Notas iniciais
Fafnir
Enquanto andava pelas florestas gélidas do Norte, Fafnir pensava em sua amada e em como aquele dragão dourado enfiou as garras nela e depois fugiu. Seu corpo era frio em vida e na morte, e Fafnir nunca perdoara tal dragão, mas mesmo depois de seis anos, tinha poucas pistas de onde ele poderia estar. Queimou Yggdrasil junto com o que restava da casa que pertencia a ele. Depois da luta, várias pessoas ajudaram Fafnir a se recuperar do ferimento. Ele viu o pequeno filho de Tyr Berthold chorando junto com a mãe. Maldito tolo, pensara Fafnir, acreditava que dragões eram bons e morreu por isso. Jurou matar o dragão, jurou que não ia descansar até fazê-lo, mas onde estaria ele? Perguntara a várias pessoas depois do ocorrido, pedira o apoio dos conselheiros do falecido rei. Mas quem falou foi o próprio Siegfried Berthold. Fafnir ficou espantado por uma criança de apenas dez anos saber tanto assim. Os dragões eram criaturas antigas, desde Nidhogg, o maldito “devorador de cadáveres”. Diz a lenda que Nidhogg ficava no submundo, roendo as raízes da árvore Yggdrasil. Assim como o dragão que matou minha Yggdrasil. Ele esperava o Ragnarok, fim do mundo, onde poderia ascender até Midgard e lutar com seu exército de mortos. Haviam alguns tolos, como o Príncipe Siegfried, que acreditam que Nidhogg era o equilíbrio entre o bem e o mal, mas Fafnir sabia que o dragão era puro mal. Sabendo do plano de Nidhogg, Thor, com seu martelo e o auxílio de seu pai Odin, o destruiu na última Grande Guerra de Midgard, prevenindo o Ragnarok. Até Fafnir era um nome de dragão, o guerreiro odiou seu pai por dá-lo esse nome, mas agora pouco importava. Quando avistou a cabana, correu até ela. O guerreiro não aparava sua barba desde que Yggdrasil morrera, porém a barba hirsuta não incomodava. Estava com sua espada Coldbreath embainhada e usava a cota de malha por baixo de uma vestimenta simples preta.
— Onde está o dragão dourado? – Perguntou Fafir à um velho homem, já dentro da cabana.
— Não sabe o nome dele? – Disse o velho. Ele era quase totalmente calvo, tendo somente poucos cabelos brancos sobre as temporas. – Dizem que é Nidhogg renascido, dizem que é o terrível dragão que habitou essa terra há milhares de anos.
— Não acredito nessas bobagens.
— Assim como não acreditava em dragões no Norte? – Seu pai olhou para Fafnir, parecia olhar dentro da sua alma. – Meu filho. – Fenris esticou a mão para o rosto de Fafnir. – Desista dessa vingança, você perderá sua vida...
— Não, pai. Não desistirei, eu fiz uma promessa ao túmulo de Yggdrasil.
— Ah, a jovem dos cabelos vermelhos. Tão doce. Adorava aquela menina Fafnir, adorava-a como uma filha que nunca tive.
— Teve dois homens, dois guerreiros que dariam sua vida pelo que acreditam. Eu matarei aquele dragão, pai. Nem que custe minha vida.
— Acho que não posso impedi-lo, pois vá, Fafnir. Ainda bem que sua mãe não está mais viva, para vê-lo jogar sua vida fora assim.
Fafnir teve de ignorar o pai, ele não entendia. Fenris Gerhadt havia sido um exímio guerreiro, havia ensinado tudo à Fafnir e Wotan. Mas com a velhice e a doença, haviam vindo também o medo e a insegurança. Ainda assim, Fafnir amava seu pai, assim como amava seu irmão.
— Encontrei Wotan, perto das terras fluviais. – Disse o guerreiro para seu pai. – Ele tornara-se Capitão das Guardas do Jovem Rei.
— Como está meu menino?
— Ele está bem, e o consegui convencer a se unir a mim. – Os dois haviam lutado. Fafnir vencera e deixara Wotan com uma pequena cicatriz na testa.
Wotan estava hipnotizado por Siegfried, não conseguia ver a verdade sobre os dragões. Com a ajuda de Sir Sultur Volkman, Fafnir convenceu Wotan, sem machucá-lo muito. Não me perdoaria se tivesse matado meu irmão, os deuses amaldiçoam quem mata o próprio sangue. Wotan seguira para Oeste, para procurar por entre as montanhas pelo relato de pessoas que avistaram um dos monstros por lá. Wotan é habilidoso, mas não conseguirá derrotar o dragão, precisa me enviar um corvo, que irei até ele.
— Ele foi procurar o dragão também? – Perguntou seu pai, surpreso.
— Sim.
— Ah, que os deuses tenham piedade. Fafnir, lhe direi uma coisa que pode ser útil. Como sei que não irá desistir dessa louca vingança, direi o que aprendi com um Feiticeiro do Sul, enquanto esteve fora. Ele era chamado de o Mago dos Elementos, Wiz Njor. Está muito velho, mais velho que eu, mas tem conhecimento além de qualquer outro homem. Ele disse que existem dragões em todos os lugares do reino, mas que agora estão ficando extintos. No Norte, Sul, Leste, Oeste, dragões de todos os tipos, eles existem. Alguns dragões se escondem e ficam adormecidos em lugares inalcansáveis para humanos, mas a Morte de Um pode os fazer acordar. Dragões são criaturas extraordinárias, Fafnir, eles sentem um ao outro a milhares de quilômetros de distância. Chamam de a Morte de Um quando seu coração é perfurado por uma lâmina, a dor que é causada em todos os outros dragões é inexplicável. Não se sabe que males isso pode causar, mas dizem que quem mata o dragão dessa forma sente na pele a Morte de Um. Lhe imploro que evite acertar o coração das criaturas. Apenas use essa informação em seu favor, e apenas em último caso. Não gosto de ver sofrimento, mas quero que, pelo seu bem e pelo bem de seu irmão, vocês voltem vivos.
Fafnir estava atônito. Seu pai lhe entregou um antigo pergaminho. Um pergaminho que descrevia quase todos os tipos de dragões que ainda existiam e os lugares que se encontravam. Se não estivessem muito escondidos, poderiam ser encontrados. Ficou intrigado com a descoberta, e ainda mais intrigado ao lembrar que Sigurd Olaf, o antigo rei, com o qual Fafnir e outros guerreiros caçaram dragões, sempre dissera para nunca perfurar o coração das criaturas. Será que ele sabia?
— Obrigado, pai, por me ajudar, seus conselhos nunca me falharam. – Seu pai abaixou a cabeça.
— Fafnir, volte para essa casa – Ele estava chorando. – Você e Wotan, traga-o de volta.
— Eu irei voltar, pai, e trarei Wotan comigo. – Dizendo isso, Fafnir saiu da cabana, e rumou em direção Norte, em direção ao primeiro dragão.
Gorynych, o Dragão Verde, que habita as florestas do norte de Midgard. A Morte de Um, é? Vou causá-la em você diversas vezes, maldito. Vai ser a minha vingança, a vingança por Yggdrasil.
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