O sol começava a se pôr, pintando o horizonte da Fazenda Nóbrega com tons de violeta e ouro. A grande mesa de madeira sob as macieiras estava repleta de restos de bolo, canecas de café e o som mais precioso que aquele lugar já abrigara: o riso sincero de uma família em paz.


​Maurício estava sentado com um braço ao redor dos ombros de Elena, que descansava a cabeça em seu peito, observando as chamas da fogueira que começava a ser acesa. Heitor e Jasmine trocavam olhares cúmplices enquanto ajudavam Açucena a organizar as flores. José, o patriarca, fumava seu cachimbo com um sorriso de satisfação profunda.

​Átila, agora um jovem de 17 anos com os ombros largos e o olhar atento, observava a cena em silêncio. Ele via o modo como o tio Maurício — antes um homem de gelo — buscava a mão de Elena a cada cinco minutos, e como seu pai, Heitor, ainda parecia um rapaz apaixonado ao lado de Jasmine.

​— Sabe... — Átila começou, atraindo a atenção de todos. — Eu passei muito tempo vendo as sombras desta fazenda. Vi a dor, vi as partidas e vi o silêncio.

​Maurício olhou para o sobrinho, curioso. — E o que você vê agora, rapaz?

​— Eu vejo algo que os livros de cavalaria não conseguem explicar — Átila sorriu, com uma maturidade nova na voz. — Olhando para vocês agora... para o vovô e a vovó, para o meu pai e a minha mãe, e especialmente para você e a Elena... eu só consigo pensar em uma coisa: eu quero viver um amor tão lindo e tão real quanto o de vocês.

​O silêncio que se seguiu foi carregado de emoção, mas durou pouco.

​A Brincadeira em Família

​— Ora, vejam só! — Heitor exclamou, soltando uma gargalhada e jogando um guardanapo no filho. — O nosso pequeno guerreiro virou um poeta! Já está escolhendo qual moça da vila vai ter que aguentar os seus versos?

​— Cuidado, Átila! — Elena brincou, ajeitando o bracelete no pulso. — Se você seguir o exemplo do seu tio Maurício, vai levar uns cinco anos para admitir que está apaixonado e ainda vai levar um tapa no meio do processo!

​— Ei! — Maurício protestou, rindo junto com os outros. — Eu estava apenas sendo... cauteloso. Mas o rapaz tem razão. Só espero que ele não precise construir um chalé inteiro sozinho para provar o que sente.

​— Eu ajudo na construção, Átila! — José interveio, piscando para o neto. — Mas só se a moça souber fazer um café tão bom quanto o da sua avó.

​Jasmine abraçou o filho de lado, beijando sua têmpora.

— Você vai encontrar, meu amor. O amor dos Martinez e dos Nóbrega não é fácil, ele é impetuoso e teimoso, mas quando ele finca raízes, nem a maior tempestade do mundo consegue arrancar.

​O Brinde Final

​Maurício levantou-se, ainda segurando a mão de Elena, e ergueu sua caneca para o sobrinho e para todos à mesa.

​— Ao Átila — disse Maurício, a voz firme e cheia de orgulho. — Que ele tenha a coragem de amar sem medo, a sabedoria de pedir perdão quando errar e a sorte de encontrar uma mulher que seja o seu norte, assim como eu encontrei a minha.

​— À família! — todos gritaram em uníssono.

​A noite caiu sobre a fazenda, mas não havia mais escuridão. Entre as macieiras, o vento soprava suave, levando embora os fantasmas do passado e deixando para trás apenas a promessa de que, naquela terra, o amor finalmente encontrara o seu lar definitivo.

​FIM

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