O Reformatório
10 Finalmente
Desço e vejo que a reunião ainda não começou. Alguns garotos estão espalhados pelo salão quando vejo Kurt em uma das rodinhas conversando e rindo. Sento em uma poltrona e me permito observar sua beleza por um minuto.. Seu cabelo levemente cobreado, seus olhos grandes e brilhantes e sem contar seu sorriso que me faz querer ficar para sempre olhando para ele. Meus pensamentos são interrompidos quando Puck praticamente pula no lugar ao lado do meu.
–Se você ficar babando assim por ele, vai ficar na cara.
Merda! Estou tão obvio assim?
–Não sei do que você está falando.
–É claro que não, Blaine.
Puck fala e imediatamente dá uma gargalhada tão alta que todos do salão olham para a gente inclusive Kurt. Dá para ver que ele se despede e logo em seguida vem em nossa direção.
–É difícil fazer amizades quando só ficam sentados.
Puck lança um olhar para mim e em seguida dá de ombros.
–Eu vou ao banheiro antes de começar a reunião.
Puck se levanta e segue para o banheiro enquanto Kurt se senta no lugar que ele ocupava.
–Kurt, acho que precisamos conversar mais tarde.
–Porque? Aconteceu alguma coisa?
–Não é só...Sebastian e Puck sacaram que está rolando alguma coisa entre a gente.
O sorriso radiante do kurt se torna em um sorriso nervoso e seus olhos param de brilhar.
–A gente... A gente não fez nada de errado.
Sinto minhas bochechas queimando porque sinceramente queria que isso fosse mentira.
–Não se preocupe, Blaine. Não temos com o que se preocupar.
Ele se levanta e vai falar com mais alguns grupos até a reunião começar. Puck volta e entramos juntos na reunião. O "tema" de hoje é problemas familiares, o que eu sou profissional. Meu pai me odeia pelo fato de ser gay e minha mãe nem ousa em desafiá-lo, nem mesmo por mim. Sou de uma família tradicional e o único que me apoia é o Coop, meu irmão mais velho. Ele sempre me defende quando meu pai começa a me acusar de ser "doente" e "esquisito". O problema é que ele está sempre viajando por causa de sua carreira de ator e eu não posso impedi-lo de seguir seus próprios sonhos. A única solução foi pedir para entrar na Dalton para ficar o mínimo possível perto dele. Quando disse que era uma escola só para garotos ele contou uma "piada" falando que eu iria conhecer o paraíso. Na verdade isso me fez ficar com tanta raiva que dei um soco na parede do meu quarto.
–Então, Blaine... Alguma coisa para compartilhar conosco?-Pergunta Hussel me tirando por completo de meus pensamentos
–Hã? Não, eu tô legal.
Ele acena e continua a conversa. Eu acho que nunca vou ser capaz de me abrir para um bando de desconhecidos a custo de nada. Quando acaba a reunião, saio da sala e Hussel vem atrás de mim falando que quer falar comigo.
–Blaine, certo?
–É.
–Então, Blaine.. Acho que você está perdendo o foco do porque está aqui.
–Como assim?
–Você não fala nada a reunião toda e sempre que eu olho para você, você está com um olhar distante.
–Eu só não estou pronto para me abrir.
–Entendo... Só não se esqueça que estamos aqui para te ajudar e ninguém está aqui para julgar ninguém. Ah, sim... A sua reunião com Emma será as duas.
Eu concordo e ele se despede.
Ok, então meu cronograma até agora é:
7:30-8:30 Café da manhã
8:40-9:40 Reunião em grupo
9:50-11:30 Estudo
12:00-13:00 Almoço
14:00-15:30 Reunião particular
16:00-18:00 Estudo
18:10-19:10 Esporte
20:00-21:00 Jantar
00:00 Toque de recolher obrigatório
Eu nem comecei com a minha agenda e já estou de saco cheio dela... Uma coisa que eu odeio é que me digam o que eu posso ou não fazer. Tecnicamente esse meu tempo livre era para ser dedicado ao meu estudo mas não estou a fim e decido ir para o meu quarto dormir. Chegando lá encontro Sebastian e Puck no corredor.
–Sebastian, o que faz tão cedo aqui? Não ia procurar um hotel?
Ele sorri maliciosamente e coloca um de seus braços no ombro do Puck.
–Eu não resisti de voltar o mais rápido possível.
Reviro os olhos e decido que vou ignorá-los até que esse fogo do Sebastian passe. Puck é um cara legal mas não é do feitio do Seb ficar com uma pessoa só por muito tempo.
Entro no meu quarto e me troco, colocando uma roupa mais confortável para que eu possa dormir tranquilamente. Eu deito e quando estou prestes a me render para o sono alguém bate na porta. Quero muito ignorar essa batida mas tendo em mente que pode ser algo importante me levanto e abro a porta. Para minha surpresa é o Kurt.
–De acordo com meu cronograma, você deveria estar estudando!
Dou o melhor olhar de cachorrinho que consigo para convencê-lo de que minha mão ainda está doendo muito para isso. Ele tenta manter o rosto sério mas não consegue dando seu maravilhoso sorriso. Sei que ele se rendeu e o convido para entrar.
–Entra. Eu estava quase dormindo..
Ele entra e senta na minha cama enquanto eu tranco a porta. Não posso correr o risco de alguém abrir a porta e ver o Kurt no meu quarto. Sento do lado dele e ambos ficamos tímidos diante da situação.
Kurt está muito distraído observando meus cds de longe e eu resolvo ser sincero.
–Kurt... O que está rolando entre nós realmente? Eu sei que te amo e você me disse sentir o mesmo mas o que isso significa?
Kurt me olhou com um ar de surpreso pelo repentino assunto mas logo sentou-se mais próximo de mim e segurou minha mão.
–Você sabe que essa não pode ser uma relação normal, certo? Não vamos poder nos beijar na frente de todo mundo ou andar de mãos dadas. Não enquanto você estiver hospedado aqui.
Eu sei que por mais que nós queiramos, ele está certo. Nunca vai poder ser normal..
–E o que vai acontecer com a gente depois que eu for embora? Você ainda vai ficar por aqui. E se conhecer outra pessoa que nem eu?
Ele aperta minha mão e sei que o atingi com o que eu disse.
–Blaine, quero que você saiba que não tem ninguém como você. Nunca teve e nunca terá. Você é muito especial.
Ele está tão próximo de mim que tenho que lembrar que isso não é um sonho. Relaxo e deixo nossos corpos fazerem o resto.
Fico sem ar porque estamos nos beijando.
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