O RENASCER DA FLOR DE FERRO As Cinzas do Passado
29 Vinho, Ciúmes e Risadas
O baile na Capital tinha sido um sucesso para a sociedade, mas um verdadeiro campo de minado para Maurício. De volta à fazenda, a carruagem mal parou e Elena já saltou, caminhando a passos largos em direção à casa grande, com a barra do vestido de seda farfalhando furiosamente.
Heitor e Jasmine vinham logo atrás, trocando olhares e tentando segurar a risada, enquanto Maurício tentava, em vão, alcançar a noiva.
— Elena! Pelo amor de Deus, pare um minuto! — gritou Maurício, tropeçando nos próprios pés enquanto tentava não rir da situação.
Ela parou bruscamente na sala de estar, virando-se com os olhos castanhos soltando faíscas.
— "Aqui está, senhorita, um pouco do melhor vinho da nossa região!" — Elena imitou a voz de Maurício com uma perfeição irritante, fazendo uma reverência exagerada. — Você só faltou carregar a moça no colo, Maurício! Ela nem tinha sede! Estava com o copo cheio!
Heitor entrou na sala, desabotoando o paletó e rindo abertamente.
— Ah, Maurício, devo admitir... a inclinação que você fez para a filha do Barão foi quase um convite para um dueto de piano.
— Não ajude, Heitor! — Maurício protestou, mas um sorriso teimoso escapava pelo canto da boca. — Elena, a moça era filha de um importante comprador de cavalos. Eu estava sendo... diplomático!
— Diplomático? — Elena cruzou os braços, bufando. — Você serviu o vinho com um sorriso que eu não vejo nem quando eu teço um suéter novo! E a forma como ela olhava para você? Parecia que nunca tinha visto um homem segurar uma garrafa antes. "Oh, Sr. Martinez, como o senhor é vigoroso!". Patético!
Jasmine sentou-se no sofá, cobrindo a boca com a mão.
— Elena, querida, ela tinha dezoito anos e usava um laço no cabelo que parecia uma antena. Você realmente acha que Maurício trocaria a mestre do ateliê por uma menina que ainda confunde vinho com suco de uva?
— O problema não é ela, Jasmine! É esse urso aqui, que resolveu virar um príncipe encantado de repente! — Elena apontou para Maurício. — Se eu te pegar servindo vinho para qualquer coisa que use saias novamente, eu vou colocar pimenta na sua próxima tina de banho!
Maurício não aguentou mais e soltou uma gargalhada alta, aproximando-se e envolvendo a cintura dela, apesar dos protestos.
— Você fica absolutamente deslumbrante quando está com ciúmes, sabia? Seus olhos ficam mais escuros e você começa a gesticular como se fosse uma regente de orquestra.
— Não tente me ganhar com elogios, Martinez! — Ela tentou se soltar, mas o corpo dela já estava cedendo ao abraço.
— Eu só tenho olhos para uma ruiva, Elena — sussurrou ele, perto do ouvido dela, ignorando Heitor e Jasmine que assistiam à cena como se fosse uma peça de teatro. — E ela não usa laços infantis no cabelo. Ela usa o meu bracelete e manda no meu castelo.
— É bom mesmo — Elena resmungou, finalmente enterrando o rosto no ombro dele, mas ainda com um biquinho. — Porque na próxima vez, eu não vou dar um tapa na sua cara, eu vou dar um tapa na garrafa de vinho!
Heitor bateu palmas, levantando-se.
— Bom, agora que a Terceira Guerra Mundial foi evitada por um abraço, eu vou dormir. Jasmine, vamos? Antes que a Elena lembre que eu também ri da cena e resolva me banir da cozinha.
— Boa noite, pombinhos! — Jasmine riu, subindo as escadas com o marido.
Sozinhos na sala iluminada apenas pelas brasas da lareira, Maurício levantou o queixo de Elena.
— Você sabe que eu sou completamente seu, não sabe?
— Sei — ela admitiu, com um sorriso travesso voltando aos lábios. — Mas um susto de vez em quando é bom para você não esquecer que eu não sou de porcelana. Se quebrar, eu corto.
Maurício riu, puxando-a para um beijo que selou a paz de vez. O ciúme de Elena era apenas mais uma prova de que, naquela fazenda, o amor era vivo, intenso e, acima de tudo, real.
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