir, vão achar que você é demente.
—E você não é?-ele ri, parando em frente a uma porta.
—Abre.—ele diz, apontando para a porta.
—Abre você.
—Não vou abrir, abre logo...-ele diz e coloca a mão na testa.
—Abre você caramba!-eu falo e logo um professor abre a porta, nos analisando, deve estar pensando ''Mas que isso? Não sabia que dois retardados iriam entrar na escola.''.
—Vocês devem ser os alunos novos, entrem e se apresentem.
—Como assim?-eu pergunto.
—Digam os seus nomes e as idades.
—Eu sou Oroa Skens, tenho dezenove anos de idade e essa é Abele Edmond, que tem dezessete...—eu ouvi algumas garotas dizerem '' Que lindo'' ''Que esquisita''. Fazer o que, algumas coisas nunca mudam. Eu fiquei parada ali na frente, feito uma pessoa com defcit de atenção.
—Vá se sentar, Abele, não tenho o dia todo.
—Que grosso...-eu falo talvez alto demais, o professor pode ter ouvido. Medo.
—Ali...-diz Oroa, apontando para duas mesas juntas.
—Ainda bem que vou ficar com você, não suporto a gente daqui.
—Digo o mesmo.-diz ele, puxando uma cadeira e sentando, eu já estava acostumada com a falta de educação dele, fazer o que.
—Tomara que não tenham aquelas garotas vadias como na escola de Paris.-eu digo puxando a minha cadeira e me sentando, logo depois, entram duas, três, quatro garotas com vestidos curtíssimos. Realmente algumas coisas nunca mudam.
—Prestem atenção crianças, mês que vem, haverá um teatro, com a história de Amélia e Jordae, vocês irão votar em quem será Amélia e Jordae.-uma mulher entra, perguntando coisas para os alunos, quando ela chega mais perto, eu posso ouvir.
—E você, Jade, quem quer que seja Amélia?-ela pergunta para uma das vadias.
—Não dá pra votar em mim mesma?
—Não.
—Então eu quero....-ela olha em volta, provavelmente procurando uma esquisitona, na qual ninguém irá votar. Seus olhos pousam em mim.-A Abele.—eu arregalo os olhos e olho para Oroa, ele está rindo.
—Como você pode rir numa situação dessas? Eu vou te matar.
—Imagina você sacudindo um lencinho em cima de uma torre?-ele continua rindo, provavelmente já sabe a história.
—E Abele, quem quer que seja Amélia?
—Aquela garota ali.-eu aponto para a garota que votou em mim, ela sorri e movimenta a boca, formando um ''obrigada''. Mas eu não estava fazendo aquilo por ela, só achava que ela ficava bem como Amélia.
—E Jordae?
—Aquele garoto ali.-eu aponto para um garoto, que parecia ser exibido, mas eu não me importo. E quando eu olho para a garota que votou em mim, ela está com um sorriso ainda maior e os seus ''obrigada'' aumentam.
—E você, Oroa? Quem quer que seja Amélia?
—Abele.- eu arregalo os olhos e só não dou um tapa nele com um machado em mãos porque eu não tinha um machado.
—E Jordae?
—Voto em branco.
—Tudo bem...-a mulher sai.
—O que deu em você? Quer morrer mesmo, não é?
—Quero te ver balançando um lencinho em cima de uma torre.-ficamos assistindo a aula, quando eu olho para Oroa, que olha para uma vadia, que olha pra ele, que olha pra mim.
—Não acredito...
—A maquiagem que ela está usando é ridícula.
—Espero que seja só isso mesmo.
—Não está com ciúmes, está?-ele diz sorrindo.
—Olha lá aquela mulher com um chapéu de chifres de Oroa. Você iria descobrir que eu prevejo o futuro mais cedo ou mais tarde.
—Continua violenta, que feio.
—Vamos anunciar os resultados.
—Abele como Amélia e...
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