O Quinteto Fantástico
45 Capítulo 45 – Filmes e Gente Xereta
Notas iniciais
Jessi
– Jéssica cuidado! Voldemort está atrás da gente! – Berrava Hermione correndo e atirando feitiços.
– Eu sei! Estupefaça!
– Jéssica que musiquinha é essa? – Perguntou Rony enquanto tudo ficava distorcido.
Acordei com o barulho do celular tocando, ergui o braço e peguei o aparelho para atender quem quer que fosse.
– Alô? — falei com voz de sono.
– Alô Jessi? Tava dormindo? — Ouvi a voz do Lico do outro lado da linha.
– Não, Magina. — Eu disse ironicamente – Você acabou de me acordar de um sonho divo sobre Harry Potter, é bom que seja importante.
– Então, eu queria saber se você não quer almoçar aqui.. Sabe, depois a gente podia ver um filme, sei lá.
– Pode ser, daqui a pouco estou indo ai, vamos ver filme de terror!
– Terror? — Perguntou temeroso.
– Sim... Tem medo? — Sorri travessa.
– N-não... Não acha melhor uma comédia?
– Não, vamos assistir... A Entidade! Vou passar na locadora, beijo!
– Ok, beijos! — Ele cedeu
Desliguei celular e levantei da cama, já eram 10h30 me arrumei, e sai do meu quarto saltitante.
– Você quer brincar na neve? Um boneco quer fazer? Você podia me ouvir e a porta abrir, eu quero só te ver, nós éramos amigas de coração, mas isso acabou também, você quer brincar na neve? Não tem que ser com um boneco... — Cantarolei ao chegar na porta da cozinha.
– Vai embora Jéssica! — Thiago falou fazendo uma voz fina e virando o rosto.
–Tudo bem... — Fingi que estava saindo da cozinha e nós começamos a rir.
– Nossa, que linda apresentação. — Disse Seline com sarcasmo enquanto comia café da manhã.
– Eu sei querida! — Falei no mesmo tom.
– Você não viu o verdadeiro show! — Sarah se levantou, pegou uma colher na gaveta e fingiu que ela era um microfone. — Lerigouuuuuuuuu! Leriugouuuuuu!
Tampamos o ouvido com os berros dela e começamos a rir.
– Vocês ainda não estão preparados para uma coisa tão fabulosa! — Explicou-se Sarah voltando a se sentar.
– Hum, eu vou sair para almoçar hoje ok? — Comentei.
– Vai para onde? — Seline perguntou com uma cara maliciosa.
– Isso minha querida e doce amiga, não vem a ser da sua conta.
Ela sorriu cinicamente e tentou pisar com força no meu pé em baixo da mesa.
– AU! — Berrou Sarah
– Ops! Sinto muito! — Seline falou embora sua cara de riso dissesse exatamente o contrario.
– Tchau gente. — Falei pegando a chave para sair de casa.
– Tu não ia sair só no almoço?
Não respondi e fui em direção a porta.
Resolvi ir a pé mesmo, assim passava na locadora que ficava ali perto e já alugava o filme.
– Olá em que posso ajudar? — O atendente perguntou quando eu cheguei.
– Hm, eu queria saber onde ficam os filmes de terror...
– Terror? Você parece ser uma moça tão delicada, não vejo por que gostaria de filmes de terror, mas é por aqui. — Disse ele de uma maneira galanteadora.
Resolvi ignorar o fato dele ter me chamado de "delicada" pois não foi com intenção de xingar nem nada.
– Aqui estão...
– Obrigada.
– Eu é que agradeço, se quiser algo em especifico é só chamar. — Respondeu com o mesmo tom de voz e deu uma piscadela.
É impressão minha ou esse cara está tentando me cantar ou algo do tipo? Soltei um riso nasalado de deboche e me coloquei a olhar os filmes.
– Achei! — Exclamei baixinho ao achar o filme que procurava. — A Entidade! Vai ser legal ver o Lico levando susto.
Ok, confesso que só quis assistir filme de terror por causa disso, por que mais eu escolheria um filme que já assisti varias vezes?
Peguei mais uns dois filmes, de comédia dessa vez, fui até o caixa e quem me atendeu novamente para meus desgosto foi o atendente galinha.
– Resolveu pegar filmes de comédia também?
Apenas balancei a cabeça afirmativamente e paguei enquanto ele colocava os filmes em uma sacola.
– O que é isso? — Perguntei quando abri a sacola e tinha um papelzinho com um nome e numero de telefone... Okay, foi uma pergunta muito idiota.
– O que você acha? — perguntou de volta com um sorrizinho no rosto apoiando no balcão.
– Escuta aqui... Bernardo.. — Falei lendo o nome que estava no papel em tom de deboche. — Você não faz meu tipo.
– Não se preocupe, gosto de moças difíceis. — Respondeu com um sorriso de canto.
– Mas e moças difíceis comprometidas, você gosta? — Continuei falando com deboche e coloquei o papel no balcão.
– Não vejo nenhum anel e nem nada, moça. — Ele pareceu se divertir enquanto eu engolia em seco.
– Ok, eu quis dizer... moças difíceis... Enroladas...
– Bem, quando desenrolar pode me ligar. — Dizendo isso colocou o papel na sacola de novo.
Revirei os olhos, peguei a sacola e fui embora pisando firme com o rosto vermelho de raiva.
Quem aquele... Carinha pensava que era?
Bufei e fui para a casa do Lico. Demorei alguns minutos e quando cheguei vi que já era quase hora do almoço.
– Oi Jé! – cumprimentou ele quando abriu a porta
– Oi...
– Você tá bem?
– Que? Ah, to sim. – Percebi que não tinha entrado ainda.
– Trouxe o filme? – Perguntou olhando a sacola na minha mão.
– Sim, o de terror. – Respondi sorrindo com a cara que ele fez.
– Ah Okay, entra ai, o almoço está quase pronto.
Entrei e deixei a sacola com os filmes no sofá e segui ele até a cozinha, ficamos em silencio e eu fiquei vendo ele acabar de cozinhar.
Arrumamos a mesa e começamos a comer enquanto conversávamos sobre micos que já havíamos pagado no teatro.
– Sério que tudo isso já aconteceu? – Perguntei enquanto ria
– Sim, tirando as vezes que eu já escorreguei no palco também, mas com o tempo pagar mico virou rotina na nossa vida.
– Pois é, tem que ter coragem para trabalhar com improviso.
– Vocês desde o começo fizeram o espetáculo Tudo Exclusivo? – Perguntou ele
– Não, antes fazíamos peças com roteiro mesmo, quando tivemos uma oportunidade fizemos o primeiro espetáculo de improviso e amamos, agora estamos ai... Vamos assistir o filme?
– Nossa, que mudança repentina de assunto! – Exclamou enquanto levantamos e colocávamos os pratos na pia.
– Mas é claro! Quaro ver você levando susto!
– Elidio Augusto Sanna não leva susto!
– Duvido!
Fomos para a sala e me joguei no sofá.
– Se você quiser a gente assiste um de comédia antes.
– Você alugou de comédia também? – Ele pegou a sacola para ver os filmes. – Legal, o Andy já me falou desse aqui, vamos assistir ele prime... o que é isso?
Olhei e vi que era o papel do tal Bernardo.
– Ah, o atendente idiota que colocou ai.
– Hm, você vai ligar para ele? – Lico parecia um pouco apreensivo encarando o papelzinho.
Olhei para ele incrédula e respondi:
– Mas é claro que não!
– Ah... – Ele suspirou aliviado.
Pegamos o filme de comédia que ele falou e começamos a assistir, gostei bastante do filme, mas para ser sincera mais engraçado mesmo era ver o Lico rindo que nem uma hiena de coisas que eu sinceramente não sabia se era a parte cômica do filme ou não.
– Puts! Bem que o Andy falou! Esse filme é o máximo! – Comentou quando os créditos começaram a subir.
– Bem legal mesmo, mas agora eu quero assistir o de terror!
Elidio engoliu em seco mas colocou o filme mesmo assim, no começo foi tudo normal, mas quando o terror começou a aparecer eu resolvi me divertir, e como já sabia o filme até de trás para frente comecei a dar sustos nele.
– AHH! – Berrou quando o “monstro”. do filme apareceu do nada na tela e eu coloquei a mão no ombro dele ao mesmo tempo e comecei a rir. – Afe! Assim não vale! Você já assistiu esse filme, eu não!
Continuei rindo dele que fez um bico emburrado.
– Onwt, tadinho do Liquinho, levou sustinho foi? – Zombei com a cara dele.
– Ah é assim? Então você vai ver só!
– O que você vai fazer?
– Prepare-se para cocegas!
– HAHAHA PARA LICO! HAHAHAHAHA
– Jessi... eu nem comecei...
– Ata
Começamos a rir e ele me abraçou me dando um selinho.
– É lindo sabia? – Comentei encarando-o
– O que?
– O jeito de você sorri com os olhos.
– Jé... eu...
– Você? – Vamos Elidio... são só três palavrinhas...
– Eu gosto muito de você sabia?
Sorri forçadamente
– Também gosto de você, acho que já está na hora de eu ir para casa. – Ok, essa desculpa foi um pouco esfarrapada...
– O que? Mas...
– Tenho algumas coisas do trabalho para fazer sabe? É melhor eu ir.
– Então deixa eu pelo menos te levar em casa.
– Okay.
Tudo bem, acho que fui um pouco exagerada falando que tinha que ir embora do nada, mas também né, “Gosto muito de você sabia?” ninguém merece.
Entramos no carro dele e percorremos o caminho todo no completo silencio, que só foi quebrado quando já estávamos na frente da minha casa.
–Está entregue!
– Obrigada!
Descemos do carro, fiquei com preguiça de procurar a chave no fundo da bolsa então toquei a campainha, Thiago abriu a porta e arqueou a sobrancelha enquanto eu dizia:
– Até mais Elidio.
Subi as escadas, mas percebi que a porta continuava aberta e Lico continuava lá parado conversando com Thiago, e como sou uma moça muito xereta curiosa resolvi escutar um pouquinho da conversa deles.
– Então de repente ela levantou e disse que tinha que ir embora e eu não entendi nada. – Dizia Elidio.
– Também né, olha o que você vai falar, a Jessi pode até ser um pouco paciente, mas não tanto assim, não acha que está na hora de, sei lá, você pedi-la em namoro? – Thiago perguntou, finalmente alguém para botar juízo na cabeça do Sanna... digo...
–Sim, eu já pensei nisso, mas não sei como...
– Simples cara, você chega nela e fala, quer namorar comigo? – Explicou Thiago em tom de deboche
– Desculpa cara, você não faz meu tipo...
– Ah cala a boca.
Eles começaram a rir.
– Valeu ai Thiago, me desculpa te desiludir.
– Tudo bem cara, eu posso viver com isso. –Brincou Thiago colocando a mão no coração.
Revirei os olhos enquanto Lico ia embora, se ele não tomar uma atitude logo podem apostar que eu tomo!
– Jessi! Vem cá! – Ouvi um grito lá de baixo.
– Me chamou Thiago? – Desci me fazendo de desinformada.
– Não se faça de tola! Sei que tu estava xeretando!
– O que? Eu? Como pode me acusar disso? – Fingi estar ofendida.
– Não sou idiota!
– Mas parece!
– Cala a boca!
– Tudo bem, talvez eu tenha escutado uma coisinha ou outra, mas isso não importa. – Comentei me jogando no sofá.
– Era bem mais fácil você chegar nele e falar, “Hello! acorda para a vida! Estou esperando as alianças a décadas!”. – Seline entrou na sala vindo da cozinha com um pacote de bolachas na mão.
– Estou cercado de fofoqueiras intrometidas. – Murmurou Thiago antes de Seline tacar uma almofada na cara dele.
– Não se pode nem mais conversar sem ter um curioso escutando nessa casa? – Perguntei
– Olha quem fala.
– Eu só escuto conversas que me dizem respeito!
– Sei.
Ficamos em silencio assistindo televisão, por fora eu poderia estar parecendo (Ou tentando parecer) indiferente, mas por dentro estava dando pulinhos de alegria, então o Lico planejava me pedir em namoro? É melhor eu deixar ele ter o tempo dele para isso, acho que posso ser um pouco mais paciente.
– O que será que a Jaque está fazendo agora? – Perguntei puxando assunto.
– Oras, o que você faria se estivesse em um outro país, em um hotel, sozinha com seu namorado? – Seline falou com malicia.
Dei risada com Thiago.
– Vamos pedir uma Pizza? – Sarah apareceu descendo as escadas feito um zumbie com o cabelo todo bagunçado e uma cara de sono.
– Nossa, que cara é essa? Quem morreu?
– Eu tava lendo um livro e acabei pegando no sono.
– Ata, vou ligar para a Pizzaria. – Seline pegou o celular e começou a discar
– Hey, a Pizza estava triste sabe o que eu disse para ela? – Thiago perguntou
– Não sei e nem quero saber. – Respondi
– Pizzaria.
– HAHA Engraçadão você hein? – Falei com ironia
– Grossa!
Algum tempo depois (Ou algumas décadas de acordo com Sarah)a campainha tocou e fomos jantar uma saldável (sqn) Pizza de frango com catupiry.
– Só que a Coruja voou e eu não consegui tirar foto dela a tempo. – Sarah finalizava sua história entediante que ninguém estava prestando atenção.
– Nossa que interessante...
– Eu sei!
– Vou dormir gente. – Falei levantando da cadeira
– Já?
– Sim, quero retomar um sonho sobre Harry Potter que eu estava tendo noite passada.
Os três reviraram os olhos em conjunto, não se pode nem sonhar em paz nessa casa. Subi saltitante pensando no Eli... digo, pensando em como o sol é quente... digo... deixa para lá.
Não consegui sonhar com Harry Potter.
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