Notas iniciais
Um conto fofo para o mês mais lyndo do ano ♥

Ela não gostava de Halloween, mas, para evitar as irritantes travessuras, sempre preparava um estoque de doces para distribuir às crianças que lhe importunassem.

A campainha ressoou algumas vezes àquela noite. Ela teve que interromper a maratona de filmes de terror e abandonar a pipoca para atender a porta.

Jogou balas, pirulitos, chocolates e doces variados em baldes que os pequenos vampiros, fantasmas, esqueletos, múmias e bruxas empurraram em sua direção.

Em dado momento, as visitas inconvenientes cessaram. Assim ela pensou antes da campainha tornar a soar. Às três horas da madrugada.

Só percebeu que o estoque de guloseimas havia acabado, depois de abrir a porta para a única criança em pé ali.

Não soube dizer que tipo de fantasia era aquela que ele ou ela vestia. Roupas puídas e com manchas secas um tanto marrons por toda a parte. Um saco de pano na cabeça, revelando apenas uma escuridão perturbadora no lugar dos olhos.

Antes que ela engolisse o medo e explicasse que não tinha mais doces, ouviu um ranger de dentes animalesco.

— Eu não quero doces... Só travessuras.

A voz cortante lhe causou arrepios. As roupas que, contrariando qualquer lógica, despencaram subitamente na soleira, revelando-se vazias, desnortearam seus sentidos. Um odor pútrido de enxofre pairou no ar gélido e intensificou o pânico já instalado em seu íntimo.

Com o coração aos pulos, cambaleou para trás. Evitando espiar a fantasia abandonada na varanda, trancou-se às pressas.

Quando as luzes da casa se apagaram sem explicação aparente, ela ainda não entendia como a criança havia desaparecido dentro das próprias roupas. Tampouco para onde havia ido.

Foi então que voltou a ouvir o ranger de dentes. Bem atrás de si. E soube, da pior maneira, que aquilo nunca foi uma criança.

Notas finais
Espero que tenham curtido ♥
Podem comentar aí embaixo ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!