Notas iniciais
Fafnir
Ao chegar em Freya, Fafnir sentiu ainda mais o frio. “Fafnir” também era o nome do dragão que ia enfrentar. Nunca ouvi falar em um dragão de gelo, pensou ele, mas era o que o pergaminho de seu pai dizia. Ele havia riscado Gorynych, Garynch e Halcor, os três dragões que matara, mas ainda tinham muitos faltando. Jabberwock, Leviatã, Orochi... Ouviu notícias que o chamavam de Matador de Dragões, enquanto arrumava seu barco em uma aldeia não muito longe dos rochedos que lutara com Halcor. É isso que sou afinal. Agora ele iria atrás de Fafnir, o dragão de gelo. Ele era um dos dragões mais diferenciados, pois, segundo o pergaminho, era o último que existia. Fora dificil arrumar o barco depois da luta com Halcor, e mais dificil ainda chegar em Freya, mas lá estava ele, andando embaixo das escamas verdes que usava em sua armadura. Neve e gelo, era só o que via. Já andava por mais de uma hora e não encontrou um ser vivo se quer. Mas Fafnir era acostumado com a solidão. Você era a única companhia que eu precisava, Yggdrasil. De repente, avistou um lago congelado. Já tinha visto muitos lagos congelados em Freya, mas não um desse tamanho, e no meio dele estava uma grande estátua de gelo. Só podia ser ele, Fafnir, o dragão de gelo. Seus olhos se abriram. Suas escamas eram quase azuis, eram puro gelo, um gelo espesso. Tudo nele era feito de gelo, menos seus olhos, que eram completamente azuis. As patas se mexeram e Fafnir quase caiu com o estrondo. Era maior que os outros três. Garynch já era abaixo da média das criaturas, Gorynych ainda menor, e Halcor era esguio para facilitar o nado, e consequentemente, não tão forte. Mas esse não. Era majestoso, tinha uma aura gelada em sua volta.
— Que queres aqui? – Perguntou sua voz na mente de Fafnir. Até ela era gelada.
— Acabar com você. – Ele agarrou Coldbreath da bainha e foi na direção do dragão. Fafnir, o dragão, assoprou, e uma onda gelada começou a dificultar os movimentos de Fafnir, o Matador de Dragões.
— Então você é Fafnir, meu homônio.
— Como sabe? – Disse o guerreiro, com dificuldade, tentando desviar contra o ar gelado. O dragão parou.
— Posso entrar em sua mente, e saberia mesmo se não pudesse. Está portando a espada de Sigurd Olaf. — Sim, sua espada pertencia a seu amigo. Ele a entregou a Fafnir, dias antes de morrer, como se soubesse que ia. Ele desapareceu, mas antes, avisou que não iria voltar e pediu que seu confiável Cavaleiro o sucedesse, Tyr Berthold.
— Você conheceu Sigurd?
— Eu matei Sigurd.
Quase sem acreditar, Fafnir explodiu de raiva e correu para cima do dragão, ignorando o estado de seu corpo. Fafnir, o dragão, levantou a garra no momento certo de parar o ataque do Matador de Dragões. E voltou a defender dos ataques do homem com suas garras.
— Mentira! – Gritou Fafnir.
— Eu o matei. Congelei seu corpo até ficar uma estátua de gelo e o destrui com minhas garras, por isso nunca encontraram o corpo. O chamei para acertarmos as contas e o matei. Assim como você, Fafnir, eu me vinguei. — O guerreiro parou e olhou para o dragão. – Seu precioso amigo matou meu irmão, meu real irmão, outro dragão de gelo.
— Vocês todos merecem morrer!
—Talvez eu mereça morrer pelo que fiz a Sigurd, assim como ele merecia morrer por matar meu irmão.
— Ele nunca me contou isso, você mente.
— Nunca contou pois nunca teve orgulho disso. Você nunca pensou o motivo de sua lâmina ser tão branca?
— É... é o metal especial usado nela.
— Errado de novo, Fafnir. Quando uma lâmina causa a Morte de Um, ela adquire a cor que o dragão era. Por que a sua espada nunca virou verde ou azul? Pois ela já havia causado a Morte de Um. Sigurd Olaf sentiu a dor de enfiar uma lâmina no coração de um dragão de gelo. Por isso sua espada é pálida.
Fafnir estava sem palavras. Finalmente descobriu a real razão da morte de seu velho amigo. Os magos, os Cavaleiros, todos do reino procuraram pelo seu corpo mas nunca o encontraram. A magia dessas criaturas era tão forte que apagara os rastros de Sigurd. Desgraçado!
Fafnir avançou novamente, espada em punho. O dragão saltou e planou em direção ao guerreiro. Fafnir tentou acertar sua pata quando ele estava descendo, mas o dragão foi mais rápido e o jogou em direção a uma parede de gelo com um golpe rápido. Fafnir cuspiu um dente. Era por esse motivo que Sigurd sempre dizia para nunca acertar o coração do dragão, ele sabia da Morte de Um, mas isso não o impediu de continuar caçando as criaturas.
— Ele confiou essa espada a mim para derrotá-lo! Com ela vingarei ele e Yggdrasil.
— Ah, sim. A cria.
— Não ouse mencioná-la, você não sabe nada!
— Hm, eu sei, Fafnir, eu sei de muita coisa. Antes de matar Sigurd, eu observei sua mente. Como ele matou o mesmo tipo de dragão que eu, a ligação dele com dragões de gelo especificamente era mais forte, e eu conseguia ver dentro de sua mente e observá-lo de perto. Sigurd amou uma mulher, mas acabaram nunca se casando, pois ele temia que ela estivesse em perigo, então ela ficou no norte de Nova Midgard. Isso foi há 26 anos.
Um arrepio passou pela espinha de Fafnir. A idade que Yggdrasil teria se estivesse viva.
—O Rei Sigurd Olaf não confiou a você só sua espada, confiou a você sua própria filha.
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