O Reencontro
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Sally não aguentava esperar nem mais um minuto. Cada segundo de espera fazia com que seu coração se apertasse ainda mais. Era normal que ela se sentisse assim, afinal, não via seu filho havia quase um ano. Os meses, dias e horas de espera foram desconcertantes.
Passou muitas noites em claro se perguntando como estava seu filho, se estava bem, quando voltaria para casa e, por Deuses, clamava para que ele voltasse para casa. Só de pensar em nunca mais ver seu Percy, seu filho, seu bebê outra vez, sentia como se não pudesse respirar. Nesses meses ela não conseguia se concentrar em praticamente nada e mesmo com Paul por perto para ajuda-lá a se sentir melhor, só pensava em Percy.
O dia anterior havia sido, de longe, o melhor dia que havia passado. Bem no horário da tarde recebeu uma Mensagem de Íris de seu filho. A emoção foi tanta que ela começou a chorar e quis abraçar a forma de Percy. Não acreditava que ele finalmente estava de volta, que ela poderia vê-lo e dormir tranquila sabendo que ele estava bem. Fora como no dia que ele a ligou avisando que estava tudo bem e que ele estava em uma missão. Sally ficou aliviada em ouvir a voz de seu filho mesmo que por uma mensagem da caixa postal. Sabia que não estava realmente tudo bem porque, afinal de contas, ele estava em uma missão. Missões nunca significavam que as coisas iam bem, principalmente quando Percy estava envolvido.
Ela sabia que o mundo corria perigo outra vez e que só seu filho e os outros semideuses poderiam salva-lo. Ter um herói como filho não era nada fácil. Orgulhava-se de Percy mais que tudo nesta vida, era respeitoso, amoroso, inteligente, lindo, engraçado e possuía mais mil qualidades que ele havia conquistado sozinho.
No momento, Sally se encontrava na sala de TV a espera de seu filho, com um álbum de fotografias sobre seu colo. Não era um simples álbum, era um álbum de Percy. Esse foi seu maior companheiro em todo este tempo.
Logo na primeira página havia uma foto dela e de seu filho no hospital, Percy acabara de nascer. Estava com os olhos fechados e enrolado em um pequeno manto azul, Sally tinha lágrimas nos olhos. Na época ela não sabia como seria possível criar um semideus e escondê-lo de todo perigo sozinha, mas logo na primeira vez em que Percy abriu seus olhos verdes e olhou para ela, soube que conseguiria se virar. Ela foi virando as páginas e viu uma foto do 4º aniversário de Percy, ele estava com a boca toda lambuzada de cobertura de bolo azul. Na foto seguinte eles estava abraçados, Percy batia em sua cintura. Conforme foi virando as páginas sentia seu peito apertar de saudades. Na última foto do álbum estavam ela, Percy, Paul e Annabeth no Central Park, pouco tempo depois do aniversário de 16 anos de Percy e da batalha de Manhattam.
— Mãe? – Sally ouviu uma voz vinda da porta.
Ela levantou os olhos e viu Percy parado com a mão sobre a maçaneta na porta e o olhar pousado sobre ela. Sem acreditar que aquilo era real ela se levantou do sofá e correu para abraçar seu filho, que já era muito mais alto que ela.
— Oh, Percy. Senti tanto sua falta. – Sally sentia as lágrimas voltando, mas dessa vez eram lágrimas de emoção.
— Também senti sua falta, mãe. – ele a apertou mais forte contra seu peito.
Eles ficaram parados durantes um tempo, apenas se abraçando. De repente, todo o vazio que ela sentia foi preenchido pela melhor sensação do mundo. Quando seus braços já estavam perdendo a força, ela afrouxou o abraço e olhou para seu filho. Ela logo percebeu que ele havia mudado. Estava mais alto, forte, com o rosto anguloso e a pequena mecha branca que possuía em seus cabelos já não estava mais lá. Sally segurou o rosto do filho com as duas mãos e ficou acariciando seu rosto, sem conseguir dizer uma palavra.
— Sou eu mesmo mãe. – Percy afastou as mãos de sua mãe gentilmente de seu rosto e sorriu – Eu voltei.
— Nunca fiquei tão preocupada em toda a minha vida. – seus olhos se encheram de lágrimas novamente – Você está tão lindo, tão crescido... Eu te amo tanto meu filho.
Depois de Percy conseguir acalmar Sally, os dois se sentaram no sofá e ele começou a contar sobre sua longa jornada. Sua memória havia sido roubada por Hera, ele havia trocado de lugar com um semideus romano e ido para uma missão no Alaska. Depois disso, voou para a Roma em um barco (Sally nem se atreveu a perguntar como) para salvar Nico Di Angelo e acabou caindo no Tártaro junto com Annabeth.
— Espere. – Sally disse de repente – Tártaro? O verdadeiro Tártaro?
— Sim mãe, o verdadeiro Tártaro. E olha, não conseguiria ter seguido em frente se não fosse por Annabeth. – ele falava de Annabeth com tanta paixão em sua voz que Sally não podia deixar de sorrir. Desde a primeira vez em que Percy contou sobre Annabeth, ela já sabia que os dois ficariam juntos.
Percy continuou narrando sua jornada pelo Tártaro, enfatizando as mil vezes em que quase morreu (para a preocupação de sua mãe) e depois continuou a história sobre sua missão até a Grécia. Quando Percy disse que acordou Gaia com um sangramento nasal, Sally soube que Percy não havia mudado tanto quanto ela pensava, pois, só ele poderia ter feito isso.
Ela sempre sentiu orgulho de seu filho por ser um herói, não apenas um herói mitologicamente falando, mas um herói na vida. Já passou por tantas coisas que ela não conseguia acreditar em como ele continuava seguindo em frente sem hesitar.
— Tenho tanto orgulho de você Percy.
Os olhos de Percy transbordavam gratidão e felicidade, ele estendeu o braço para segurar a mão de sua mãe quando Sally viu algo em seu antebraço. Parecia um machucado cicatrizado ou uma queimadura há muito tempo feita.
— O que é isso? – ela perguntou.
Percy olhou para seu antebraço quase como se tivesse se esquecido do que estava ali e sorriu para sua mãe, mostrando o que havia ali.
— É uma tatuagem.
— Uma tatuagem? Percy, uma tatuagem?! – Sally exclamou horrorizada ao observar a tatuagem com cuidado.
Percy riu.
— Então eu viajo o mundo em um barco voador, luto com dezenas de monstros para salvar o mundo, quase destruo o mundo com um sangramento nasal e isso sem falar nas inúmeras vezes em que eu quase morri... – ele parou e sorriu para a mãe — ... E você está preocupada com uma tatuagem?
Sally colocou a mão na testa e riu com o comentário do filho. Sentiu falta do senso de humor de Percy.
— Você está certo. – ela riu – Por que decidiu fazê-la?
— Na verdade não foi bem uma escolha – ele se debruçou sobre o encosto do sofá – É uma regra do acampamento romano, que, aliás, vou visitar em breve.
Percy fechou os olhos como se estivesse imaginando algo muito bom para ser verdade.
— Na verdade mãe, eu e Annabeth vamos nos mudar para... – ele foi interrompido.
— Mudar? Mudar?! Percy! Eu acabei de ter você de volta e você me vem com “mudar”? Quando? – ela perguntou desesperada.
— Calma mãe, não disse que íamos nos mudar esse ano. Eu ainda tenho 16 anos, tem um bom tempo para eu ir a Universidade.
Sally se acalmou e abraçou o filho, sussurrando em seu ouvido: — Desculpe por ter surtado, é que no momento não consigo pensar em ter você longe mais uma vez.
Ela se afastou dele e foi em direção a cozinha, onde pegou uma bandeja de cookies azuis e trouxe de volta para a sala vendo os olhos de Percy brilharem em direção a bandeja.
— E como está Annabeth e os outros? Estão todos bem? – Sally colocou a bandeja na mesa de centro.
— Sim, quero dizer... – Percy mordeu um pedaço do biscoito – Annabeth está ótima. Eu disse para ela vir comigo, mas ela insistiu para que eu viesse sozinho. Os outros semideuses estão bem, com exceção...
Ele parou e abaixou a cabeça, como se tentasse expulsar uma memória ruim de sua cabeça.
— Com exceção de Leo. – Percy pronunciou o nome de Leo com dor – Ele se sacrificou para nos salvar. (n/a: Ninguém sabe ainda que o Leo está vivo)
Sally sentou-se mais perto de Percy e beijou sua testa. Queria confortar o filho, mas sabia que a melhor coisa no momento era mudar de assunto.
— E então – ela começou – Universidade?
Percy levantou o olhar e deu um sorriso de lado quase imperceptível, mas que Sally conseguiu captar.
Os dois passaram a tarde toda no sofá conversando e comendo cookies azuis, como nos velhos tempos. Não naqueles tempos em que Percy só ficava metade do ano com Sally, mas naqueles em que ele ainda não sabia que era um meio-sangue, em que Gabbe Cheiroso não fazia parte da vida deles, naqueles tempos em que eram apenas os dois vivendo juntos e felizes.
Sally fechou os olhos enquanto Percy falava e desejou que aquele momento fosse eterno, ela e seu filho sem terem com o que se preocupar por apenas uma tarde. Uma feliz e maravilhosa tarde.
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