O Reencontro
13 A morte de Valério
Notas iniciais
Sofy acordou sentindo cheiro de torradas, provavelmente todos já estavam lá embaixo tomando café da manhã. Ela parou para pensar, desde que voltara a Mystic Falls, sentia-se em casa novamente, como não havia conseguido em cento e trinta anos. Olhou para a parede, havia uma foto dela com Stefan e Damon, usava um vestido branco e estava sorrindo para os irmãos, Stefan segurava uma bola de futebol americano e Damon tentava toma-la a força, eles a deixavam ganhar, ela sabia e amava os irmãos por isso. Sofy riu internamente. Eles eram tão felizes e agora estavam juntos novamente, como uma família, e rodeados de amigos... Mas os problemas ainda os rodeavam, pareciam imãs para esse tipo de coisa. Sofy foi até o armário e pegou uma calça jeans justa e uma blusa cinza.
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Elena e Damon estavam no sofá, tomavam, o que parecia a Sofy, um café bem forte. Já Natasha e Stefan estavam sentados à mesa comendo torradas. Ela se aproximou, sentindo uma leve tontura e sentou-se ao lado de Stefan.
– Então, esta preparada para hoje à noite? – Sofy perguntou à Natasha, fazendo Damon e Elena se virarem para olhar os três na mesa.
– Eu diria que isso me dá certo medo. – Natasha disse sorrindo. Isso era uma das coisas que Sofy mais admirava nela, mesmo que algo muito ruim estivesse prestes a acontecer, Natasha sempre mantinha a calma e nunca se deixava abalar. Era como se tudo já estivesse planejado e calculado em sua cabeça: O que dizer, o que fazer. Sofy sempre estranhou como ela sempre tinha as palavras prontas na ponta da língua, mas a adorava por isso.
Ela abriu a boca para responder, mas não conseguiu, era como se algo a estivesse tapando, como uma mordaça. Logo em seguida sentiu uma dor nas costas, como se estivessem lhe enfiando uma estaca. Ela não gritou, mas deve ter feito algum gesto de dor porque Natasha a rodeou com o braço e Stefan a olhava preocupado. Sofy balançou a mão como se dissesse que estava tudo bem.
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Ao anoitecer os três irmãos Mikaelson, Lexi, Alaric, Jeremy e Bonnie apareceram. Todos se acomodaram nos sofás a espera das bruxas que recolocariam o véu.
– Bonnie, por que você não pode repor o véu? – Elena perguntou.
– Digamos que eu não estou presente o suficiente para isso – Bonnie lembrou-se de quando se viu caída no chão, estava, e ainda está morta. Ela olhou para porta, onde várias bruxas entravam em fila, e se levantou, preparando-se para partir para sempre.
Elena apenas assentiu com um olhar confuso e triste. Ela se lembrou de quando eram melhores amigas, contavam tudo uma para outra, mas desde que virara vampira, era como se rompessem o laço que as ligava como antigamente. Um grito eclodiu em seus pensamentos, demorou um tempo para que Elena percebesse que o grito havia saído da boca de Sofy. Ela estava curvada sobre o colo com uma expressão de dor.
– O que está acontecendo? – perguntou Alaric se aproximando de Sofy, abraçando-a de modo paternal.
– Eu n-não sei – as palavras saíram como um sussurro, tão baixo que Sofy se perguntou se alguém as teriam escutado.
Ela sentiu algo subindo pela sua garganta, empurrou Alaric e se inclinou para o outro lado, logo em seguida, um líquido vermelho foi expulso pela boca. Sangue.
Stefan olhou em volta na tentativa de procurar ajuda, mas todos estavam como ele, confusos e sem ação. Ele olhou para Sofy, parecia frágil e indefesa, estava mais meiga desde a aparição surpresa de Valério, mas aquilo já era tortura. Um flashback passou por sua mente: Ele, Damon e Sofy jogando futebol, ela não sabia jogar, na verdade, era péssima, mas os irmãos a deixavam ganhar, ver a cara de vitoriosa dela no final de cada partida não tinha preço. Estava começando a se perguntar se ela sabia da trapaça, se aquele sorriso que ela dava não era por causa da vitória e sim por causa da gentileza dos irmãos. Sofy era esperta. Stefan olhou para Damon, e soube, pela cara do irmão, que estavam pensando na mesma coisa.
Sofy sentia como se não houvesse chão, como se ele tivesse sumido e deixado um abismo em seu lugar, do qual ela poderia despencar a qualquer instante. Sentiu sua boca fechar involuntariamente e soube que havia parado de vomitar sangue. Seus olhos focaram o chão, encharcado do sangue que antes passeava pelas suas veias. Suas pernas bambas falharam, seus braços não pareciam mais lhe obedecer, pareciam ser de outra pessoa. Ela olhou para os irmãos, mas não pode ver nada além de escuridão, sentia os olhos de todos sobre ela, a observando assustados e temerosos e sentiu gratidão por isso. Caiu para trás, mas Kol foi mais rápido, sentiu os braços dele a envolvendo antes de atingir o chão, e então não viu mais nada, uma dor irradiou seu peito e ela perdeu os sentidos, para sempre. Estava morta.
Damon a viu caindo para trás e quase se jogou para pegá-la, se não fosse o fato de Kol já tê-lo feito. Ele e Stefan se aproximaram da irmã e perceberam que a parte frontal de sua blusa se enchia de sangue, seus olhos estavam fechados e Damon se deu conta de que era tarde demais. O vazio tomou conta de seu corpo como água encharcando um pano, sentiu mãos delicadas lhe acariciarem o ombro e soube que eram de Elena. Pôs as suas próprias por cima das delas e a abraçou tão forte que se não fosse vampira, seria esmagada totalmente.
Stefan viu um vulto ao seu lado cair de joelhos e só depois percebeu que era Natasha, estava com as mãos na boca e aos prantos. Ele ajoelhou-se ao seu lado e lhe ofereceu o ombro para chorar, ela aceitou e ele pôs seu queixo por cima de sua cabeça loira sentindo as lágrimas queimarem seu rosto. Era incrível como Natasha ainda mantinha os músculos rígidos, ela era uma garota forte, pensou. Ficou feliz por tê-la ao seu lado naquele momento. Podia ver Caroline ao longe, sua cabeça escondida nos ombros de Klaus. Elijah parecia perdido e Bonnie estava impassível, como se estivesse vendo um programa de comédia no qual não achava a menor graça.
– Valério acaba de ser morto. – disse uma das bruxas que estava na sala, os vampiros haviam até se esquecido de sua presença. – Ainda podem salvá-la, basta um de vocês mortos abdicar de seu lugar na terra por Sofy.
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