Notas iniciais
Yoo gente! Como prometi a muitos de vocês (os leitores mais assíduos!), aqui está um novo capítulo! A razão para isso não ter saído mais cedo essa semana foi porque... Eu estava com preguiça PRONTOFALEI. Enfim, agora estou de férias, logo estou de volta! c: Espero que gostem desse capítulo. Sinceramente, esse pode ter ficado um pouco óbvio demais. Espero que gostem desse novo caso! PS: Não reli. Pode estar mal escrito, desculpem qualquer coisa.

Nada de especial aconteceu nos dois dias seguintes. Apesar de o ambiente não ser mais o melhor, todos continuaram se preparando para a festa que, infelizmente, era obrigatória. Na verdade, até me surpreendi com o empenho de todos. Era notório que cada uma daquelas pessoas estava querendo ao máximo combater aquele desespero, tentando a todo o custo fazer com que aquele último “motivo” pouco significado tivesse e não ocorresse mais nenhuma morte. Claro que tal não acontecia com todos.

Kurama, em vez de ajudar nos retoques finais da festa, se trancou no quarto durante aqueles dois dias.

– Ela está demasiado afetada. – Comentou Eufrat, preocupada, enquanto fazia testes de iluminação com a minha ajuda e a de Ai – Receio que isso possa prejudicá-la… Afinal, todos sabemos o que aconteceu com Natasha.

Nem eu nem a albina respondemos, limitando-nos a encolher-nos perante o lembrete. Mantivemo-nos a continuar o nosso trabalho, mudando de assunto antes que o ambiente se tornasse pesado demais.

Connor apareceu por lá pouco tempo depois de acabarmos.

– Então, então? Já está tudo pronto? – Perguntou ele com entusiasmo – Tem de estar tudo direitinho para o nosso show! Poxa, vocês não imaginam as coisas fodonas que Satoru vai fazer! Só para vocês terem noção, um dos truq…

– Connor. – Interrompeu Satoru imediatamente, aparecendo atrás dele que nem uma aparição, fazendo o Cosplayer dar um salto de susto. – Você não estava pensando em contar o que vamos fazer que nem fez com Reiko e Chiyeko, pois não?

O garoto com o seu casaco de Pikachu encolheu-se nervosamente.

– D-desculpe… Mas, mas! Não posso nem cont…

– Vou ser mais explicito – O tom e expressão do ilusionista ao interrompe-lo eram vagos, assim como as suas palavras. Contudo, de uma forma inexplicável, soavam incrivelmente ameaçadoras. – Penso que sim, mas acho que não. Contudo, apesar de discordar, concordo com a discordância das suas ações. As consequências serão graves, embora ténues. Entendeu ou precisa de um desenho?

– Na verdade, um desenho seria bacana… – Murmurou Connor para ele mesmo mas, ao notar que Satoru o tinha ouvido, rapidamente corrigiu – Q-Quero dizer, não não! Entendi, sim senhor! Não vou dizer nada, sou um cofre precioso onde os segredos estão bem guardados!

Eu e Eufrat rimos, e até Ai deu uma leve risadinha para si mesma, lá no canto onde ela estava observando tudo. Continuámos trabalhando, como que esquecendo os problemas que tínhamos com o mundo. Pela primeira vez, senti que realmente pertencia àquela turma, e como todos nos daríamos bem se estivéssemos realmente em outro contexto. Mesmo assim, senti que havia esperança.

Mas o verdadeiro desespero ainda estava por vir.

– X –

Quando finalmente chegou ao dia da festa, o entusiasmo era geral. Todos se preparavam para a festa, procurando algumas roupas que possam ser encontradas na arrecadação, e outros usando roupas que pudessem ter com eles mesmos (visto que Monokuma fizera o favor de nos deixar com apenas algumas mudas). Chegando à hora da festa começar, reunimo-nos na sala comum. Estávamos todos bem vestidos. Eufrat, com um elegante vestido em tons rosa, fez questão de ir para o meio da sala e falar, como se se tratasse da organizadora da festa.

– Então, começaremos agora a festa. Connor e Satoru já foram para o anfiteatro, fazer as últimas preparações do show deles. Todos têm as suas pulseiras, suponho?

Acenámos afirmativamente. No meio de uma conversa sobre como deveria de haver algum acessório padrão para a festa, Chiyeko fora inquirida sobre o assunto, que respondera de uma forma irritada “pulseiras”, sem pensar muito. Com certeza que ela não tinha intenções de ser levada a sério, mas Eufrat aparentemente aceitou a sugestão de bom grado. Ela foi buscar uma caixa com pulseiras fluorescentes e entregou a todas as pessoas. Acenámos afirmativamente, confirmando a sua pergunta. A empresária sorriu amavelmente.

– Bom, então podemos ir… Oh, é verdade. – Disse ao notar que Chiyeko olhava para ela com uma expressão ameaçadora. – Chiyeko quer fazer uma revisão para evitar que entrem com armas para a festa. Obviamente, ela também será revistada por mim e Satoru e Connor já o foram, de modo a manter a justiça.

– EU NÃO DEIXEI QUE VOCÊ ME REVIST…

– Prefere que seja Takane, então? – Inquiriu a empresária calmamente. A piromaníaca logo passou a prestar atenção ao assunto.

– Ohh, revistá-la? Teria todo o gosto em revistar uma moça kawaii que nem ela! Apesar dela poder ficar com algumas queimaduras no processo ~

Chiyeko olhou para os lados, como que procurando ajuda de alguém. Contudo, ao ver que estava sozinha naquela guerra, logo desistiu.

– …Deixa. Pode ser você mesmo.

– Bem me pareceu. – Comentou Eufrat, dando uma risadinha de leve.

Fomos então para a festa. Após uma vistoria rápida, entrei juntamente com os outros no anfiteatro.

Nem parecia o mesmo lugar, e isso me deixava orgulhoso. Apesar de ser, obviamente, um anfiteatro, havia muito espaço entre o palco e as cadeiras, o suficiente para lá ficarmos. As mesas, uma para bebidas (com todo o tipo delas, incluindo alcoólicas) e outra para comidas, caso alguém quisesse petiscar alguma coisa durante a festa. A iluminação estava propositadamente mais ténue (na verdade, as luzes do anfiteatro nem estavam ligadas, apenas luzes decorativas e alguns holofotes pequenos e coloridos) de modo a dar um ambiente “noturno” ao local, com a música se fazendo ouvir bem alto. Kyoishi, com umas roupas mais chamativas e estranhas que o normal – típicas dos seus shows – estava no centro do palco, pronto para começar com os seus truques de magia, que seria a primeira parte da festa.

Cumprimentou-nos com alegria, e logo que estavam todos juntos, começou com os incríveis truques. Desapareceu e apareceu em outro lugar, leu nossa mente, cortou Connor a meio e voltou a “colá-lo”… O último truque foi o mais belo, algo que eu nunca tinha visto antes.

Kyoishi baixou-se, como que fazendo uma vénia, e pegou na sua cartola. Ao girá-la à sua frente, ele foi desaparecendo. Após ele ter desaparecido de vez, a luz mudou o seu foco para outro ponto do palco, onde estava o garoto presente. Depois, outro foco apareceu do outro lado do palco, onde OUTRO Kyoishi estava presente. Vários Kyoishis foram enchendo o palco, até se formarem cerca de 10 deles. Estes começaram a correr de um lado para o outro, numa confusão que deixava difícil de entender quem era qual, e subitamente chocaram-se todos uns com os outros. Nesse exato momento, a música fez um estrondo que nos fez dar um salto, e o garoto explodiu, lançando papéis na nossa direção. O que caiu na nossa frente foram fotografias. Fotografias tiradas por Koji ao longo do tempo em que estivera connosco.

A verdade é que ele não tirara apenas fotografias para tentar encontrar nossos segredos. Também tirara fotografias nossas nos divertindo. Uma fotografia minha no dia em que bebi chá com Eufrat e Ai caiu na minha frente. Depois, ao meu lado, outra fotografia de Natasha e Evan fazendo uma careta particularmente cómica para a câmara. Do canto do meu olho, vi lágrimas caindo de algumas pessoas. O verdadeiro Kyoishi, aparecendo como resultado da explosão de fotografias, foi para a frente, pegando no microfone.

– Eles eram, apesar de tudo, nossos amigos. Independentemente do que tenham feito… Tudo só aconteceu por uma razão: a situação em que estamos. Não vamos lembrá-los como aqueles que nos traíram ou aqueles que não sobreviveram. Vamos lembrá-los como os bons momentos que eles possam nos ter trazido. – Disse. Todos acenaram afirmativamente e, mais tarde aplaudiram. Certamente, Kyoishi parecia outra pessoa completamente diferente nos seus espetáculos, e eu não conseguia dizer se era apenas encenação ou se aquele era o verdadeiro Kyoishi. Acabei por chegar à conclusão de que ele utilizava os seus truques de magia para expressar o que sentia – coisa que eu devia ter notado há já mais tempo.

Fez-se então uma pausa. A música normal de festa retornou e Kyoishi e Connor saíram do palco, apesar de, dali a meia hora, terem de lá voltar e acabar o espetáculo. Aproveitámos todos para beber um pouco e conversar sobre os belíssimos feitos dos mesmos.

Contudo, não seria uma festa sem o bom e velho barraco.

Na frente da mesa de bebidas, aparentemente, Kobayashi e Chiyeko haviam começado uma briga.

– Ara ara, Shizue-chan, você ficou tão fria comigo subitamente! ~ O que se passa? Até parece que Takane matou alguém, nee, fala com ela! – Provocava a estilista com um sorriso perverso. A outra, em vez de a ignorar, respondeu.

– EU NÃO FALO MAIS COM VOCÊ! VOCÊ ME ENGANOU, VAGABUNDA MALDITA! – Disse, ficando vermelha de raiva. KT deu uma risada doentia.

– Nee, você está bem? Está tãão quente, flamejando de raiva! Não que eu desgoste, mas isso pode ser febre, desunee? Ara ara, melhor ter cuidado! Aqui, Takane te ajuda!

Dito isto, ela pegou num copo de Vodka e jogou na cara da Justiceira. Ela recuou uns passos, levando a mão à cara.

– OS MEUS OLHOS, ELES ARDEM! – Berrou ela, completamente fora de si com raiva. Takane não aguentou, ficando a rir abertamente da humilhação da outra.

– Nee, você achava mesmo que Takane ia te ajudar? Takane quer que você fique AINDA mais quente! Vamos, vamos, demonstre essa força kawaii de justiceira, Takane adora!

– JÁ CHEGA! – Berrou Reiko, se pondo entre as duas – Vamos, vamos, se afastem. Poxa, estamos aqui num bom ambiente e vocês estão estragando tudo!

Parei de prestar atenção nessa hora. Em vez disso, vi Kurama num canto perto do palco, observando algumas fotos que caíram aos seus pés numa expressão calma.

– Err, oi, Kurama. Você está gostando da festa? – Inquiri, com um sorriso. Ela levantou o olhar para me encarar, soltando um pequeno sorriso e acenando afirmativamente. Me impressionei, era a primeira vez que a vira sorrir em muito tempo.

– Sim. Você sabe… Tudo o que tem acontecido, e esses truques do Kyoishi... Me fizeram perceber que estive tomando a atitude errada desde o início. – Comentou, pegando na fotografia que estivera a admirar há pouco tempo. Era uma foto dela mesma, que estava no chão, sendo ajudada a se levantar por Ichiro. – Até agora, eu decidi ficar nas sombras, apenas observando. Mas não mais. Eu agora vou lutar. Agora que não tenho mais família… É isso que eu tenho de fazer.

Acenei afirmativamente, feliz por ela estar tomando uma nova atitude perante a situação. Ela soltou outro sorriso ténue.

– Bom, Kimoto. Vamos começar por aproveitar essa festa, sim? Os feitiços de Kyoishi são tão belos, nem eu sei como que ele os fez – e eu estudei um pouco de ilusionismo eu mesma. Suponho que isso seria de se esperar de um SHSL Illusionist.

– Hehe, não sei se poderíamos considera-los “feitiços” mas… Sim, concordo que eles são de facto impressionantes.

E assim continuou a festa. O show continuou com mais truques de magia impressionantes de Satoru com a ajuda de Connor, e, como um grande final, criou uma bola de luz à frente das suas mãos e jogou uma rosa para dentro dela. Esta bola de luz explodiu em várias pétalas, que ao caírem transformaram-se em água, caindo levemente sobre todos nós. Aplausos vindos de todos os espectadores, impressionados com aquela cena que mais parecia vinda de um filme, fizeram-se ouvir. Kyoishi agradecia quando subitamente ouviu-se um som de uma explosão e todas as luzes e música desligaram-se.

– O que se passa aqui?

– Onde estão as luzes?

– Gente…?

A confusão era geral, com todas as pessoas soltando perguntas e interjeições de desorientação. Tentei escutar alguma coisa, as únicas fontes de luz sendo as pulseiras fluorescentes de cada um dos alunos. Ouvi um barulho de algo caindo, juntamente de algo que parecia loiça se partindo.

– O QUE RAIOS… TIREM-ME DAQUI! – Berrou a voz de Reiko de longe.

– Pessoal, mantenham a calma! – Pediu Connor – A luz deve de volt…

Ele não acabou de falar pois foi interrompido por um estrondo que me fez levar as mãos aos ouvidos, fazendo-me saltar com o susto e o coração bater mais rápido. Aquele barulho, curto e alto, parecia… um tiro? Mas tal era impossível!

Dessa vez, não era mais perguntas de confusão mas sim gritos assustados que tomavam conta do anfiteatro.

– O QUE FOI ISSO?

– UM TIRO?

– ALGUÉM ESTÁ FERIDO? PESSOAL, ESTÃO TODOS BEM?

– QUEM É VOCÊ QUE ESTÁ AQUI? EM QUEM ESTOU TOCANDO?

– HEY, VOCÊ TEM UMA ARMA!? FOI VOCÊ Q—ARGH!

– POR FAVOR, ACALMEM-SE! ENTRAR EM PANICO NÃO VAI AJUDAR EM NAD—AHHHHH CARALHOOOOO!

Senti alguma coisa batendo nos meus pés, mas não consegui perceber o que era. Subitamente, as luzes voltaram. Não propriamente, porque na verdade as luzes normais do anfiteatro que tinham sido ligadas, não as da festa. O que os meus olhos encontraram foi confusão total.

Reiko chamava por ajuda, em baixo da mesa das comidas que tinha caído sobre ele, pratos e taças partidas à volta do mesmo. Akatsuki corria para ajudar o garoto. Ali perto, Ai e Eufrat haviam corrido para segurar Teemu, que estava caído inconsciente no chão. Takane ao longe observava a cena, rindo, e Chiyeko parecia observá-la com raiva, como se ela fosse a culpada de tudo o que acontecera. Do outro lado, Connor se levantava após o que parecia ter caído do palco, com a mão na cabeça com dores, e perto dele…

– N-NÃO PODE SER…!

CORPO DESCOBERTO

Caída no chão de barriga para baixo, e com um tiro na nuca, estava Kurama. O sangue já tinha se espalhado por todo o seu vestido, a expressão surpresa ainda presa no seu rosto. Não se mexia. E, num ato instintivo, ia correr para ela, mas o meu pé bateu em algo – uma pistola. Como era aquilo possível, e porquê? E ainda por cima numa festa! Engoli em seco, olhando à volta. Logo todas as pessoas já tinham notado o que se passava com Kurama e…

– Pim Pam Poom! – Logo a voz de Monokuma, que saía do televisor lá da entrada, fez-se ouvir por todos – Um corpo foi encontrado! Após um breve período de investigação, será realizado um julgamento para descobrir o seu assassino!

E assim começava tudo de novo. Kurama, que havia ainda há poucos minutos me dito que ia lutar, que ia mudar em prol de todos nós, estava agora morta. Não aguentei, soltando um berro de raiva. Queria sair dali, esconder-me para todo o sempre. Independentemente do que fizéssemos, a esperança que nós sentíamos nada mais servia senão aumentar o nosso desespero quando isso acontecesse. Mesmo depois de tudo o que aconteceu…

– NINGUÉM SE MEXE! – Gritou Kyoishi com uma expressão séria, ao ver que alguns de nós já se preparavam para ir ver o que se passava com Kurama. Após algum tempo, ele inspirou fundo, massageando as têmporas e voltou a falar. – Vamos nos acalmar e marcar as nossas posições.

Pegou numa caneta e, indo buscar um papel rapidamente aos bastidores, regressou e começou a desenhar no mesmo. Após algum tempo, deu sinal que já podíamos nos mexer.

– Pronto. Vamos… Começar. – As suas vozes pesarosas deram início ao período de investigação.

Todos mecanicamente começaram a dispersar e a tratar do assunto. Estaríamos começando a ficar habituados a isso…? Essa hipótese me deu arrepios.

INVESTIGATION START

Como sempre começámos por dar uma olhada ao ID de estudante, que tinha um novo Monokuma File para analisarmos.

MONOKUMA FILE 3

Nome da Vítima: Natsuri Kurama

Super High School Level Genius

Causa da Morte: Tiro na Nuca.

Encontrada no anfiteatro. Morte instantânea.

– Isso é… Ainda pior que os outros Monokuma Files… — Comentei para mim mesmo, preocupado. Subitamente, Chiyeko fez-se ouvir.

– Hey! Ela morreu com um tiro na nuca, e o único lugar onde se pode pegar uma arma de fogo seria na sala de tiro, que está trancada! – Comentou, encarando-me com um olhar flamejante – E a única pessoa que tem a chave dessa sala é VOCÊ, ISAO!

– EU NÃO FIZ NADA! – Exclamei logo com medo, mas todos me encaravam de uma forma suspeita. – DE VERDADE! NÃO FIZ MESMO! Eu nunca mais entrei naquela sala!

– …Então porque é que você tem uma pistola aos pés? – Inquiriu Connor, ainda com a mão na cabeça. Mordi o lábio inferior, com nervosismo. Na verdade eu não fazia ideia do que aquilo fazia ali. – Claramente alguém entrou na sala para ir buscar isso, então…

– Ara ara, as coisas não estão muito boas para você, Isao-kun! – Riu Kobayashi, divertida.

Todos estavam desconfiando de mim. Não podia ser… Eu não fiz nada!

[[Prova 1 – Monokuma File]]

[[Prova 2 – Pistola nos pés de Isao]]

Todos decidiram ignorar-me apenas para continuar com as respetivas investigações. Suspirei, dando uma volta pela sala. Logo Eufrat se aproximou de mim.

– Olá, Isao. – Disse ela amavelmente. – Parece que você é o principal suspeito dessa vez.

– E-Eu não matei ninguém, Eufrat! – Disse, desesperado. – De verdade! Eu nunca…

– Hey, não se preocupe. Eu não acho que foi você – Ela piscou-me o olho com um sorriso – Vamos encontrar o verdadeiro culpado, sim?

– Ah… Obrigado. Mas tenho de perguntar, porque é que você não desconfia de mim?

– Ora essa, porque seria demasiado óbvio. Se você fosse o assassino, duvido que fosse deixar a arma ali aos seus pés, não é? Pelo menos é isso que qualquer pessoa faria. – Comentou ela, levando as mãos aos lábios. – De qualquer jeito… Eu tenho quase a certeza que você não conseguiria deixar o Teemu inconsciente.

– Hã? Como assim? – Inquiri, erguendo uma sobrancelha. Ela pareceu surpreender-se por eu não ter compreendido.

– Ah, você não viu? Teemu estava inconsciente quando as luzes voltaram. Ai, Satoru e Reiko foram levá-lo para a enfermaria… Eu decidi ficar por aqui a investigar. De qualquer jeito, ele mencionou qualquer coisa sobre “você tem uma arma” quando as luzes estavam apagadas, se eu ouvi bem. – Encarava os seus pés, tentando se recordar do que escutara. – Hmm, certamente, ele deve ter esbarrado no assassino e por isso teve esse triste destino. Mas não consigo imaginar ninguém que tenha a força para deixá-lo assim no escuro…

De facto, não haviam muitas possibilidades. Ichiro provavelmente teria conseguido, mas ele já não estava entre nós. Além dele, não haviam muitas pessoas que tivessem o físico do Teemu… De facto, esse era certamente um mistério.

[[Prova 3 – Teemu]]

Dirigimo-nos até ao corpo, que dessa vez não tinha ninguém inspecionando. Não encontrámos nada de especial até que Satoru chegou.

– Satoru! – Chamou Eufrat com um sorriso. – Como está Teemu?

– Ainda não acordou, Ai ficou a cuidar dele. – Confirmou, fazendo o sorriso da empresária se desvanecer. – Já conseguiram determinar a trajetória da bala?

A resposta que demos foi um aceno de negação, pela qual o garoto se baixou para observar melhor.

– Quando uma bala atinge alguém, o impacto leva a que a pessoa caia na direção oposta a de onde ela veio. – Disse. – Assim sendo, a trajetória mais provável é… Vinda dali.

Olhámos para onde ele apontava, lá na mesa de comidas que tinha caído em cima de Reiko.

– Oh, como que você sabe essas coisas? – Inquiriu Eufrat. O ilusionista olhou para ele com uma expressão séria.

– Você não imagina as coisas que você aprende com as tulipas. Elas sabem de tudo.

A moça deu uma risadinha para disfarçar a confusão claramente espelhada no seu rosto.

– Tulipas…? Ah, certo.

– De qualquer forma, aqui está o mapa que eu fiz com as posições de todos quando as luzes voltaram. Também coloquei a trajetória, para ajudar. Levarei isso para o Julgamento, suponho que nos vá ajudar.

[[Prova 4 – Trajetória da Bala]]

[[Prova 5 – Mapa das Posições]]

E então o garoto saiu para investigar mais algumas coisas. Ou então simplesmente olhar para a parede, nunca dava para entender direito o que se passava na cabeça dele. De qualquer forma, segui Eufrat até à mesa que tinha sido afastada para tirar Reiko de baixo da mesma.

– Oh, note aqui, Isao. – Comentou a garota, apontando para o que parecia… Fita-cola. – Tinha alguma coisa colada em baixo da mesa.

– Talvez fosse aí que estava escondida a arma? Chiyeko e você fizeram uma inspeção das pessoas à entrada, afinal.

– Certamente… Era um lugar inteligente para guardá-la. O que significa que quem fez isso já tinha as coisas planeadas faz algum tempo…

[[Prova 6 – Fita-Cola na Mesa das Comidas]]

[[Prova 7 – Mesa Derrubada]]

– Humpf. Essa mesa caiu em cima de mim. Felizmente não me magoei, a única coisa que me incomodou foram os biscoitos que sujaram minha blusa toda depois de eu ter saído de lá de baixo. – Comentou Reiko, chegando juntamente com Connor. O cosplayer me encarou de uma forma que indicava claramente que ele desconfiava de mim.

– Então, gente. Eu fui dar uma olhada na iluminação, e aparentemente alguém mexeu nos fios, deixando-os a descoberto. Quando fizemos aquele truque para fazer chover aqui dentro, a água provocou curto-circuito, desligando as luzes. – Comentou. – Suponho que tenha de ter sido alguém que tivesse a oportunidade de mexer nas luzes…

– E-Eu… Já disse que não fui eu! – Disse. As coisas não estavam melhorando para o meu lado, de todo.

[[Prova 8 – Fios Elétricos Comprometidos]]

– Hey pessoal. Alguém já pensou como que fizeram isso e tal? Tipo… Como que o Isao viu a Kurama ali no escuro? – Perguntou Reiko. Eu ia reclamar, mas Eufrat simplesmente pousou a mão no meu ombro, como que um aviso para não iniciar mais confusão.

– Certamente… O assassino já sabia QUANDO que as luzes iam se desligar, pelo que ele já tinha a posição da sua vítima preparada. – Comentou ela.

– Ou não. – Retorquiu Akatsuki, com um sorriso feliz por saber algo que Eufrat não sabia. A empresária olhou para ela sem nenhuma expressão evidente, esperando que a outra respondesse – Talvez seja dessas pulseira que a gente tá usando. Cad’uma tem uma cor diferente, afinal, e elas brilham no escuro.

– Creio que isso seria algo a discutir no Julgamento. – Disse Eufrat, não gostando de ser contrariada daquela forma – De qualquer forma, é uma possibilidade.

[[Prova 9 – Pulseiras Fluorescentes]]

– Hmm… Acho que já vimos grande parte do que tínhamos para verificar por aqui. – Comentou Eufrat para mim, depois de nos despedirmos dos outros e nos afastarmos. – De facto, grande parte das provas estão contra você, Isao. Vamos verificar se por acaso você ainda tem a chave com você. Ela estava no seu quarto, certo?

– Sim…

E assim o fizemos. Quando chegámos ao meu quarto, fui até à gaveta onde tinha a chave escondida e, para minha surpresa e grande pânico, ela ainda estava ali.

– Oh céus. – Comentou Eufrat. – Essa prova… Isao. Esse será um caso difícil para você. Eu mesma estou começando a duvidar das minhas conclusões… Temos de encontrar mais alguma prov…

– Está na hora de mais um julgamento! – Fez-se ouvir a voz de Monokuma através do televisor do meu quarto, que se ligara subitamente. – Por favor dirijam-se ao elevador! Obrigado.

E assim ficaram reduzidas todas as minhas esperanças de encontrar mais alguma coisa que salvasse a minha vida. Pior ainda, que salvasse a vida de qualquer um dos presentes.

– …Não se preocupe, Isao. – Garantiu-me Eufrat, agarrando-me a mão com força – Eu te defenderei.

Sorri, feliz por ter ao menos alguém do meu lado. Contudo, não consegui deixar de me perguntar…

Porque é que ela estava tão empenhada em me ajudar?

Contudo, eu não precisava de desconfiar de um dos meus únicos aliados naquele momento. Então, eu dirigi-me para o elevador. Já todos nos esperavam, menos Teemu. Quando perguntou por ele, Ai respondeu que ele ainda não acordara, pelo que não podia ir a esse julgamento. Dito isto, entrámos, nos preprarando para o que vinha a seguir.

Mais um julgamento onde iríamos por todas as nossas amizades de lado, criando desconfianças e traições.

– X -

Estava na hora.

Jogando os seus longos cabelos ao ar, “Sayaka Maizono” subiu ao palco, sorrindo perante a multidão que lhe aplaudia entusiasticamente. Ela era um ídolo para todos. E ela se sentia tão preocupada por aquelas pessoas, aqueles preciosos fãs, queria dar-lhes o precioso tratamento que merecem.

– Hai haaii! – Disse ela, acenando para o público que parecia entrar em loucura apenas com a sua voz. – A vossa top esperança está aqui! Por favor, deixem todos os vossos problemas, todo o vosso desespero de lado, nee? ~

A música que acompanhava só aumentava o barulho. As luzes de diferentes cores davam um aspeto febril e confuso à situação. Certamente, aquilo era esperança. Esperança pura.

– Como sabem, eu estou aqui para vos salvar a todos! Por favor, não se esqueçam do vosso dever, que é ter esperança! Gritem comigo! “Ter esperança é o nosso dever!”

E assim fizeram os seus fãs, os seus súditos. Com o maior entusiasmo e paixão, gritaram vezes e vezes sem conta “Ter esperança é o nosso dever”, sem parar. O tempo passava, e a multidão não parava de gritar. A frase ficava cada vez mais presa nas suas mentes.

– Ohh, estou tão feliz! Estou tão orgulhosa! Como uma mãe que vê o filho acabando o curso e entrando finalmente na vida profissional, o meu orgulho é incomparável! – O seu sorriso radiante não tinha realmente emoção. Os seus olhos encaravam os seus súditos como se os devorasse – Pensar que estão todos a se obrigar a ter esperança quando a vossa casa foi destruída, quando vossos amigos e família estão mortos ou vos tentaram matar, que todos vocês se rebaixaram com medo da possível tortura que vos poderiam trazer, certamente essa vossa esperança enche o coração de Sayaka Maizono!

Na verdade, todos eles sabiam. Todos os seus súditos, os seus escravos, sabiam que no fundo ela era uma das pessoas que havia trazido completa ruína às suas vidas.

– Não se esqueçam de manter essa atitude S-E-M-P-R-E! Sayaka Maizono não aceita que vocês sintam desespero, ou então serão severamente punidos, meus lindos, adorados fãs! Devo relembrar?

Uma enorme tela desceu atrás dela ao ritmo da música. Após estar completamente visível, algumas palavras foram surgindo a toda a velocidade.

Enforcamento, Cadeira Elétrica, Afogamento, Apunhalamento, Queimados Vivos, Tortura, Decapitação, Privação de Comida, Piscina de Ácido, Envenenamento, Crucificação, Enterrados Vivos, Apedrejamento, Desmembração…

– É só escolher! – Disse ela com alegria. A multidão respondeu com igual alegria, aceitando a terrível realidade que caía sobre elas. A ídolo estalou os dedos e a tela voltou a subir, para que fosse discutido outro assunto para com os seus escravos. Esperou que eles se acalmassem um pouco e parou subitamente de sorrir.

– Contudo, temos outras preocupações nesse momento… Sayaka Maizono não pode deixar de admitir que existem certos indivíduos que precisam de ser eliminados! Oh, a desgraça! E é isso que ela vem aqui pedir para vocês, meus amados fãs!

Apesar das suas palavras, todos continuavam gritando. Alguns choravam, mas mantinham um sorriso na face. Seria um choro de puro medo ou de felicidade? Não era possível saber, devido à lavagem cerebral que todos eles sofreram. O sorriso voltou, mas a expressão da ídolo tornou-se pesada, a profunda diversão distendida nos seus lábios não se estendendo aos olhos, que espelhavam loucura.

– Estamos fazendo uma caça às bruxas. As bruxas que, com a sua magia negra, estão trazendo desespero à nossa tão amada comunidade. Todos vocês receberão uma lista delas, de como elas se parecem e algumas dicas de onde poderão, possivelmente, encontrá-las. Entendido? – Esperou uns momentos. Nem dava para saber se as pessoas aplaudiam e berravam em plenos pulmões porque tinham escutado ou se só o faziam de uma forma mecânica, com o medo de serem punidos caso não o fizessem. Contudo, “Sayaka Maizono” sabia que eles a escutavam e obedeceriam, afinal, eles eram os seus escravos. – Direi desde já a bruxa com maior prioridade para mim: uma bruxa de nome Maleficent. Ela é uma bruxa muito ruim que não aceitou o seu ritual de purificação. Por favor, encontrem-na logo! Porque depois de a caçarmos…

O seu rosto mudou para uma expressão de prazer imenso, corando como se estivesse com febre. Certamente, aquele era o maior desespero que poderia trazer, um doce desespero que Sayaka Maizono tanto anseia.

– Ela e todas as outras bruxas queimarão.

Notas finais
Estarei esperando as vossas maravilhosas reviews que tenho saudades! (Btw, eliminei o ultimo capitulo porque acho que ele estava ali meio que incomodando. Era o capítulo troll de primeiro de Abril, não se preocupem.) EDITADO: Acrescentei que Teemu não vai participar do próximo class trial (esqueci de mencionar isso. Ops!) e o mapa que Satoru desenhou: http://i.imgur.com/L3WbEji.png As cores são basicamente as cores das pulseiras de cada pessoa. Ignorem o facto das bolas terem tamanhos diferentes (olhem aquela akatsuki gigantesca ao lado do reiko pequenino LOL)