O Que For Pra Ser, Será...
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Hoje era o dia em que Rachel finalmente tentaria surpreender Quinn. A relação das duas estava cada vez melhor com o passar do tempo. Elas estavam cada vez mais próximas.
Era um domingo e Rachel já tinha avisado a Quinn na noite anterior que elas passariam o dia juntas, o que despertou a curiosidade da loira. Mas se tinha algo que Rachel Berry sabia fazer era guardar um segredo, mesmo com todas as tentativas de Quinn em descobrir o que elas iriam fazer.
Rachel pegou o carro de Santana emprestado e buscou Quinn em seu apartamento às 8h, para que elas fossem tomar café juntas. A morena usava um vestido solto e sapatilhas, óculos de sol no rosto, os cabelos soltos. Já a loira usava uma calça jeans simples, tênis, mais uma de suas tantas camisas de banda e também usava óculos. Rachel estacionou o carro e buzinou para Quinn que já a esperava na porta do prédio.
– Bom dia, Berry – disse Quinn ao entrar no lado do passageiro.
– Bom dia, Fabray – a morena respondeu com um sorriso.
– Espero que você esteja me levando pra tomar café, porque eu fico uma chata se não tiver minha dose matinal de cafeína – disse brincando.
– Então vamos logo, porque uma Fabray mal humorada não é algo do qual tenho boas lembranças...
– Sinto muito, Rach... – a loira baixou a cabeça.
– Hey... – Rachel colocou a mão em seu queixo e fez com que a loira a olhasse – Eu estou brincando. Esse tempo já passou e eu sei que hoje você não faria mais nada que machucasse, Quinnie.
Quinn se viu hipnotizada pela intensidade e verdade que emanava daqueles olhos chocolates que não desviavam dos seus um só instante.
– Eu ainda preciso me redimir por tudo que te fiz... – a loira disse e colocou sua mão por cima da de Rachel que agora estava em sua bochecha.
– Não, não precisa. Nós já passamos por essa fase. Chega de se redimir, de se desculpar. Não estamos mais no ensino médio, agora é uma nova fase das nossas vidas e eu sou feliz por você estar aqui – a morena acariciou o rosto da loira suavemente.
Por instinto, Quinn fechou os olhos para aquele carinho. Era inexplicável como a morena fazia ela se sentir. Quando ela estava com Rachel tudo parecia sumir, era como se o mundo girasse só ao redor delas.
– Tudo bem... – ela disse simplesmente e abriu os olhos para dar de cara com um sorriso megawatt.
– Então vamos? Nosso dia está só começando!
Elas sorriram. Rachel dirigiu até o café que não era tão longe dali, ao chegarem sentaram-se em uma mesa próxima a janela. Rachel pediu café e torradas integrais. Já Quinn pediu café, torradas, ovos, bacon e panquecas.
– Como você consegue? – Rachel perguntou incrédula.
– Como eu consigo o quê? – Quinn olhou desconfiada enquanto mastigava um pedaço de torrada.
– Como você consegue comer feito um leão e não ter a aparência de um elefante?
– Deve ser a genética – deu de ombros.
– Inacreditável! – a morena exclamou – Eu me mato para não ficar parecendo uma baleia e você tem a ajuda da genética...
– Rach, relaxa! – a loira riu – Você é uma das mulheres mais lindas que eu já conheci.
– Você está dizendo isso só pra ser legal, eu sei... – a morena corou.
– Isso não é verdade! Você é realmente uma das mais lindas, isso se não for a mais linda. E olhe que eu já tive o prazer de conhecer muitas...
– Muitas? Eu pensei que advocacia era uma área em maioria masculina...
– E é. Mas eu tive o resto do campus inteiro a disposição...
– Hum, sei...
O resto do café foi em completo silêncio. Enquanto Quinn comia, Rachel olhava o movimento das ruas pela janela. No final a morena chamou a garçonete e pediu a conta. Depois de travar uma batalha com Quinn e enumerar diversos argumentos do porque ela devia pagar a conta sozinha, ela conseguiu convencer a loira. Elas se encaminhavam para a porta, quando Rachel percebeu que a garçonete que havia as atendido caminhava de encontro a Quinn com uma bandeja nas mãos. Ela viu a loira, mas em nenhum momento fez menção de desviar. Antes que a morena pudesse fazer alguma coisa, as duas colidiram.
– Oh meu deus! Eu sinto muito, me desculpa – disse a garçonete que estava no chão junto da bandeja e as coisas que caíram dela. Quinn prontamente foi ajuda-la.
– Eu que sinto muito! Eu vinha distraída e acabei não te vendo... – disse dando a mão para a garçonete.
– Não se desculpe, foi tudo culpa minha...
– Não, eu também tive a minha culpa. O que posso fazer para me desculpar? – a loira disse enquanto segurava as mãos da garçonete.
– Você poderia me dar seu telefone – disse com um sorriso malicioso.
Rachel não acreditava na cena que estava presenciando. A garçonete fez tudo aquilo de propósito e agora estava pedindo o número de Quinn. A morena não sabe porquê, mas ela começou a ver vermelho e apenas uma reação vinha a sua mente.
– Querida, será que já podemos ir? A moça disse que não foi culpa sua... – Rachel se aproximou das duas pelas costas de Quinn e sussurrou no ouvido da loira.
Instantaneamente Quinn soltou as mãos da garçonete e se virou para Rachel. Um arrepio percorreu seu corpo ao sentir a respiração da morena tão perto da sua orelha.
– Cl-claro, vamos – ela gaguejou e não sabe porque.
Rachel sorriu e pegou a mão de Quinn rapidamente, encaminhando-as para fora do café. Mas não sem antes jogar um olhar assassino para a garçonete. As duas se encaminharam para o carro ainda de mãos dadas. Ao entrarem, Quinn se virou para a morena.
– O que foi aquilo? – ela perguntou.
– Nada... – a morena deu de ombros.
– Como nada, Rachel? Eu vi o olhar assassino que você jogou pra garçonete quando saiamos do café.
– Ela fez de propósito, Quinn! – exclamou e bateu com as mãos no volante – Ela foi de encontro a você porque quis, ela sabia que vocês iam colidir e não fez nada pra impedir. Eu tentei te avisar, mas já era tarde. Ela queria apenas uma desculpa pra conseguir seu número e você ainda foi toda charmosa pra ela.
Quinn não entendia o motivo para Rachel estar daquele jeito. Estar com... Ciúmes. Mas ela sabia que mexer com uma Rachel Berry raivosa não era boa ideia e sabia também que contraria-la era uma ideia pior ainda.
– Me desculpa... Eu não sabia que ela tinha feito de propósito. Só quis ser gentil, não imaginei que ela tivesse segundas intenções – a loira disse.
– Tudo bem – disse a morena – Não precisa se desculpar. Eu apenas odeio desonestidade e aquela garçonete se aproveitou de uma situação que ela criou para se aproveitar de você. Eu não pensei, eu apenas reagi.
– Rach, tudo bem. Você meio que me salvou das garras daquela garçonete tarada – a loira riu, fazendo a morena rir junto.
– A disposição, Srta Fabray!
– E então? Qual a próxima parada?
– Espere e verás! – a morena sorriu e deu partida no carro.
_____________________________________________________
Após meia hora dirigindo, Rachel estacionou o carro no centro de NY. Ela e Quinn caminharam juntas até entrarem em uma galeria.
– Não acredito que você me trouxe pra uma exposição do Mick Rock! – exclamou a loira.
– Soube que você é fã de fotografia, até pensou em mudar de curso, e sei que você é apaixonada por rock. Por que não uma exposição do grande fotógrafo dos roqueiros? – Rachel sorriu.
– Você é demais, Rach! Demais! – Quinn se jogou nos braços da morena e a beijou no rosto.
– Eu disse que ia te surpreender – ela devolveu o abraço e o beijo – Agora vamos lá, tem muita coisa pra ver.
As duas caminharam juntas por toda a galeria. Quinn estava com um sorriso de orelha a orelha e olhava fascinada para cada foto. Rachel não podia deixar de sorrir com aquela cena. O que ela mais queria era fazer a loira feliz e ela conseguiu, mesmo que o dia ainda nem tivesse terminado. Quinn fazia questão de falar sobre cada artista, de cada foto, das técnicas, da luz. A morena não conhecia a paixão da loira por fotografia, mas sabia que Brittany havia dado a ideia perfeita. “Não posso deixar de agradecê-la depois...”, pensou.
Após um bom tempo e depois de olhar toda a exposição minunciosamente, Quinn estava satisfeita e feliz.
– Hey, o que acha de irmos almoçar agora? – perguntou Rachel para a loira que no momento observava pela milésima vez uma foto de Freddie Mercury de 1974 em Londres, tirada pelo fotógrafo
– Ótima ideia. Algum lugar em mente? – disse a loira, agora desviando a sua atenção para a morena.
– Não sei... Japonês?
– Perfeito! Vamos? – sorriu e deu o braço para a morena que prontamente aceitou.
_____________________________________________________
– O que acha de um filme agora? Hoje pode ser lá em casa... – disse Quinn quando as duas saiam do restaurante após o almoço.
– Agora não dá... – respondeu a morena.
– Ah, desculpa, não sabia que você tinha planos... – disse cabisbaixa.
– Eu tenho. E são com você, besta! – bateu levemente no ombro da loira – Você achou mesmo que nosso dia já tinha acabado?
– Achei, mas pelo visto você preparou tudo... Qual a próxima parada?
– Vem comigo e descobre – a morena sorriu e saiu puxando a loira pela mão.
_____________________________________________________
– Eu quero que feche os olhos, Quinnie. Por favor – disse Rachel quando elas saíram do carro.
– Oh, é realmente uma surpresa... Vou fechar, mas vê se não me deixa cair e nem tropeçar em ninguém!
– Deixe comigo.
Rachel enlaçou seu braço ao da loira e elas começaram a caminhar juntas. Rachel a guiava e dava instruções, principalmente quando havia alguma escada. Após alguns minutos, elas pararam. Rachel soltou o braço de Quinn e disse:
– Okay, pode abrir!
– Uau! – essa foi a única palavra que Quinn conseguiu formular. Ela não conseguiria descrever o que estava a sua frente. Era sem dúvidas um dos locais mais bonitos que já tinha estado.
– Nós estamos na Infinity Mirror Room – começou Rachel – A sala é cheia de espelhos e juntos eles representam o infinito. Eu conheci esse lugar por acaso, mas acabei me apaixonando. Muitas vezes venho aqui, apenas para pensar, esse lugar me traz uma sensação de eternidade, entende? É difícil de explicar.
– Esse lugar é lindo, Rach! Nossa... – Quinn ainda estava sem fala.
– Sabe por que eu te trouxe aqui?
– Por que?
– Porque esse lugar demonstra o que eu quero no momento. Eu quero o infinito e eu quero que você esteja ao meu lado. Eu me sinto bem com você, Quinnie. E eu só posso esperar que nossa amizade seja tão imensa quanto o que esse lugar quer representar.
Quinn se aproximou e puxou Rachel para um abraço.
– Ao infinito e além! – as duas riram juntas.
______________________________________________________
Rachel e Quinn caminhavam juntas pelo Central Park. Era final de tarde, o tempo estava bom e por isso era possível ver muitas famílias com seus filhos, casais jovens e idosos, pessoas passeando com seus cachorros.
– Que tal um sorvete? – perguntou a loira ao avistar um sorveteiro.
– Boa ideia – a morena sorriu.
As duas caminharam até o senhor vendendo sorvete.
– O que as duas belas jovens vão querer? – perguntou ele simpático.
– Pra mim um sorvete de chocolate – disse a loira – E pra você, Rach?
– Um de morango, por favor.
O senhor entregou os sorvetes e Quinn tirou uma nota de 20 dólares do bolso.
– Aqui, senhor. E pode ficar com o troco – disse sorrindo.
– Muito obrigada, senhorita.
Quando as duas já iam continuar a caminhar, ouviram a voz do senhor.
– Ah! E felicidades. Vocês formam um bonito casal. É raro ver tanto amor assim em duas pessoas tão jovens – ele sorriu.
As duas apenas coraram com o comentário e continuaram a andar.
_________________________________________________________
– Está entregue, Srta Fabray – disse Rachel ao parar o carro em frente ao prédio da loira.
– Quer subir? Posso fazer o jantar, vemos um filme...
– Eu queria muito, Quinnie. Mas amanhã cedo tenho meu primeiro teste...
– Sério? E por que você não me disse antes? Pra qual peça?
– Não quero fazer ninguém criar expectativas, não sei se vou passar... Para Wicked. Ainda não é Funny Girl, mas já é um começo.
– Rach... – a loira segurou nas duas mãos da morena – Não se diminua, okay? Se há alguém pronta e qualificada pra qualquer papel, em qualquer peça da Broadway, é você. Se eles te deixarem escapar, eles serão os idiotas.
– Obrigada, Quinnie. É bom saber que você acredita em mim... – a morena disse corada com as palavras e ao sentir o calor que as mãos da loira passavam.
– Sempre acreditei. Não será agora que farei o contrário... – ela sorriu – Então, sendo assim, você escapa do jantar hoje. Mas vai ficar me devendo.
– Pode cobrar! Com juros e correção monetária – elas riram.
– Obrigada pelo dia perfeito, Rach. Você é demais! Não sei como vou poder te agradecer...
– Seu sorriso e a sua felicidade já são meu maior agradecimento – disse a morena fazendo a loira corar.
– Boa noite, Rach. E boa sorte amanhã. – a loira se aproximou e deu um demorado beijo no rosto da morena, a abraçando em seguida.
– Boa noite, Quinnie – respondeu a morena próximo a orelha da loira – Nos vemos depois?
– Sempre.
Elas se separaram e a loira saiu do carro indo para o prédio. Ao chegar na entrada deu um último tchau para morena que ainda estava parada com o carro e entrou.
Fale com o autor