Notas iniciais
O prólogo ocorre na cidade ao Norte de Nova Midgard.

Prólogo

A manhã estava branca. Branca como a neve que caia, e pálida como a lâmina de Fafnir. Yggdrasil observava-o, seu noivo. Eles moravam na parte norte de Nova Midgard, perto do Mar Gélido. Ygg tinha cabelos cor de fogo que dava contraste com sua pele branca. Vestia apenas um vestido azul-claro, cor preferida de seu noivo. Ele alisava a espada, sentado em sua cadeira enquanto Ygg o observava. Como é belo, pensou a moça. A árvore que lhe havia dado o nome, Yggdrasil, era a sagrada árvore que a mãe lera em um livro. Ela sustentava os antigos nove mundos, agora separados permanentemente, e a terra dos humanos reduzida a um reino. Nova Midgard, como foi chamado, era um reino vasto e belo. O norte era frio na maior parte do tempo, com neve cobrindo os campos e as folhas das árvores. O Rei, Tyr Berthold, havia visitado o norte, pois foram relatados ataques de dragões. Dragões não ficariam onde é frio, pensou Ygg. Nas histórias antigas que sua mãe lia, eles eram monstros grandes e habitavam cavernas no topo de vulcões. Um dragão nunca iria para o frio do norte. Ainda assim, ela sentia que algo ruim se aproximava.

— O que observa, minha bela dama? – Perguntou Fafnir.

Tinha a voz suave, mas ao mesmo tempo forte. Era um homem corpulento, tinha cabelos pretos e uma fina barba também preta. Sua arma preferida era a que amolava, sua espada Coldbreath, nomeada em oposição ao bafo de fogo dos dragões. Fafnir ajudou a matar vários deles, quando ainda morava no sul, lutando ao lado do Rei Sigurd, há vários anos.

— Só observo você. – Disse Ygg. – o Rei está na cidade, já foi vistá-lo?

— Não fui. Ele veio pois ouviu rumores de dragões no norte. Não deveria ouvir qualquer bobagem que chegue a seus ouvidos.

— Ele só está tentando ser um bom Rei. Você sabe, depois que...

— O maldito Tyr, há quem diga que foi ele que matou o meu velho amigo. – Quando Rei Sigurd Olaf desapareceu, ele não deixou descendentes, nem filhos, nem sobrinhos, nem bastardos. Era de seu desejo que escolhessem seu cavaleiro mais leal para sucedê-lo, Tyr Berthold.

— Não acredito que ele faria isso, parece ser um bom homem, e é quase da sua idade.

— Essa espada pertencia a Sigurd, e eu vou honrar sua morte com ela. Esse novo rei, não confio nele. – E Yggdrasil sabia o porquê.

O Rei Sigurd Olaf era famoso por matar os dragões que estivessem em seu reino. O antigo Rei acreditava que eram criaturas amaldiçoadas, que só criavam desolação e morte, mas Tyr não pensava assim. Ygg concordava com o novo Rei. Uma vez ela teve um sonho diferente. Um grande dragão dourado aparecia e conversava com ela. Ele dizia que a época dos dragões estava chegando ao fim, e o mundo sangraria quando isso ocorresse. Dizia que as histórias sobre Nidhogg eram falsas. O dragão parecia triste, Yggdrasil sentiu isso. A grande boca dourada não se mexia, mas pensamentos eram postos na mente dela como se ela os estivesse sentindo. Aquele não era um sonho comum, quando contou para seu noivo sobre isso, ele disse que não deveria ser levado em consideração.

As ruas estavam em festa, bardos tocavam e aldeões dançavam. Nunca imaginariam que o Rei viesse pessoalmente até eles. Quando Ygg olhou para cima, ela viu um vulto, grande se movendo através da neve. Estava longe, parecia ser apenas uma águia, mas ela se perguntou como conseguia ver sua sombra.

— Fafnir Gerhadt, você me acompanharia em uma volta pela cidade? – Perguntou ela a seu noivo, tentando se distrair da sombra.

— Mas é claro, minha bela dama. – Respondeu ele. – Desculpe-me se estou mal humorado, estou com um mau pressentimento. – Pegou Coldbreath e seu escudo.

— Tudo bem, querido. Mas não acho necessárias as armas. – Ele insistiu.

Saíram da casa de Fafnir. Ygg viu que o festejo das pessoas tinha ido mais ao sul da cidade, o Rei deve estar lá, pensou ela. Andando calmamente ao lado do seu amado, ela percebeu como o desejava. De todos os homens que já conhecera, Fafnir era o único que ela amara de verdade. Nunca conhecera seu pai, sua mãe disse que ele morrera lutando pelo reino.

— Eu lhe desejo. – Disse ela, parando e virando-se para Fafnir.

— Eu também a desejo. – Ele nunca fora homem de demonstrar os sentimentos, mas com ela era diferente, Yggdrasil percebera isso.

Ela aproximou seus lábios dos dele e envolvem-se em um beijo. Um beijo suave. Já haviam se beijado antes, mas nunca mais do que isso. Fora pouco antes da mãe de Ygg morrer que Fafnir pediu sua mão. Ele prometeu respeitá-la, prometeu amá-la e prometeu que não deixaria nada lhe causar mal. Ela prometeu-lhe um filho, que pudesse ser tão bravo e forte quanto o pai, ou uma filha tão bela e dedicada quanto a mãe de Ygg fora. Mas então, um alto rugido os fez cessar o beijo. Yggdrasil olhou para cima e viu um dragão dourado, exatamente igual ao de seu sonho, em cima dos telhados. Fafnir se pôs entre ela e o dragão, e a criatura rugiu mais uma vez.

— Deixe-o! Ele não é mal! – Gritou Yggdrasil.

— Não vou o deixar machucá-la! – Ele avançou contra o dragão, tentando acertá-lo com Coldbreath.

Mas a criatura soltou um jato de fogo. Fafnir abaixou-se e pegou Ygg junto a ele, para protegê-la. O fogo passou por cima de suas cabeças e incendiou várias casas. De repente, Ygg sentiu sua cabeça latejar e percebeu que o dragão tentava se comunicar com ela. Fafnir avançou e acertou a pata do dragão, enquanto ele estava distraído. A conexão parou instantaneamente. Sangue dourado jorrava da pata ferida, levemente incomodado, o dragão levantou voo.

— Fafnir! – Lágrimas brotavam no rosto de Yggdrasil. – Escute-me, por favor!

— Este monstro está destruindo a cidade! – O guerreiro não parecia perceber que ela chorava.

Ygg olhou para o lado e vários arqueiros tinham chego para tentar derrubar o dragão. Entre eles, haviam aldeões e nobres da cidade, inclusive o Rei Tyr, sua mulher e seu filho. Flechas voaram na direção do dragão que respondeu com outro jato de fogo, dessa vez, incendiando também a casa de Fafnir. Ygg viu a ira nos olhos de seu marido, o guerreiro largou o escudo no chão, escalou uma casa, e parou no telhado, para ficar de frente com o dragão.

O dragão silvou e tentou novamente entrar em contato com Ygg. Ela sentiu novamente a dor e voltou a chorar. As palavras que o dragão dizia para Ygg eram distorcidas pelo pavor e pranto de todos os que estavam à volta. Vou tentar pará-lo! Respondeu Ygg ao dragão. Fafnir pulou e quase acertou o dragão, mas caiu em uma rua do outro lado e o dragão o seguiu. Tyr tinha gritado para o guerreiro parar, mas viu que não tinha solução, pois toda a cidade estava em chamas. Ele pegou sua espada e foi atrás de Fafnir e do dragão. Ygg também os seguiu.

Quando chegou lá, viu o guerreiro ao chão. Tinha um ferimento na barriga. Tyr lutava contra o dragão. Sua espada tinha a lâmina vermelha e ele a brandia com muita força. O Rei pulou e se agarrou à cauda do dragão, mas a criatura se mexeu e ele caiu. Tyr se levantou, enquanto Yggdrasil olhava horrorizada. Os ataques de Tyr eram inúteis, e com um movimento rápido de sua cauda, o dragão acertou o Rei e o jogou longe, em seguida, cuspiu um jato de fogo na direção do Rei. As pessoas que vieram atrás olhavam, assustadas. O pequeno filho de Tyr correu dos braços de sua mãe e foi até o pai, que jazia, também sangrando, ao lado de Fafnir. Apesar do fogo o acertar, Tyr não tinha sinal de queimaduras. Mas o Rei estava vivo, ele precisava viver. Seu filho não tinha mais do que 10 anos. Yggdrasil correu até a criança.

— N-não ch-chore filho. – Disse o Rei moribundo. – Papai ficará bem. – Ygg pensava incerta sobre o destino do Rei, e sua família chorava.

Ouviu outro rugido. Fafnir havia se levantado, segurava Coldbreath com as duas mãos e se preparava para atacar novamente. Yggdrasil gritou e correu até ele.

O que aconteceu em seguida, Ygg não viu. Ela só sentiu a garra do dragão perfurar-lhe a barriga e viu a face de seu prometido. A garra saiu de sua barriga e Fafnir a segurou para não cair.

— O que você fez? – Ela ouviu de um bater de asas se afastando, seria uma águia? Não, era maior que uma águia. – Essa garra era para mim!

— Eu tinha que protegê-lo. – Ela disse. Não sentia mais dor, não sentia mais nada. Estava com Fafnir e isso era tudo o que importava. – Eu amo você, meu bravo guerreiro.

— Eu amo você mais que tudo! – Ele a abraçou. Todas as preocupações haviam saído de sua mente, tudo o que havia ali era ele.

E assim, Yggdrasil fechou os olhos.

Notas finais
Avaliem :D Aqui uma prévia do próximo: "O jovem percebeu o mensageiro do reino adentrando o salão, ansioso, caminhando em direção à mesa do Rei. O que ele faz aqui? Parece muito apressado. O que será que aconteceu? Várias perguntas rodeavam os pensamentos de Aegir naquele momento. O mensageiro chamara Siegfried para dar a notícia. O Rei olhou para Aegir e agitou a cabeça, chamando-o para ouvir a notícia também. Ele se levantou e foi em direção ao mensageiro e ao Rei, desconfiado. Eles entraram em um cômodo silencioso ao lado do salão, o mensageiro observava atentamente Aegir."