O Rei das Cartas

1 O Grupo do Summers


Notas iniciais
E aí, pessoal? Essa é uma daquelas história que surgem na sua cabeça do nada e você super se empolga para escrevê-la e no fim, acaba ficando orgulhoso. Gosto de tentar escrever histórias que fujam ao clichê e espero que tenha conseguido. Espero que, você, caro leitor, ao lê-la, goste tanto quanto eu.

Os merecidos créditos da capa para a página Fanfictions Universe. Você são demais! E obrigada, outra vez.

Tenho que dizer que, mesmo que seja uma oneshot, super me apeguei a esses meus personagens. Quem sabe, talvez uma outra one sobre eles saia em breve.

Agora, sem mais... Boa leitura.

As cortinas haviam sido novamente esquecidas abertas. Ele se culpou por isso. Gostava de adormecer com os olhos fixos no céu, mas pela manhã, sempre era recebido por uma forte luz do sol quando abria os olhos. Um prazer seguido de um pesar.

Um prazer seguido de um pesar. Haviam dias que eram assim. Excessivamente bons, seguidos, ou até mesmo antecedidos, por dias que sair da cama era a pior das opções. Uma escolha ruim. Mas não para ele. Sentia-se bem sucedido e não gostava de dar brechas para ter dias ruins. Achava que esses dias só eram assim por seus donos deixarem que fossem. Ele não era assim. Ele era determinado.

Seu nome era Elliot. Elliot Summers. Ou só Summers, como gostava de ser chamado. Quente, vivo, caloroso e dominante, como nenhuma outra estação. Como ele, vivo, determinado e que tenha objetivos a serem alcançados.

Virou a cabeça e viu um corpo coberto até a cintura na outra cama que havia no quarto. Não dava para ver o rosto da pessoa, mas obviamente, ele sabia muito bem quem era. Aquele rosto já era seu conhecido a vinte e quatro anos. Literalmente, desde seu nascimento.

O relógio marcava pouco mais das oito e meia. Por um momento, se sentiu atrasado, mas só então se lembrou que ele quem dava os horários. Ou assim gostava de pensar.

Deixou-se se espreguiçar lentamente até finalmente colocar os pés no chão. Levou os dedos aos cabelos, mais os bagunçando do que arrumando, e só conseguiu perceber isso quando ficou em frente ao espelho do banheiro. Seu cabelo tinha uma tonalidade castanha-escura que combinava quase perfeitamente com a coloração dos seus olhos, diferentes apenas por uma leve diferença da entonação do castanho dos olhos, que era bem mais escura.

Mas ele não se deixou encantar pelo espelho. Isso era algo que Elias faria. Ele não.

Rapidamente já estava vestido para matar. Não literalmente. Estava pronto para tornar aquele mais um dia decisivo e recompensador, que os traria dinheiro e mais vitória.

O homem saiu do pequeno quarto, tomando cuidado para não bater a porta com força e incomodar aquele corpo inerte que ressonava um pouco alto. Com três passos, já estava na cozinha. E na sala. E ao que parece, o lugar que serviu de quarto para outro membro daquele apartamento. – Insônia. – Simplificou o indivíduo que estava jogado no sofá, ao olhar questionador de Summers.

Realmente, o lugar não era grande. O espaço tinha um sofá amarelado de dois lugares encostado na parede e em frente a uma televisão de catorze polegadas que estava com um som péssimo. Só mais um pouco a direita, ficava um fogão enferrujado, fazendo par com uma geladeira. Quase no centro, uma mesa pequena, mas suficiente para quatro pessoas. Toda a comida que tinha no apartamento estava sobre ela.

– Alguém aqui precisa de remédios – Sugeriu Summers, passando margarina em um pedaço de pão. Logo ouviu um “estou bem” do outro.

Viktor. Só Viktor. Era mais novo que Summers, mas tinha toda a sua admiração. Sabia fazer o que o era ordenado. Nunca dizia não. Sempre era eficiente e tinha muito, muito talento. Quem olhasse seu rostinho de garoto, não lhe daria mais de dezesseis anos. Os olhos, negros como botões, ao mesmo tempo que traziam frieza, traziam determinação. Seu cabelo era negro e seu tom de pele, moreno.

Ainda sentindo os olhos de Summers em si, Viktor desviou o olhar da televisão e jogou no outro. Este, apenas desviou o seu para os pães.

Viktor era o chamado “mãos leves”. Assim era mais elegante do que chamá-lo de ladrão. Apanhador de carteiras. Durante um evento movimentado, o garoto entrava em ação, e por esse motivo, Summers achava que ele tinha talento de sobra, não só por nunca ser pego, mas também por saber selecionar bem suas vítimas. Em uma festa, por exemplo, costumava analisar cuidadosamente quem estava nas situações mais embriagadas. Eram os alvos mais fáceis e que só notariam a falta do “algo”, quando o garoto estivesse suficientemente longe. Destacando-se também, Viktor era conhecido por perambular por locais e tentar rastrear pontos fracos na segurança para possíveis roubos; coisas pequenas, como joias, celulares, relógios, comida... Era um gênio.

Era mais homem do que muitos homens. E parece que para exemplificar isso, a porta de entrada do apartamento foi aberta, dando espaço para um forte cheiro de álcool e um homem caindo das pernas.

Savio tinha os olhos semicerrados e uma coloração péssima no rosto cujas bochechas eram gigantescas. Aquela era a representação de um ser que devia ter vomitado muito nos minutos anteriores. Summers fechou os olhos, impaciente, desejando já ter saído de casa para não ver aquela cena.

Savio era primo dos gêmeos Summers. Um rapaz mimado que sempre tivera vida fácil. Para ter dinheiro, apenas precisaria pedir aos pais. Mas, idiota em um nível elevado, fez as piores escolhas possíveis até finalmente ser deserdado. Pediu refúgio aos primos, relatando que faria qualquer coisa para se adaptar a vida deles. Foi realmente difícil encaixá-lo em um cargo. Ele não tinha a esperteza para fazer algo como os negócios de Elliot, nem habilidade alguma para ajudar Viktor nos seus afazeres. Não tinha um bom corpo ou era bonito o suficiente como Elias para fazer o que ele fazia, nem inteligente o bastante para pensar em algo que pudesse oferecer ao trio. Elliot se viu obrigado a ensiná-lo o básico do que ele chamava de “o que um aspirante a bandido precisa saber”. Falsificar documentos. Não era tão difícil, mas normalmente levava tempo. Até mesmo alguém inútil como Savio poderia se encarregar disso. No início, todos os documentos passaram por uma inspenção rigorosa de Elliot, até que esse viu que o primo havia pegado o jeito.

Com o tempo, Savio se mostrou um pouco mais útil. Conseguiu emprego como porteiro de um prédio um tanto quanto ralé. Dessa forma, não só tinha um salário fixo – não que fosse muito, mas era algo – como por várias vezes, quando os donos de um apartamento iriam se ausentar por muito tempo, o rapaz invocava Viktor a procurar algo de valor no apartamento abandonado. Com a desculpa de que constantemente as câmeras de vigilância se mostravam defeituosas, nenhuma imagem podia incriminar seu parceiro.

A culpa, obviamente, não estava nas câmeras, mas sim no falsificador que dava um jeito de desligá-las.

– Meu dia de folga. – Falou Savio com uma voz arrastada, entregando uma lata de cerveja aberta para Viktor. Dirigiu-se para o quarto que dividia com o moreno, e Elliot sabia que ele estaria inválido pelas próximas horas.

~.~.~.~

Ninguém mais estranhava as vestes de Summers. O homem sempre usava roupas que se assemelhavam as dos mais finos executivos. Um blazer preto sobre uma camisa branca, acompanhado por uma calça social e um sapato que combinasse o tom das cores. Uma maleta preta terminava o já conhecido visual dele. E, justamente nessa maleta, estava a vida de Elliot Summers. Dentro dela, separados e arrumados, haviam alguns dos objetos que Viktor roubara. Relógios, anéis, joias... Todos eram passados por um grande processo de mudança, onde, como toque final, era gravado cuidadosamente a letra “G” misturada e cortada por um “S”, representando a marca que aquele produto havia passado pelas mãos do Grupo do Summers. Para os quatro homens, aquela era a marca de trunfo. Para os compradores, aquele era o produto de uma marca iniciante que prometia um futuro resplandecente, cujo vendedor tinha uma oratória perfeita, que, para o azar deles, sabia mentir perfeitamente olhando em seus olhos, com um sorriso discreto nos lábios.

Só que mais do que um vendedor, Elliot era um jogador. Um ótimo jogador de mentiras e de manipulação. Um jogador que sabia ter liderança. Mas, sem dúvidas, era o melhor jogador em fazer as pessoas perderem dinheiro.

Dentro da sua maleta, ele sempre levava algumas cartas que faziam parte do seu jogo favorito: o monte de três cartas. Rápido e certeiro, Summers dava três chances ao jogador que havia persuadido. Caso ele conseguisse acertar as três seguidamente, levaria a quantidade de dinheiro oferecida por Elliot, caso contrário, se em ao menos uma das vezes ele errasse onde estava o valete de copas, o jogador teria que dar a metade do dinheiro que lhe havia sido oferecido.

Claramente, nenhum jogador conseguia levar o dinheiro de Elliot. Ele não se arriscava em entrar em algo para perder. Ele sempre tinha uma carta na manga e esse era o seu segredo, literalmente. Ele era o rei das cartas.

Seus negócios geralmente eram feitos dentro de um grande galpão no centro da cidade. Ele não era o único vendedor ou pessoa que proporcionava jogos ali, mas com certeza, era o mais bem vestido e com aparência de “bom moço”. Sabia que os homens da alta sociedade que eram mais “mão fechada” costumavam ir ali para procurar bons produtos com baixos preços. Desde que chegara ali, era a Summers que eles procuravam.

– Pelo que me falou dela, Jones, isso aqui vai combinar bem.

Jones era um dos seus principais clientes. Um velho barrigudo e careca, vereador da cidade. Já fazia um tempo desde que havia mudado de amante, e parecia estar com problemas para saber com o que presenteá-la. Summers pediu para que ele a descrevesse e assim, talvez pudesse ter uma ideia do que ela apreciaria em seus produtos.

Era o terceiro presente que Jones ia dá-la, e admitiu com orgulho que o homem acertara em cheio das duas últimas vezes. Summers sabia que agora era muito mais do que o vendedor preferido de Jones. Agora ele era visto como um amigo. E para ele, aquele homem não passava de uma presa fácil para sugar dinheiro.

O homem guardou no bolso o anel sugerido por Summers e entregou a quantia combinada. Tinha aquele sorriso de bom negócio no rosto e parecia pronto a deixar o local que estava sentado, ao lado do vendedor.

– Mas ei, Jones, não quer tirar a sua sorte hoje? – O homem de olhos profundamente castanhos perguntou, já retirando algumas cartas da maleta e passando o dedo indicador sobre suas bordas, fazendo elas se chocarem. Jones fez uma careta.

– Tudo o que tenho aqui agora é o dinheiro do leite das crianças, Summers. Acho que fica para um outro dia... – Respondeu, os olhos presos nas cartas. Era um viciado.

– Quanto tem aí? – Summers insistiu, fazendo aquela cara de criança esperançosa.

– Só cinquenta. Eu realment...

– E que tal sair daqui com cem, então? Leite em dobro para as crianças e talvez ainda mais algum petisco para enganar a velha. Você não disse que ela vem andando desconfiada? – A essa altura, Summers já estava embaralhando as cartas, sobre a mesa. Um rei de copas, um valete de copas e um valete de ouro – As regras de sempre, e mais sorte dessa vez – E piscou para o homem, abrindo um sorriso zombeteiro.

Então, induzido, a mão de Jones foi em cheio no valete de copas, recebendo um parabéns satisfeito de Summers. A segunda tentativa foi igualmente certeira, mas não diferente, na terceira, a mão do rei das cartas foi mais rápida para substituir a carta escolhida por um rei de copas. Deu um falso dar de ombros triste, vendo um Jones arrasado entregar a nota de cinquenta.

– Quem sabe na próxima, não é, Jones?

– Você é muito bom, moleque! Não sei como a empresa ainda não evoluiu, com tanto talento que você tem...

– Estamos trabalhando nisso, caro Jones. – Revelou Summers, passando o braço pelo ombro do idoso, a fim de deixarem aquele espaço no movimentado galpão. Era hora de circular.

No entanto, nos primeiros passos que deram, Summers sentiu o celular vibrar no bolso da calça, pediu licença a um Jones triste, e se reservou, ao ver quem ligava. Viktor.

– Fala! – Pediu.

Viktor era o tipo de cara que ligava só a trabalho.

~.~.~.~

Um outro fato curioso sobre Savio que não o tornava totalmente um inútil: o rapaz tinha contatos.

Nesse momento Summers se encaminhava apressadamente para o local que Viktor havia informado pelo telefone. Uma loucura estava para acontecer e o homem sentia uma mistura de raiva e arrependimento.

Embora fosse a favor dos roubos que Viktor praticava, Summers não concordava que seu grupo fizesse roubos arriscados. Nada de assaltar pessoas. Nada de roubar coisas grandes, no máximo, que possam caber dentro de um bolso. Nada de furtos em lojas de grande porte, que possam ter uma segurança reforçada. Nada de coisas que possam envolver um trabalho bem investigado da polícia. Nada de ações que poderiam levá-los para a cadeia.

No entanto, agora o grupo ia fazer algo bem diferente do seu padrão. Um roubo a uma joalheria que tinha apenas o mínimo de segurança e se encontrava em uma extremidade perto de uma rodovia que levava para o fim da cidade. Isso, segundo as informações de Savio. Imediatamente quando Viktor contou isso no telefone, Summers teve um ataque de riso. Não poderia ser sério; seus amigos não poderiam estar pensando em assaltar um lugar recomendado pelo imprestável do Savio... Somente quando Viktor continuou sério do outro lado da linha, informando que fora um parceiro de Savio que havia dado todos os detalhes do lugar, Summers começou a acreditar. Claramente disse não, que não era uma boa ideia. Imagina se ia confiar nas alternativas que Savio dava, e ainda mais um lugar que não havia sido inspecionado por Viktor...

Todavia, perante sua resposta, Elias se intrometeu na conversa, afirmando que o grupo não teria alternativas. Ele mesmo não estava conseguindo contribuir de forma satisfatória para o grupo, baseando na pequena quantidade de programas que havia fazendo. Falou que era a hora de dar uma chance de maior destaque para Savio e que se Summers não quisesse participar da ação, o grupo, naquela noite, seria apenas um trio.

Savio e Elias mantinham uma relação muito boa entre eles. Bem melhor do que a que Summers mantinha com o próprio gêmeo. Dessa forma, não se admirou que seu irmão estivesse apoiando o seu primo.

Foi fácil perceber que Viktor não estava nenhum pouco satisfeito com a ideia de um roubo dessa forma, sem o mínimo de estudo. Mas o garoto nunca dizia não. Ele não deixaria os dois na mão.

Depois de um “encontro vocês lá” vindo de Summers, de má vontade, o homem desligou o celular.

~.~.~.~

O lugar era realmente pequeno. O estabelecimento se encontrava no fim de uma ruazinha e todas as luzes internas estavam apagadas. Se Summers dirigisse mais um pouco, deixaria a cidade. Quem construiria uma joalheria em um local como aquele? Seria ela tão inútil assim para que o dono se preocupasse em defendê-la apenas com trancas na porta?

O homem deixou o carro, a maleta sempre segura em sua mão. Caminhou até os três parceiros que estavam em uma distância relativamente boa da joalheria, discretos. Savio trazia uma animação ótima no rosto. Não parecia estar com ressaca. Era engraçado o quanto ele nunca era atingido por ela. Viktor estava inquieto, com as mãos no bolso da calça. Summers supos que ele já tivesse rondado o estabelecimento, a fim de poder verificar alguma coisa ao menos externamente. Elias tinha a expressão serena de sempre no rosto: uma mistura de serenidade, mas com os olhos correndo, desconfiados, como que se estivesse ansioso para o ato, mas desejando que ele acabasse logo.

Elias era uma cópia fiel de Elliot. Quer dizer, já havia sido bem mais. O gêmeo nunca pareceu gostar de alguém como ele perambulando por aí. Procurava pequenas coisas para poder se destacar e assim se diferenciar do irmão. Seu cabelo era tingido em um castanho muito claro, quase loiro, e a entonação fortemente castanha de seus olhos havia sido coberta por lentes esverdeadas. Na estrutura física dos irmãos, a diferença era gritante. O corpo de Elias era bem delineado e atlético, com músculos trabalhados e diariamente reforçados nos constantes exercícios que o homem fazia. Elliot se contentava com os atributos que tinha, sendo um magrelo.

Era com o oferecimento do seu corpo que Elias trabalhava. Um prostituto independente. Realmente não se importava com a clientela, se homens ou mulheres. Sabia que o dinheiro seria, literalmente, suado da mesma maneira. Sua única regra era: proteção sempre. Não era burro. Não era tão esperto e habilidoso como Elliot, mas inteligente o suficiente para saber onde estava se metendo. Ou assim acreditava.

– Ao trabalho? – Savio perguntou, vendo a aproximação do primo. Summers o ignorou e entregou a cada um deles um par de luvas e uma máscara preta para colocar no rosto, de modo que apenas seus olhos ficassem à mostra. Foi o primeiro que vestiu a sua. – O meu parceiro disse que é tranquilo demais aqui.

– Você anda dizendo que trabalha em um grupo de ladrões, por acaso? – Summers perguntou, bruscamente. Descrição era uma das regras principais para que os trabalhos fossem feitos.

– Não, caralho. Ele era vigia daqui, mas foi demitido. Está sem ninguém agora. – Seu tom estava evidentemente ofendido. Sabia que para Summers, ele não passava de um inútil com quem tinha que dividir o dinheiro que conseguia.

Sem mais palavras, Summers se encaminhou para a porta de madeira que tinha uma fechadura antiga. Tentou dar um chute, para ver se a tranca rompia, mas foi em vão. Elias suspirou e repetiu o que o irmão fez, dessa vez, obtendo êxito. Summers anotou mentalmente que talvez exercícios fossem uma boa ideia.

Elias ia ser o primeiro a entrar, mas seu irmão o impediu. Viktor sabia o porquê. Se havia alguém que entendia perfeitamente o modo de pensar de Summers, era ele. O especialista em inspeção ali era Viktor, não Elias. Ou Savio. Ou Summers. Era ele. Naquele momento, era a especialidade dele que estava sendo praticada. Talvez todos já tivessem roubado uma coisa ou outra antes, mas ele era o mais experiente.

– Limpo de câmeras – O rapaz resumiu, depois de uma análise rápida e precisa.

– Viu? Meu parceiro tinha razão. Não sou um inútil, Summers.

E com essas palavras, Savio adentrou o estabelecimento, fazendo os outros o imitarem.

O local era ainda menor dentro. Um balcão feito de madeira e visivelmente antigo guardava algumas joias muito simples, seguras por apenas um vidro que seria facilmente quebrável. Havia mais uma porta interna, parecendo igualmente simples e sem segurança. Provavelmente levaria ao banheiro, concluiu Summers.

Elias fechou a porta e tudo virou breu. Ligar as luzes seria querer chamar a atenção, mas uma lanterna... Viktor já tirava uma de sua mochila, quando sussurros muito baixos surgiram no ar.

Foi o próprio Summers que se atreveu a ligar as luzes. Indicou para que Elias e Savio continuassem enchendo a sacola com os materiais do balcão, enquanto pediu para que Viktor fizesse silêncio e o acompanhasse até a porta de madeira. Era dali que vinham os sussurros, e Summers jurava que havia escutado muito bem as palavras ladrões e polícia.

Puxou do cós da calça um revólver, para surpresa de todos. Eles não eram o tipo de pessoas que tinham armas, nunca haviam usado. Não assaltavam, não matavam. Armas eram desnecessárias. Ver que Summers tinha uma, até fez com que Elias se sentisse traído por ele.

– O que diabos...? – Ia começar a perguntar o gêmeo, mas o que se seguiu depois o deixou calado.

Summers abriu a porta com violência, dando visão a um guarda amedrontado que segurava um celular em mãos, totalmente trêmulo. Apontando a arma para a cabeça daquele indivíduo, Summers sibilou para que ele desligasse aquilo naquele instante. O homem assim fez e Viktor se encarregou de pisotear o aparelho.

– Vamos terminar aqui e dar o fora o mais rápido possível.– Summers falou, com raiva. De forma alguma aquilo estava em seus planos. Envolver armas, polícia, uma possível chance de serem pegos se não fossem rápidos. Aquilo tinha cheiro de ser um dia ruim e uma má escolha. Ele não era do tipo que tinha dias ruins e que fazia má escolhas. Então ele culpou Savio, como sempre.

Foi o bastante esse segundo que Summers desviou o olhar para dar essa ordem ao irmão e ao primo, que fez o guarda tirar a arma que tinha no cós da cintura também. Agora havia um troca de miras.

Summers contra o guarda e o guarda contra Summers. Duas armas apontadas. Dois corpos em risco de serem baleados. Trêmulo e cheio de adrenalina como estava o guarda, Summers acreditou que caso ele puxasse o gatilho, seria mais por um erro na coordenação do seu corpo, do que uma ameaça.

– Um passo em faço, ou movimento e eu atiro em... – O guarda começou a falar, mas se calou imediatamente, com as lágrimas descendo em seu rosto.

Rápido, certeiro e decidido, Viktor havia apunhalado o coração do homem com uma faca que tirara do cós da própria calça. O homem caiu imediatamente para frente, fazendo uma poça de sangue se espalhar de forma rápida e nada sutil no chão do estabelecimento.

O clima ficou pesado e silencioso. E teria como ser diferente? Os olhos de Viktor mostravam decisão e tristeza, mas não arrependimento. Ele nunca deixaria um parceiro seu na mão. Ele era o garoto que sempre estava disposto a fazer tudo. O garoto que nunca diria não.

– Vamos embora. Isso aqui vai ficar fedido. – Decidiu Summers, indicando com a cabeça o próprio carro. Os outros três o seguiram, ainda com um silêncio profundo.

Summers não tinha muito ideia do que faria naquele momento. Só sabia que queria ir para o seu pequeno apartamento até que aquele dia acabasse. Até que aquele mau dia acabasse.

O que o rei das cartaz não sabia e nem tinha percebido, era que o seu valete de copas acompanhara o cair do guarda até o chão, e agora estava inundado na poça de sangue quente que lavava o chão gélido daquele estabelecimento.

Notas finais
Victorio D'Alessandro is Elliot Summers and Elias Summers.
Jacob Artist is Viktor.
Agustín Sierra is Savio.

E então, gostaram? Odiaram? Críticas, sugestões ou elogios? Por favor, deixem-me saber! Adoraria saber o que você pensou. E isso ia me fazer tão feliz! Um review é algo tão rapidinho de se fazer! Não precisa acanhamento! Bom, espero vocês!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!