O Recomeço

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Sim, eu sei que poderia muito bem, arrumar um nome para cada capítulo, mas minha imaginação não permite isso. :/ Desculpem os erros.

-Bem... Tudo. Como conseguiu aguentar, uma pobre menininha, que não havia culpa ou maldade alguma, ser abandonada pelos pais, que não conhecera nada do mundo... Como ninguém sentiu sua falta? Ninguém nunca teve vontade de pegá-la, adotá-la, não sei, cuidar de você? Eu não consigo entender, como por tanto tempo, você foi inútil. –Ele disse, calmo, parecendo ter medo de me magoar. Sorri com a sua delicadeza.

-Ok, bem, as pessoas me achavam fofa, nossa, uma garotinha nas ruas, provavelmente seus pais a usam pra ganhar dinheiro, vou dar um pão a ela. Me davam pão, água, alguns me davam doce. Não tinha muita opção a não ser aceitar, havia uma moça, que me lembro até hoje, uma loira muito bonita, alta, com olhos castanhos puros. Conseguia sentir que ela faria o bem a mim. Ela me dava cobertores, roupas, comida. Assim sobrevivi uns...-Tentara me lembrar por quantas vezes havia visto muitos fogos á noite, e muitas pessoas gritando coisas como ‘Feliz ano novo’- sete anos, talvez. Depois disso, acho que ela arrumara outra profissão, hum, o pessoal daquela padaria lá, me viram crescer pelas ruas, e me davam trabalhos, e me pagavam. Eu gastava quase tudo lá, em comida. Então alguns anos depois te conheci. E aí você me ajudou até hoje. Me lembro, como se fosse ontem, de quando você me encontrou-Ele sorriu e concordou-, você se assustou por eu dormir lá. Nem se quer reparou em minhas roupas, ou no meu cabelo. –Ele agora me abraçara forte.

-Amor, estava escuro, eu havia acabado de perder meus pais, eu nunca iria reparar. E aquela árvore, eu a vi crescer, junto com meus pais, sempre íamos lá, é um lugar estranho pra se ficar, mas sempre passávamos o tempo lá. –Sorriu, e me deu um suave beijo na testa.

-É, eu sei. –Sorri. Minha barriga roncou. Ele sorriu.

-Vamos descer? Meu avô costuma fazer o café da manhã. –Ele e seu avô moravam em um sobrado. Em baixo havia uma sala de jogos, um outro quarto que suas tias costumavam dormir, a cozinha, um banheiro, e uma churrasqueira ao lado da piscina. Em cima havia os quartos, um banheiro e uma sala de estar. Seu avô havia ido morar com ele, pois quando seus pais morreram, ele ficou depressivo, pois ele costumava ficar muito tempo com seus pais, e ele. Então os dois depressivos, decidiram morar junto, poucos meses depois que o acidente aconteceu.

-Por favor. –Ri. Levantamos e descemos. No andar de baixo, logo que descíamos a escada havia a sala de jogos, passávamos por ela, que ficava na frente da casa, pelo quarto, e então chegamos á cozinha. Com azulejos azul bebê, pisos brancos, balcões, pia, filtro, fogão, geladeira e até a lavadora de louça combinando com os pisos e o azulejo. Tudo em um tom azul clarinho com branco. Coisas menores, como pratos, copos, panelas, eram todos pretos. Era evidente que tudo era novo. Recentemente comprado. Não havia um risco, ou uma mancha de encardido. Com coisas tão claras, era difícil não haver. Havia algumas coisas de madeira que enfeitavam a cozinha. Havia duas janelas grandes, o que deixava tudo bem claro. Seu avô, com o cabelo todo branquinho, olhos azuis quase que cristalinos, várias rugas em seu rosto, todo branco, com um sorriso apagado, mas sempre que o fizera, era realmente muito fofo. Era pouco maior que eu. Um centímetro talvez. Assim que nos viu, sorriu.

-Bom dia meu casal preferido. –Sorriu fraco, seus olhos quase fechados, em uma de suas mãos estava uma espátula que ele usara para virar a omelete, a outra ele usara para segurar a frigideira. Avaliei a mesa, com um pote redondo, recheado de maças, uvas, bananas, entre outras frutas. Havia três pratos, dois com omeletes e bacon ao lado. Havia jarras, uma branca com iogurte, uma outra azul com leite, e uma preta com algum suco que não consegui reconhecer, três copos, e talheres para três também.

-Vocês já podem se sentar. –Riu sozinho. Tossiu um pouco depois.

Nos sentamos um ao lado do outro. Tecnicamente, porque afinal, era uma pequena mesa de madeira, quadrangular, com apenas quatro cadeiras. Uma em cada um dos lados. Comi um pedaço de minha omelete.

-Ual, nunca comi uma dessas. Mas é a melhor. –Sorri, e olhei para os dois.

-Ah! Que gentil, você é tão afável quanto o Michelangelo dizia! –Sorriu, veio com a frigideira e jogou sua omelete no prato. Voltou até a pia, e devolveu a frigideira. Ergui uma sobrancelha.

-Me desculpe, eu não... não sei o que significa afável. –Olhei para baixo, cocei o antebraço direito, corada. Senti os dois sorrirem, e os dois passaram, cada um passou uma mão sobre o ombro mais perto deles.

-Basicamente é uma pessoa amável. –Mike me olhou, com um sorriso tímido, olhando em meus olhos.

-Ah! Agora entendi. Muito obrigada. –Sorri para ambos.

Notas finais
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