O Reerguer Das Trevas
4 POV Nico
Notas iniciais
Espero que gostem!
Mas o que é que deu na cabeça da Ashley para andar a espalhar por aí que Sofia fora reclamada pelo meu pai. Afinal, tínhamos lhe pedido segredo.
- Só contei a umas amigas da cabana de Afrodite. Nada de mais – tinha-se desculpado ela.
- Contar a uma filha de Afrodite é como contar a todo o acampamento! Nem se afixasses no quadro de avisos a notícia se espalharia tão rápido! – respondera eu.
Isto ocorrera antes do jantar, quando eu discutira com Ashley. Agora os ânimos já estavam mais calmos, apesar de ainda se ouvir alguns comentários e de, por vezes, alguns mestiços ainda olharem para a Sofia e para mim de esguelha.
Quando acabamos de jantar fomos para a fogueira, apesar desta ainda não ter começado. Só lá estavam alguns campistas e Héstia, na forma de uma menina de 8 anos. Cumprimentei-a e reparei que Sofia fez a mesma coisa:
- Sabes quem é? – perguntei
- Não... Não tenho a certeza. Apenas achei que a devia cumprimentar. – ela respondeu, encolhendo os ombros.
- É Héstia – informei — a deusa...
- ...do fogo do lar e da família. Uma dos treze olimpianos e uma das principais deusas antes de ceder o seu lugar a Dionísio, para evitar discussões.
Acenei afirmativamente com a cabeça, surpreso por ela saber a história por trás da deusa Héstia.
Encostei-me a uma árvore, mais ou menos onde os troncos que serviam de bancos acabavam, e a minha recém-descoberta maninha sentou-se no último banco natural, o que se encontrava mais perto de mim.
- O que era aquela aura negra que apareceu à minha volta no refeitório e no bosque, quando fui reclamada? – perguntou Sofia, após alguns momentos em silêncio e alguma relva arrancada. Ela agora brincava com três fios de relva entre os dedos, de um modo meio distraído.
Suspirei fundo e respondi:
- Era energia negra, também chamada de matéria morta. Os filhos de Hades, quando lutam entre si ou usam os seus poderes libertam energia negra. Quanto mais forte o ataque ou mais tempo demorar a luta, mas matéria morta é libertada. Por vezes, quando os filhos de Hades ficam chateados, irritados ou extremamente tristes ou alegres os poderes podem sair do seu controle, deixando a aura negra que tu viste no refeitório e podendo ocorrer coisas mais extremas, poderes muito raros de filhos de Hades que nós preferimos não discutir porque não devem ser usados.
- Tipo... Se eu não tiver cuidado posso aleijar alguém sem o querer ou até mesmo, quem sabe... dar-lhes um bilhete só de ida até ao Mundo Inferior? – ela perguntou.
Limitei-me a acenar. Apesar de ela estar de costas, eu sabia que ela tinha percebido o meu gesto.
- E quais sãos os nossos poderes? – questionou ela, alguns momentos depois e mais uns bocados de relva estragada.
- Podemos viajar pelas sombras, invocar monstros para nos ajudar nas nossas lutas, controlar as sombras para esconder algo ou prender alguém e controlar almas. Se quiseres chamar algum monstro para te ajudar aconselho-te os guerreiros esqueleto. Alguns monstros só podem ser mortos por nós ou por quem os invocou.
Ela acenou com a cabeça, como que a dizer que tinha percebido.
Passados mais alguns minutos, ela virou-se para mim e perguntou:
- Ensinas-me?
Um pouco espantado respondi:
- Claro. Amanhã á noite.
Antes que algum de nós pudesse comentar mais alguma coisa chegaram Percy, Annie, Travis, Katie, Connor e Rita. O meu coração pareceu saltar uma batida quando vi a minha mais recente prima. Abanei a cabeça antes que qualquer tipo de pensamento me viesse à mente.
Reparei que já quase todos os campistas se encontravam em redor da fogueira. Notei em Ashley, sentada na terceira fila, com as suas amigas coscuvilheiras da cabana de Afrodite.
A noite à volta da fogueira foi igual ao costume: houve muita cantoria, principalmente dos filhos de Apolo, muitos marshmallows assados na fogueira, um ou outro queimado... O costume mas, apesar disso, tanto a Rita como a Sofia pareciam bastante divertidas.
A dado momento reparei que Ashley se retirara para o seu chalé.
Tomei uma decisão e, sem dizer nada a ninguém, segui-a.
- Ashley – chamei, quando já ninguém na fogueira nos poderia ouvir.
Ela virou-se e sorriu, mas o seu sorriso já não me parecia mesmo, já não me deslumbrava como antes.
- Nico! — ela exclamou e lançou os braços à volta do meu pescoço, na tentativa de me dar um abraço. Esquivei-me, agarrando-lhe nos braços e impedindo-a de acabar o movimento.
Estávamos agora muito perto, mas não era o mesmo, não me sentia da mesma maneira. Olhar para ela já não era a mesma coisa que antes. O tempo já não parecia parar, as outras pessoas não desapareciam, o seu doce aroma a flores já não me encantava. Era como... uma chama que outrora ardera e agora se apagara. Era como... Era como se eu não a amasse mais.
Dei um passo atrás, para me afastar um bocado, e larguei-lhe os braços:
- Temos de conversar. – disse eu, da forma mais séria que pude.
Não sabia bem como lhe dizer. Como se diz a alguém que já não a amamos; que já não queremos estar com ela; que já não queremos ser seu namorado.
- Eu... Quer dizer, nós... Quer dizer, as coisas mudaram desde que te conheci. E... eu já não me sinto da mesma maneira e... Bom... Eu quero acabar contigo. – disse, finalmente
Depois de alguns (longuíssimos) momentos em silêncio (que pareceram horas) ela disse (ou será ameaçou?):
- Vais te arrepender disso di Ângelo. E a rapariga por quem me deixaste também. – e foi se embora.
Fiquei parado sem saber bem o que dizer. Como assim a “rapariga por quem me deixaste”? Ela está a falar da minha futura namorada? Eu nem estou a pensar nisso! Não foi por isso que eu a deixei! Ou foi?
Porra Afrodite, porque é que o amor é tão complicado?!
“Porque se assim não fosse, não teria piada!” ouvi uma voz feminina a dizer na minha cabeça.
Ainda perdido nos meus pensamentos, fui para o meu chalé e dormi assim que me deitei.
***
No dia seguinte, acordei com o toque para o pequeno-almoço.
Praguejando baixinho, vesti-me a correr e, quando ia a sair do chalé, encontrei um bilhete:
“Bom dia Caveirinha Júnior! Não te quis acordar mas espero que não arranjes problemas. Ass.: Sofia, a tua mais recente maninha J”
Sorri e corri para o refeitório antes que dessem pela minha falta. Era bom saber que Sofia já estava mais bem disposta.
Quando cheguei ao refeitório, ainda estavam muitos mestiços a chegarem. Servi-me e sentei-me na nossa mesa.
- Bom dia! – cumprimentou-me Sofia, visivelmente mais bem-disposta do que ontem.
- Bom dia! Madrugaste? – perguntei.
- Quem madruga Deus ajuda – brincou ela. Sorri com ela e comecei a comer o meu pequeno-almoço, depois de ter oferecido uma parte aos deuses.
A minha maninha bebericava o seu sumo enquanto olhava em frente, para o nada, ou mais concretamente, para um certo rapaz da mesa 11 com cabelo castanho e um irmão quase-gémeo.
- Então, que se passou ontem? – perguntei, supondo que ocorrera alguma coisa, visto que ela mudara tanto de humor.
- Isso pergunto eu. Desapareceste de repente e sem dizer nada a ninguém. – esquivou-se ela, mas um sorriso bailava-lhe nos lábios.
- Fui falar com a Ashley. – como ela não comentou nada, continuei, enquanto punha mais um bocadinho da minha panqueca na boca – Acabamos.
- Hum... – ela disse, pensativa.
- E contigo? O que é que se passou ontem à noite?
- Nada de mais... Tive a falar com Connor sobre partidas.
- Gostas de pregar partidas?
- Sim.
Eu ia a comentar que ela gostava era dele mas reparei que já estava a ficar tarde e que tínhamos de ir para a aula de grego.
- Anda, vamos ter que ir até ao Anfiteatro para ter aula de Grego.
- Espero ser boa a Grego. Nunca tive muito jeito para línguas. E tu? És bom a grego?
- Mais ou menos. Acho que sim. Suponho que a dislexia ajuda. – respondi, encolhendo os ombros.
- Mas eu não tenho dislexia. – comentou Sofia.
***
A aula de grego passou mais rápido do que o costume.
- Até nem foi muito mau. – comentou a Sofia. – Não sabia que Annie era a professora.
- Aqui os professores são normalmente os campistas mais antigos e que se saem melhor nessa mesma área.
- Há quanto tempo é que a Annie está aqui? – perguntou Sofia enquanto nos dirigíamos para a nossa próxima aula.
- Ela fugiu de casa aos 7 anos, andou por aí com a Thalia e o Luke durante algumas semanas e depois veio para aqui. Quando estavam quase a entrar no acampamento, com imensos monstros a segui-los, Thalia sacrificou-se para salvar os seus amigos. O seu pai, Zeus, com pena de a ver morrer, transformou-a numa árvore, o pinheiro do topo da colina. No 2º Verão do Percy cá (eu ainda não saíra do Lotus Casino), ele trouxe o Tosão de Ouro e pô-lo na árvore da Thalia, por que esta estava a morrer. O Tosão resultou demasiado bem e Thalia voltou à vida. Um dia antes de fazer 16 anos...
- ...a idade da profecia...
- ...Thalia juntou-se às caçadoras de Artemis, como Tenente, o cargo mais alto. – conclui.
- E Luke? – perguntou a minha maninha.
- Ele juntou-se a Cronos, que estava a tentar voltar à vida para poder reinar e vingar-se dos seus filhos, os atuais deuses do Olimpo. Cronos tomou posse do seu corpo mas, no fim, Luke morreu como um herói, sacrificando-se de modo a mandar o espírito do rei Titã de novo para o Tártaro.
- Coitada da Annie. Imagino que não seja muito conveniente falar sobre isso perto dela.
- Pois...
- A Thalia é uma rapariga de olhos azuis elétricos, cabelos pretos, estilo meio punk e uma tiara?
Acenei com a cabeça afirmativamente.
- Ela estava lá, na piscina municipal, quando eu e a Rita fomos atacadas.
Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, chegamos ao local da aula.
- O que é que vamos ter agora? – perguntou Sofia
- Luta corpo-a-corpo – respondi, e vi um sorriso bailar nos seus lábios.
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