O Real Culpado

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Oi galeres, tudo bom?
Essa é a primeira vez que eu posto aqui no socialspirit e também minha primeira narrativa de detetive. Realmente espero que gostem e que me ajudem dando opiniões lá nos cometários. Dependendo do retorno que eu tiver e da vontade de vocês eu pretendo escrever outros contos sobre o Christian e suas peripécias ahahah. Tomara que vocês gostem tanto dele quanto eu.
Queria agradecer e credibilizar a Julha, que me ajudou um montão. Curiosamente esse conto nasceu em um trabalho pra aula de português. Ela era minha dupla e nós tinhamos que criar uma narrativa de detetive. Criamos juntas os personagens (mudei o nome de alguns, Ju!), o enredo e o desfecho, mas decidimos escrever separadamente. O resultado ficou superlegal e no final foi incrível ler o texto dela e comparar com o meu - ficou bemmm diferente.
Sem mais delongas, boa leitura e espero ver vocês por aqui mais vezes nos meus projetos futuros.

Os flashes das câmeras dos peritos iluminavam o local, que mesmo de madrugada reunia uma pequena multidão de curiosos. No dia seguinte aquela mesma praça não abrigaria o numero costumeiro de crianças, por medo, e nenhuma delas faria fila em frente ao carrinho de sorvetes para gastar seus trocados, pois Molly Henckins, a sorveteira, fora assassinada. As perguntas que pairavam pelo ar eram muitas, mas o povo sabia que uma vez que Christian Feld se envolvesse nas investigações elas não demorariam muito a serem respondidas. Precisavam achar o resto do corpo, descobrir a forma que tal crime fora cometido e seu autor. Sim, o resto, pois a única parte que havia sido deixada ali fora uma de suas mãos, adornadas por um anel de compromisso. Ao lado do pálido e gélido “presente”, um bilhete do culpado, escrito com sangue; a palavra “vingança” perfeitamente escrita com o líquido escarlate.
— Como pode afirmar com tanta convicção que ela está morta? Ninguém morre por causa de uma mão. E a autópsia provou que ela ainda vivia quando tivera a mão cortada. — Aaron Boyer, chefe de polícia, questionou, tentando entender a linha de pensamento de Feld.
— O jeito que o bilhete foi escrito. Ele teve um cuidado imenso com a caligrafia. Cada traço, cada risco feito de forma extremamente certa e firme. Aquele que procuramos é metódico, perfeccionista, mas acima de tudo confiante. Jamais deixaria o serviço incompleto, e se o objetivo dele exigisse, nem mesmo para prolongar com torturas. Ele é focado, mantém-se em seu plano, que com certeza foi feito com absoluto detalhismo, para não cometer nenhum erro. E não vai. Ele nos entregou o motivo do crime como se dissesse “Tentem me achar agora, vocês não me assustam. Não são suficientes. Eu sou melhor.”. Podem ter certeza de que mais coisa está por vir. Eu não me asustaria se me deparasse com a cabeça ou um dos pés dela por ai. — Mal completara sua fala e uma mulher adentrou o local, para dar a notícia que comprovaria as suposições de Christian.
— Aaron, acharam mais. A outra mão. — O jovem detetive arqueou uma de suas sobrancelhas e deu um sorriso debochado. Mais uma vez estava certo.

O sangue escuro manchava as pétalas delicadas das flores que tentavam alegrar o cemitério encoberto pela bruma. Depositada sobre elas, no canteiro que contornava todo o terreno estava a segunda mão de Molly. Ao lado outro bilhete grafado com sangue: “fiz por ti”.
— E então, o que achas? — Boyer aproximou-se do rapaz, que encarava o nada.
— Estou confuso. Quando vi o anel de compromisso naquela mão senti-me instigado à ir atrás do namorado de Molly, Seth Knight. Ele tem precedentes, Aaron. Furto e agressão. A ficha do cara não é das melhores, mas só de interrogá-lo soube que não era ele. Ele não estava nem aí pra ela, Aaron, não se daria ao trabalho de fazer algo do tipo. E posso dizer que ele não se encaixa no perfil. Nem chega perto. — Christian mantinha o olhar distante, mas estava atento a cada ruído que o cercava.
— Então por que ele a daria um anel
— Isso eu não sei, Boyer, mas garanto que é irrelevante, pois o culpado não é Seth Knight. A resposta para as nossas perguntas está bem aqui, nesse cemitério. Preciso que me passe uma lista de todos os que foram enterrados aqui nos últimos dez anos e que filtre todos os casos anormais. Nada de infarto, câncer, quero assassinatos, acidentes automotivos. Procuro alguém jovem. Isso tem que nos levar à algum lugar. — Os dois seguiram até seus carros, desviando das perguntas que a imprensa lhes lançava.
— Farei o meu melhor.

Feld passara a noite em claro, debruçado sobre montes de papéis. Já era quase dia quando seus olhos caíram sobre um deles. Os dados de Kyle Cobain, um garoto deapenas seis anos que morrera havia cinco. A intuição de Christian dizia-lhe para prestar atenção. Se ela estivesse certa ele sabia que aquele pequeno garoto esclareceria muita coisa. Leu naquela ficha que a causa de sua morte havia sido envenenamento, na mesma época em que em que várias crianças deram entrada no hospital, intoxicadas, e então tudo pareceu começar a se encaixar ainda mais quando, no dia seguinte, encontrara arsênico nos pertences de Molly. Ela envenenava as crianças.
— Minha nossa! Quer dizer então que a Srta. Henckins não é apenas a vítima da história. — Começou Boyer, sentado à sua mesa na delegacia. — Então o “fiz por ti” escrito no bilhete deixado junto à mão no cemitério referia-se a ele. Você aposta em algum familiar?
— Sim. Mais especificamente em seu pai, Nicholas Cobain. Na época do acontecimento mostrava-se insatisfeito com atenção que a polícia estava dando ao caso, pois julgava pouca.
— Não trabalhava aqui na época, fui transferido recentemente de Baltimore. Prossiga.
—Obrigado. Como dizia, por estar instisfeito, Nicholas contratou um detetive particular e mandou que investigasse. É evidente que chegou até Molly Henckins. Usou o resto desses cinco anos para dedicar-se ao planejamento do crime. Tornou-se sua obsessão e o fez largar seu emprego.
— Então o que ainda fazemos aqui? — O mais velho levantou-se bruscamente da cadeira. — Precisamos encontrá-lo, e também a ela. Vou tentar conseguir com algum vizinho os horários de Nicholas.

Christian andava pelo parque acompanhado de alguns pares de cães farejadores e meia dúzia de policiais. Aquele era o local onde Nicholas Cobain gostava de passar as tardes, correndo. O parque possuía áreas de mata fechada, bosques na parte mais afastada, onde eram poucas as pessoas que iam. “Ótimo lugar para enterrar um corpo”, segundo Feld. Se era bom ou não pouco importava, mas aquele fora o lugar escolhido por Nicholas, como confirmaram os cães farejadores que encontraram o corpo de Molly ali mesmo, sem as mãos, debaixo de mais de um metro de terra. Os policiais já enviavam o corpo para a autópsia quando Aaron chegara ali, correndo.
— Acharam ela? — Christian fez que sim, acenando com a cabeça. — Ótimo, mas tenho más noticias.
— O que foi?
— Encontramos isso aqui na casa dele. — Estendeu-lhe um folheto informativo sobre a Irlanda — A casa estava toda revirada. Parece que nosso garotão fez as malas e está tenteando fugir de nós.
— Vá você atrás dele, tenho algumas coisas para resolver aqui. Boa sorte, Aaron. — Christian despediu-se do colega, que mais tarde pegaria Nicholas ainda no embarque.

A resolução do caso era assunto de capa de jornal. Não havia uma pessoa se quer na cidade que não sabia do “Caso da Sorveteira”. Ninguém esperava por aquele desfecho, e dezenas de mães levavam seus filhos ao hospital ao saberem que o sorvete vinha sendo envenenado. Mas algo que borbulhava na cabeça de Christian era o motivo pelo qual Molly fazia aquilo. Ele sabia que o buraco era muito mais embaixo. Conseguira arrancar poucas informações do patrão da mulher, ao interrogá-lo. Ele havia dito que ficara tão atônito quanto todo o resto da cidade ao saber do que Molly fazia, e que jamais suspeitara de nada. Disse que ela uma boa garota, e que tudo o que sabia a seu respeito era que sua mãe se matara na sua frente quando ela tinha apenas sete anos.

Susan Henckins tinha apenas 16 anos quando engravidara de Molly. Teve então sua vida virada do avesso. Nada mais de festas, o dobro de responsabilidades, a má reputação pela cidade; tudo mudara com a chegada da filha. Perdera o namorado, sua mão passara a olhá-la com outros olhos. Sua vida virara um verdadeiro inferno. Tudo culpa de Molly, julgava ela. Teve tudo isso estendendo-se por sete anos, até que chegou ao seu limite e se esfaqueou na frente da filha. Suas últimas palavras foram “É tudo culpa sua”, palavras essas que ficariam gravadas para sempre na cabeça da filha. Molly passou o resto de sua infância em um orfanato. Metera-se em encrenca com as outras crianças diversas vezes, e ganhara um quarto só seu ao cortar os cabelos de uma colega durante a noite. Tudo o que sua mãe havia lhe dito formara uma imagem horrível das crianças em sua mente. Era seu dever acabar com elas, para poder salvar sua mãe. O motivo pelo qual Molly envenenava as crianças ficara claro: ela as culpava as crianças da mesma forma que sua mãe fazia com ela.

Notas finais
E ai, o que acharam? To loucaaa de curiosidade, então me contem, por favor. Gostaram do Christian e o seu jeito Reid/House de ser? Inspiração total ahahah.
Beijos gente, vejo vocês logo.
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