Notas iniciais
Sangue, Guerra e Fogo. É assim que Nova Midgard acaba.

Aegir

Encontraram Wotan Gerhadt no topo do vulcão. Ele estava parado, seu grande machado escorado no ombro.

— Então, qual será o primeiro a morrer?

Muitos já morreram por sua traição idiota, e você nos trás para esse lugar, pensou Aegir. Também pensou em todos que perderam para chegar ali. Na subida da montanha, quando Aegir contou a John o que tinha acontecido à seu irmão, ele ficou em uma raiva cega. Escalaram o vulcão sem os cavalos, como mandara Sir Hovnir. A base era fácil de ser subida, era mais horizontal. Cinco guerreiros esperavam ali. Sir Menglod matou dois com flechas precisas, John matou outros dois e o último foi abatido por Magni, rapidamente. Um pouco mais em cima, apareceram outros cinco. Ele está mandando poucos soldados, mas repetidamente, quer nos cansar. Mas o que pensam eles, será que não percebem que não vão sobreviver? Se se importavam ou não, Aegir não saberia dizer. Mas lutavam com toda a força, sem medo da morte. Um inimigo com uma espada de duas mãos cortou metade do braço de John, em um ataque surpresa. O cavaleiro gritou e espatifou a cabeça do inimigo contra o chão. Aegir matou dois inimigos, Sir Hovnir jogou um para baixo, Reck matou o último. O ferimento de John era feio e ele havia perdido muito sangue. Sir Menglod, frio como sempre, dissera que não tinha salvação, e que o homem sangraria até a morte. John não precisava ouvir isso. Mas parecia que não se importava, seu irmão era tudo pra ele, e Joseph se fora.

“Amarrem alguma coisa para parar o sangramento e continuaremos a subir!” Dissera o próprio John. E assim fizeram. Quando outros guerreiros vieram, John se atirou em cima deles. Morrera lutando bravamente. Continuaram a subida após os quatro homens serem mortos por John. Eram só seis cavaleiros agora. Sir Hovnir ia na frente, Sir Menglod e Sir Aegir no meio. E logo atrás vinham Magni, Reny e Glen. A subida ficou realmente mais íngreme, tendo espaço para somente um homem passar por vez, quando um arqueiro inimigo apareceu mais em cima. Acertou Glen no olho, o jogando para baixo, antes de ser atingido por uma flecha de Sir Melgod. Mais a cima Reny perdeu o equilibrio e caiu montanha abaixo. Pobre homem, pensou Aegir, somos quatro... Quando finalmente chegaram ao topo, os últimos 3 soldados os atacaram de surpresa, e Magni derrubou-os da montanha, empurrando-os. Quase caíra, mas Aegir o segurou.

Depois de tudo, ali estava ele, o Capitão das Guardas da Cidade do Rei. Um grande homem, corpulento, com músculos saltados e pequena barba preta. Tinha uma cicatriz acima do olho, passando por sua sobrancelha esquerda. Seu machado parecia ter a lâmina muito afiada.

— Não tenho o dia todo! – Gritou ele, movendo seu machado.

Somos quatro contra um, três Cavaleiros Reais e um cavaleiro muito habilidoso, não perderemos. A confiança de Aegir foi abalada quando o machado decapitou Magni, que correra na frente.

— Idiota! – Gritou Sir Hovnir.

Wotan riu. – Isso foi patético, deem-me boa luta dessa vez. – E avançou.

Sir Menglod atirou duas flechas, mas o Capitão as ignorou. Uma passou do lado de sua orelha e outra o acertou no ombro. Ele parecia nem sentir. Brandiu seu machado contra Sir Hovnir, que desviou e tentou uma estocada com sua espada. Wotan usou o cabo do machado para parar o ataque e acertou Hovnir na face. Menglod atirou outra flecha, o inimigo se abaixou e Aegir foi na direção dele. Uma pontada de medo passou por seu coração. Wotan Gerhadt parecia um demônio. Ele sorria, um sorriso doentio. O jeito que se movia, ele ia matá-lo. Aegir hesitou, mas desviou no último segundo. E revidou. Mas Wotan girou seu machado e parou o ataque. Sir Hovnir e Sir Menglod apenas observavam o outro lado, desesperados. O que estão fazendo? Aegir levantou a espada e acertou de raspão o braço do guerreiro, que girou e se afastou. Sangue pingava do ferimento. Pelo menos ele sangra como um homem normal. Outro rugido foi escutado, definitivamente mais perto que o primeiro. Aegir perdeu o equilíbrio, e Wotan atacou. Uma flecha o parou, acertando-o entre as omoplatas. Sir Menglod gritava para Aegir se mover. Atrás dele, um enorme dragão vermelho saía do vulcão. Os olhos do dragão se centravam em Sir Menglod. Quando Aegir percebeu o que ia acontecer, era tarde demais. Seu grito fora em vão.

As chamas engoliram Menglod, ou teríam engolido se ele não tivesse pulado para o lado. Mas Aegir pode ver que elas o acertaram. O grito foi agonizante. Menglod estava em chamas. Do outro lado, Wotan lutava com Sir Hovnir. O dragão olhou para Aegir. Tenho que me mexer! Pensou o Cavaleiro, se escondendo atrás de uma rocha, quase caíndo no vulcão. Sentia o calor do fogo quase derretendo a rocha. Não posso morrer aqui! Quando o fogo parou, ele espiou por entre a pedra e não via mais o monstro. Via o machado de Wotan girando, tentando acertar Sir Hovnir. Os dois homens eram grandes, mas Hovnir era maior. O Cavaleiro Real defendia-se do machado como se não fosse nada. Wotan suava, mas seria pelo calor ou pela luta? Aegir não sabia. O borrão vermelho no céu apareceu novamente.

— Saía daí Hovnir! – Gritou.

O dragão jogava fogo no interior do vulcão, que entrou em erupção no momento que Aegir saiu dali. Tudo era um caos. Viu Wotan ser desarmado e dominado por Sir Hovnir. Mas Aegir os pegou e pulou para uma parte mais abaixo do vulcão. A lava os seguia e Wotan Gerhadt ria como um maníaco.

— Isso sim! Viram? É isso que seu rei fraco defende, essa criatura monstruosa vai queimar todo o reino! – Ele tinha duas flechas grudadas no corpo e um corte no braço. Mas parecia não sentir. – Meu irmão ficará orgulhoso de mim! Eu chamei o dragão para a batalha! – Ele atrasava a fuga. A espada de Hovnir o fazia refém, mas o Sir fez algo melhor. Com o cabo de sua arma, acertou a cabeça do Capitão das Guardas e o carregou até a parte mais baixa do vulcão.

— Estamos quase conseguindo, Sir Hovnir! – Gritou Aegir.

— Vamos rapaz! Menos papo e mais fuga. – Respondeu o Cavaleiro.

Quando a lava estava longe o suficiente, eles descansaram. Foi quando parou para pensar em Sir Menglod. Quando o vi, estava gritando, em chamas, seu cabelo desaparecera. Não podia ter mais esperança, eram ele e Sir Hovnir agora. Wotan parecia quase um homem normal inconsciente.

Aegir não viu a montanha vir abaixo, mas quando aconteceu, os cavaleiros foram com ela.

Notas finais
O destino de heróis muitas vezes é trágico. Mas sempre haverá outro para substituí-lo, essa é a força da raça humana, ela nunca desiste. "Era Halcor, um Dragão das Águas, de escamas da cor azul, semelhante ao lápis-lazúli."