O Que For Pra Ser, Será...
40 Capítulo 40
Notas iniciais
– Alô? Mãe? – falou Quinn ao telefone.
– Quinn? Meu amor, que saudades! – respondeu Judy.
– Bastante, mãe. Eu liguei pra dizer que estou em Lima...
– Não acredito! E como eu só estou sabendo disso agora?
– As coisas andaram corridas. Você está em casa?
– Sim, filha. Me espera que eu estou indo te pegar no aeroporto...
– Não precisa, mãe. Eu chego ai daqui a pouco e te explico tudo, okay? Prepara um almoço que teremos convidadas...
– Tudo bem. Estarei esperando.
– Certo, mãe. Beijo.
– Beijo, querida.
Quinn desligou a chamada e foi ao encontro de Rachel que estava no piano com Beth.
– Falei com a minha mãe. Avisei que daqui a pouco chegarei por lá...
– Então eu vou levar essa mocinha aqui para se arrumar – disse Rachel.
– Tudo bem. Eu vou falar com a San, por enquanto.
Rachel acenou e deu um selinho em Quinn ao passar por ela com Beth em seu encalço. A loira mais velha se encaminhou até a sala onde a latina estava sentada sozinha.
– Você a Britt fizeram bastante barulho ontem... E olha que o quarto da Rach é a prova de som – disse sentando-se ao lado dela no sofá.
– Muito engraçado, Fabray! Eu sei bem que você e a anã se aproveitam desse à prova de som.
– Cadê a Britt, por falar nisso?
– No quarto, escolhendo uma roupa...
– Pra quê? – arqueou a sobrancelha.
– Eu vou leva-la para almoçar. Eu a pedi em namoro ontem, mas prometi que ia fazer as coisas direito.
– Sério? Finalmente! Eu fico feliz por vocês.
A latina sorriu.
– E você? Quando vai agir?
– Apenas esperando o momento certo... – sorriu misteriosa.
– E onde estão Tico e Teco?
– Hã?
– A Rach e a Beth, aquelas dali não se desgrudam mais...
– Foram se arrumar. Vamos pra minha casa.
– Sério? Duas bombas de uma só vez, Fabray? Tia Judy vai enfartar...
– Ela ficará bem...
– Se você diz...
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Quinn parou o carro em frente a Mansão Fabray. Desceu e abriu a porta para Rachel e depois para Beth. Segurou uma mão de casa e começaram a caminhar em direção a casa. Ao pararem, Quinn bateu na porta e elas esperaram alguns segundos até Judy aparecer eufórica.
– Quinn! Que saudades de você, filha! – puxou-a para um abraço, sem nem ao menos notar a presença de Rachel e Beth que ficaram lado a lado sorrindo para a interação de mãe e filha.
– Como você está, mãe?
– Muito melhor agora! Vamos entrar, estou preparando o almoço e fiz seu bolo preferido para a sobremesa!
– Mãe, eu estou acompanhada...
– Oh... – a loira mais velha soltou-se do abraço e seus olhos finalmente encontraram as duas paradas mais atrás – Rachel Berry? É uma surpresa vê-la aqui.
– Como vai, Sra. Fabray? – a morena sorriu simpática.
Mas foi quando os olhos de Judy caíram sobre Beth que a senhora parou. Seria realmente possível? Ela olhou para Quinn rapidamente e a loira apenas deu de ombros. Ela se abaixou ficando quase na mesma altura da menina.
– E essa linda princesa, quem é? – sorriu.
– Eu sou Beth.
– Oh, muito prazer, Beth. Eu sou Judy – estendeu a mão para a menina que a apertou – Bem, vamos entrar?
As quatro caminharam para dentro da casa e sentaram-se na sala. Rachel prontamente tomou o lugar ao lado de Quinn e Beth sentou sem seu colo.
– Não quero parecer indelicada, mas por que Rachel está com você, querida? Eu poderia ter ido te buscar no aeroporto.
– Então, mãe... Eu já estou em Lima há três dias.
– Como é?! E só agora eu recebo uma visita? Já não basta a Frannie ser uma desnaturada, agora você também?
– Calma, mãe. Sem drama – Quinn riu – Eu sei que deveria ter vindo, mas aconteceram imprevistos. Sinto muito.
Antes de Judy falar, a voz de Beth invadiu o cômodo.
– Mamãe, eu estou com sede – disse em direção a Quinn.
– Rach, você pode leva-la para tomar água? – perguntou Quinn a morena.
– Claro...
– A cozinha fica logo ali. Há biscoitos em cima da mesa, dê alguns a ela – falou Judy sorrindo.
Rachel se levantou com Beth e as duas caminharam até a cozinha. Ao perceber que estavam sozinha, Judy voltou a falar.
– Mamãe? – arqueou a típica sobrancelha dos Fabray.
– Esse foi o imprevisto que me impediu de vir antes... Puck apareceu e disse que Shelby precisou viajar e que ele não poderia ficar com Beth. A solução encontrada foi ela ficar comigo e com a Rachel.
– Mas, mamãe?
– Parece mentira, não é? Ela tem levado tudo numa boa. Tem idade de criança, mas uma mente de adulto. Disse que Puck e Shelby falaram sobre mim e em nenhum momento ela me chamou de algo diferente de mãe. É surreal! Por isso eu quis trazê-la aqui. Eu queria que vocês se conhecessem... Eu sei o quanto você se arrepende, assim como eu.
– Eu... Esse é apenas um encontro casual? Eu não quero criar esperanças, filha.
– Não, mãe. Ela ficará comigo durante um mês e depois disso, manteremos contato regular. Ela não vai mais se afastar de mim e, consequentemente, de você.
– Ela sabe quem eu sou?
– Bem, a Beth é esperta. Ela sabe que você é minha mãe, então deve saber que é a avó dela. Mas...
Antes de Quinn continuar, Beth entrou na sala correndo com um biscoito em cada mão e se jogou no colo dela.
– Mamãe! Esses são os melhores biscoitos que eu já comi na vida!
– Você deveria dizer isso a quem fez, amor. Não a mim...
Beth se virou para Judy com um sorriso.
– Eles são os melhores! Eu posso comer mais?
– Quantos quiser, querida – sorriu a Fabray mais velha.
– Beth... – chamou Quinn – Deixa eu te falar algo. Quem são os pais da Rach?
– Vovô Hiram e Vô Leroy – respondeu.
– Exato. E você sabe por que eles são seus avôs, não sabe? – a pequena acenou positivamente – Então, essa daqui – apontou para Judy – é a mãe da mamãe. Você sabe o que isso significa, não sabe?
– Claro. Ela é a vovó!
Quinn e Rachel notaram as lágrimas que caiam pelo rosto de Judy e em sequência a expressão assustada de Beth ao notar.
– Por que a vovó está chorando, mamãe? – questionou a pequena.
– Ela só está muito feliz, meu amor. O que você acha de abraçarmos a vovó?
A pequena loirinha correu e se jogou no colo de Judy que prontamente a abraçou. A Fabray mais velha continuava chorando.
– Não chora, vovó...
Quinn e Rachel também estavam emocionadas vendo a cena se desenrolar. As duas viram Judy se afastar do abraço, enxugar as lágrimas e dar um beijo na testa de Beth, antes de falar:
– O que acha de passar a tarde com a vovó? Eu posso te ensinar a fazer esses biscoitos...
– Eu posso, mamãe? – a menina olhou para Quinn em expectativa.
– Claro que pode, princesa!
– Yay! Obrigada mamãe!
Beth deu um beijo em Quinn e as outras sorriram.
– Agora, eu queria que você fosse até a cozinha, enquanto temos uma conversa de adultos. Pode ser?
– Tudo bem – ela assentiu.
– Não como biscoitos demais, ainda vamos almoçar! – advertiu Quinn enquanto a menina se encaminhava de volta para a cozinha.
– Conversa de adultos? Aconteceu algo, filha? – questionou Judy.
– Então, mamãe... – a loira pausou e olhou para Rachel em busca de apoio. A morena sorriu – Eu e a Rach estamos juntas.
– Juntas, juntas? – Judy arqueou uma sobrancelha.
– Sim. Nós nos reencontramos, voltamos a nos conhecer e deu nisso... Já faz alguns meses, mas eu queria te dizer pessoalmente.
Quinn e Rachel encararam o silêncio de Judy por vários minutos. A Fabray mais velha encarava as duas que estavam lado a lado no sofá. As duas já se questionavam se teria sido uma boa ideia aparecer do nada com tantas notícias, até verem um sorriso aparecer no rosto de Judy.
– Você não poderia ter escolhido jovem melhor, Quinn! – exclamou Judy – Eu conheço os Berry e sei da integridade de cada um deles. Não sei se vocês sabem, mas estudamos todos juntos. Só nos afastamos por causa de Russel, mas eu vi como eles criaram essa menina. Ela vai ser a mulher a colocar juízo nessa cabecinha!
– Você está falando sério, mãe?
– E eu sou mulher de brincadeiras, Lucy Quinn Fabray?
Quinn se levantou e se jogou na mãe, abraçando-a fortemente.
– Eu te amo tanto, mãe! Obrigada, obrigada por não ser contra!
– Eu sei que errei bastante, mas Russel me manipulava. Eu achei que ele me amava e não podia perde-lo. Mas eu me arrependo todos os dias e prometi que nunca mais ficaria contra você, meu amor. Eu só quero a sua felicidade.
Quinn e Judy se afastaram do abraço e viram Rachel sentada no outro sofá, emocionada com a cena.
– Venha aqui, Rachel – chamou Judy abrindo os braços.
Rachel foi até ela e a abraçou. Depois Quinn se juntou ao abraço. Quando pensavam em se separar, sentiram um pequeno par de braços juntando-se a elas.
Depois que todas se separaram, Judy se virou para Quinn.
– O que acha de me ajudar com o almoço?
– Ótima ideia!
– Eu quero ajudar, eu quero ajudar! – Beth começou a gritar, pulando.
As três mais velhas se olharam e sorriram juntas.
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– Os pais da Rach não vem almoçar em casa? – perguntou Hanna.
– Não. E a Britt e a San vão sair daqui a pouco... – respondeu Emily.
– E o que nós vamos fazer?
– Que tal eu cozinhar pra você e depois assistimos um filme ou ficamos na piscina?
– Ótima ideia! Qual o cardápio?
– Vamos ver, vamos ver... Me ajuda?
– Claro que sim!
Quando as duas se encaminhavam para a cozinha, deram de cara com Santana descendo as escadas em disparada.
– Hey! Vai pra onde com essa pressa toda, latina? – perguntou Hanna.
– Vou aproveitar que a Britt praticamente me expulsou do quarto e vou resolver algo antes do almoço. Se ela perguntar por mim, digam que eu volto logo.
Santana saiu sem nem ao menos esperar uma resposta. As outras duas deram de ombros e foram para a cozinha. Hanna sentou-se em um dos banquinhos, enquanto Emily via o que tinha e ela poderia utilizar.
– Eu fico feliz pelo Hiram não ser vegetariano também, significa que nem tudo nessa casa é vegan – disse Emily enquanto começava a separar alguns ingredientes – O que você acha de uma spaghetti al pomodoro com um mousse de maracujá para sobremesa?
– Huuuum, já estou salivando! – sorriu – Em que eu posso ajudar?
– Pode cozinhar o macarrão?
– Claro que sim.
– Que tal um vinho pra acompanhar? A adega dos Leroy está a nossa disposição...
– Perfeito!
Emily abriu um dos vinhos e serviu em duas taças. Começaram a preparar tudo. Viram Santana voltar e ela e Brittany saírem. Enquanto o macarrão cozinhava, Emily preparou o molho e depois rapidamente preparou o mousse levando-o para a geladeira. Após o macarrão cozinhar, ela terminou de prepara-lo e levou ao fogo. Foi o tempo em que ela e Hanna colocaram os pratos na mesa. Emily serviu as duas.
– Isso está uma delícia, Em! Você poderia facilmente ter cursado gastronomia.
– Minha mãe me ensinou bastante e como gosto de comer, acabei aprender a cozinhar e não depender de ninguém quando quisesse comer – a morena sorriu.
– Bem, já dá pra casar, viu?! – a loira riu.
– Não, não dá...
– Por que não? Você cozinha divinamente!
– Porque pra casar eu preciso de uma noiva e como fazer isso se eu ainda nem sei se você quer ser ao menos minha namorada...
E pela segunda vez em menos de 24 horas Hanna paralisava. Ela entendeu errado ou isso seria mesmo um pedido de namoro?
– Han, não paralisa de novo, por favor! – Emily tentou brincar – Eu sei que se você não esperava um “eu te amo”, também não esperava por isso. Mas não tem como ser diferente. Não era assim que deveria ser feito, porém se eu já abri meu coração, que diferença faria? Eu quero que você seja minha namorada e que futuramente possamos pensar em construir um futuro juntas, com aquela garotinha loira correndo pela casa. Eu... Eu só quero você.
– Sim – foi tudo que Hanna conseguiu dizer.
– Sim? Sim o que? – Emily estava confusa.
– Eu quero ser sua namorada! Não foi isso que você perguntou?
– Bem, eu acho que não foi uma pergunta propriamente dita, mas...
Emily foi interrompida pelos lábios de Hanna nos seus em um beijo apaixonado. A morena não sabe como a loira chegou a ela tão rápido, mas agora só era capaz de sentir ela em seu colo, a beijando.
– Conviver com a Rach está te deixando muito falante, sabia? – disse sobre os lábios da morena.
– Me desculpa, eu falo muito quando fico nervosa...
– Eu sei, eu sei. Eu gosto disso em você, mas às vezes palavras demais são desnecessárias.
E Hanna a beijou novamente. As mãos da loira por entre os cabelos negros, arranhando levemente a nuca. Enquanto as mãos da morena estavam na cintura dela, segurando-a com todo o cuidado e carinho possíveis.
– Então, nós agora somos namoradas? – perguntou a loira massageando a nuca da morena carinhosamente.
– Sim, nós somos – sorriu – Feliz?
– Mais do que você pode imaginar...
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– Eu já te falei como você está linda? – Santana sorriu.
– Desde que saímos de casa, San...
– Mas parece tão pouco, comparado a sua beleza.
– Você está tentando me conquistar, Santana Lopez?
– Estou conseguindo? – sorriu com a sobrancelha arqueada em brincadeira.
– Sempre, amor – a loira devolveu o sorriso.
– Me desculpa por não te levar em um lugar mais chique, é que o Breadsticks tem um significado pra gente...
– Eu amei a escolha! Só espero que a comida não demore mais tanto tempo, eu estou com fome...
Santana riu. E logo em seguida o garçom chegou com os pedidos. Vinho acompanhando a comida, dando o clima de romantismo necessário para o que a latina havia pensado.
Comeram entre conversas, sorrisos e pequenas carícias. Santana ainda pediu Banana Split como sobremesa para a loira, que ficou tão feliz como criança em manhã de natal.
– Para onde nós vamos agora, San?
– Que tal irmos alimentar os patos no parque?
– Eba! Vamos, vamos!
Já no parque, Santana sentou-se na grama, na sombra da mesma árvore que elas tinham estado com as meninas dias antes, e observou com um enorme sorriso a interação curiosa entre Brittany e os patos. A loira não só os alimentava, mas conversava com eles por horas a fio. Aquela cena levou Santana há anos atrás. Vendo Brittany naquele momento fazia com que elas se lembrasse exatamente porque se apaixonou pela loira. Fazia com que ela percebesse que em nenhum momento durante os quatro anos que passaram, adiantou lutar. Seu coração sempre seria dela.
– No que você está pensando? – Brittany perguntou ao sentar ao lado da latina.
– Em você. Em nós. – sorriu – Eu já disse que te amo hoje?
– Várias vezes, mas nunca é demais.
– Eu te amo! Te amo mais do que eu seja capaz de expressar em palavras. Te amo porque eu olho pra ti e vejo a mesma Brittany de anos atrás, a garota doce com quem eu compartilhava sweet lady kisses, com quem eu fui uma idiota, mas que mesmo assim sempre continuou comigo. Vejo a Brittany em quem eu pensei durante os últimos quatro anos e que fez meu coração disparar antes mesmo dos nossos olhos se encontrarem naquela boate. Vejo a Brittany que lutou e que tentou me fazer enxergar que eu não podia fugir. Eu vejo a minha Brittany. A que me completa, a que me faz uma Santana Lopez melhor, menos bitch, menos idiota. A que tem meu coração nas mãos e faz com ele o que bem quer. Eu te amo tanto, Britt-Britt. E tudo que eu quero é poder ficar contigo para sempre. Então eu não me importo se os outros vão achar que é precipitado, que é errado. Porque o meu coração me diz que é certo. Já nos conhecemos há tanto tempo, já nos amamos tanto tempo quanto. Eu não posso, não quero e nem vou mais ficar longe de você – a latina pausou, lágrimas corriam livremente pelo rosto de ambas. Ela puxou uma caixinha e a estirou na frente de Brittany que a olhou surpresa – Eu sei que combinamos que eu te faria um pedido de namoro digno, mas meu coração me disse que eu deveria fazer mais. E é isso que eu estou fazendo... – abriu a caixinha – Brittany Pierce, você me daria a honra de viver comigo pelo resto dos meus dias?
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