O Recomeço

9 Reconciliação?


Notas iniciais
Um dos capítulos mais aguardados que já escrevi. Confesso que a ideia era ser menor, mas eu fui escrevendo e não consegui para mais. Até pensei em dividir em dois, mas seria meio chato com quem ta lendo. Enfim, espero que gostem!

— Cara, eu juro que gosto muito da Hermione e tudo mais, mas não tava aguentando só mulher! — disse Ron, enquanto conversava com Harry em seu quarto. — Nada contra, mas tava precisando do meu amigo. Tem coisas que a gente não fala com as meninas. Papai ficava o dia todo no trabalho e o Jorge nem saía do quarto. Era eu, mamãe, Gina e Hermione todo o dia!

— Eu sei, cara — concordou Harry, rindo. — Desculpa a demora, mas tô de volta. E aí, como tão as coisas com a Hermione?

— Tudo certo, na real. Tô até meio surpreso, a gente costumava brigar toda hora, agora tudo tá tranquilo. Da um medo até. Aquela calmaria antes da tempestade — respondeu Ron.

— Ah relaxa. É uma nova fase da vida de vocês, então é normal que as coisas estejam diferentes. Daqui a pouco vocês brigam de novo. Não esquenta que é normal — acrescentou Harry, ao ver a cara de preocupação do amigo. — E os seus pais? Pelo visto não sabem nada ainda.

— Não sei como contar. Sei lá, é estranho. Mas outra coisa que eu precisava falar com você — falou Ron, mudando de assunto. — Lembra que a Hermione mandou os pais pra Austrália? Então, eles ainda tão lá.

— Verdade! — respondeu Harry. — Ela sabe onde?

— Sabe e nós vamos ter que ir buscar eles. Você vem né? — perguntou Ron. — Acho que seria legal uma viagem pra relaxar, sem nenhum Comensal da Morte tentando nos matar.

— Claro, onde vocês forem eu tô atrás — respondeu Harry. — Quando isso?

— A gente não tem certeza, mas deve ser logo. Antes das aulas voltarem, mas não se preocupa com isso ainda. Nem falamos com a mamãe — disse Ron, com um pouco de medo na voz ao lembrar da mãe.

Hogwarts. Que coisa estranha. Harry não conseguia imaginar uma vida normal em que ele voltasse para a escola. Sinceramente não sabia se iria. Agora a viagem para a Austrália parecia uma boa. Ele, Ron e Hermione viajando por aí, aquilo era algo que o animava, mesmo com o novo relacionamento dos amigos. Fazia pouco dias que ele estava na Toca e até agora as coisas estavam relativamente bem. Ele e Ron passavam bastante tempo juntos, parecia que seu amigo conseguiu conciliar a amizade com Harry e o namoro com Hermione. A Sra. Weasley continuava enchendo Harry de comida, ainda desconfiando das habilidades culinárias de Monstro. Jorge começou a passar mais tempo na loja, dizia que queria reabri-la antes das aulas começarem. O problema mesmo era Gina. Ela estava evitando Harry desde o primeiro dia. Só falava com ele quando era absolutamente necessário e nunca ficava no mesmo quarto que ele estivesse, mesmo que Hermione e Ron estivessem lá também. Isso também havia afastado Harry de Hermione, que passava muito tempo com Gina. Ele precisava de alguém para falar sobre Gina e, obviamente, não conseguia dividir aquilo com Ron. Ainda tinha medo de tomar um soco.

— Bora jogar quadribol? — perguntou Ron.

— Claro! — respondeu Harry, já se levantando e pegando sua vassoura.

Enquanto isso, no quarto de Gina, ela e Hermione também conversavam sobre como as coisas estavam.

— Você tá se fazendo de difícil mesmo então? — perguntou Hermione, com um sorriso debochado.

— Ah nem vem Hermione. Não é assim! — respondeu Gina, um pouco irritada. — O Harry só faz merda. Ele some com vocês e me deixa sozinha em Hogwarts com aqueles monstros, depois aparece morto, quando não tava. Agora pra completar, ele some no momento que eu mais preciso. Você realmente espera que tudo esteja bem?

— Gina, calma. Nem tudo o que você falou é bem assim — começou Hermione. — O que nós fizemos quando sumimos foi muito importante. Foi necessário pra derrotar Voldemort e não sei se você se lembra, mas menores, que era o seu caso, tem rastreadores. A questão de se fazer de morto também era parte do plano pra vencer a guerra, então NINGUÉM sabia. A parte dessa fuga recente dele foi idiota eu sei, mas o Harry às vezes é assim.

— Por que você sempre tem que falar as coisas que fazem sentido? — respondeu Gina, sorrindo levemente. — De qualquer jeito, tudo o que eu sinto não é necessariamente racional, eu só tô muito puta com ele. Mas sei lá se ele ainda me quer também. Eu tenho evitado falar com ele, mas o Harry também não tem tentado muito.

— Olha, eu realmente não falei com ele pra saber, mas ele deve estar com medo de falar contigo. Tudo mundo que presta atenção vê que você não tá de boa com ele. Acho que vocês realmente deviam conversar — disse Hermione.

— Não sei, acho que eu tenho um pouco de medo. Certeza que vou acabar azarando aquele idiota — disse Gina.

— Pelo menos vai ser divertido — respondeu Hermione, rindo. — Só não machuca muito ele.

— Olha lá os dois idiotas jogando quadribol — falou Gina, olhando pela janela.

— Você quer ir lá? Tava afim de falar com o Ron — perguntou Hermione.

— “Falar”, sei — debochou Gina. — Acho que vou ficar por aqui, mas pode ir.

— Você não pode evitar ele pra sempre — disse Hermione, saindo e fechando a porta.

Caminhando até o local em que Harry e Ron jogavam quadribol, Hermione pensou sobre Gina e Harry. É claro que haviam problemas e ele realmente tinha feito algumas coisas erradas, mas ela achava aquilo tudo meio idiota. Depois de tudo o que passaram, esse era o momento para aproveitar a vida. Todas aquelas experiências da guerra ensinaram Hermione como a vida era frágil e tudo devia ser aproveitado ao máximo, não era à toa que ela não deu nem chance de Ron esquecer aquele beijo e fazer com que as coisas voltassem a ser como eram antes. Ela sabia que os dois ainda eram apaixonados um pelo outro e só queria que tudo fosse resolvido logo. Assim que viram Hermione se aproximando, Harry e Ron foram ao chão e desceram das vassouras. Os dois pareciam bem cansados e pingavam muito suor.

— Boa tarde, a que devemos o prazer de sua presença? — perguntou Ron, se inclinando pra dar um selinho em Hermione.

— Nem chega perto que você tá todo suado — disse Hermione, afastando levemente o namorado. — Só queria saber se vocês já acabaram, queria conversar sobre a Austrália.

— Acho que podemos acabar sim — disse Harry, sorrindo.

— Babaca. Só porque tá ganhando — disse Ron, mal-humorado.

— Desculpa amigão, você nunca ia me alcançar mesmo — respondeu Harry, visivelmente feliz com a vitória.

— Ótimo! Ron vai pro banho então, por favor — pediu Hermione. — Queria falar uma coisinha com Harry.

— Sobre o que? — perguntou Ron, curioso.

— Algumas coisas da escola, você não ia achar muito interessante — respondeu Hermione.

Ron saiu fingindo que acreditou. Não tinha certeza do que era, mas suspeitava que tivesse algo haver com Gina. Realmente achava que eles não voltariam depois de tudo o que aconteceu, mas, por precaução, já pensava em uma nova séria de ameaças que faria a Harry.

— Harry, queria falar com você sobre a Gina — disse Hermione, decidida.

— Olha Hermione... — começou Harry.

— Deixa eu falar primeiro — interrompeu Hermione. — Por que você não fala com ela? Tenta, sei lá. Eu sei que os dois estão chateados com tudo isso e ela sinceramente tá bem irritada com você, mas tentar não ia matar ninguém.

— Hermione eu nem sei direito se ela quer falar comigo mais, pelo menos ela não demonstra.

— Você quer ela de volta ou não?

— Sinceramente, é o que eu mais quero agora — admitiu Harry, com um pouco de vergonha de dizer aquelas palavras.

— Então tente! Da um jeito de ficar sozinho com ela e diz tudo o que você quer dizer. Para de perder tempo!

— Ok, mas você pode me dizer qual o ponto específico da raiva dela? Só pra eu ter uma noção de por onde começar.

— Isso você vai descobrir... adivinha só? Falando com ela. Boa sorte! — respondeu Hermione, virando as costas e caminhando tranquilamente de volta para a Toca.

Harry ficou ali parando, pensando. Se Hermione falou assim com ele, meio do nada, ela provavelmente tinha falado com Gina. Será que Gina tinha pedido para Hermione dizer aquilo tudo? Ou será que ela estava tentando “arrumar” tudo sozinha? De qualquer modo, Harry decidiu que ia achar um jeito de falar com Gina, o quanto antes.

Quando desceram para a sala após tomarem banho, ele e Ron foram falar com Hermione sobre a Austrália. Pelo visto ela não tinha nada pra falar ainda, só queria conversar com Harry sobre Gina e acabou enrolando os dois. O resto do dia seguiu normalmente. Harry jogou um pouco de xadrez bruxo com Ron, jantou e teve uma conversa bastante estranha com o Sr. Weasley sobre alguns artefatos trouxas, como armas de fogo e televisões. Infelizmente, não conseguiu falar com Gina, por mais que tentasse. Queria ser discreto, para ninguém suspeitar de nada, mas após o jantar, Gina subiu imediatamente para o seu quartou e não saiu mais. Harry decidiu ir dormir e tentar no outro dia.

Nessa ideia de dormir, porém, acabou acontecendo um imprevisto. Voldemort. Guerra. Explosões. Hogwarts. Seus pais, Sirius, Dumbledore, Snape. Pesadelos atormentaram Harry a noite toda. Eles estavam menos frequentes, mas ainda aconteciam. Percebendo que não conseguiria dormir daquele jeito, Harry botou uma roupa sem emitir nenhum som para não acordar Ron e decidiu dar uma volta pelos terrenos da Toca, algo que o acalmava. Enquanto isso, no quarto de Gina, ela também havia acordado, mas era por causa de Hermione. A amiga, que dormia na cama do lado, estava falando algumas coisas estranhas, desconexas. Provavelmente estava sonhando. De qualquer maneira, Gina achou uma boa ideia aproveitar e descer para tomar um copo de água. Quando saiu do quarto, entretanto, ouviu um barulho vindo lá de embaixo, na cozinha. Lembrou da vigilância constante de Olho-Tonto e pegou sua varinha. Ao chegar lá, ela viu uma figura saindo da casa, pela porta da frente e decidiu segui-la pra fora.

— Fugindo de novo? — perguntou Gina, ao reconhecer o cabelo bagunçado de Harry.

O garoto tomou um susto. Virou imediatamente, sem nem pensar na voz ou no que havia sido dito, tirou a varinha do bolso e apontou para a desconhecida.

— Ah, desculpa Gina. Não vi que era você — disse Harry, ao reconhecer a ruiva, enquanto abaixava a varinha. — Dessa vez não, só decidi caminhar um pouco.

— No meio da madrugada? — questionou Gina, desconfiada.

— Não consegui dormir e a paz desse lugar me ajuda a pensar — respondeu Harry, um pouco envergonhado pela situação.

— Ah tudo bem, bom passeio — disse Gina, já virando as costas.

— Gina, espera. Por favor. Preciso falar com você — pediu Harry.

— Não sei se a gente tem alguma coisa pra falar Harry — respondeu Gina, com um olhar frio, que escondia todos os sentimentos que a dominavam naquele mesmo momento.

— Você sabe que sim. A gente não pode continuar vivendo desse jeito pra sempre, não faz bem pra ninguém. Por favor — implorou Harry.

— Ok — disse Gina, se afastando a porta. — Fala o que quer falar então.

— Olha, eu nem sei direito por onde começar — iniciou Harry. — Eu sei que os últimos tempos foram complicados pra todos nós, mas eu tenho sentido sua falta. Também sei que eu fui um imbecil em alguns momentos e você não tem nenhuma obrigação de aceitar o meu pedido de desculpas, nem nada. Eu sei que não devia ter saído da maneira que saí, mas eu me sentia um lixo. Tinha medo de falar com você, medo que você não me quisesse mais, que me culpasse por alguma coisa. Mas eu me arrependo de tudo, desculpas mesmo. Sério.

— É isso? — perguntou Gina, sem mudar a expressão.

— Acho que é — respondeu Harry, um pouco confuso. Não sabia mais o que dizer.

Foi nesse instante que Gina resolveu explodir. Ela foi até a direção de Harry pegou sua mão e foi levando-o para longe da casa.

— O que você tá fazendo? — perguntou Harry, confuso. No instante que ela veio até ele, existiu até uma esperança de um beijo, mas não parecia mais o caso.

— Eu vou gritar muito com você agora, mas não quero acordar o resto da casa — respondeu Gina, já com uma voz diferente.

Harry percebeu que ela já estava ficando vermelha. Não era, porém, aquele corado de vergonha, era mais de raiva.

— Você sabe que existe um feitiço, né? — disse Harry, já bem nervoso. — Posso fazer uma barreira que não sai som para o exterior.

— Então faz a porcaria da barreira — respondeu uma ruiva muito irritada, enquanto Harry fazia os feitiços. — Deu? Ótimo! Pra começar, esse foi o pedido de desculpas mais cara de pau que eu já vi. Você só percebeu que eu tô puta com você e criou alguma merda genérica esperando que eu voltasse correndo pros seus braços.

— Gina, não é assim... — Harry tentou falar, morrendo de medo do que viria a seguir.

— Deixa que eu falo agora Sr. Potter! — gritou Gina, com uma mistura de raiva e ironia. — Deixa eu te falar algumas idiotices que você fez. Primeiro você foi lá e terminou comigo por um motivo completamente idiota. Se Voldemort soubesse que eu era sua ex-namorada, ele iria atrás de mim de qualquer maneira! Eu ainda era a irmã caçula do seu melhor amigo! Aquilo só serviu pra me fazer sofrer. Depois, você desapareceu por meses! Você, meu irmão e Hermione simplesmente sumiram e nunca me disseram nada! Eu fiquei naquela escola com os malucos dos Carrow, vendo eles torturarem meus amigos sem nunca saber se você estava vivo ou morto! Tinha que ligar o rádio todos os dias na esperança que não ouvisse o seu nome! Depois, na batalha, quando eu apareço querendo lutar você não deixa, mesmo sabendo que eu sou mais que capaz. Como se não bastasse tudo isso, você me aparece MORTO! Você tem ideia do que eu senti quando vi Hagrid carregando o seu corpo? Era como se alguém tivesse pegado o meu coração e esmagado! Foi um dos piores momentos da minha vida. Mas isso tudo não basta né? Depois de tudo o que nós passamos, quando finalmente temos um descanso, quando finalmente podemos ficar juntos sem ninguém tentar nos matar, quando eu preciso de alguém pra ficar do meu lado quando eu perdi meu irmão, o que você faz? Isso mesmo, você some por vários dias e não me manda nem uma porcaria de uma carta. Aí eu ainda tenho que ouvir que você quase foi morto por Comensais da Morte!

Harry ficou perplexo com tudo o que Gina disse. Ela estava com lágrimas nos olhos, o que deixou tudo pior. Gina quase nunca chorava, o que significava que aquilo era algo muito sério. Claro que algumas coisas podiam ser justificadas, mas outras... Harry se sentiu tão idiota por ter partido daquela maneira. Como ele conseguiu ser um imbecil tão grande? Gina agora só o encarava, ainda com lágrimas descendo pelo seu rosto.

— Gina... Agora eu entendo melhor o que tá acontecendo. O que você falou antes é verdade. Eu não sabia exatamente o motivo da você estar tão irritada. Agora tudo faz mais sentido — admitiu Harry. — Terminar com você realmente foi idiota, mas eu só tinha tanto medo que ele chegasse até você. Queria você afastada de mim o máximo possível, não porque não gostava de você, mas porque tinha medo. Desculpa por não ter te avisado nada quando fugi com Ron e Hermione, mas nós realmente estávamos fazendo algo importante. Uma história pra depois. Eu não podia te avisar nada, porque você estava sempre vigiada. Iria pôr a minha e a sua vida em risco. Não posso imaginar o que você passou em Hogwarts, sinto muito por isso. Mas eu sempre estive de olho em você. Toda a noite eu pegava o Mapa do Maroto e te observava, pra ver se tudo estava certo.

— Ótimo, você podia me ver e eu, de novo, não sabia nada sobre você! — reclamou Gina, ainda mais indignada.

— Desculpa, eu realmente não tinha como me comunicar. Mas sempre olhava você porque me preocupava muito, porque você nunca saiu da minha cabeça. Em relação a morrer, tudo fez parte do plano. Era algo maior, pra derrotar ele. Outra hora te explico tudo, não é algo que eu queira falar agora. Quanto a fugir agora eu não tenho o que dizer. Fui um idiota completo. Só agora entendi tudo, foi ridículo eu ter deixado você aqui sozinha. Enquanto Ron tinha Hermione... Eu simplesmente te larguei. Desculpa. Eu só não conseguia encarar todos vocês, a culpa era muito grande.

— Harry, ninguém te culpa pelo o que aconteceu! Quantas veze você precisa ouvir isso? — perguntou Gina, com a voz um pouco mais calma.

— Eu sei, tô começando a perceber isso agora — respondeu Harry. — Mas você tem que entender que isso é difícil pra mim também. Olha, eu não espero que você me perdoe por tudo o que eu fiz, mas eu precisava desabafar, mesmo que você me odeie pra sempre.

— Você sabe que não te odeio. Eu só precisava de você naquele momento, bastaria. Quando você dormiu em Hogwarts depois da batalha eu fiquei horas cuidando de você. Isso por acaso é algo de pessoas que culpam ou odeiam a outra? Claro que não. Eu só precisava da minha família e de quem eu realmente amo... — disse Gina, parando de falar na hora.

Naquele momento, os dois congelaram. Eles ficaram juntos muito tempo, mas dizer um “eu te amo” nunca havia acontecido.

— O que você disse? — perguntou Harry, de boca aberta.

— Hm nada, esquece — respondeu Gina, agora corada de vergonha.

— Gina, eu sei que você tá irritada e tem todo o direito de estar. Mas depois de tudo o que aconteceu, será que não é hora de a gente aproveitar a vida da melhor maneira que der? Tudo pode mudar tão rápido, as pessoas vêm e vão. Talvez eu seja mais idiota ainda por dizer isso, mas depois de tudo que eu passei na minha vida, agora quero aproveitar com aqueles que eu amo — disse Harry, com um pouco de dificuldade de se expressar. Não era do seu costume se abrir assim. — Na minha vida, sempre foi morte, violência e um maluco desgraçado me caçando. Agora que eu finalmente tenho paz e entendo a fragilidade da vida, não vou mais perder tempo. Eu te amo Gina. Quero ficar com você, independente do que acontecer.

Nesse momento, o próprio Harry tinha lágrimas nos olhos. Gina tinha mais ainda, desistiu de segurar. Assim, os dois se encararam. Harry, morrendo de medo da resposta. Tinha um milhão de coisas na cabeça de Gina. Ela ainda estava brava com ele, mas o que Harry disse tinha sentido. Será que não era hora de deixar aquilo pra trás e aproveitar a vida? Por mais que estivesse irritada, o que ela mais queria era ficar com ele também. O problema era a teimosia, queria resistir mais, mas viu que não conseguia.

— Você me promete que nunca mais vai me deixar como me deixou antes? Promete que agora vamos ser um casal normal? — perguntou Gina, entre soluços e lágrimas.

— Não posso prometer que minha vida vai ser normal, ela nunca vai ser exatamente assim. Mas prometo que nunca mais vou te fazer sofrer. Quero te fazer feliz, sempre. Do mesmo jeito que você me faz feliz — respondeu Harry, tentando se recompor.

— Perfeito, porque se você fizer alguma dessas merdas de novo, eu transformo sua cabeça em um rádio — disse Gina, já sorrindo. — Eu também te amo Harry.

Então ela se aproximou lentamente e os dois finalmente se beijaram. Foi um beijo calmo, cheio de lágrimas no meio, mas também cheio de desejo e saudade. Eles agora estavam realmente juntos e não havia outro lugar para estar senão ali.

— Então, quer dar uma volta? — perguntou Harry, quando os dois finalmente se separaram.

— Claro, não ficamos juntos a muito tempo, temos muitas coisas pra botar em dia — respondeu Gina, com aquele lindo sorriso que Harry tanto amava.