O Que For Pra Ser, Será...
36 Capítulo 36
Notas iniciais
Beth. Depois que essas quatro letras saíram da boca de Puck, Quinn parou. Até mesmo as outras quatro sentiram um frio percorrer lhes a espinha. Afinal, o que faria Puck viajar mais de 3 mil quilômetros de LA para Lima apenas para encontra-la?
Rachel, que estava ao lado de Quinn, pode sentir o corpo da loira travar. Ela sabia como aquele era um assunto delicado e que mexia com cada parte dela. O silêncio já havia tomado o lugar, ninguém falava nada e Quinn não tinha nenhuma reação. Então Rachel se manifestou. Delicadamente ela colocou a mão no rosto de Quinn e fez a loira olha-la.
– Amor – falou carinhosa – Está tudo bem. Eu estou aqui com você...
– Amor? – questionou Puck confuso.
– Depois Puckerman, depois... – disse Santana.
Quinn continuou sem reação. Rachel, então, trouxe a mão da loira próximo aos seus lábios e beijou ternamente, fazendo com que ela fechasse os olhos com o carinho.
– Eu estou aqui com você. O que quer que seja que o Noah tem a dizer, eu estou com você. Não há do que ter medo... – disse a morena.
Quinn abriu os olhos e encarou as orbes chocolate olhando-a com admiração, carinho e amor. Aquele olhar dizia tudo: Rachel estaria sempre com ela. Assentiu levemente com a cabeça, ganhando um sorriso em resposta. Mas não foi Quinn a pessoa a falar.
– Então Noah, o que há? O que você tem a falar sobre Beth? – perguntou Rachel e todas viraram as atenções para o rapaz.
– Como vocês sabem, estou morando em LA e abri a minha própria empresa de limpeza de piscinas. E como vocês também sabem, Shelby também mora em LA. Depois de uma conversa, ela permitiu que eu ficasse vendo Beth, normalmente duas ou três vezes por semana – ele fez uma pausa – Ela está enorme, Quinn! E ela sabe quem você é. Já sabia antes mesmo de eu começar a vê-la, eu apenas incentivei isso ainda mais...
Ao dizer isso, Puck arrancou um sorriso emocionado não só de Quinn, mas de todas na mesa.
– Continuando... Há alguns dias eu estava no escritório quando recebi uma ligação de Shelby. Ela me pediu que a encontrasse, pois tinha algo sério a conversar. No mesmo dia jantamos juntos e foi então que ela me disse que recebeu um convite para ser jurada em uma competição de música na Inglaterra. Ela ficaria fora por um mês – pausou – Foi então que ela me pediu para ficar com Beth durante esse tempo. Só que eu disse a ela que não podia. Eu moro sozinho, meu apartamento é um cubículo, passo o dia todo trabalhando. E Beth já tem seis anos e é muito esperta, ela já preza pela sua privacidade.
– Eu não sei se entendi o que toda essa história tem a ver comigo, porque você veio de LA pra cá só pra me dizer isso... – falou Quinn.
– Eu dei uma ideia a Shelby e fiquei surpreso por ela ter aceitado, mas foi o que aconteceu...
– Que ideia? – perguntou Rachel.
– Eu disse que vocês podiam ficar com a Beth.
– Pera. O que? Como assim nós? Do que você ta falando Puck? – Quinn estava visivelmente confusa.
– Tanto eu, quanto Shelby, havíamos visto algumas fotos da inauguração do seu escritório, inclusive mostramos a Beth. Vimos que você estava morando em NY e que, ao que aparentava, estava bem próxima a minha princesinha judia. Então eu dei a ideia de Beth ficar com vocês duas. Achei que seria difícil convencê-la, mas me enganei. Ela apenas ficou em dúvida se vocês aceitariam, mas eu sabia que sim. Então consegui o número do Kurt, liguei e ele me avisou que vocês estavam em Lima.
– Então deixa ver se eu entendi... – disse Santana – A Beth vai ficar um mês com a Q e a Hobbit? Você está falando sério, Puckerman?
– Seríssimo!
Agora não só Quinn havia paralisado, mas Rachel também. Nenhuma das duas estava pronta para isso. Nenhuma das duas sabia o que falar ou fazer ou até mesmo pensar.
– Foi uma má ideia? – perguntou o rapaz.
– Nã-não – disse Rachel saindo de sua paralisia e vendo Quinn permanecer na dela – Só é muita informação, Noah. Nós viemos passar o fim do ano com meus pais, não esperávamos por isso. Agora precisaremos voltar não só para NY, como ir até LA buscar a Beth, arrumar tudo em casa...
– Calma, princesinha judia! – disse ele interrompendo o monólogo – Vocês não precisarão fazer nada disso. Eu já trouxe a Beth.
E então Quinn saiu da sua paralisia.
– Tro-trouxe? Onde ela está, Puck? – perguntou a loira.
– Com os Berrymen.
– Com meus pais? Como assim? – questionou a morena.
– Passei pela sua casa e eles me disseram que vocês haviam saído. Perguntei se eles podiam ficar com a Beth um pouco enquanto as procurava e eles aceitaram...
Mal Puck terminou de falar e Quinn já estava de pé.
– Amor, pra onde você vai? – perguntou Rachel.
– Como pra onde? Pra sua casa, Rach. A Beth está lá, vamos!
E antes que alguém pudesse protestar, Quinn já havia jogado o dinheiro em cima da mesa e se encaminhava para fora do Lima Beans. Entraram todas na caminhonete e se encaminharam de volta para a casa de Rachel, sendo seguidas por Puck. Em poucos minutos eles estacionavam na garagem da morena. Quinn ia apressada para a entrada quando Rachel segurou seu braço, trazendo a atenção da loira para si.
– Ei! Calma, Quinnie. Eu sei que você está ansiosa, mas você precisa manter a calma. Não queremos assustar a Beth, não é? – disse com um sorriso carinhoso.
– Não, não queremos – Quinn sorriu também – Obrigada...
– Pelo quê? – questionou.
– Por existir...
Quinn se aproximou e deu um selinho nos lábios da morena. Elas deram as mãos e voltaram a caminhar em direção a casa. Já da porta era possível se ouvir risadas. Ao abrirem a porta, Quinn e Rachel deram de cara com Hiram, Leroy e Beth sentados no sofá da sala com baldes de pipoca, assistindo uma das apresentações do New Directions na televisão. Estavam tão entretidos que nem perceberam a chegada do grupo.
– Olha, olha! Meu pai! – exclamou Beth apontando para a imagem de Puck na tv.
Na sequência, apareceu a imagem de uma Rachel cantando a plenos pulmões.
– Essa é a outra filha da minha mãe, não é? A minha irmã? – questionou a pequena.
– Exatamente, querida – respondeu Hiram – Essa é a sua irmã Rachel, nossa filha e filha da sua mãe Shelby.
O grupo observava a interação da pequena com os dois homens com sorrisos nos rostos. Ninguém queria atrapalhar, então ficaram longe, para não chamarem a atenção.
Mais algumas sequências passaram, assim como outros integrantes do ND. Até chegar em uma imagem de Quinn.
– E essa? Você sabe quem é, pequena Beth? – perguntou Leroy.
– Eu sei, meu pai e minha mãe me falam sobre ela o tempo todo. Essa é a minha mamãe Quinn – respondeu ela sorridente.
Então o mundo de Quinn parou novamente, pela terceira vez naquele dia. Todos sorriram emocionados e direcionaram seu olhar para a loira a tempo de verem uma lágrima rolar pela face alva. Rachel se aproximou e a envolveu em um abraço silencioso. Naquele momento palavras não eram necessárias. Puck tentou se aproximar da loira também, mas acabou esbarrando em uma mesinha, chamando a atenção dos homens e da pequena menina.
– Ah, vocês chegaram, finalmente! – falou Hiram.
– Papai! – exclamou Beth ao ver Puck – Eu estava te vendo na tv...
– Oh, sério? – disse ele ao se aproximar mais da menina – E você estava se divertindo?
– Muito! – disse se jogando nos braços do pai.
– Que bom, querida – ele sorriu e a beijou no rosto – Filha... Você se lembra o que viemos fazer em Lima?
– Sim, papai. Você me disse que viríamos procurar a mamãe para que eu pudesse ficar com ela enquanto a mãe viaja.
– Exatamente, meu amor – ele se virou para o grupo de meninas que permanecia no mesmo lugar – Olha só quem eu encontrei!
Puck colocou Beth no chão e caminhou com ela até onde elas estavam e parou em frente a Quinn e Rachel que permaneciam abraçadas.
– Essa aqui é a Quinn, filha – disse ele apontando para a loira.
– Eu sei quem ela é papai. Ela é igual as fotos e parece comigo – a pequena virou seu olhar para a morena – E você é a minha irmã.
– Sim, eu sou – Rachel se soltou de Quinn e abaixou-se, ficando na mesma altura de Beth, esticando a mão para ela – Prazer, Rachel.
– Prazer, Beth – disse sorrindo e correspondendo ao aperto de mão.
Quinn estava paralisada. Então Santana a cutucou nas costelas, fazendo-a voltar a si.
– Pelo amor de deus, Fabray! Faça o favor de falar com a sua filha... – sussurrou.
Quinn virou seu olhar e encontrou Rachel e Beth lado a lado. Se agachou e ficou no mesmo nível das duas.
– Oi, Beth – disse com um sorriso.
– Oi, tudo bem? – a pequena devolveu o sorriso.
– Tudo ótimo, mas queria saber se também posso ganhar um aperto de mão desses...
Para a surpresa de Quinn, Beth não apertou sua mão. Ela a abraçou, fazendo os demais na sala sorrirem e Quinn novamente derramar uma lágrima.
– Eu vou ficar com você? – perguntou Beth ao se separar do abraço.
– Parece que sim. O que você acha?
– Acho que vai ser legal – sorriu – Vamos ficar aqui?
– Por um tempo, sim. Mas depois vamos a New York, que tal?
– Sério? – os olhos brilharam – Podemos ir aquele lugar onde tem peças super legais?
– A Broadway? – perguntou Rachel chamando a atenção de Beth.
– Acho que é. A mãe sempre fala e me mostra várias peças. Tem até uma de uma bruxa verde...
– Sim, tem sim – Rachel sorriu – E nós podemos ir lá quando voltarmos a NY.
– Quinn, devolve essa menina enquanto é tempo. Uma mini Berry é demais pra mim... – disse Santana arrancando risadas de todos, uma cara feia de Rachel e uma confusa de Beth.
– Não liga, filha... – disse Quinn que logo depois percebeu sua gafe – Eu posso te chamar de filha?
– Claro. Eu sou sua filha, não sou?
– Sim, você é – sorriu – Então, não liga pra essa latina. Ela é chata mesmo, mas você se acostuma...
– Meninas – interrompeu Leroy – Acho que vocês deveriam ir tomar banho para podermos jantar. Hiram deu a ideia de pedirmos pizza.
– Acho ótimo, papai – disse Rachel.
– Noah, você e a pequena Beth jantarão conosco? – perguntou o homem.
– Sim, Sr. Berry. Será um prazer – respondeu Puck.
– Ótimo. Mas por favor, esqueça o Sr. e pode me chamar de Leroy.
– Claro, Leroy... – assentiu o rapaz.
– Vamos jantar pizza? – perguntou Beth.
– Sim, nós vamos – respondeu Rachel.
– Posso escolher a que eu quero?
– Sim, você pode.
– Quero pizza de bacon! – exclamou a pequena com um sorriso.
– Cancela a devolução, Fabray! – exclamou Santana – Essa menina é mesmo tua filha...
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