O Recomeço
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Ele agachou, revirou os bolsos do homem, mas nada achara, olhou em volta, revirou caixas, quando encontrou uma chave no chão, embaixo de uma caixa. Correu até mim e abriu as algemas e me abraçou intensamente.
-Achei que todo mundo iria comemorar por eu desaparecer!–Ri-“Graças à Deus aquela louca não veio hoje pedir comida”- Sorri.
-Mas como minha mãe dizia, eu não sou todo mundo! –Riu e me abraçou.- E ai o que faremos?
-Vamos chamar a polícia, é logico. Ele não só me estuprou quanto me sequestrou!
-Ok, vou ligar para eles. –Pegou um celular de seu bolso. Sim, eu sabia o que era isso, eu já havia visto muitos celulares por ai, mas nunca havia tocado, só sabia o que era por lembranças dos meus pais mexendo com celulares.
Ele ligou e disse tudo, disse a rua, e disse para ir o mais rápido possível antes que o homem acordasse. Estávamos na frente da casa esperando, com o cara desmaiado na parte de baixo. Estávamos a conversar, enquanto a polícia não chegava.
-Como... –Respirei fundo- Como veio parar aqui? -Encarei-o
-Vim dar a ele um presente. -Suspirou- Ele era um amigo do meu pai, eles saiam sempre para beber e jogar...-Encarou o céu e fechou os olhos como quem quisesse esquecer algo- A... Até que ouvi sua voz. –Ele estava prestes a falar algo, mas ouvimos a polícia, logo ele abriu os olhos, contou tudo, levou-os até o lugar onde eu estava presa. O policial me olhara com cara de dó, analisara minha camiseta rasgada e suja, minhas calças curtas com manchas de sangue e terra, meus pés descalços, meu cabelo solto, embaraçado, e com a aparência de sujo, isso o fizera analisar o quão sofrida era. Me levaram á delegacia, me fizeram depor, fizeram análises, e foi constatado que fui estuprada, e o delegado acreditou em mim sobre o sequestro. Ele ficaria preso até o dia do julgamento, que decidiria se ele era culpado pelo sequestro também. Eu e Mike fomos embora. Ele já tinha 17 anos e podia dirigir, o hospital me dera roupas novas e limpas, (sim, fiz os análises no hospital), entrara no carro e fomos em silêncio até sua casa.
-Obrigada Mike! De verdade, agora, tchau. Preciso dormir um pouco. –Sorri e quando ia dar um beijo em seu rosto, ele me impediu.
-Você não vai a lugar algum. –Falou sério.
-Como assim? –Me assustei.
-Quando nos conhecemos, á dois anos atrás, eu não podia leva-la comigo, eu possuía apenas 15 anos, não sabia nada da vida, e você sabe muito bem, já disse várias vezes a mim, como levar alguém que não conhece direito morar com você?-Ele olhou em meus olhos. –Mas eu te conheço, te conheço muito bem. Sei quem é. Talvez saiba mais do que você mesma. E depois do que aconteceu hoje, eu nunca mais vou te deixar sozinha, você é a minha pequena. Quero que more comigo, não necessariamente como minha... Mulher. Como irmã, prima, filha... Como o que quiser. Mas não se esqueça que moro com meu avô, e ele é meio doido. –Riu e me cutucou. Meus olhos estavam cheios d’água.
-Você é doido! –Ri e o abracei. Ao solta-lo ele sorriu e me beijou... Na boca. Eu nunca havia beijado ninguém. Nunca havia nem pensado nisso. Mas isso fora diferente do que eu havia visto. Fora rápido, ele apenas... Encostou seus lábios no meu, mesmo tão rápido e tão simples, sorri de orelha a orelha, e o abracei novamente.
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