Notas iniciais
Então, esse é o primeiro de dois capítulos, o próximo será postado daqui a uma semana. Espero que vocês gostem. Boa leitura.

A menina encarava a entrada do colégio com um certo aperto no coração. Ela sentia esse aperto desde que recebera o convite e resolvera aceita-lo. Não sabia exatamente o porquê se sentia assim, pelo menos não até aquele momento.

Encarar a porta de seu antigo colégio, fez um filme passar em sua cabeça, e então ela compreendeu a razão para fugir tanto, a razão que a impedira de voltar quando recebera a trágica notícia sobre o seu amigo. Ela simplesmente não suportava a ideia de ver a morena sofrendo. Ela, que fora muitas vezes o motivo do sofrimento da menina, sabia que seu coração se partiria quando a visse devastada pela perda do menino que tinha seu coração.

O erro fora completamente dela, ela percebera muito tarde seus verdadeiros sentimentos, quando os percebeu, tentou ver se era correspondida, mas a resposta da pequena sempre fora uma: Finn. E, mesmo agora que ele se fora, ela sabia que a resposta e o coração da menina ainda era dele.

“Algo errado?”

A voz do menino a trouxe de volta à realidade. Ela se virou para ele, sorrindo o mais gentilmente que pode e segurando na mão dele.

“Apenas algumas lembranças”

Enquanto caminhava ao lado do menino pelos corredores do seu antigo colégio, ela pedia perdão pelo que estava fazendo com ele.

Quando recebeu a carta do Mr Schue, falando que contava com a ajuda deles com o novo New Directions, ela primeiro pensou em como seria reencontrar a pequena, depois na perda que recentemente pegara a todos de surpresa, e então, como da última vez, ela estava disposta a inventar qualquer desculpa para não ir e não confrontar seus medos, mas uma mensagem a fez mudar de ideia.

Então seus pensamentos vagaram para outra situação. Ela não saberia como confrontar Santana depois do que acontecera entre elas. A loira ignorava os telefonemas e não respondia as mensagens. E foi no intervalo de uma das aulas que ela viu a solução.

O menino bonito sorria para ela do outro lado do corredor. Ela sabia que estava errado, mas evitou pensar no assunto enquanto cruzava o corredor sorrindo encantadoramente. Ela se sentou ao lado do menino e pronto.

Melhor aparecer com um namorado, do que sozinha.

Foi seu pensamento na hora.

Agora, porém, a realidade estava a poucos passos de distância. Sua mão suava e ela não estava mais tão certa quanto a ideia do namorado.

Eles pararam na porta e, depois de um longo suspiro, Quinn a empurrou, revelando antigos rostos.

Puck foi o primeiro a abraça-la, depois, ela foi envolta em tantos braços, que não saberia dizer a ordem, até que eles sessaram e a pessoa que a encarava não tinha a expressão muito amigável.

“Pensei que você fosse melhor que isso, Fabray” A latina disse, censura e decepção mescladas em sua voz.

Quinn não precisava acompanhar o olhar da menina para saber do que ela estava falando, tampouco tinha palavras para se desculpar, já que sabia estar errada, por isso limitou-se a abaixar a cabeça.

“Podemos conversar depois?”

A latina chegou perto da loira, perto o bastante para que ninguém mais escutasse suas próximas palavras.

“Você deixou o amor de sua vida escapar uma vez, fará de novo por causa de uma simples fachada?” A latina se afastou, sentando ao lado de Britt.

Quinn olhou em volta, procurando o par de olhos castanhos que lhe era tão familiar e aconchegante, mas não achando.

“Desculpe o atraso, Mr Schue”

Ela não precisava se virar para saber quem era. Ninguém mais falava tão alto, mas ao mesmo tempo tão docemente, como a baixinha.

Ela se virou lentamente, encontrando os olhos que procurava. Eles estavam arregalados em espanto, mas algumas emoções se embaralhavam neles.

“Oi” A loira sussurrou, tímida, sem saber ao certo o que falar.

Foi ai que a morena correu em sua direção, jogando seus braços pelo pescoço da menina e enterrando a cabeça contra o pescoço dela. Quinn a envolveu delicada e protetoramente, sentindo seu pescoço molhar com as lágrimas da outra menina e sentindo suas próprias molharem seu rosto.

Palavras não eram necessárias, todos na sala sabiam o que se tratava, e cada um sentiu suas próprias lágrimas escorrerem.

Depois de um tempo, Rachel se afastou da menina, enxugando suas lágrimas.

“Será que eu posso falar algumas coisas?” Ela perguntou, com a voz embargada pelas lágrimas.

“A vontade, Rachel” O professor respondeu.

Todos tomaram seus lugares.

Quinn sentou-se ao lado de seu namorado, segurando a mão do menino, enquanto observava Rachel, vestida de preto, tomar fôlego para seu discurso.

“Eu passei um bom tempo pensando no que ia falar” Ela começou, a voz um pouco fraca e, ao invés de encarar a sua plateia, ela olhava fixamente para o chão. “E eu não estou tão segura quanto estive em meus pensamentos” Ela suspirou longamente, era claro para todos na sala que a morena tentava reunir o máximo de coragem para falar e lutar contra as lágrimas. “O fato é” Ela recomeçou, dessa vez mais firme e encarando seus amigos. “Passamos por tempos difíceis e perdemos alguém muito especial para nós” Quinn mordeu o lábio, evitando que as lágrimas lhe caíssem pelo rosto, pois sentia a necessidade de ser firme pela pequena. “Finn cometeu inúmeros erros, mas, à maneira dele, ele ajudou a todos nós. Sei que todos aqui o amam, eu o amo também, mas, depois de muitas lágrimas derramadas, percebi que tenho que olhar para frente, assim como todos nessa sala, não podemos passar os dias chorando e nos lamentando, ele não iria querer isso” Ela tirou o cordão que usava e encarou o nome do garoto ali escrito, sorrindo melancolicamente. “Isso não é um adeus, Finn estará sempre em meu coração, assim como sei que estará no de cada um de vocês, isso é apenas um passo à frente” Ela caminhou até o armário de vidro, onde tinha uma foto do menino, o abriu e pôs o cordão ao lado da foto, fechando em seguida. Depois voltou para o centro da sala, encarando novamente seus amigos. “Eu queria que vocês soubessem disso porque vocês são minha família” Ela sorriu carinhosamente, fitando os olhos esverdeados que a encaravam, já embargados com as lágrimas. “Você não pode mudar o passado, mas pode deixar isso para trás e começar seu futuro” Ao reconhecer as palavras, as lágrimas que a loira seguravam caíram. “Não deixarei Finn para trás, eu sempre me lembrarei dele, mas está na hora de pensar no meu futuro”

Um silencio perturbador se instalou na sala. Ninguém sabia o que falar, ou como agir depois do discurso da menina, que continuava fitando a loira, como se só as duas existissem no ambiente. Até que, depois de um tempo, Santana se levantou e começou a aplaudir, lágrimas silenciosas molhando seu rosto.

“Foi lindo, Gayberry” A latina disse, recebendo um leve empurrão de Britt “O que?” Ela perguntou para a loira. “Eu estou mentindo?”

“Esse não é o melhor momento para as suas piadinhas, Santana” Quinn ralhou, sem se virar.

“Virou advogada de defesa? Ela te paga com beijinhos?”

Quinn se levantou abruptamente, derrubando algumas cadeiras no processo. Ambas as meninas se encaravam, Quinn sentia seu sangue ferver, enquanto a latina a encarava com deboche.

“Você não vale a pena” Quinn sussurrou entredentes, se virando para sair da sala do coral.

“Você é uma covarde, Fabray” Ela pode escutar a latina gritar, antes que saísse da sala.

O sol brilhava forte. A latina estava indo em direção as arquibancadas.

“O que você está fazendo, BrittBritt?” Ela perguntou, sentando ao lado da menina.

“Jogando xadrez humano, não está vendo?” A loira respondeu, meio seca.

“O que aconteceu?” A latina perguntou, depois de um tempo em silencio e algumas jogadas da outra menina.

“O que você fez na sala do coral, não foi nada legal” Ela disse, se virando para a latina.

“Eu estava realmente emocionada, eu juro”

“Eu me referia a chamar a Rachel de Gayberry”

“Eu não menti”

“Não era o momento, Sant”

A latina se virou para frente, encarando o tabuleiro de xadrez, pensando em tudo o que passara naquele colégio.

“Eu senti muito a sua falta, Britt” Ela confessou, ainda sem encarar a loira.

“Eu também senti a sua” A loira a envolveu em um abraço.

“Eu senti falta até do jeito infantil que você se veste as vezes”

Ela finalmente olhou para a loira e ambas sorriram, unindo seus lábios em seguida.

“Well, sometimes I go out by myself and I look across the water” A loira começou a cantar, se levantando e puxando a latina para dançar com ela.

*Valerie’s song*

Quinn estava no auditório, sentada ao piano, dedilhando uma canção qualquer, quando o menino chegou, sentando-se ao seu lado.

“Sabe, eu te amo muito Quinn, eu sempre te amei, mas agora eu percebo que esse amor é fraternal” Ele deu uma pausa, tocando no ombro da menina. “Eu vou para o exército, eu serei um homem melhor, um pai melhor para a nossa filha, mas é com Shelby que eu quero ficar”

A menina parou de dedilhar, se ajeitando no banco e olhando para o menino, as sobrancelhas unidas.

“E eu lá te cobrei alguma coisa e pedi pra reatar?”

“Achei que lhe devia uma explicação”

Ela voltou-se para o piando, voltando a tocar a mesma canção. Ela notou com o canto de olho o menino se mexer inquietado.

“Desembucha, Puck” Ela se voltou outra vez para ele, cruzando os braços.

“Eu te conheço a muito tempo loira e, desde o nosso último ano, percebi que você sente algo por” Ele gaguejava.

“Eu tenho namorado, Puck”

Ele segurou a menina pelos ombros e olhou fundo em seus olhos.

“Me fala que você o ama”

“Me solta” Ela disse depois de um tempo.

O menino obedeceu e ela estava prestes a sair, quando ele começou a dedilhar algo no violão e falar calmamente.

“Por que você tem tanto medo disso? Por que se esconder e fugir tanto?” Ela permaneceu parada, então, deixando o violão de lado, ele se levantou, a levando de volta ao banco e retomando ao dedilhado. “Nós sempre estivemos ao seu lado, não será agora que isso mudará. Sentimos sua falta quando Finn se foi” A menina começou a chorar. “Para de se esconder e fugir da realidade, deixa eu te ajudar com isso, okay?”

A menina suspirou, encarando pesadamente o menino.

“Eu sinto muita falta dele, Puck. E eu me sinto culpada por isso, culpada por não ter estado ao lado dele, culpada pelo que eu sinto” Ela se empolava em lagrimas enquanto falava.

O menino a abraçou forte, esperando que o choro dela cessasse um pouco

You’re not alone, together we stand, I’ll be by your side, you know I’ll take your hand

*Keep Holding On song*

Quando Quinn entrou na sala do coral, Kurt, Sam, Blaine, Artie, Rachel e Biff conversavam animadamente. A menina se aproximou do grupo, apoiando uma mão no ombro do menino.

“Podemos conversar?” Ela sorria, mas sabia que seus olhos vermelhos entregavam que ela estivera chorando. O menino levantou preocupado.

“Aconteceu alguma coisa, amor?”

“Vamos lá fora”

Eles caminharam até a saída, sentando na escada. Ela não sabia como começar o assunto, por isso demorou-se um pouco olhando para a paisagem.

“Biff, eu sinto muito” Ela sabia que não precisava dizer mais nada.

“É, eu sempre soube que é difícil competir com ex, ainda mais alguém como ela”

Quinn arqueou uma sobrancelha, um tanto quanto aturdida com o comentário do menino.

“Do que você está falando?”

“De você e da morena” Como Quinn manteve a expressão confusa, ele prontamente completou “A viúva”

“Eu... Eu... Rach... Rachel e eu não temos nada” Ela gaguejou, visivelmente desconfortável. Essa foi a vez dele de olhar confuso para ela. “Nós nos odiamos”

Ele sorriu, um tanto tristonho.

“Então eu quero encontrar alguém, e odiar alguém, do mesmo jeito que vocês” Ele deu um beijo na bochecha da menina, se levantando. “Se cuida”

Rachel estava na sala do coral, olhando a fotografia do menino e, em pensamento, dizendo suas últimas palavras a ele, desejando que ele pudesse ouvi-la e compreende-la.

“Parece que eu não fui a única a pensar em desabafar com uma foto”

Rachel se virou, sorrindo como pensara que nunca mais sorriria.

“Parece que pensamos igual, então” Ela disse, soando animada, mais do que imaginara estar.

“Me sinto menos maluca, agora” A loira parou ao lado da morena. Sabia que os olhos castanhos estavam gravados nela, mas ela manteve os seus firmes na foto do menino.

“Típico dele falar isso”

“É” A morena também se virou, encarando a foto.

Elas ficaram um tempo em silêncio, cada uma transmitindo seu pensamento para o menino.

“Eu sinto muito, Rach” A loira começou. “Sinto muito por não estar aqui, por não ter vindo ao memorial. Eu estava com medo de confrontar a realidade”

Ela sentiu a mão da menina na sua, depois a morena descansar a cabeça em seu ombro.

“Todos temos medo, Quinn” Ela sentiu a menina levantar a cabeça e a encarar, ainda de mãos dadas com ela. Quinn olhou para ela também. “Mas esses medos ficam menores quando enfrentados e compartilhados com os amigos”

Elas se encararam por um tempo, uma tentando decifrar o pensamento da outra.

“Rach” A morena sorriu. “O que foi?”

“É a segunda vez que você me chama de ‘Rach’” A morena imitou a voz da outra ao pronunciar seu apelido. Viu a loira corar. “Gosto do som”

“Rach, eu”

“Ei” O menino interrompeu a loira. “Vocês estão ai”

“O que é, Puck?” A loira soou mais irritada do que queria.

“Vamos almoçar no Breadstix, querem ir?”

As meninas se olharam.

“Eu prefiro ficar por aqui”

“Eu também não...”

“Sim, Quinn, você vai” A morena disse, empurrando a menina para a porta. “Você precisa sair e se divertir, continuamos nossa conversa uma outra hora”

Já estavam todos lá quando Puck e Quinn chegaram. Eles falaram com todos e se sentaram. Puck pegou um copo, o erguendo no ar.

“Ao nosso reencontro” Todos gritaram e juntaram os copos. “Quero falar que, amanhã, quando eu for para a base militar, sentirei saudades de vocês e será uma despedida horrível, mas quero que vocês saibam que não deixarei de pensar em vocês em nenhum momento” Todos os abraçaram.

Eles estavam falando sobre suas vidas depois da faculdade quando a latina cutucou a loira, a guiando para um canto mais afastado.

“Olha, Quinn, eu sinto muito pelo que falei mais cedo” Elas estavam afastadas do grupo, atrás de uma pilastra, mas ainda assim a latina sussurrava. “Mas eu não pensei que depois do que fizemos, você apareceria com um namorado”

“O que vocês fizeram?”

A voz firme da menina que chegara, fez o corpo das outras duas gelarem.

“Britt” Quinn conseguiu falar.

“O que vocês fizeram?”

“Não significou nada, eu juro” A latina se apressou em explicar.

Baby, can’t you see? I’m callin’

*Toxic song*

As meninas acabaram de cantar na sala do coral. Sant e Quinn sorriam, porém Brittany encarava a outra loira com uma expressão fechada, incomum a menina. O restante olhava a cena aturdido.

“Eu pensei que você fosse minha amiga, Quinn”

“Cala a boca, Britt” Quinn sussurrou, olhando nervosamente para a plateia.

“O que? Está com medo que saibam quem você realmente é?”

“Britt, já chega” A latina tentou falar

“Vocês dormiram juntas e não quer que ninguém saiba?”

Elas não precisavam se virar para saber que sala se encontrava de boca aberta. Britt se aproximou da outra loira, dando-lhe um tapa no rosto da menina, saindo a passos firmes em seguida.

“Isso é verdade?” Rachel falou, tentando soar indiferente, mas sua voz saindo um pouco histérica.

“É, mas” A latina foi impedida de continuar, pois recebera um tapa na cara “Rachel, você ta maluca?” Ela olhava assustada para a baixinha.

“E pode tirar suas coisas do meu apartamento, isso que você fez com a Britt não se faz”

“Ah claro, vamos fingir que você fez isso para defender a Britt” Santana berrou, enquanto a morena saia da sala do coral.

Um silencio constrangedor pairou na sala. Até que Sant deu um tapa no ombro da loira.

“O que você está fazendo parada aqui? Vai atrás dela”

Quando Quinn voltou a si, ainda sem entender direito a confusão que se desenrolara, ela estava no corredor, em direção ao banheiro feminino. Se pegou rezando para achar a menina lá.

Ela abriu a porta. Vazio.

Uma hora ela vai aparecer. Pensou, disposta a esperar ali pela menina.

Enquanto esperava, ficou relembrando de todas as conversar que ambas já tiveram ali, rindo pelo local estranho que elas se entendiam. Entrou em um dos reservados, encontrando os desenhos vergonhosos que fizera da menina.

Notas finais
Espero que tenham gostado, comentem vai. Semana que vem tem mais!! Beijos!