O Que Você Acha, De Verdade?
2 As folhas caem...
Notas iniciais
Mello não havia e dado conta ate olhar nos olhos negros daquele garoto, e talvez se não tivesse olhado não tivesse percebido, mas ele havia pedido o olhar agora teria que enfrentar as consequências, o olhar dele era tão enervante, principalmente para ele, que era muito bom observado as feições da pessoa e vendo como elas sentiam-se, ele nunca havia conseguido fazer tal coisa com Near.
Naquele momento decidiu que iria exprimir o sentimento estranho pelo garoto a qualquer custo afinal além de rivais, eles eram garotos, não parecia ser certo. Ele iria ignorar Near.
Ele levantou da cadeira com pesar e dirigiu um ultimo olhar ao albino que ainda o encarava.
- Sayonara, Near – foram as únicas palavra que teve coragem de pronunciar.
E foi embora, de volta para seu quarto.
Near não conseguiu entender, era raro ele não entender algo, mas a atitude de Mello poderia ser classificada em modo bipolar. Ele havia entrado gritando e chutando e depois sem xingar nem bater em Near e foi embora... O que Mello fez a seguir o deixou mais perplexo ainda, ele começou a ignora-lo sem discernimento não falava, xingava ou batia nele não reclamava e nem ao menos se dignava a olha-lo, primeiro passaram dias, depois semanas, meses. Haviam passado exatamente três meses quando Near explodi-o. Ele estava em seu quarto de brinquedos olhando pela mesma janela de três meses antes só que agora haviam folhas cobrindo o chão, folhas de todos os formatos e jeitos, a única coisa em comum entre elas era sua cor amarelada, nas arvores restavam apenas poucas folhas, e claro que sendo em Londres no chão ainda restava neve, mas o predominante eram as folhas do outono pelo chão.
Foi quando ele o viu passar na frente da arvore que ele observava e sentar de diante dela. Near olhou o rosto dele que estava baixo as feições eram as mesmas de sempre apenas mais suavizadas pois não havia raiva e sim paz, os olhos azuis fitavam o chão foi só então que Near reparou o que ele usava um casaco negro de lã por cima de um suéter gola alta cinzento, a calça era de um preto desbotado e ele usava botas de neve, as mãos nuas pegaram um punhado de neve, fazendo uma pequena bola. Ele olhou para frente como se soubesse exatamente onde Near estaria, aquele havia sido seu primeiro havia meses, e não durou muito pois tão rápido quanto chegou Mello foi embora quase como uma afronta.
Near sentiu seu coração se quebrar em vários pedaços, não acreditava que estava sendo totalmente ignorado por Mello que nem suportou olhar para ele, sem duvida aquele gesto de ir embora o havia magoado muito. Ele sabia que não deveria se magoar com algo que seu rival havia feito, mas... Ele se sentia estranho sem Mello gritando com ele ou resmungando, sentia falta de sua ira que destruía seus quebra-cabeças, ou seus muros de dados e castelos de cartas, queria que o loiro voltasse a fazer isso, pensar coisas assim poderia fazer você pensar que Near era um masoquista querendo alguém para gritar com ele ou quebrasse suas coisas mais a verdade pura e simples era pior que ser um masoquista, ele podia esta gostando de Mello... Espantou estes pensamentos com uma ideia louca, saiu do quarto a passos rápidos, pois queria encontra-lo pelo outro lado do corredor perguntar o porquê daquilo.
Àquela hora do dia não havia ninguém nos dormitórios por isso os corredores vazios, exceto pela pilha de livros ambulante que andava devagar parando a cada passo para se certificar que os livros não caíssem Near não se importou com aquilo deveria ser um novo órfão. Ele continuou a caminhar rapidamente, quando chegou perto da pilha percebeu que uma garota a carregava ela parou de repente para ajeitar um livro bem em cima da pilha que se estendia por cima de sua cabeça. Near passou por ela bem nessa hora, um livro de umas 1000 paginas tombou exatamente em cima de sua cabeça e depois disso perdeu a consciência. Quando abriu os olhos deu de cara com olhos âmbar o fitando com preocupação, quando percebeu que ele havia acordado a menina abriu um sorriso e se afastou para que ele pudesse se sentar. A menina tinha cabelos castanhos cacheados que caiam ate um pouco depois dos ombros, o rosto ela oval e infantil com olhos puxados cor de âmbar que o fizeram achar que ela talvez tivesse vindo, ou pelo menos tivesse ancestrais na Coreia, mas agora imagine a confusão dele ao ver que o sotaque dela era francês puro.
- Achei que tivesse matado você, Near – ela pronunciou como se já o conhecesse há anos. — Caso se pergunte que livro o atingiu, veja a ironia e um livro de neurologia.
Dito isso o sorriso dela se alargou como se achasse aquilo realmente engraçado, e mostrou a capa do livro onde se podia ler “Neurologia, a área que revolucionou todas as outras”.
Ele coçou a cabeça onde o livro havia batido, sem deixar de constatar que a menina tinha razão, sem duvida era uma ironia um livro de neurologia atingir alguém na cabeça, pensou e então olhou o sorriso dela, mas com certeza não e engraçado. Então fez as duas perguntas que rondavam seu cérebro desde que tinha acordado.
- Quem e você? Como sabe que sou? – Perguntou com a voz tremula e a cabeça latejando.
A menina sorriu lascivamente e respondeu.
- Mary Miller Dejardins Antoniet – o sotaque havia piorado para dizer seu nome — mas pode me chamar de Mary, e eu sei muitas coisas sobre você meu caro Nate.
Fale com o autor