Notas iniciais
Oii! Realmente, valeu por ler. Acho que essa fic vai ser a única que irei terminar :'V Mas bem, espero que goste!

Assim que Lonan foi aceito para morar um tempo no vale, a calma e a tranquilidade de Atharis estavam bem mais distante do seu coração do que ele imaginava. Não importava onde ia, parecia que em qualquer canto o loiro estava, e isso o deixava louco.

Pior quando sabia que era observado por ele enquanto realizava suas obrigações diárias. Ficava nervoso, em ambos os sentidos. Atharis sentia a tensão correr em seu corpo durante o dia, e gritinhos nada elegantes durante a noite. Estava sendo dias horríveis. Tanto para sua saúde mental como emocional.

Isso, na cabeça de Atharis, era um sério problema.

° ° °

― Está tudo bem Senhor?

O moreno deu um pulo de susto, mas disfarçou com algumas tossidinhas. Está sim, não se preocupe. ― Respondeu com a voz firme, arrumando o cabelo também. Deu um sorriso para Kali e fez um leve carinho em seus cabelos. Ela ficava tão pequenina perto de si… Também, ter quase um metro e noventa não era para todos.

― Tem certeza? Você parece… estranho. ― Insistiu a garota, deixando as mãos juntas na frente do corpo. ― Está assim desde quando fomos para o vale vizinho… É o Dew? Não gostou dele? ― Falo com os seus olhos tristes, torcendo para que não fosse isso.

― Claro que não! Kali, por favor, não é nada… ― Suspirou, olhando para atrás dela, a vila. Ela não falou mais nada, apenas fez uma breve reverência antes de partir para casa. Atharis esperou ela se afastar um pouco mais para então soltar um suspiro de alívio. Droga, estava deixando os sentimentos muito amostra.

“Culpa daquele… ugh!”

Bufou irritadiço, indo para a própria casa. Ela ficava mais afastada das outras, ao pé de uma das montanhas. Era pequena, simples, com um belo jardim a cercando. Quem olhava, podia jurar de pé junto que aquela casa era de alguém qualquer do vale.

Atharis entrou no lugar e não demorou em se despir dos vestidos e faixas que usava. Estava muito quente para ele usar aquilo tudo! Mas era seu disfarçe, não podia simplesmente mudar por que estava com calor.

Suspirava em deleite enquanto ia abrindo os fechos da roupa no peitoral, se revelando aos poucos. Seu peitoral era um pouco robusto, com algumas marcas mas nada de mais. Não demorou nada para colocar calças e uma camisa, dando risinhos e uns pulinhos quando se sentiu devidamente vestido, indo para o seu jardim, se não tivesse escutado um espirro atrás de si.

° ° °



23/04/ xxx ― Anotações diárias!

― Aqui é incrível! Nunca pensei que um lugar desses poderia existir. É tudo tão vivo, tão leve! Até agora, não vi nada que não fosse sorrisos, bom humor e carisma. Caramba, tanta coisa! A comida é ótima, sem contar que podemos chegar em qualquer lar e sermos recebidos como se fossemos moradores dela! Eu realmente adorei esse lugar! E adorava os mimos, mal chegava perto das pessoas e elas me abraçavam, conversavam alegres, me davam presentinhos! Estou com o bolso cheio de objetos que nunca vi, mas que são lindos! Sem contar a comida, nossa! Nunca fui de comer muito, mas em cada porta que vou as pessoas me oferecem algum prato de comida. E todas são diferentes umas das outras! Mesmo elas mudando o que comem todo dia! Não tem como enjoar. É tudo delicioso!

As crianças também são umas fofas! — Ai, estou usando muito o ‘!’, mas não tem como descrever aqui sem usar isso! Olha, denovo… — Mas voltando, elas ajudam a gente em tudo que podem, tudo cheio de amor e carinho! Ahhh ❤ Me sinto cada vez mais acolhido por esse lugar. Já visitei quase todas as casas, só falta aquela, que fica mais longe… e ah, também estava atrás do ‘Senhor sem nome’. Tenho que pedir desculpas, mas eu precisava vê-lo! Quando você encontra uma flor linda, ou você pega uma mudinha, ou arranca para colocar num vaso, ou desenha ela! E dessa flor, não tem como arrancar! Acho até que ele se irritou comigo. Notei que ele ficava nervoso na hora… e eu tentava ser discreto, juro! Mas não deu certo… Droga, preciso acha-lo. Essas pessoas me deram tantos presente, claro que dei para elas também! Consigo muitas coisas nas minhas viagens, e até acredito que consigo coisas demais! Sou um colecionador nato, mas não tanta bolsa para tanta coisa.

Sempre que eu me despedia, entregava a eles de volta algo que eu achava que combinava perfeitamente com elas. Mesmo sendo de um só lugar, cada um tinha sua essência de vida. Agora só faltava o Senhor! E também só falta uma casa para ver. Falando nela, é bem bonitinha, confesso! E estou sentado no bando da sala, escrevendo isso. As outras pessoas deixavam eu entrar em nem mesmo perguntar meu nome, acho que ele também não vai se incomodar… acho. Será que isso é problema? Acho que deveria esperar ele lá for… ―

Mas já era tarde para mim, oh, senhor. Me escondi onde pude, segurando meu caderno fortemente contra o peito. Quando notei ele já estava entrando e se despindo. Meu coração deu uma leve palpitada de vergonha, me escondendo mais ainda e fechando os olhos, colocando o caderno na cara. Deus, deus… Que vergonha… Eu sou um homem! Acho que deveria estar com outro sentimento no peito! Já toquei em corpos femininos que eram simplesmente perfeitos, onde me fazia outra coisa pulsar. Mas... mas...

Me estiquei para ver mais um pouco, agora com ele trocado. O sorriso dele estava parecido com daquele dia. Era tão radiante… Eu sorri junto, deixando o caderno abaixo do nariz, querendo observá-lo mais um pouco. Porém… O destino nunca foi um bom amigo. Meu nariz se irritou com a poeira ― ou com o perfume, não sabia ― e me obrigou a espirrar. E ele me viu. Não sabia dizer se ele estava surpreso ou se estava irritado.

Tremi em meu esconderijo, não esperando nada para começar a correr para a porta, mas um tipo de corda grossa e escura me agarrou pelos pés, e então caí e fui puxado para trás. Estava com um pouco de medo sim, mas não resisti. Descobri que a corda era, na verdade, a cauda dele quando cheguei mais perto. Aquilo era mais uma coisa que me surpreendi com ele. Cada vez que o via, algo novo eu descobria.

Atharis enrolou a cauda envolta do meu corpo e me levantou. Ele era alto, se duvidar eu não consigo nem chegar no seu ombro… Senti o nada descer pela minha garganta quando ergui os olhos para ele, dando um sorriso em jeito.

― H-hey… Tudo bem?

― O que está fazendo aqui? ― Ele disse, hiper irritado com a minha presença. Seus olhos vermelhos e afiados me focavam com uma intensidade que sentia que poderia me cortar em dois. Me senti como uma caça pega pelo caçador, e não consegui segurar a cor vermelha do rosto. Droga… Ele me fazia me sentir tão inferior com aquilo… com tudo. Mas ao mesmo tempo ele me instiga tanto.

― Eu… Eu vim lhe dar um presente… ― Contei bem constrangido, apertando as mãos ao lado do corpo. Ele, que já estava com a mão pronta para fazer algo que prefiro nem imaginar, travou no lugar. Mal piscou nos primeiros momentos, e pude notar que suas pupilas dilatadas tinham o formato de um losango perfeito em pé. Realmente, ele era surpreendente.

― O… que?

― Eu vim te dar um presente… por me deixar ficar… ― Foi o começo, logo não controlei a língua... ― e também por que todo mundo me deu um e eu gosto muito de retribuir esses mimos ai eu estou dando presentes a eles também e agora eu vim aqui pra dar um pra você também por que seria indelicado da minha parte não te entregar mesmo que nã―!

― SHIII! Eu já entendi, chega! ― Falou depois de tampar minha boca com a ponta da cauda felpuda, passando a mão no rosto. Bufou e lentamente me soltou lentamente ― Você simplesmente não poderia me esperar ali fora?! E onde caralhos, acha que tem essas intimidade para falar comigo? Você só está aqui por acaso. ― Soltou irritado, colocando as mãos nos cabelos.

― Notei mesmo. Você não é de ser daquele jeito perto dos outros né? Sorrindo todo, alegre e tal. Por que não mostra isso pra eles? ― Falei depois do susto inicial.

― Por que eu não posso mostrar isso para eles! Imagina se me visse assim? ― Ele me falou com uma cara um tanto assustado, até meio desesperado. Fiquei surpreso com a mudança de personalidade dele. Bipolar, talvez? ― Você me viu daquele jeito, e agora todos do vale já gostam de você! Não posso nem mesmo te mandar embora! Ugh! ― Ele grunhiu, fechando os punhos inquieto na frente da cara, andando de um lado para o outro.

― Mas é tão interessante! Sabe, eu te achei muito legal! ― Sorri para ele, tanto que notei que o mesmo se desconcertou. Nossa, ele não parecia o senhor que eu observava nas ruas do vale. Agora entendo. Ele é todo certinho por fora, e por dentro é assim… ― Eu te ajudo!

― O que? ― Atharis me olhou como se eu tivesse dito algo absurdo, espantado. ― A-ajudar? C-como? ― Ele me segurou pelos ombros.

― Claro! ― Ri pela reação dele, tocando no braços alheios. ― Você vai ver! As pessoas vão gostar muito desse você. Acredita!

― Claro, vou acreditar no cara que me viu pular de um paredão e o meu lado mais estúpido e ridículo, achou a entrada do meu vale secreto, conseguiu ficar aqui por misericórdia minha para não dizer que eu não consegui dizer não e ainda por cima invadiu a minha casa e acabou de me ver p… ― Ele parou um pouco para pensar, incrédulo quando repensou nas próprias palavras.

Se afastou de mim rapidamente e agarrou a própria camisa como se escondesse, avermelhando o rosto. Eu não percebi o que aquilo significava de primeira, mas a lembrança veio logo e eu também avermelhei de leve, rindo nervoso. ― V-você…! ― Abriu a boca novamente mais irritado.

― E-eu… não vi nada? ― Tentei disfarçar, sorrindo torto e dando uns passinhos para trás. Cheguei na porta, a abri lento e não esperei para correr quando eu o vi pegando a primeira coisa que achou e tacou do meu lado. Eu teria achado normal se o negócio que ele havia jogado não tivesse afundado no chão...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.