O Recomeço
5 Solitário
Notas iniciais
Era madrugada quando Harry apareceu na frente do Largo Grimmauld. A rua estava vazia, como é de se esperar pelo horário. Ele observou a área, para garantir que estava sozinho, e então entrou. Era fácil perceber que ninguém frequentava a casa fazia tempo, havia muito pó pelo chão, mas para garantir Harry usou o feitiço Homenum Revelio e, para o seu alívio, estava só. Já era tarde e ele não sentia muita vontade de andar por toda a Mansão dos Black, então decidiu ir direto para o quarto de Sirius descansar. Resolveria todas as questões da casa no outro dia. Porém, como as últimas noites, foi difícil dormir. Era nessas horas que os pensamentos em relação à guerra e às mortes apareciam com mais frequência. Às vezes ele passava horas com tudo isso na cabeça, mas acabava adormecendo, eventualmente. Essa noite não foi diferente.
Quando acordou no outro dia, Harry notou que o quarto de Sirius estava uma bagunça. Não percebeu nada quando chegou porque estava escuro, mas agora observou que parecia que alguém havia mexido em todo o cômodo. Se perguntou se o resto da casa estava assim, então levantou e desceu as escadas, em direção a sala e a cozinha. Tudo realmente estava uma bagunça. Primeiro Harry pensou em Mundungo Fletcher, aquele baixinho desgraçado já havia vasculhado a antiga casa de seu padrinho antes. Depois, porém, lembrou o que aconteceu. Foram Comensais da Morte. Após ele, Ron e Hermione fugirem do Ministério, eles tentaram voltaram para o Largo, antes de irem para as florestas. Os fiéis de Voldemort devem ter procurado por alguma pista na casa. Agora, além de limpar toda a sujeira, teria que arrumar tudo os cômodos. Decidiu então pedir ajuda.
— Monstro! Preciso de você — disse Harry, olhando pra parede.
Em questão de segundos, o elfo doméstico desaparatou em sua frente.
— Me chamou, meu senhor Harry?
— Sim, Monstro. E aí, como vai a reconstrução da escola?
— Muito bem, meu senhor, temos muita ajuda. Além dos elfos do castelo, vários bruxos estão ajudando. Tudo estará pronto para a volta das aulas.
— Ótimo! Você acha que pode ficar aqui e me ajudar então?
— Monstro ficará onde o senhor Harry mandar, meu senhor.
— Ok, acho que eles conseguem sobreviver lá em Hogwarts sem você por alguns dias. Deu uma olhada na casa? Tudo destruído, acho que Comensais da Morte vieram.
— Sim senhor, eu lembro. Monstro foi obrigado a se esconder. Ah, por Merlin, o que a Sra. Black diria sobre isso? Monstro foi covarde. Eles destruíram tudo, estavam procurando o mestre Harry.
— Não se preocupe, você fez certo. Eu o proíbo de se culpar por isso. Mas de qualquer maneira, agora temos que arrumar e limpar tudo.
— Claro senhor, Monstro vai começar imediatamente.
— Eu ajudo, não tenho muito o que fazer ainda.
Assim, os dois passaram a manhã arrumando e limpando tudo. Mesmo depois de tantos anos, Harry ainda se impressionava com magia. Na época dos Dursleys, ele tinha que limpar tudo a mão e demorava muito. Com magia, ele e Monstro arrumaram a sala, a cozinha e diversos outros cômodos daquela casa enorme, tudo durante o primeiro dia, só parando para comer. A mansão parecia bem melhor e Harry a percebeu como um lar, por mais que achasse que nunca poderia morar ali por muito tempo, pois desejava um lugar mais aberto para passar o resto de sua vida, como a Toca. Foi aí que Harry lembrou de todos na casa dos Weasley. Ele esperava de coração que eles o entendessem e que a Sra. Weasley não estivesse muito preocupada. Ele não saberia de qualquer jeito, pois colocou diversos feitiços de proteção pela casa, uma vez que não queria novos invasores.
Pelo menos a invasão dos Comensais teve um lado bom. O quadro da Sra. Black, que vivia gritando, havia desaparecido. Harry não entendeu como ele havia sido removido, pois muitos haviam tentado, então parecia impossível. Ele agradeceu profundamente nunca mais ter que ouvir a voz daquela mulher, embora Monstro ainda sentisse muita saudade dela. Inclusive, ele quase começou a chorar quando foi perguntado sobre o quadro. Harry achou melhor não tocar mais no assunto. Depois de passarem o dia com todo aquele trabalho, Harry decidiu ir dormir.
Os dias seguintes, foram parecidos. Não havia mais tanta coisa para arrumar, mas Harry sempre achava algo, querendo se manter ocupado. Quando menos pensasse na guerra melhor. Chegou um momento, no entanto, que tudo já estava realmente arrumado. Assim, Harry passava a maior parte do seu dia no quarto, lendo algo que encontrasse ou só pensando mesmo. Monstro percebeu que o seu senhor não estava muito bem.
— Desculpe interromper, senhor Harry. Mas está tudo bem? O senhor está aqui sozinho faz alguns dias e parece nunca sair do quarto — perguntou o elfo, preocupado.
— Sim, Monstro — mentiu Harry. — Obrigado pela preocupação. Mas acho que vou sair por aí hoje à noite.
— O senhor tem certeza? Não é perigoso? — disse novamente Monstro.
— Eu sei me cuidar. Vou sair daqui a pouco. Pode dormir quando quiser. Não me espera acordado — respondeu Harry.
Foi realmente importante ver que Monstro se importava com ele. Eles haviam começado com o pé esquerdo no passado e tido muitos problemas, principalmente envolvendo Sirius. As lembranças do padrinho ainda tinham um efeito muito grande em Harry, mas ele já começava a perdoar Monstro e sentir até um afeto por ele. Harry havia decidido sair um pouco de casa. Iria andar por Londres. Achava que seria bom poder ver a cidade, as pessoas. Não queria ir em algum lugar com bruxos, queria apenas viver normalmente, onde ninguém o reconhecesse. Decidiu ir ao cinema. Seu primo Duda ia sempre, mas Harry nunca era convidado. Percebeu que sentia vontade de fazer algumas coisas que os tios lhe negligenciaram na infância. Tinha a vida toda para isso agora. Nesse momento pensou neles. Será que estavam bem? Entretanto Harry já tinha coisas demais na cabeça, se preocuparia com eles depois.
Porém, antes de sair, Harry se olhou no espelho. Percebeu então por que Monstro havia se preocupado tanto. Havia uma barba rala em seu rosto e ele estava com um cara triste, como se estivesse doente. Seu cabelo estava bagunçado como sempre. Só não estava mais magro porque Monstro o enchia de comida, que era muito boa por sinal. Escolheu ignorar tudo aquilo, já que nunca se importou muito com sua aparência. Decidiu então que iria para um cinema no centro de Londres e depois jantaria em algum lugar. Foi a pé, queria ver a cidade.
Ao chegar, percebeu que o centro estava lotado de gente. Tinham muitas pessoas aparentemente comuns e Harry ficou grato por não haver nenhum bruxo ali, pois conseguiu se sentir uma pessoa como qualquer outra. No cinema, teve sorte que não tinha muita fila. Escolheu um filme que chamou sua atenção pelo cartaz, comprou uma pipoca e aproveitou aquela experiência nova. Adorou na verdade, aquele ambiente era muito legal. Quem sabe um dia não traria algum amigo para acompanhá-lo, talvez até Gina, se ela não o odiasse. Depois do filme, Harry saiu e comeu em uma hamburgueria. Até que era boa também. No fim, ele teve uma ótima noite e o melhor de tudo foi que ninguém o reconheceu. Conseguiu ser uma pessoa normal. Não pode deixar de notar, no entanto, que ter alguém do seu lado talvez deixasse tudo melhor.
Era tarde, mas decidiu voltar para casa a pé. Não sabia se era a maneira mais segura, mas queria que seu programa fosse inteiramente trouxa e não estava muito afim de aparatação. Além disso, gostava do ar puro, depois de todos aqueles dias em casa. Porém, ao se aproximar do Largo Grimmauld, com as ruas já vazias da cidade, Harry percebeu que um homem o seguia. Não sabia se era paranoia ou realidade, mas por via das dúvidas, continuou andando com a varinha em mãos. Ficou curioso para saber quem era, se é que o estava seguindo. Harry notou, então, outro homem, caminhando na rua do lado. Ele estava quase chegando na casa do padrinho e decidiu fingir que não notou nenhuma das duas pessoas, que agora nem disfarçavam que o seguiam. Harry já se preparava para uma luta, quando o poste ao seu lado explodiu e ele foi jogado no chão.
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