O Recomeço
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Agora que nada enxergava, não adiantaria forçar a minha vista. Fechei os olhos e confiei em meus ouvidos. Ouvi o barulho do degrau de madeira, rangendo a cada passo, ouvi o barulho de seu sapato, ao chegar ao fim da escada e se dirigir até a cama. Ouvi o barulho de um ferro, um barulho alto e agoniante, como se algo estivesse sendo arrastado, algo como uma cadeira. O barulho terminara próximo de mim, então ouvira ele se sentar. Eu apenas lutava para não abrir a boca e gritar. Ele colocou a mão em minha coxa, meu corpo todo enrijeceu, lutei para não dar um chute nele, mas isso o apagaria, e quando ele acordasse, pouco depois me bateria, então permaneci quieta. E então ele começou a falar, sua voz não era familiar, e ela uma voz rouca, como se ele já tivesse os seus cinquenta e poucos anos. Ele falou, em um tom malicioso, e não muito alto.
- Olá querida. Você está boa! –Ele afirmara, eu senti um enjoo ao ouvir sua voz, mas quase chorei, quando ele começou a alisar a minha coxa.
- O que você quer comigo? Porque eu? Tanta... Tanta... –Pensara em como dizer isso sem apanhar- Tanta mulher oferecida, que daria de tudo para que a usassem com menos compaixão possível, e então você... Você escolhe a mim! –Estava dando o máximo de mim para não gritar.
- Você é gostosa. E o melhor, você não queria, não esperava. Gente fácil é entediante. –Ria, e continuava a alisar minha coxa, chegando mais perto de minhas partes.
- Claro, uma garota que dorme desde seus 5 anos de idade na rua, e toma banho em rios e cachoeiras é realmente muito atraente. –Falei com ironia.
- Diz assim, mas não faz ideia de como são minhas situações também... Se visse, talvez procuraria aranhas nessa sua calça. –Ria agora com mais vontade, chegara até tossir.
- Você... Você é repulsivo! –Não aguentara mais, estava gritando, e me debatendo para que parasse de tocar em mim. Mas tudo o que fez foi subir em cima da cama, ajoelhar, fazendo minhas pernas ficarem no meio das dele, gerando assim, que eu parasse de me debater, e quando menos esperei... Um barulho muito alto ouvi, mas não senti a dor que ele queria. Ele havia me dado um tapa. Meu rosto virara automaticamente, mas já havia apanhado pior.
- Você é uma menina muito desobediente. Pro seu bem, acho melhor se calar! – Gritou, e acompanhado do grito, ganhei um outro tapa. Ainda não sentira nada, talvez porque por dentro, estivesse sentido pior. Então ele sai de cima de mim, e se afastou, consegui ouvir o barulho de seus passos, e então o barulho de algo que ele pegara de uma das caixas. Ele voltara, e dessa vez o barulho e a dor havia sido muito mais forte. Consegui ouvir o estralo muito alto de seu chicote, e a minha perna de repente, doía tanto quanto por dentro. Ele continuou a me chicotear, e eu apenas chorei, sem som, sem gritos, sem me debater, apenas as lágrimas foram caindo. Ele continuava me chicoteando, talvez ele não fosse muito forte a ponto de bater em mim. Mas eu já sentia meu corpo sangrar, em certas partes, como a coxa, a barriga e o pé. Então ele jogou o chicote no chão, subira de novo em cima de mim. Consegui ouvir o barulho de seu cinto abrindo, depois o zíper, e quando ele ia abaixar a minha calça junto com a minha calcinha, eu já havia me preparado mentalmente, estava com os olhos fortemente fechados e minhas mão estavam fechadas e nelas concentradas tanta força, que pude senti-la latejando. Então, algo inesperado aconteceu.
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