Notas iniciais
Oi gente! Mais um capítulo e mais um caso saído do forno para vocês! Isso deve ser um pouco mais difícil, mas não é impossível. Apenas não assumam nada como certo. ;) Oh, essa primeira transição é uma daquelas drogadas que nunca ninguém entende. Também será a última. Depois disso, essas passagens só serão mencionadas quando as revelações começarem! E para finalizar, uma nova grade foi feita, visto que a dona da outra não tem conseguido atualizá-la (ela está com fundo branco faz um tempão): http://isucake.tumblr.com/shsl-perfection Espero que gostem! (E sintam os feels)

Pequena, pequena semente de discórdia instalada no meio do amaldiçoado grupo, esse seria o motivo para a sua destruição.

No topo do grupo, como o grande rei, estava King. Os seus objetivos, incertos e desconhecidos para até os mais próximos do mesmo, eram o que se consideraria fruto de uma das mentes mais perturbadas e distorcidas por uma certa garota.

Naquele momento em que o mundo caía em completa destruição, King só podia imaginar três possíveis finais para o mesmo. Aquela guerra interminável que levara à sua loucura teria de terminar de três formas que ele mesmo previra. Todas elas teriam, teoricamente, uma probabilidade igual de acontecer.

Desespero, o mais profundo e horrendo desespero. A Terra se tornaria no próprio inferno, e todas as almas que tivessem a infelicidade de este enfrentar não teriam outra hipótese senão agoniar perante a sua triste realidade. Uma pequena esperança seria, contudo, mantida. Mas isso seria apenas para que o desespero pudesse triunfar ainda mais sobre ela.

Esperança, e também a salvação da humanidade. Seria regressar ao que o mundo era antes, criando dessa vez uma sociedade utópica que lutaria para desfazer os vestígios que essa guerra deixou sobre o planeta. Tal como o final anterior, essa incluiria, também, algum desespero, mas este apenas garantiria que a mais brilhante esperança pudesse ser demonstrada.

Finalmente, nada. Não haveria nem esperança, nem desespero, a guerra continuaria até que o mundo simplesmente acabasse. Um final que nem a Super High School Level Despair nem o Super High School Level Hope torceriam para que acontecesse. Mas esse é o final desejado e ansiado por King. Ele não confia na esperança que a Future Foundation poderia trazer. Ele não quer que os vestígios de desespero tragam o desespero para o mundo. Então, ele prefere que tudo simplesmente acabe. E é essa também o desejo de todos os seus tão chamados de súditos.

Nenhum deles é, na verdade, seu súdito. Eles são o que King tem mais próximo de amigos. Eles não sabem, mas são a esperança dele. Lá no fundo, King também precisa de esperança para continuar lutando pelos seus ideais. Contudo, após o rapto de Mad Hatter e March Hare, as suas capacidades começaram a ser postas em causa. O resto do grupo já não confia tanto em King como confiavam antes.

E é isso que vai impedir que o terceiro possível final para o mundo ocorra. No final, apenas Esperança ou Desespero são as possibilidades.

– X -

Não estava com paciência para falar com ninguém no dia seguinte. Como sempre, encontrámo-nos na sala comum e fomos tomar o pequeno-almoço, mas dei por mim passando a manhã sozinho encarando uma parede na cantina até que chegou a hora de almoçar – coisa que só me apercebi porque os outros alunos chegaram para comer.

Não é como se eles tivessem feito muita coisa. Com a apreensão criada por um novo motivo, estavam todos em alerta e incapazes de fazer alguma coisa de verdade. Era uma medida de defesa que tínhamos criado após tantos casos. Apesar de tentarmos fingir que estava tudo bem, não conseguíamos evitar olhar para trás de vez em quando, sempre esperando que o nosso melhor amigo aparecesse para nos dar uma facada nas costas – literalmente.

Tentei socializar um pouco. Estávamos todos na mesa conversando, e por muito estranho que parecesse, não estava um ambiente constrangedor.

– Então, ela quebrou uma das suas chaves! – Explicou Connor entusiasticamente para quem quisesse ouvir – Nossa, vocês não imaginam o choque! Meio que é como se a chave tivesse morrido, entendem? Eu nunca imaginaria que ela faria isso, é simplesmente bizarro. Hmm, mas é sempre bom ver algum drama nesse anime, para variar. Não drama-nivel-shingeki-no-kyojin, mas algum drama, entendem?

Como sempre, Connor não sabia calar a boca. Falava e falava sobre o monte de animes que já vira, e estranhamente todos os presentes pareciam relativamente interessados em ouvi-lo. Talvez fosse porque a paixão nas suas palavras fazia-os esquecer dos seus problemas por algum tempo. Era essa a razão pela qual eu o escutava, pelo menos. Contudo, ao distrair-me por uns momentos, notei Ai puxando pela manga do casaco de Satoru.

– Hmm... – Murmurou ela baixinho, olhando em volta antes de falar. Fingi não estar escutando, para evitar que ela se assustasse. – E-Eu… Você podia me… Me ajudar?

– Com o quê? – Inquiriu o ilusionista, mordendo um pão distraidamente. – Macio.

– E-Eu… Eu estava m-me perguntando se… Você, hm…

A albina ficou vermelha, parando de falar por uns tempos.

– Continue. – Incentivou o outro amavelmente – Macio.

– A ap-p-prender a tocar… Violoncelo. – Soltou a mais nova finalmente, parecendo aliviada com o seu feito.

– Desculpe, Ai. – Satoru parou de comer – Mas não sei tocar violoncelo. Macio.

– Oh. Bem…! – Ela parecia que ia dizer alguma coisa, mas perdeu a coragem de o fazer a meio – Então deixa… Vou tentar… Aprender sozinha.

– Macio.

– Macio…?

– Estou tentando dizer essa palavra muitas vezes. – Explicou o ilusionista – Para ver quanto tempo demora até que ela perca o sentido.

Reprimi uma risada que me denunciaria aos dois. Ai, por outro lado, soltou um esgar medroso por não entender direito o que se passava na mente do mais velho.

Ficámos todos um pouco mais conversando. Eventualmente, todos haviam saído exceto eu, Ai, Eufrat e Satoru.

– Ai, querida – Inquiriu Eufrat, sorrindo-lhe amavelmente – Vou para o meu quarto. Você vem?

– Eu… Hmm… N-Não. – Sussurrou a outra em resposta, a expressão embaraçada sendo escondida pelos seus longos cabelos – E-Eu vou… Ficar por aqui.

– Oh? – A empresária pareceu surpresa e até um pouco magoada, mas encolheu os ombros – Tudo bem, então. Quando quiser… Eu vou estar por esse andar, suponho. Talvez vá descansar ao meu quarto, pois não tenho dormido bem. Até já!

E acenou para todos nós em despedida, saindo do refeitório.

Ai suspirou, olhando para Satoru numa expressão um tanto aliviada. Levantou-se, sacudindo a saia e falando.

– Acho que… V-Vou tentar aprender a t-tocar violoncelo sozinha. – Afirmou, parecendo convicta das suas palavras. Porque é que ela queria fazer isso tão desesperadamente, de qualquer jeito?

Oiço um baque surdo enquanto estou pensando nessas palavras, e quando olho para ver a origem do som, encontro Ai caída no chão.

– A-AI? – Chamei, assustado, indo até ela junto do ilusionista.

– Ela está inconsciente. – Disse o outro enquanto lhe media o pulso

– Porque é que ela haveria de desmaiar assim do nada…? – Perguntei um tanto nervoso. Já há alguns dias, Eufrat tinha dito que lhe tinha encontrado desacordada algures na escola. A albina abriu os olhos, mas antes de lhe perguntarmos o que se passava, ela murmurou para si mesma “…o violoncelo.”

– V-Você acabou de desmaiar! Não é horas para pens-

– Talvez fosse conveniente se você praticasse no seu quarto. Na sala de música você ia se sentir muito constrangida.

– Oh. Sim, isso seria… Isso seria melhor.

– Eu te ajudo a trazê-lo para aqui para cima.

– O-Obrigada.

– …Sou o único que está preocupado com a saúde da Ai?

Não recebi resposta, pelo que os outros dois saíram imediatamente em direção ao andar de artes.

Sinceramente, que espécie de gente era aquela? Estava eu no meio de uma turma de loucos?

Por outro lado, isso me deixava estranhamente confortável. Aqueles loucos… Sim, certamente eu poderia confiar neles. Suspirei. Não tinha nada para fazer naquele momento, então achei que era melhor se eu simplesmente fosse para o meu quarto dormir um pouco. Dormir era bom.

E assim o fiz. Não demorei muito a cair no sono. Ah, como era bom entrar naquele estado livre de preocupações…

.

.

.

– Pim pam poom! – Foi a primeira coisa que ouvi quando acordei. Olhei, ainda anestesiado do sono, para o televisor que brilhava à minha frente, a expressão sorridente e feliz do Monokuma me dando voltas ao estômago. Certamente, aquilo significava… – Um corpo foi encontrado! Após um breve período de investigação, será realizado um julgamento para descobrir o seu assassino!

E assim, sem mais nenhuma explicação, o televisor se desligou.

Não demorei muito a me levantar, calçar-me e sair a correr pela porta fora para procurar onde poderiam estar os outros, e mais importante: onde estaria o corpo. Quem teria morrido?

Correndo pelo andar da ciência, acabei por encontrar Akatsuki. Aparentemente ela estava fazendo o mesmo que eu, procurando quem possa ter sido assassinado. Não soube bem como reagir por saber que ela não tinha sido a vítima. Por um lado feliz por não ter sido ela, por outro só aumentava a minha urgência por pensar que tem de ter sido um dos outros.

– Isao! – Grunhiu ela, aparentemente também um tanto alterada pela situação – O que cê faz aqui? Quem morreu?

– Eu… Eu não sei. – Respondi, mordendo o lábio inferior com nervosismo. Akatsuki bateu com o pé no chão, enfurecida.

– A gente tem de descobrir! Porra, e pensar que foram fazer isso de novo.

– Sim. Vamos procurar os outros… Melhor não nos separarmos, assim corremos o risco de nos desencontrar.

Ela concordou, apesar de claramente desagradada. Passámos em todos os lados do andar de desporto até chegar ao andar de artes. Aí encontrámos Reiko à porta, olhando para o corredor e nos acenando ao ver que estávamos chegando.

– Até que enfim! – Chamou, a expressão aparentemente preocupada. – Venham, depressa. Precisamos de mais um garoto aqui.

Para que é que iam precisar de mim? Ao entrar na sala, encontrei Eufrat sentada numa mesa, encarando com uma expressão vazia para a porta da sala de revelação de fotografias, onde estava Connor tentando abri-la. Takane divertia-se a ligar e desligar um isqueiro que encontrara na arrecadação, pouco interessada no que estava acontecendo. Percebi onde estava o corpo. Aproximei-me da porta e olhei pela janelinha, que estava aberta. A primeira coisa que notei foi um pouco de corda, aparentemente rompido, pendurado bem na frente. Tive de meter a cabeça dentro da janela para poder ver direito… E, apesar de eu já estar à espera, a visão que encontrei deu-me a volta ao estômago.

CORPO DESCOBERTO

Ai estava caída contra a porta, o resto da corta que eu vira pendurada à frente da janela à volta do seu pescoço. O seu rosto estava pacífico… Como se estivesse tendo um sonho particularmente agradável. Contudo, a pouca cor na face da albina desaparecera. Certamente, ela estava morta.

Recuei uns passos daquela porta. Ai… A mais altruísta de todas as pessoas ali, aquela que sempre estava disposta a ajudar. Aquela que nos fizera presentes depois do primeiro motivo para nos alegrar. Quem sabe, que outras coisas ela teria feito secretamente para melhorar o nosso dia-a-dia? E por alguma razão, ela estava morta…

A pequena e doce Hiroko Ai não estava mais entre nós.

Reprimi as lágrimas, não respondendo a Reiko que pedia para ajudá-lo e ao Connor a abrir a porta. Após algum tempo, acenei afirmativamente e fui ter com ele. Ouvi vagamente algo sobre Reiko dizer para empurrar ao 3, após a sua contagem, fui contra a porta. O corpo de Ai estava do outro lado a impedir que ela fosse aberta, mas a mesma também estava trancada para oferecer tanta resistência. Após algumas tentativas, conseguimos abri-la, finalmente. Encarámos o corpo até que Satoru e Teemu, os únicos que faltavam na cena do crime, chegaram.

– Então… Ai foi a vítima, dessa vez. – Comentou o ilusionista, numa expressão preocupada. Teemu nada disse.

– Vamos… Vamos começar. – Declarei. Todos acenaram afirmativamente, apesar de, por uns momentos, ficarem parados sem fazer nada. Parece que eles tinham tanta vontade para investigar quanto eu.

INVESTIGATION START

Fui ao meu ID de estudante para verificar o Monokuma File.

MONOKUMA FILE 4

Nome da vítima: Hiroko Ai

Super High School Level Activist

Causa da Morte: Asfixia

Encontrada no quarto de fotografia. Não se debateu aquando da morte.

[[Prova 1 – Monokuma File]]

– Hmm, não parece muito útil. – Comentou Reiko, encarando também o seu ID – Mas parece mais completo que o anterior.

Realmente, era mais completo que o anterior. Inicialmente achei que Monokuma ia diminuir a informação que nos dava a cada caso novo, mas parecia que essa não era a verdade. Talvez… Ele estivesse dando apenas o necessário, nem mais nem menos? Até então, sempre fora o caso. Nunca tivemos uma informação no Monokuma file que não fosse necessária.

Após fazer um pouco mais de tempo fingindo que estava analisando outras coisas (tipo a qualidade do ar. Muito importante para o caso), decidi finalmente dar uma olhada no corpo. Aproximei-me da ativista, e, com um suspiro, comecei a remexer os seus bolos.

– Me desculpe, Ai. – Disse eu. Não tinha por hábito fazer essas coisas, era sempre outra pessoa a fazê-lo. Contudo, dessa vez ninguém parecia muito interessado. A primeira coisa que encontrei foi um envelope: O motivo de Monokuma para Ai. – Hey gente, vejam o que eu encontrei.

Mostrei o envelope para eles e abri-o. Lá dentro estava o que parecia ser um atestado médico e uma folha branca com uma única frase, tal como o meu. Na frase, dizia “A leucemia de Hiroko Ai está muito mais avançada do que ela pensa. Ela tem no máximo 2 semanas de vida restantes”.

– Ai tinha… Leucemia? – Tal como esperava, o atestado médico estava ali para confirmar o que era dito. Assumindo que ele era de antes de entrarmos em Hope’s Peak, a garota só tinha cerca de um mês e meio de vida restante. E já se tinha passado um mês desde que tudo isso começara.

– O quê? – Inquiriu Connor, arrancando os papéis da minha mão – Nossa, é verdade! Ela estava morrendo! Só duas semanas…

[[Prova 2 – Leucemia]]

– Parece qu’ela ia morrer de qualquer jeito. – Afirmou Akatsuki, torcendo o nariz numa expressão pensativa – Me pergunto o que aconteceria se ela tivesse morrido por causa da doença…

– Seria triste, mas não estaríamos nessa situação… Né? – Perguntou Reiko. Em resposta, Monokuma surgiu do nada no meio do quarto.

– ERRAAAADO! – Disse Monokuma, num tom trocista – Nossa, vocês estão errados! Erradíssimos! Tão errados que meu mel ficou sem sabor. Entendam uma coisa! Não existe morte por causa natural aqui!

– C-Como assim… Não existe? – Perguntei, um pouco assustado para ouvir a resposta.

– É TUDO ASSASSINATO! Vocês sabem, essa garotinha burra também me perguntou a mesma coisa. “S-Se eu m-morrer por mim m-mesma, p-por causa d-d-do câncer…” ai que saco, imitá-la é muito chato! Aquela ativista não parava de gaguejar de medo! – O urso abanou a cabeça negativamente e pareceu ficar subitamente tristonho – Logo eu que sou um urso tão fofinho… Seria de esperar que ela se sentisse confortável comigo…

– Er… Não estou entendendo nada… – Comentou Reiko, coçando a cabeça numa expressão confusa.

– NÃO INTERROMPAM O VOSSO DIRETOR! – Ralhou Monokuma. – Eu tenho garras e não tenho medo de usá-las! De qualquer jeito, aquela mocinha morta ali me perguntou isso. E eu respondi exatamente isso: “Não importa o que te aconteça, será sempre assassinato. Logo, algum aluno será culpado por isso”!

– Então se ela morresse por causa do câncer…

– UM DE VOCÊS SERIA O ASSASSINO POR NEGLIGÊNCIA! – Berrou o urso, completamente em êxtase – Upupu, não é divertido?

– M-Mas… Se ela se suicidou…? – Inquiriu Connor, nervoso – Significa que…?

– Se ela se suicidou, ela é a sua própria assassina, ué. – Meditou Monokuma – Achei que isso era bem óbvio… Ela também não pareceu ter dúvidas, na altura. Bom, de qualquer jeito, é só isso! Boa investigação, meus alunos mais fofinhos!

E, tão depressa como apareceu, ele pulou num alçapão misterioso e sumiu. Fiquei algum tempo encarando o lugar onde ele estava.

[[Prova 3 – Testemunho de Monokuma]]

– Macio. – Concluiu Satoru, que por alguma razão me despertou e fez-me voltar à investigação. Continuei procurando nos bolsos de Ai até encontrar… Uma chave?

– Hey – Chamei a atenção dos outros – Parece que encontrei uma chave aqui nos bolsos da Ai.

– Ohh! Takane sabe de onde é essa chave! – Disse ela – É da porta do quarto de fotografia! Takane ajudou, né? Né?

Não lhe respondi, em vez disso, fiquei olhando para a chave. Era do quarto de fotografia? Mas então, a porta estava trancada antes de eu, Reiko e Connor a arrombarmos. Se a chave estava no bolso dela…

[[Prova 4 – Chave do Quarto de Fotografia]]

– Isao. – Chamou Akatsuki, aproximando-se de mim com uma expressão neutra e indecifrável – Agora que penso nisso, nã’ te vi a tarde toda. Onde é que cê tava?

– Estava dormindo. – Expliquei, encolhendo os ombros – No meu quarto. Não tinha nada para fazer, de qualquer jeito… Acordei com o aviso do Monokuma.

Ela acenou afirmativamente, semicerrando os olhos numa expressão desconfiada.

– …Certo. Hey, já notou essa corda aí? – Apontou para a corda que envolvia o pescoço de Ai. A pressão lhe deixara marcas avermelhadas na pele, o que me fazia perguntar o quanto a moça sofrera antes de morrer. Ignorando a situação, percebi o que Akatsuki estava mencionando.

– Sim. Parece que ela quebrou. – Respondi.

– Talvez seja por causa do peso da Ai. – Meditou a estrategista – Se esse fio a estava pendurando ao teto… Talvez tenha quebrado por causa do seu peso.

– De onde vem essa corda, afinal?

– Nã’ sei… Talvez da arrecadação? – Sugeriu, encolhendo os ombros.

[[Prova 5 – Corda]]

Se a corda vinha daí… Havia uma pessoa que me poderia ajudar. Dirigi-me até Eufrat, que estava ainda sentada no mesmo lugar onde eu a vi quando entrei na sala… Parada, encarando a porta agora aberta com uma expressão vazia. Engoli em seco. Ela era a pessoa que melhor se dava com a ativista…

– Hey, Eufrat. – Murmurei num tom nervoso. Ela não desviou o olhar.

– Ela… Eu não creio que ela se matou… – Respondeu ela, tão baixo que mal a ouvi.

– Err… Talvez ela o tenha feito para o nosso b-

– NÃO! – Exclamou Eufrat, cortando-me num tom efusivo. – Ela NÃO faria uma coisa dessas! É isso que eu quero dizer… Não sem me avisar…

Talvez ela não avisara Eufrat porque sabia que a empresária tentaria impedi-la. Pus a mão no ombro dela, tentando reconfortá-la.

– Se isso foi, realmente, um assassinato… Então eu te garanto que vamos descobrir. Pela Ai. – Expliquei, sorrindo. Ela acenou afirmativamente com a cabeça, sorrindo-me de volta.

– Obrigada, Isao. – Comentou – Contudo, não me sinto… Não me sinto capaz de investigar. Por favor, veja tudo direitinho por mim, sim? Confio em você.

– Mas é claro! – Falei talvez com um pouco de entusiasmo a mais. Recompus-me rapidamente – Ahem. Claro, Eufrat. Você pode ficar descansada, não sairei daqui enquanto não ter verificado todas as pistas. Por isso é que tenho de perguntar. Alguém entrou na arrecadação ontem?

– Ontem? Penso que não. – Ela encolheu os ombros. – Porquê?

– Ah, eu queria descobrir de onde vem aquela corda…

Ela dirigiu o olhar para a porta, fazendo uma careta de desgosto.

– Essa corda… Vem da sala do lado. A sala de pintura, quero eu dizer. Eu e ela notámos isso quando viemos a esse andar pela primeira vez… Lembra? Até tinham alguns quadros feitos com isso. – Parecia estar entrando num estado de nostalgia que eu não sabia bem como lidar. Tentei falar mais algumas coisas, mas não obtive resposta. Eufrat estava… Devastada. E eu compreendia. Assim sendo, afastei-me para dar uma volta à sala, procurando mais pistas.

[[Prova 5 – Testemunho de Eufrat]]

Encontrei as pias presentes na sala, estranhamente, cheias de água – quase transbordando, na verdade.

– Hey. Porque é que essas pias têm tanta água? Parecem estar entupidas, mas… Não lembro delas estarem assim da última vez que aqui entrei. – Perguntei para o ar, esperando que alguém talvez me ouvisse. Teemu é quem decidiu responder.

– Fui eu. Eu estava com sede e bebi daí. Acho que acabei por me esquecer de desligar a água.

– Você estava com sede e ligou a água de TODAS as pias da sala? – Perguntei, erguendo a sobrancelha numa expressão desconfiada.

– Bom, eu tinha MUITA sede. – Respondeu Teemu. O seu tom… Parecia quase desafiador. O que se passava com ele? De qualquer jeito, percebi que não havia motivo para continuar insistindo. Ele não ia dizer a verdade, de qualquer forma.

[[Prova 6 – Pias]]

Enquanto dava uma última olhada, percebi que uma das pias tinha algo no fundo. O que era aquilo…? Parecia um dos envelopes com os motivos que Monokuma nos dera. Não conseguia ler o nome, mas dava para ver o estampado de Hope’s Peak ali. Fui pegar nele e… No exato segundo, o papel se desfez. Sem eu sequer ter a oportunidade de ler o que era.

[[Prova 7 – Envelope]]

Por alguma razão, notei que aquela pia, em relação ao quarto de fotografia, ficava exatamente do lado oposto na sala de escultura. Senti que isso seria um detalhe importante… Seria aquilo a que as pessoas chamariam de intuição? Era a primeira vez que o tinha. Fui ter com Connor, que estava discutindo alguma coisa aparentemente importante com Reiko.

– Hey, Isao! – Chamou Reiko, encarando-me com uma expressão séria. – Que tipo de peixe você prefere? Perca ou Salmão?

– …Vocês estão realmente falando sobre isso quando alguém morreu? Não deviam estar investigando? – Olhei para eles com desagrado, fazendo com que se encolhessem com vergonha.

– É que… Tipo…

– É bem óbvio que ela se suicidou, então pensámos que…

– Também era bem óbvio que tinha sido você a matar a Natasha naquela primeira vez, mas afinal não foi. – Cortei imediatamente, sentindo uma certa raiva nas minhas palavras – Então podem tentar ser úteis? Por uma vez na vida?

Não queria ser daquela forma. Eles já ajudaram várias vezes nos casos anteriores, mas não consegui evitar descontrolar-me um pouco. Sentia que estavam desrespeitando a morte de Ai.

– …Desculpa. – Disse Reiko finalmente, completamente sem graça.

– Na verdade… Nós até que podemos ajudar. – Comentou Connor – Nós vimos a Ai quando ela veio para aqui. Kobayashi também estava connosco, ela também viu.

Abanei a mão num gesto para incentivá-lo a falar mais.

– Nós estávamos na sala de jogos vendo anime, sabe. KT decidiu que queria ir ver connosco, já que “estava tão entediada como uma fogueira apagada”, ou lá o que era. Só que deixámos a porta aberta, caso algo acontecesse.

A sala de jogos ficava logo após chegar ao corredor. Qualquer pessoa que viesse a alguma sala do andar de artes tinha de passar à frente delas, o que significava que eles teriam visto qualquer pessoa que passasse ali.

– Não passou muita gente durante a tarde, cara. – Continuou Reiko, tomando o lugar do amigo – Se bem me lembro, a primeira pessoa a passar foi a Ai. Ela estava segurando uma caixa de violoncelo gigante… Parecia estar com dificuldades em arrastá-la até à sala de música, pobrezinha. Então eu a ajudei. E porra, como aquilo era pesado!

– Ela comentou alguma coisa sobre “não conseguir aprender sozinha”, se bem me lembro. Sei lá, ela estava sendo muito estranha.

– Sim, ela estava. Depois de eu a deixar na sala de música, ela ficou por lá. E na próxima vez que a vimos, bem… Foi aqui.

– E mais alguém passou pela sala de jogos o resto da tarde? – Questionei.

– Sim. O Teemu. – O nosso olhar dirigiu-se para o estrangeiro no exato segundo que Reiko pronunciou o seu nome. – Ele estava procurando a Ai…

Ele se apercebeu que estávamos falando dele. Talvez estivesse ouvindo a nossa conversa faz algum tempo, porque logo se justificou.

– Eu precisava de… Falar sobre umas coisas com ela. – Respondeu num tom despreocupado – Encontrei-a na sala de pintura. Depois fui-me embora e ela ficou lá.

– Sobre o que falaram? Isso é muito suspeito! – Exclamou Connor, fazendo cara de mau (ou tentando, porque ficou parecendo uma criança fazendo birra).

– Não interessa mais. Não agora que ela se suicidou… – E, dito isso, Teemu saiu da sala. Ele estava definitivamente agindo fora do normal. Parecia que sabia mais alguma coisa do que nós, mas não queria nos dizer. A minha atenção regressou aos outros dois.

– O que se passa com ele? Ele está, tipo, MUITO diferente do normal. – Comentou Reiko, coçando a cabeça. – Bom, de qualquer forma, ele realmente voltou pouco tempo depois de ter passado pela sala de jogos. Não tenho bem a certeza de quanto tempo ele durou, eu diria uns 10 minutos por aí.

– Certo… – Assenti, ponderando o que eles disseram – E vocês? Ficaram na sala de jogos a tarde toda? Nunca saíram?

– Oh, KT e Reiko saíram uma vez cada. – Comentou Connor – Para ir ao banheiro.

– Foram ao banheiro fazer o quê?

– Ah, eu fui tentar começar criação de peixes no vaso, ué! – O sarcasmo de Reiko era óbvio – O que você ACHA que fui fazer, Isao?

– Er… Pergunta burra, desculpem. – Dei uma risadinha. – Bom, vou ver o que mais encontro por aí.

– Boa sorte, cara!

– Boa sorte, Isao.

[[Prova 8 – Testemunho de Connor e Reiko]]

Dirigi-me até à sala de música. Quando lá entrei, logo notei a enorme caixa do violoncelo fora do lugar, provavelmente ali deixado por Reiko e Ai. Porque é que ela tivera tanto interesse naquele instrumento? Num gesto instintivo, abro a caixa, e por alguma razão, não fiquei muito surpreso quando notei que ela estava vazia. Dei uma volta à sala e não encontrei o violoncelo em lado nenhum. Após algum tempo, Satoru entra.

– Kimoto. – Chamou ele, num tom sonhador – Preciso da sua ajuda… Se possível.

– Ah, oi? – Olhei para ele, um pouco nervoso quanto ao seu pedido. Ele me soltou um sorriso vago, tentando me acalmar.

– Não é nada de especial. Vai ver. – Comentou – Mas acho que isso nos vai ajudar… Caso a Ai não tenha, de facto, se suicidado.

Ainda hesitei um pouco antes de o seguir. Por alguma razão, sentia que não ia gostar do que ia ver – essa coisa do instinto estava realmente me afetando ultimamente – e não poderia estar mais certo. Kyoishi me levou ao quarto de Ai, tendo surripiado a chave do bolso dela enquanto ninguém estava olhando. Ao entrarmos, a primeira coisa que me chamou a atenção foi o violoncelo, pousado ao lado da cama da garota. Mas isso não foi o que Kyoishi quis ver. Ele logo se dirigiu a escrivaninha dela, buscando algo pelas gavetas. Após alguns momentos, ele encontrou o que procurava, jogando imensos blocos de notas para cima da cama.

– Após o julgamento de Kayo – Começou a explicar – Ai me deu uma coisa especial… A chave do quarto de Eikichi.

Ele começou a abrir um bloco de notas distraidamente, enquanto continuava a falar.

– Ela e Eufrat tinham investigado o quarto dele só pelo sim pelo não. Então, acabaram por encontrar as notas que ele tinha feito sobre todo o mundo. – Ele abria um bloco, via o seu conteúdo rapidamente e jogava-o para a minha frente ou para o seu lado, conforme o que lia – Só que Ai deixou um deles para mim. Bom, esse bloco era… O que ele tinha escrito sobre mim.

Engoliu em seco por uns momentos, inspirando fundo antes de voltar à sua tarefa.

– Ela fez aquilo para me mostrar o que Eikichi realmente pensava sobre mim… E me fez perceber o quanto eu devo lutar, o quanto eu quero lutar por ele. Por Eikichi. Ela me salvou do desespero. Então eu quero fazer o mesmo por ela.

Após algum tempo, ele já tinha visto todos os blocos de notas.

– Eu sabia que o Eikichi tinha um bloco de notas para cada um de nós. Somos pessoas importantes, afinal. Pessoas conhecidas. Super High School Levels. Ele com certeza investigou cada um de nós muito detalhadamente… E sabe segredos que mais ninguém sabe. E tendo em conta que o motivo dessa vez foram segredos…

– Você acha que alguma coisa aqui pode nos ajudar a descobrir se houve algum assassino?

– Bom, poderíamos estabelecer um motivo. – Comentou – Mas não temos tempo para ler tudo. Então já selecionei apenas as pessoas que restam vivas e a própria Ai. A única coisa que temos de fazer é ler a última página. Se bem conheço o Eikichi… Ele sempre botava as coisas mais importantes na última página.

Acenei afirmativamente e começámos a ver cada um o que Eikichi tinha na última página, escrevendo num papel o que tínhamos lido.

Hiroko Ai: Foi levada ao hospital por suposta violência doméstica aos 13 anos, e saiu da sua fação de ativistas depois disso. O que aconteceu?

Riya Akatsuki: A Super High School Level Strategist não existe. Quem é ela?

Teemu Fear Wichard: Os seus pais foram recentemente gravemente feridos ao investigar um património nacional do Japão devido a um grupo de ativistas

Atsuro Reiko: O seu verdadeiro nome não é Atsuro. Possivelmente de origem estrangeira.

Connor Fukusaku: O seu pai, trabalhando na empresa Tsubomi, foi acusado de fraude fiscal e está em sérios problemas. Ele usa por isso o sobrenome da mãe.

Eufrat Tsubomi: Ela não deveria de conseguir andar depois de um acidente de infância. O que se passa?

Isao Kimoto: Ele está sendo perseguido por uma firma de terroristas após o que fez na torre de Tóquio.

Takane Kobayashi: “KT” – Kilotonelada de TNT. Rumores de que ela pegou fogo à própria escola.

As coisas que estavam ali escritas… Eram muito más. Compreendia agora porque é que Kyoishi queria que alguém viesse com ele. Se ele tivesse vindo sozinho, ninguém acreditaria. Encarei o meu nome ali na lista, sem saber o que dizer sobre isso. De facto… Faz algum tempo que eu estava recebendo cartas de ameaça de grupos de terroristas. Mas como é que Eikichi haveria de saber disso? Parecia que ele estava sempre lá, nos ajudando com o seu conhecimento infindável de segredos sobre o mundo.

– Oh, quer ver o meu? – Inquiriu Kyoishi, tirando um bloco de notas do bolso – Ele nunca encontrou nada de decente sobre mim… Mas você pode verificar, se quiser, para ter a certeza.

Não que eu não confiasse em Satoru, mas aceitei a proposta. Verifiquei o seu bloco de notas rapidamente, apenas para confirmar o que ele dissera: ali estavam apenas perguntas sem nexo, mas nenhuma resposta. E a página dos supostos detalhes “importantes” só tinha coisas básicas sobre a personalidade do ilusionista. Realmente, ele era uma incógnita.

– Está na hora de mais um julgamento! – Disse a voz de Monokuma, ecoando através do televisor – Upupu… Já sabem o que fazer. Ohh, ohh, estou entusiasmado! Tão entusiasmado que deixei cair meu pote de mel! Vamos, apressem-se!

Engoli em seco. Eu já sabia o que me esperava.

A única coisa que eu pedia era que acabasse depressa.

Notas finais
Espero pelas vossas teorias sobre o que possa ter acontecido! O próximo não vai demorar muito tempo a sair, espero postá-lo em menos de uma semana. Então investiguem e tentem descobrir o que aconteceu rápido!