Notas iniciais
Espero que gostem...

Depois de todo aquele discurso de Ronny e aquele segundo beijo — e que beijo… Deuses! — minha cabeça rodava ainda mais que antes. Pra falar a verdade, eu não sabia quase nada de romance, a não ser o que lia nos meus queridos livros. Era desconcertante saber que alguém correspondia meus sentimentos sem ter nenhuma outra intenção por trás disso, a não ser eu, pura e simplesmente eu.

Toda essa minha inexperiência fazia com que eu me sentisse com borboletas no estômago. É nessas horas que eu sentia uma leve pontada de inveja de Harry e Ginna… Para eles era tudo tão natural, ele agia, ela reagia e vice-versa; era extremamente interessante observar aqueles dois juntos, a sincronia deles. E foi um desses motivos que me fez permanecer em meu quarto até a noite daquele mesmo dia alegando não estar me sentindo muito bem — Molly, sempre doce e atenciosa, fazia com que minhas refeições fossem entregues em meu quarto sempre deliciosa e quentinha -, queria conversar com Ginna, eu tinha que me abrir com ela. Agora ela era a única que eu tinha esperanças de me entender.

Estava tentando me distrair conjurando alguns passarinhos — ver aqueles pequeninos voando de certa forma me acalma, acho que me lembram de casa, mais precisamente da árvore que dava de frente para a janela de meu antigo quarto… — quando a caçula dos Weasley entrou quarto a dentro já de pijama e pronta para dormir.

– Hermione? Pensei que estivesse dormindo. Mamãe disse que você não estava se sentindo muito bem, então quis te dar um tempo sozinha. Mas está melhor agora?

Com muito custo, me desfiz de meus passarinhos e me sentei na cama para desabafar com minha amiga, ou ao menos tentar, eu era realmente péssima no quesito sentimentos.

– Era bem com você que eu estava precisando conversar… É melhor se sentar, longa história. — Ela logo se sentou na cama e me incentivou a falar o que tanto me angustiava. — Antes que eu comece, deixe-me fazer uma pergunta: Ginna, como você soube o que sentia pelo Harry? E o que você fez com isso?

– Isso tudo é por conta do meu irmão idiota não é? Desde que voltamos pra cá tenho visto vocês dois agindo de forma um pouco estranha… Ele está lá embaixo andando feito um zumbi sorridente. — com um sorriso meio tristonho, assenti à sua pergunta. Era fácil conversar com Ginna, aquele jeito tranquilo de falar me lembrava um pouco seu pai, Artur. — Imaginei isso, mas voltando à sua pergunta, acho que sempre senti algo com Harry, desde que ele me salvou do Basilisco há anos atrás. Depois disso os sentimentos só foram se intensificando, só foram amadurecendo, ainda mais depois que eu soube que ele também sentia o mesmo, aquilo para mim foi o ponto mais alto de minha vida até agora, saber que seu amor é recíproco é de longe uma das sensações mais gostosas que já experimentei!

Enquanto ela falava de Harry, a mudança em seu semblante era clara. Os olhos brilhavam ainda mais, a respiração ficava mais pesada, mais suspirante. Aquilo sim era Amor, e não havia uma só descrição nos livros que chegava perto do que eu estava vendo agora. À minha frente estava uma pessoa que eu tenho certeza que deixaria que levassem a própria vida para que pudesse salvar a de seu amado. Estaria eu pronta para tudo isso? Era muita coisa pra minha cabeça! Ela deve ter reparado pela minha cara que eu estava no meio de um enorme turbilhão de dúvidas, e das cruéis, porque logo se sentou do meu lado e se ofereceu para que eu deitasse a cabeça em seu colo.

– Mas sabe de uma coisa, Mione? Nem sempre foi assim… No inicio eu estava extremamente insegura. "E se ele me rejeitasse?", esse foi quase meu lema por muito tempo, mas um belo dia eu tomei vergonha na cara e fui atrás de meu objetivo, ele me correspondendo ou não eu pelo menos teria tentado, e isso já era um consolo e tanto. Pra você ver, tamanha foi minha sorte que agora eu posso chamá-lo de meu. — Seus suspiros apaixonados eram audíveis enquanto ela afagava meus cabelos, e à medida que ela continuava falando, um plano já se formava em minha cabeça.

– Penso eu que pra você querer tanto conversar comigo, imagino que você também esteja meio insegura em relação ao meu irmão… — aquilo não era uma pergunta, mas mesmo assim eu assenti sem dizer nenhuma palavra. — Minha opinião agora. Sabe Mione, há tempos que ando notando esses olhares entre vocês dois, meu irmão é lerdo o bastante pra não perceber essas coisas, mas nós garotas somos mais sensíveis para isso. Não tente negar, eu sei que esses sentimentos estão aí já faz um tempo, não sou tão boba. Sei também que Ronny, assim como você, nutre sentimentos bem sérios em relação à senhorita. Vocês dois só são muito cabeças duras para cederem ao desejo. Um mais orgulhoso que o outro, mas nesse caso alguém vai ter que dar o primeiro passo…

Era estranho ouvir aquilo, e era justamente o que eu estava precisando, uma boa dose de verdade. Mais cedo naquele dia Ronny tinha dado o primeiro passo. Fora ele quem se entregou a mim primeiro, agora estava na minha hora de fazer o mesmo, me entregar a ele. Seria difícil fazer isso, mas meu coração não aguentava mais tantas idas e vindas, dessa vez era eu quem teria que se abrir com ele.

– Sério Ginna, muito obrigado mesmo! Nem sei o que eu faria sem uma amiga como você, é que esses últimos dias não têm sido fáceis pra ninguém, e eu estava precisando de alguém para me abrir os olhos.

Terminada essa nossa conversa, cada uma foi pra sua cama e lá se aconchegou. Continuamos a conversar sobre algumas coisas banais e em poucos minutos já estávamos dormindo, fora um dia muito longo.

Pela primeira vez desde que toda essa bagunça começou, eu consegui dormir de verdade, sem preocupações, sem medos e sem angústias. Pela primeira vez em muito tempo eu sabia o que tinha que fazer, e o faria assim que eu o visse amanha. Arrastaria-o para algum lugar onde poderíamos conversar e me abriria com ele. Seria difícil, claro, mas como Ginna tinha dito, eu pelo menos não me arrependeria de algo que nunca fiz por simples medo de não dar certo.

Notas finais
E aí está meu terceiro capítulo. Comentem se gostaram ou não! ;)