O Recomeço
13 Capítulo 13
Notas iniciais
-Era só isso? –Indagou.
-Sim, era somente isso.
-Não quer nem saber sobre seus outros parentes? –Arqueou uma sobrancelha.
-Não, desculpe o incômodo e muito, muito obrigada mesmo. –Levantei-me, e tive vontade de abraça-lo.
-Mas, você não vai refazer os documentos?
-Vou, mas quando eu for alfabetizada. –Sorri, então eu e Mike saímos porta a fora. No momento em que saímos da delegacia, eu pulei em seu colo. Não acredito. A primeira delegacia tinha informações sobre mim! Nos abraçamos, e logo ele me soltou.
-Praia? –Sugeriu
-Sem dúvida. Nunca fui à praia. –Sorrimos.
-Mas antes precisamos comprar uma câmera para nós dois tirarmos muitas fotos.
Entramos no carro e fomos até o centro. Aliás, era um lugar muito lindo, e dava para ver um letreiro bem grande e longe, escrito ‘Hollywood’. Paramos o carro na única vaga que dera. Fomos andando, por entre muitas barracas. Então achamos uma câmera que era aprova de água e areia. Não acreditava, mas não ligamos muito. Compramos uma bolsa de praia, um guarda-sol e outras coisas essenciais na praia, segundo o Mike, é claro.
-Nossa primeira foto, tem que ser com Hollywood atrás. –Todo empolgado falou.
-Concordo. Pegue a câmera! –Ele o fez e tirou uma foto de nós dois juntos e a linda paisagem atrás. Desligamos a câmera e fomos até a praia.
Desci do carro e corri para o mar, com a bolsa pendurada em um dos braços, uma mão agarrada a mão de Mike, puxando o até o mar. Quando colocamos os pés na areia, tiramos o chinelo e os jogamos na bolsa. Fomos até o mar. Mike subiu um pouco a calça para que não molhasse. Eu estava de shorts, não teria problema. Mike estava com uma regata branca, e uma calça cinza escura. Eu estava com moletom, pois sentira um pouco de frio no carro e não estava incomodada com ela agora, e com um shorts jeans. Fiz um coque no meu cabelo. Voltamos à areia para colocar a bolsa em uma mesa, e novamente voltamos ao mar, com a câmera na mão. E então pedimos a uma senhora que tirasse uma foto nossa. Ela aceitou e tirou.
Pegou a câmera, e vimos a foto, eu amei a foto, ficou perfeita, apenas meu braço que havia ficado estranho, mas eu não me importava. Mike estava ali. Tiramos outras fotos, mas sem pedir ajuda de ninguém.
Guardamos a câmera, e fomos no banheiro do quiosque nos trocar. Coloquei meu biquíni branco com umas rendas enfeitando, o biquíni era tomara-que-caia e eu me sentia um pouco desconfortável, mas iria me acostumar. Voltamos até a mesa, Mike estava com uma sunga preta, o que me fazia babar, e não tinha como esconder. Logo um garçom veio nos atender, Mike pediu uma água de coco e eu quis um suco de laranja. Eu e Mike ficamos conversando sobre eu não saber nada, e ele, como de costume, ria de mim. O garçom nos serviu e foi embora novamente.
-Eu te ensino. Olha pra mim. –Olhei para ele.- Faça assim. –Ele puxou o ar. O imitei. – Agora solte o ar. –Ele o fez e repeti. – Agora puxe o ar novamente e segure. –Demonstrou, eu o fiz, e comecei a rir. E ele riu de mim. –Se fizer isso quando estiver nadando vai morrer. –Sorriu.
-Não vou, eu prometo. Obrigada pelos ensinamentos, professor. –O fitei.
-Vamos nadar? –Sugeriu, com seus olhos brilhando.
-Sim, mas antes, uma foto. –Ele concordou com a cabeça, ele tirou uma foto nossa, eu beijando sua boca. Ou como ele dizia ‘dando um selinho’.
Guardamos a câmera, como sempre, e fomos até o mar, abraçados, entramos devagar, e logo ele pulou no mar, e eu fiquei sentindo as ondas baterem contra o meu corpo. Olhei em volta, vi as paineiras, muitos prédios, o letreiro “Hollywood”, o céu limpo, sem uma nuvem, somente o rei dos céus lá, o Sol, como sempre muito quente e brilhante. O mar me surpreendeu com uma onda, que me fez cair e gritar, lembrei dos ensinamentos do Mike, e segurei o ar o mais rápido possível. Mike me viu cair, me puxou pela mão, assim que voltei a superfície, riu de mim.
-Boba. Faça como eu, pule nas ondas, assim você surpreende as ondas, e não o contrário. –Sorriu.
-Vou tentar. –Murmurei.
Ele pulou novamente na onda, e fiz igual, nadamos muito, talvez por uma hora mais ou menos, lembrei-me de sair para repassar o protetor. Chamei Mike, e saímos de lá. Novamente, ao sair do mar, cambaleei, estava ficando acostumada com aquilo, mas ainda não sabia o porque. Mike não era uma pessoa que percebesse muito as coisas. Apenas fingi que nada havia acontecido, voltamos a mesa, e pedimos uma porção de fritas e uma porção de camarão, que alias, eu nunca teria comido em toda minha vida. E dessa vez um suco de laranja para os dois. Me acomodei na cadeira, inclinei minha cabeça para trás, fazendo com que eu encostasse na cadeira. Fechei os olhos, senti o sol em minhas pupilas, eu e Mike estávamos quietos, apenas nos recuperando do banho de mar. Senti alguém cobrir o sol, abri os olhos e o garçom estava lá. Voltei ao normal, e olhei para os pratos, meu estômago recusou, e eu percebi que estava enjoada novamente. Não quis pensar, somente peguei uma batata e praticamente engoli, sem mastigar ou enrolar. Mike ainda não havia percebido que as coisas estavam lá. Estava quase dormindo na cadeira, eu ri e ele despertou.
-Ow. Porque não avisou antes que tinha chego a comida?
-Você é fofo dormindo.
-Não estava dormindo. –Sorriu de canto, com os cabelos bagunçados e em pé, seu corpo estava molhado, o que fazia ele ficar ainda mais bonito. –Ei, experimenta o camarão. Pegue. –Ofereceu. E eu peguei um.- Agora pegue o limão e coloque no camarão. –Fizemos os dois, a mesma coisa.- Agora é só degustar! –Arqueei uma sobrancelha.
-O que é degustar? –Perguntei, confusa.
-Ah... Saborear. –Disse, colocando o camarão na boca.
Também coloquei, e era fantástico. Variava, uma hora camarão, outra batata. Mas ainda sim o camarão era melhor. O suco estava azedo, mas gelado, já ajudava. Ficamos conversando, enquanto comíamos, e iriamos voltar ao mar, para ficar mais um pouco.
O mal estar tinha passado, mas ainda estava enjoada. Passamos protetor e voltamos ao mar, nos beijamos algumas vezes, e logo saímos novamente, tomamos um banho no chuveirão mesmo, nos trocamos, e enquanto eu fui pegar a bolsa, Mike foi pagar o quiosque. Fiquei esperando ao lado do quiosque. De repente, tudo rodou, não cambaleei, eu cai, e então minha visão apagou. Só que desta vez eu não acordei após minutos. Eu simplesmente desmaiei. E fui acordar aproximadamente uma hora depois, no hospital. O local era simples, a única coisa que me afastava dos outros era uma cortina. O médico estava passando pelo corredor, e olhou para minha cama e me viu. Então voltou para frente da minha cama.
-Olá Kaliwah. –Me encarou, sua face não apresentava absolutamente nada. O que me preocupou. –Como você está?
-Estou bem. –Murmurei.- Onde está Mike? –Olhei em volta a procura dele, que deveria estar ao meu lado.
-Ah, seu amigo, está na sala de espera.
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