O Rei do Mundo II
2 Transformações
Notas iniciais
" Minha vida havia mudado, eu não sabia se para pior o para melhor, mas eu me sentia bem, era tudo satisfatório, era tão bom ser ruim... a cada dia eu me distanciava cada vez da minha vida humana, e eu percebia um lado do mundo que eu nunca havia visto: o lado que ninguém vê. A vida humana havia se tornado tão bela e desprezível da noite para o dia, o som do coração batendo era um poema aos meus ouvidos, mas a vontade de sugar todo o sangue que passeava pelas veias era a pior sensação que eu poderia sentir, eu sentia uma pequena pena de quem eu matava, mas minha mente seguia um fluxo de pensamentos positivos e talvez minha vitima estivesse em um lugar melhor...
" Eu perambulava confuso e sedento, era difícil compreender o que eu era, as vezes me perguntava se isso era uma doença ou uma benção. Eu não era capaz de ficar no mesmo ambientes que os humanos, caso contrário faria um banho de sangue. Talvez você pode não acreditar, mas eu não fui um recém-criado muito discreto — eu não havia ninguém que me desse apoio com essas mudanças que aconteceram comigo — mas por sorte os humanos e suas mentes limitadas começaram a crer que era um assassino em serie.
" Eu queria voltar para a minha antiga vida, mas como eu explicaria o que sou para a minha família? Eles não iriam me entender... mas por sorte eu encontrei alguém com esse mesmo defeito sanguinário. Aro.
" Eu conheci Aro em uma caçada — aliás, minha vida era uma caçada — ele me deu instruções de como controlar minha maldita sede, e assim nos tornamos amigos inseparáveis. Aro conheceu alguns vampiros que tinham uma espécie de exército-família de vampiros, e ele tinha em mente que um dia formaríamos algo semelhante, e conseguimos.
" Depois Caius e Athenodora se juntaram a nós, e naquele casal eu vi meu poder evoluir. Era como se eu sentisse uma energia forte quando eu os via juntos, e isso era a prova de como eram — e ainda são — unidos, eu conseguia ver como gostavam um do outro, como se amavam, sinceramente eu sentia inveja, não que me faltasse mulheres, eu até tinha uma... amiga muito intima, se é que você me entende. Lucrécia, esse era o nome dela, era uma moça alta e bonita com cabelos cor de sangue, ela me seduzia, ela tinha cheiro das flores do campo próximo ao castelo. O que eu tinha com Lucrécia era bom, mas não era o suficiente. Queríamos as mesmas coisas, mas eu queria coisas diferentes. Lucrécia sempre demonstrou interesse em se casar comigo, as vezes tocava no assunto, mas eu fazia de tudo para escapar, eu sabia que faltava alguma coisa nela, algo a mais, eu não poderia me casar com uma mulher que eu só conseguia ver como estepe, o sexo era bom, e eu sei que ela teria sido uma ótima rainha caso nos casássemos, mas eu não conseguia me imaginar casado com ela.
" Nosso clã não era grande nessa época, era mais ou menos uns trinta e cinco vampiros — alguns não estão mais vivos hoje em dia, outros saíram do clã — mas naquela época Aro, Caius e eu já liderávamos nossa estranha família, eramos felizes assim, eu era feliz. Aqueles foram tempos de encanto e alegrias para mim, todos os dias lembro-me de tudo aquilo e de como eu sinto saudade de minha vida como era antes. Minha vida feliz como vampiro se iniciou quando Aro deu uma noticia que mudou todos no clã Volturi.
" — Irmãos, tenho algo importante a vos comunicar. — Anunciou Aro, levantando-se de seu trono. — Eu andei pensando. — fez uma pausa, e juntou suas mãos de forma teatral. — Em transformar uma pessoa.- Ele disse olhando todos na antiga sala do trono seletivamente, havia poucas pessoas ali, apenas Caius, Athenodora, Aro e eu.
" — Quem? — a voz de Athenodora saiu doce, Caius que estava ao seu lado a abraçou por trás e repetiu a pergunta de sua esposa.
" — Quem?
" — Minha irmã, Didyme.
" — Haha — a risada de Caius saiu despejando veneno e ironia sobre a frase do Aro. — Eu tenho uma família inteira, posso transformar também? — naquele momento eu havia concordado com Caius, todos ali tínhamos família, não poderíamos transformar todos, seria injusto com cada um ali. Eu nunca havia parado para pensar que Caius teria família, ele nunca falava sobre isso, nunca disse nada, era difícil imaginar sua família, talvez ele não quisesse se lembrar, ou talvez ele gostava da própria família, talvez não fossem próximos, talvez sua família não gostava dele (pouca gente gosta do Caius, isso se torna uma opção).
" — Irmão, pense. — pediu Aro educadamente enquanto caminhou até Caius e pôs a mão em seu ombro. — Eu consigo ler pensamentos através do toque, talvez minha irmã consiga fazer algo semelhante. — os olhos dele brilharam de encanto e ambição, eu me perguntava se o que ele sentia era ânsia de poder ou saudades de sua irmã.
" — Aro, você privaria sua própria irmã de uma vida humana? A transformaria em alguém como nós? Ela precisa concordar com isso, ela precisa de uma escolha. — tentei argumentar em vão, eu precisava que ele desse uma chance a garota, ela não merecia, eu faria de tudo para livra-la disso, livra-la dessa vida miserável de sede e tristeza, eu me importava com ela sem nem ao menos conhece-la, pois eu me imaginei em seu lugar.
" — Não há nada que ela possa escolher,está decidido. — a voz do Aro era imparcial, para ele essa decisão era somente dele, mas naquele momento eu fiquei com pena da garota, muitos de nós não tivemos escolha, ela poderia ter, se não fosse pela mania de poder do irmão dela. Eu imaginava o que ela estava fazendo naquele momento, sem saber do que a aguardava.
" — Aro, preciso conversar contigo em particular. — eu que estava sentado no trono ao lado, o olhei de soslaio e sussurrei, Caius me olhou curioso, mas não questionou, pois sabia do que se tratava.
" Aro se levantou e nos dirigimos até uma sala bem iluminada do nosso antigo castelo em Cápua.
" — Aro, em algum momento você comentou que tinha alguns irmão, mas por que escolheu justo essa? — perguntei de forma serena, eu sentia que essa garota teria algo muito bom, eu a imaginava como uma boa garota, alguma coisa ela teria de especial para ser a escolhida, e eu queria saber o quê.
" — Didyme era muito pequena quando me transformei, não a vi crescer, nem mesmo de longe, minha vida de batalhas impediu a minha aproximação da minha irmã. Agora eu vou mudar isso. — o sol que tocava o seu rosto tabém tocava o seu coração, eu via esperança nele, muita esperança. — À semanas atrás eu fui caçar e no caminho a encontrei, ela não me reconheceu imediatamente, mas ficou me olhando e eu também olhei para ela, talvez ela tenha se lembrado de meu rosto, mas creio que não, só tinha cinco anos quando eu parti. Ela não mudou em nada, seu rosto ainda é o mesmo, suas bochechas continuam rosadas como antes, seus olhar alegre continua o mesmo. — essa foi a primeira vez que Aro foi sincero com seus sentimentos, sempre era difícil detectar o que se passava em seu coração, mesmo com o meu poder era quase impossível, mas daquela vez eu consegui.
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