O Que Se Passou Durante os Dezenove Anos
4 Distrações
Notas iniciais
Era incrível o que uma noite bem dormida podia fazer com uma pessoa… Eu me sentia uma nova Hermione Granger. E olha que ainda era cedo, Ginna ainda estava dormindo quando abri meus olhos. Me levantei e fui escovar meus dentes no banheiro antes de descer para pegar um pouco de água, no espelho do banheiro eu já notava as claras diferenças em meu rosto: as olheiras começavam a clarear, meu semblante cansado já diminuíra bastante. Uma Hermione confiante e totalmente segura do que estava para fazer me encarava no espelho com os olhos até brilhando de expectativa.
Desci as escadas tentando fazer o mínimo de barulho o possível e me dirigi à cozinha, estava sedenta por um bom copo com água. Quando terminei meu terceiro copo, quase morri de susto quando olhei pela janela e lá estava o reflexo de alguém me olhando. Mais que depressa saquei a varinha do bolso de meu roupão e a apontei para a figura parada atrás de mim.
– Por favor, não atire! Estou desarmado! — Um Ronny sorridente me disse isso já com suas mãos levantadas como quem se rende de uma briga.
– Sério Ron?! Você não devia ficar se esgueirando pelos cantos, eu podia ter te machucado feio com isso, seu babaca! — Definitivamente certas coisas nunca mudariam… Mas eu o adorava do mesmo jeito.
Sem nunca perder o contato visual, ele se aproximou de mim e retirou a varinha de minhas mãos e a recolocou em um de meus bolsos.
– Não queremos que ninguém se machuque aqui, não é mesmo? — Ele estava perto demais, meu coração começou a bater descompassadamente. Eu precisava me afastar, senão todo meu plano iria por água abaixo com toda certeza. Então eu recuei, e ele como um bom leão ruivo foi atrás de sua pressa, até que me encurralou entre ele e o balcão da cozinha. Seguindo meu olhar, ele apoiou ambas as mãos no balcão, uma em cada lado do meu corpo, acabando assim com meu plano de fuga. Era muita proximidade… Deuses, eu estava ficando sem ar!
– Hoje você não escapa de mim, Granger. Minha canela ainda dói por ontem. — Esse último comentário dele me fez rir, tinha esquecido que durante nosso beijo ontem, dei-lhe um belo chute na canela, era isso ou paralizá-lo. Eu tinha que fazer algo antes que aquilo fosse longe demais, e eu tenho certeza que uns segundos a mais e eu é que não iria querer parar.
Não pude deixar escapar um gemido quando aquele palerma chegou seu rosto para mais perto e arrastou os lábios por toda a extensão do meu pescoço, desde os ombros até a orelha, e aquela barba por fazer me dava ainda mais arrepios. Admito que a essa altura minhas pernas já estavam bambeando… Parei de senti-las por completo quando sinto uma de suas mãos me apertando contra seu corpo, ele agora mordia meu maxilar, chegando a uma perigosa proximidade de minha boca — que por acaso já estava seca novamente, mas dessa vez não era por água que eu ansiava, era por ele.
Apertei ainda mais minhas mãos no balcão atrás de mim, eu precisava me apoiar em algo antes que caísse totalmente nas garras de meu predador, que a essa hora trabalhava no outro lado de meu pescoço, meus olhos já não conseguiam se manter abertos. Com eles fechados as sensações eram ainda mais fortes, minha pele toda pinicava onde as mãos dele não estavam, a impressão que dava era que todo meu corpo pedia por ele, ou melhor, implorava por ele, e eu estava começando a achar que meu corpo estava certo, era tentador de mais. Já estava levando minhas mãos em direção ao rosto do lindo ruivo, eu o queria mais próximo de mim o possível, eu o queria para mim, todo e completamente, quando alguém chega na cozinha.
– Acho melhor vocês arrumarem um quarto… — Dessa vez quase desfaleço de susto, tamanha era minha concentração no que estava fazendo, na verdade, falta de concentração seria o mais certo nesse caso. — Não tenho certeza, mas acho que Molly não iria gostar de pegar os dois nesse amasso todo na cozinha dela — Tenho que me lembrar de agradecer ao Harry, se não fosse por ele eu ainda estaria agarrada ao Ronny, e talvez dar-lhe um tapa, ele podia ter esperado só mais um pouquinho para aparecer.
Passei quase que correndo por Harry em direção ao quarto de Ginna, mas ainda na escada pude ouvir os dois um pouco.
– É amigão, acho melhor você ir tomar um banho frio antes do café da manhã, pra resfriar o sangue um pouco — Harry disse num tom de brincadeira -. Quem diria, hein? Você e Mione, até que enfim!
– Deixe disso Harry! Mas bem que você podia não ter interrompido — pude ouvir um soco e um gemido de dor fraco vindo de Harry -. Acho melhor mesmo eu ir tomar um banho, aquela garota me enlouquece!
Terminei de subir a escada de dois em dois degraus e entrei às pressas no quarto, meu rosto queimava de tão vermelho, por sorte Ginna ainda estava dormindo, seria complicado explicar pra ela o porquê de todo esse alvoroço…
Deitei novamente na cama para tentar normalizar minha ofegante respiração. Ainda podia senti-lo em meu corpo quando fechava os olhos, o que não tornava mais fácil meu trabalho de me acalmar. Decidi então voltar com meus passarinhos, conjurei-os de volta mas dessa vez eram canários vermelhos, um vermelho muito parecido com o tão chamativo cabelo dos Weasley, por que será que ficaram assim? Revirei meus olhos mas continuei olhando para eles, e até deu certo. Quando comecei a ouvir vozes vindas do corredor, já estava no meu normal. Embora eu tenha ficado aliviada, uma parte de mim estava frustrada, ela queria mais, bem mais. Mas eu não podia me dar ao luxo de tal coisa, querendo ou não nós nem tínhamos nada — ainda.
A batida apressada na porta me tirou de meus devaneios, era Molly.
– Acordem meninas, ou vocês vão ficar sem o café da manhã!
– Tá bom mãe, nós já iremos descer… — Acordar Ginna nunca era uma boa pedida, ela sempre acordava de mau humor quando não dormia o quanto queria.
Aos poucos, nós levantamos e nos aprontamos para descer. No meio do caminho, Harry vem ao nosso encontro e puxa Ginna de volta lá pra cima com ele com o pretexto de que tinham coisas muito sérias para discutir. Tá bom, eu podia apostar que eram questões tão sérias quanto as que eu e Ronny discutimos mais cedo — eu devia esperar um pouco e ir lá pra atrapalhá-los um bocado, pra ele aprender que isso não se faz!
Assim que cheguei à mesa do café, me sentei no banco mais longe de Ronny o possível, e pelo olhar questionador que me mandou, tenho certeza que ele notou minha atitude. Bom, eu tinha que comer algo pra ter forças para falar com ele mais tarde e isso seria muito difícil com ele sentado do meu lado. Por sorte, George chegou e sentou no banco vago ao lado dele. Apenas uns quinze minutos depois Ginna entra na sala e se senta do meu lado, pelo rubor em sua face já imagino quais "coisas sérias" eles discutiram, é eu estava certa. Harry demorou um pouco, mas também veio comer conosco.
Quando todos terminaram e saíram da mesa, eu e Ginna ficamos para ajudar Molly com a bagunça. Depois de tudo limpo, eu saí para dar uma caminhada e ensaiar mais uma vez o que pretendia dizer para Ronny, mas uma coisa era falar pro nada, outra muito diferente era falar olhando no fundo daqueles olhos castanhos que pareciam não ter fim, ou tentando não olhar para aqueles tentadores lábios, ou mesmo me obrigando a não relembrar do acontecido hoje de manhã…
– Hermione! — Mais uma vez me tiraram dos meus devaneios, mas dessa vez senti mãos me puxando de volta à realidade.
– Terra chamando Mione! Garota, onde você estava?! Estou te chamando faz uns cinco minutos e você aí com essa cara de avoada…
Era Ronny, justamente quem eu queria. E já estávamos longe o bastante da Toca para que alguém ficasse nos espionando, era agora ou nunca. E era melhor eu agir logo, ele já estava ficando perto demais de mim, e dessa vez eu não ia conseguir resistir.
– Olha Ronny — eu o parei com minha mão em sei peito, ele me olhou procurando algum sinal de que eu estava brincando, mas eu não estava -, nós precisamos conversar. E conversar sério. Será que podemos continuar andando? Acredite ou não caminhando vai ser mais fácil para mim…
Tomei fôlego e comecei a contar tudo o que estava pensando desde um bom tempo atrás e que estava apertando meu coração, eu só esperava que ele me entendesse.
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