O Reinado
1 O Convento
—Acorde dorminhoca o céu está lindo lá fora, venha...
—Já vou, só mais cinco minutos!
O dia estava realmente lindo assim como Melissa disse, sol, o céu azul, passarinhos cantando, flores abertas no jardim expelindo o seu perfume, tudo isso me lembrava minha infância.
Depois de observar pela janela o dia lá fora, me troco e saio do meu quarto, já vejo as meninas descendo as escadas e correndo em direção a porta que dá para o jardim, sigo elas.
—Bom dia madre Serafim!
—Oh! Bom dia minha querida Loise! Como foi esta noite? Conseguiu dormir tranquilamente, sem pesadelos?! — Sei que não deveria mentir a uma irmã da igreja, mas não suportaria mais um chá daqueles que ela me mandou tomar antes de dormir na noite anterior, um gosto amargo, com uma aparência horrível, sem contar o cheiro que não agradava em nada.
—Foi boa! Consegui descansar, o chá que a madre me recomendou foi de muita boa ajuda, obrigada.
—Que ótimo querida, caso precise de mais é só me procurar!
Dizendo isso a madre se afastou de mim e foi em direção ao seu lugar na mesa do café, que tinham arrumado no jardim do convento, para poder aproveitar aquele dia maravilhoso. Depois de todas as garotas se sentarem em seus lugares, começamos nossa oração de agradecimento pelo alimento recebido, quando terminamos as irmãs começaram a comer, mas algo estava estranho, nossos pratos estavam vazios, irmã Tereza me encarava com um olhar triste e desesperador, ia perguntar o que estava acontecendo, mas Leila começou a gritar, todas saíram correndo das mesas ás pressas, fiz o mesmo sem entender nada, muitas garotas gritavam de medo, outras estavam chorando e mesmo sem entender continuei correndo, indo em direção oposta dos gritos e choros, até que me aproximei da porta de onde havia saído, quando estava passando senti uma mão me puxando para dentro com toda a força que tinha.
—Corra Loi! Ande logo, confie em mim! Tudo vai dar certo! -Olhei para a pessoa que havia me puxado, com um olhar assustado e assim que percebi quem era perguntei o que estava acontecendo, apavorada.
—O que está acontecendo irmã Agnes? -A irmã tentava parecer calma, mas seu olhar era de quem estava desesperada.
—Vamos ande logo! -Ela me puxava por entre os corredores do convento, eu nem conseguia identificar onde estávamos, eu mais tropeçava entre meus pés do que andava.
—Calma irmã, me explique o que está acontecendo, eu não estou entendendo nada...- Irmã Agnes me puxou por uma porta que dava em um quarto grande, bem limpo e com uma decoração impecável, me fazia lembrar do meu quarto de infância.
—A irmã Tereza é... Bem como posso te dizer... Ela é a sua provadora!
—Ela é o quê? Provadora?
—Ela prova a sua comida, tudo que você ia comer ou beber, ela provava antes. Hoje não foi diferente dos outros dias, a não ser por uma coisa, a sua comida estava envenenada! Por esse motivo nós freiras comemos antes de servir vocês, para garantir a segurança de vocês! Agora entre nesse quarto querida e espere até que seja seguro sair. Não coma nada e não beba nada que te derem, a não ser que eu ou a madre Serafim traga para você! Você me entendeu Loise?- Irmã Agnes me encarava muito séria e preocupada e até me chamou pelo meu nome e não pelo apelido, ali vi o quão grave a situação era.
—Si... sim! Eu entendi!
Depois de algum tempo madre Serafim aparece no quarto com biscoitos e leite.
—Eu sinto muito Loi você ter que passar por tudo isso. Espero que um dia consiga esquecer o acontecido de hoje!
— Eu não sabia sobre a irmã Tereza ser minha provadora! Eu sinto muito, eu não queria que isso acontecesse com ela...
-Calma! A irmã Tereza sabia que um dia isso poderia acontecer, sabia dos riscos que corria por ser sua provadora. E é uma honra para nós, sermos provadoras, é nosso dever proteger de qualquer forma, você ou qualquer outra menina desse convento! Mas Loi você tem que partir para França agora! As criadas irão lhe ajudar a se trocar, quando terminar vá até a carruagem que está preparada para você partir lá fora. Sua segurança vai estar melhor lá querida.
—Obrigada! –Era tudo o que eu conseguia falar naquele momento, apenas agradecer, não somente pelo leite e os biscoitos ou por eu estar mais segura em um palácio na França, mas por elas se arriscarem tanto por mim e pelas as ouras garotas.
Me arrumei conforme a madre avia falado, depois de pronta caminhei até onde estava a carruagem, mas antes de entrar me despedi das minhas amigas, que estavam enfileiradas para o lado de fora da porta de entrada do convento.
—Loi sentirei muita sua falta! Me mande uma carta assim que chegar na França. Me conte tudo!
—Também sentirei sua falta Mel e pode deixar, assim que chegar e me acomodar irei escrever uma carta bem detalhada especialmente para você!
—Loi tome muito cuidado, dizem que os corredores do castelo de lá é mal-assombrado!
—Bobagem minha querida amiga Leila! Isso são só histórias contadas as crianças para não ficarem correndo pelos corredores do castelo a noite!
Após me despedir de todas entrei na carruagem e partimos rumo a França, triste por todo o ocorrido, mas ansiosa pelo o que me aguardava lá...
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