O Que Se Passou Durante os Dezenove Anos
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Notas iniciais
Devo admitir que me abrir com Ronald Weasley não foi tão fácil quanto pensei… Era difícil até mesmo de respirar de tão nervosa que eu estava, mas eu não tinha escapatória, já estávamos ali e eu tinha que falar.
Ainda sim, fiz com que andássemos um pouco mais. Quase chegando ao topo de uma colina, ele começou a demonstrar seus sintomas de impaciência que já eram tão familiares para mim que eu nem precisava olhar para ele para saber o que estava acontecendo: a respiração aumentava o compasso, o rosto já começava a suar, as mão mexiam-se sem parar.
– Diga logo o que foi Hermione, estou começando a ficar preocupado com esse suspense todo! Foi algo que eu fiz? Porque se for, saiba que eu sinto muito mesmo, e que seja lá o que for prometo que não faço mais…
– Cala a boca Ron! Assim você só está me deixando ainda mais nervosa… Eu já vou falar, só me deixe respirar… — Dei uma última olhada na paisagem antes de me abrir com ele, era uma linda tarde, no final do outono, as árvores já começavam a perder suas folhas vermelhas, logo chegaria a neve e cobriria todos aquelas pequenas e verdejantes colinas, era reconfortante saber o que viria a seguir na natureza, aquilo era reconfortante comparado à imprevisibilidade da vida…
– Não Ron, não foi algo que você fez, e me perdoe se foi isso que dei a entender. E sei que dizer que o "problema não é você, mas sim eu " é meio clichê, porém é exatamente o que está acontecendo. É que ter te beijado meio que abriu uma comporta dentro de mim. Há tempos eu vinha desconfiando de meus sentimentos em relação a você, mas eram apenas desconfianças bobas. Na minha cabeça isso não passava de uma leve confusão, já que estamos amadurecendo e, além de Harry, eu só tinha você, então era um tanto quanto previsível essas minhas reações. Mas não era só isso, eu queria ficar com você, queria por tê-lo só para mim.
Dito isso, eu tive que dar uma pausa. Já estava vermelha de vergonha. O que ele ia pensar de mim? E se ele risse de mim? Minha vontade era de sair correndo…
– Uau Mione, não sabia sobre nada disso… Pra falar a verdade, eu nem mesmo imaginava! Mas com você falando disso tudo é que eu consigo pensar com clareza, como eu nunca percebi?! — Ele falava mais para si mesmo do que pra mim, até que nossos olhares se encontraram novamente — Mas… Mas por que você nunca me disse? Por que só agora? Eu sei que você gosta de mim bem mais que apenas um amigo, mas só descobri isso agora, poderíamos ter aproveitado tanto se você tivesse me dito isso antes!
– Nossa Ron, me desculpe mas é que só agora… — Por fim de dei conta do que ele realmente estava tentando dizer — Espera, como assim "teríamos aproveitado"?
Ele rompeu a distância que ainda nos afastava, quando dei por mim, ele estava com as mãos em minha cintura e as minhas haviam ido parar em seus ombros, já era claro onde isso tudo ia dar no final das contas.
– Para a garota mais esperta que já conheci, você está demorando pra processar isso, hein? Da mesma forma que eu nunca tinha percebido o que você sentia por mim, você também nunca deve ter me notado, porque eu sempre te quis, desde quando éramos bem menores e eu vivia a implicar com você. É o que os garotos fazem, eles chateiam quem eles tem uma queda, no meu caso um tombo. — Com essa ele me fez rir.
– Mais uma vez você me consegue pegar desprevenida, senhor Weasley… Eu nem sei o que dizer, confesso que a poucos minutos atrás eu estava assustada pensando que você riria de mim, a impressão que sempre tive era a de que você nunca ligou pra mim, não mais que uma boa amiga. Eu estou sem palavras!
Ele estreitou ainda mais a distância entre nós, agora eu podia sentir sua respiração em meu rosto, como eu queria aquele garoto!
Foi apenas quando seus lábios roçaram lentamente os meus que eu percebi o quão tola fui me negando a tudo aquilo… Meu lugar ela ali, nos braços dele, onde — pela primeira vez em muito tempo — pude me sentir segura de verdade.
Foi também nesse momento que me entreguei a ele, sem me preocupar em arranjar alguma desculpa para me afastar daquele primeiro beijo de verdade.
***
Ficamos ali, abraçados no topo da colina durante um tempo que eu não sei dizer ao certo, não poderia dizer se foram segundos, minutos ou até mesmo horas. Nada além daqueles fortes braços à minha volta importavam agora.
– Sabe Mione, desde que voltamos de Hogwarts eu ando com um nó imenso na garganta. Não só por tudo que aconteceu com os outros, de certa forma, isso eu já aceitei, eles lutaram por um mundo melhor e infelizmente tiveram que dar suas vidas para isso. Mas o que anda me incomodando é isso… — ele pegou minha mão na sua e me deu leve beijo na palma da mão, fez cócegas e eu soltei um riso de leve. Ele tombou a cabeça como quem não entende e também soltou uma risada.
– O que foi?
– Nada de mais, é só que faz um bom tempo que não a vejo sorrir… Até então não tinha notado a falta que senti disso.
Dito isso, ele me beija novamente. Mas há algo diferente nesse. Algo mais profundo, mais sentimental. Era algo lindo, difícil de se explicar. Aquilo definitivamente não era apenas uma chama que se apagaria daí a pouco tempo.
Eu já estava sem fôlego e minhas mãos tremiam quando eu o ouço sussurrar algo com sua boca a centímetros da minha. Não entendi de primeira, mas quando ele disse de novo, com tamanha paixão — e um sorriso nos lábios -, eu entendi. E, foi nesse exato momento em que tudo parou.
– Ei Granger, namora comigo?
Abri os olhos e o encontrei olhando do fundo dos meus.
Ficamos assim por um tempo, nos encarando, mas foi quando eu ia responder a ele que eu ouvi o primeiro grito.
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