O Que é o Amor?

1 Capítulo 1


O Que é o Amor?

Capitulo Um

Eu nunca me importei com o dinheiro. Eu sempre tive tudo o que eu queria graças ao meu pai que é dono de uma das maiores fábricas do mundo.

Tinha um quarto enorme com um closet maior ainda. Eu tenho todas as roupas da última moda, todos os brincos, pulseiras, colares, gargantilhas, todos os acessórios que você puder imaginar e mais um pouco. Tudo.

Eu era uma verdadeira filhinha do papai, mimada e egoísta.

O dinheiro pode comprar tudo, desde as roupas até os amigos.

Há duas semanas que eu voltei de Veneza e tenho sentido muito sono e dor nos ossos, agora eu comecei a vomitar muito, principalmente pela manhã e o meu pai achou melhor me levar ao médico.


Saí de lá ainda sem acreditar, o meu pai contratou três seguranças para ficarem me seguindo aonde quer que eu vá para o caso de eu passar mal ou alguma coisa assim.

Eu estava indo a uma festa de inauguração, escolhi um vestido vermelho que tinha um corte começando na coxa e ia até o fim, o vestido era comprido e eu coloquei um cinto combinando com um salto alto. Queria me divertir um pouco já que desde a visita ao médico que eu estou proibida de sair, e isso já faz uma semana!

Tinha muita gente ali e eu estava tentando me divertir, coisa que era impossível de se fazer com três seguranças na sua cola.

- Será que vocês poderiam ficar lá fora? – perguntei a um deles

- Nós temos ordem para não deixar a senhorita sozinha.

- Argh que saco! Não é como se eu fosse desmaiar a qualquer momento!

Eles não saíram e eu vi que teria de fazer alguma coisa para me livrar deles.

- Eu vou ao banheiro.

E como eu previ, eles me seguiram até a porta do banheiro. Esperei alguns minutos e me preparei para correr, passei pelos seguranças correndo com os saltos na mão e quando eles perceberam começaram a me seguir no meio da multidão, saí por uma porta dos fundos e continuei correndo, parei em frente ao portão principal e coloquei o salto de volta saindo para a rua como quem não quer nada.

A noite estava linda e não estava frio, ainda bem porque o meu casaco ficou lá na festa com os seguranças... Junto com a minha bolsa. Droga!

- Que merda!

- Você está bem? – perguntou um garoto um pouco mais alto do que eu (que estava de salto 15 cm) muito lindo! Ele tinha os cabelos escuros e olhos da mesma cor, a pele de aparência macia, traços do rosto delicados e músculos bem definido, nada muito exagerado só eram bem definidos.

- Sim é só que eu esqueci a minha bolsa lá dentro. – falei indicando a mansão em que eu estava minutos antes

- E por que não volta para pegar a bolsa? – ele perguntou cínico

- Porque eu estou fugindo. – falei em um tom seco

- Fugindo?

- É. O meu pai cismou que eu tenho que andar com três seguranças me seguindo para todo canto.

Ele segurou uma risada

- E você vai pra onde agora?

- Sei lá... Me empresta o seu celular?

- Claro, vai ligar para o seu pai?

- Não, pro meu motorista.

- Ui motorista! – ele falou de um jeito engraçado e eu tive que rir – Aqui está – ele me entregou o aparelho.

- Obrigada. – peguei o aparelho e comecei a discar o número do Nicolau, o meu motorista que atendeu no quarto toque – Nicolau!

- Sim?

- Nicolau aqui é a Lua.

- Ah senhorita!

- Preciso que venha me buscar. Agora!

- Onde a senhorita está?

- Onde mais eu estaria?! Naquele maldito baile! Agora venha logo. – e desliguei antes de ouvir uma resposta

- Nossa, que jeito de tratar ele.

- Ele é só um motorista.

- Mas ainda sim é um cidadão e merece um pouco mais de respeito!

- Olha muito obrigada por me emprestar o celular e deixa que dos meus empregados cuide eu.

Era só o que me faltava! Espero que o Nicolau chegue logo...

- Qual o seu nome? – resolvi perguntar

- Bruno, o seu é Lua né?

- Sim, muito obrigada Bruno.

- Não a de que!

- Depois eu vou pedir para alguém vir lhe procurar.

- Pra quê?

- Pra lhe pagar oras!

- Pelo quê você vai me pagar?!

- Por você ter me emprestado o seu celular! – falei como se fosse obvio

- Não precisa. – ele parecia bravo

Nessa hora um carro preto já conhecido parou em nossa frente e de lá saiu um homem alto de terno preto vindo abrir a porta do passageiro

- Senhorita. – ele fez uma pequena reverencia e me esperou entrar no carro

- Vou indo Bruno, amanhã alguém irá lhe procurar.

Ele ia falar alguma coisa, mas eu entrei no carro antes. Era melhor eu ir logo pra casa, já estava com ânsia.

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- Pai!

- Filha? Você não deveria estar na festa?

- Pai eu exijo que o senhor demita todos aqueles seguranças idiotas!

- Mas filha é para o seu próprio bem! Eu não vou dispensá-los.

- Mas pai...

- Não é não.

- Então demita pelo menos dois, só um segurança já está bom.

Ele pareceu pensar um pouco

- Vou pensar no seu caso.

Isso é a mesma coisa que um “não”, ou seja, ele não vai mudar de ideia e não adianta eu insistir no assunto.

Saí do escritório e subi para o meu quarto para tomar um banho e ir dormir, não comi nada, pois não estava com fome, escovei os dentes e fui me deitar.

No dia seguinte acordei e fui correndo para o banheiro vomitar, isso vem acontecendo com bastante frequência, o meu pai já havia saído e eu estava sozinha em casa. Resolvi sair um pouco, mas como estava proibida de sair então só fui andar pelo jardim.

Parei em frente a uma árvore que ficava num canto mais afastado da casa e fiquei a observando. Ela já estava grande e velha, havia um balanço empoeirado e o meu pai sempre quis cortá-la, mas eu nunca permiti.

Estava ficando já meio depressiva e resolvi sair mesmo estando proibida, andei pela cidade sem planos em mente, apenas me distrair um pouco.

E olha só quem eu encontrei!

- Você me parece bem triste.

- Olha a riquinha do outro dia. –falou ele

- Ei, eu tenho nome!

- Eu também.

- Que bom que te encontrei – mexi na minha bolsa – Aqui está. – falei lhe entregando uma nota de cem reais

- Pra quê isso?

- Por ter me emprestado o celular no outro dia

- Não precisa – ele falou com uma leve irritação na voz – Que mania de vocês ricos pensarem que tudo pode ser resolvido com dinheiro! Eu não preciso que você me pague só porque eu lhe ajudei!

Ele começou a andar me deixando ali

- Espera! – ele se virou – Por que está indo embora?

- Porque eu não quero ficar perto de pessoas egoístas, que só pensam em dinheiro.

- E quem disse que eu só penso em dinheiro?

Agora ele estava na minha frente

- Os seus atos. Querer me pagar só por causa disso comprova que para você o dinheiro resolve tudo. Pessoas assim não têm sentimentos, morrem sozinhas. Quando você morre você não leva nada que tem aqui no mundo só os sentimentos e se você não os tem acaba sozinha com um vazio no coração.

Aquilo machucou, machucou muito. Eu nunca parei para pensar nisso e escutar isso de uma pessoa desconhecida machuca. Eu não quero morrer sozinha.

- Eu não quero morrer sozinha... – falei quase que inaudível

- Então mude, pare com esse pensamento infantil e egoísta e pense mais nas pessoas ao seu redor.

- Como...?

- Que tal começar pela maneira que trata os seus empregados? O motorista por exemplo.

Lá no fundo eu tinha medo. Medo de perder as pessoas se eu começar a gostar delas. Todas as pessoas que eu amei me deixaram, só restou o meu pai agora.

Eu sei que pareço ser uma menina mimada, talvez eu seja mesmo.

Mas o amor só me trouxe sofrimento, eu nunca tive uma amizade verdadeira, não sei o que é isso e não sei se quero aprender. No fundo eu só tenho medo. Medo de me machucar.

- Eu não preciso de sentimentos, até hoje eles só me trouxeram dor.

- Sim, aposto até que você nem sabe o que é o amor.

- O amor é um sentimento inútil que só te traz dor e lhe faz sofrer. Para que serve um sentimento que só nos faz sofrer?!

- E você acha que o dinheiro te faz feliz por um acaso?!

- Com o dinheiro a gente consegue tudo.

- O dinheiro transforma você em uma pessoa egoísta, sozinha, por isso que todos os ricos morrem vazios.

- Se eu me sentir sozinha posso ir a uma balada, simples.

- Não há nada mais solitário do que se sentir sozinha em uma multidão.