O Que For Pra Ser, Será...
30 Capítulo 30
Notas iniciais
O silêncio persistiu por insistentes minutos e pela primeira vez foi um silêncio incomodo. Rachel e Quinn não sabiam quem deveria tomar a iniciativa e nem o que dizer. As duas permaneciam sentadas, olhando para baixo.
– Você disse que me amava... – Rachel repetiu o que havia dito na sala, mais para si mesma do que para Quinn – E depois você apenas foi embora. Você me deixou ali, sozinha. E não me procurou por três semanas, Quinn.
– Rach... – a loira se mexeu desconfortável e mudou sua posição – Olha pra mim.
Rachel levantou a cabeça e virou-a, olhando diretamente para Quinn, que já tinha os olhos marejados. Aquela conversa não seria fácil.
– Eu errei. Eu sei que eu errei – começou Quinn – E meus erros não vem de agora. Eles já seguem desde o ensino médio, quando eu te atacava pra não ter que admitir o que eu sentia, o que eu sinto.
– Quinn...
– Não. Me deixa falar, por favor – disse a loira e a morena assentiu – Eu disse que te amava e não é, nem nunca foi uma mentira. Eu venho escondendo, omitindo esse sentimento dentro de mim há muito tempo. Eu te atacava não porque eu te odiasse, mas sim porque eu te amava demais. Pra mim, você era a culpada daquele sentimento e eu não podia me sentir como eu me sentia, então eu apenas queria fazer você me odiar. Mas você parecia estar cada vez mais disposta ao contrário. Então eu cedi e foi quando vivi os meses mais felizes da minha vida até aquele momento.
Quinn já chorava e Rachel também. Não esperava por aquelas palavras. Não esperava que Quinn fosse se abrir desse modo. Ela não sabia o que fazer, então apenas segurou as mãos da loira nas suas, incentivando-a a continuar.
– Então chegou a faculdade. Você veio para NY e eu fui para New Haven. Eu não cumpri a minha promessa, não foi porque eu não quis ou esqueci, mas sim porque eu não podia voltar pra você. Se eu te visse, eu não iria mais querer ir embora. Foi em New Haven que eu finalmente aceitei o que eu realmente sou. Me aceitei lésbica e aceitei meu amor por você. Mas eu não podia interferir na sua vida. Você tinha o Finn, a sua vida aqui. Não gosto de admitir isso, mas eu me tornei uma pessoa sem coração. Eu tentei te esquecer e acabei magoando várias outras pessoas, mas o pior ou melhor, não sei, é que você permanecia ali. Meu coração sempre foi seu. – Quinn pausou e seus olhos encontraram os de Rachel, as mãos entrelaçadas – Então nos reencontramos. Algo que eu não esperava e para o qual não estava pronta. Achei que você não iria querer me ver por nunca ter cumprido a promessa, mas você me surpreendeu ao querer que voltássemos a ser amigas. Eu juro que eu tentei. Eu nunca vi segundas intenções na nossa amizade, mas ficou cada vez mais difícil. Ter você por perto o tempo todo, me apoiando, me amando mesmo que não fosse como eu queria. Então veio aquele dia na boate... Ver aqueles dois caras te agarrando, ver você me desafiando, aquilo mexeu comigo. Foi quando eu finalmente percebi que não adiantava lutar. Meu coração sempre seria propriedade de Rachel Berry. Eu me afastei, porque ver seu olhar de medo, me fez lembrar tudo de ruim que eu te fiz. Eu não podia te fazer sofrer de novo. Eu não te mereço, Rach. Então eu só queria poder exterminar esse amor do meu peito. Mas mais uma vez, não adiantou. Eu fui atrás de você e foi o segundo dia mais feliz da minha vida. Ver o seu sorriso encheu meu coração ainda mais de amor. Britt e Hanna me disseram que eu não podia mais fugir disso, então eu não vou. Eu quero ficar com você, eu quero te amar. Mas se você não permitir, a sua amizade continuará sendo suficiente para mim. Eu só quero que você seja feliz. Eu sacrificaria a minha vida pela sua felicidade...
Rachel chorava cada vez mais. Ela queria dizer alguma coisa, mas sua voz travou e nada saia. Quinn chorava junto dela, as mãos das duas entrelaçadas, apertadas uma na outra. Quinn não sabia se era o certo no momento, mas puxou Rachel para seus braços. Os soluços misturados faziam os corpos tremerem. Rachel tinha a cabeça no ombro da loira, encharcando sua camisa. Já Quinn afagava os cabelos morenos, tentando controlar suas próprias lágrimas. Minutos se passaram e elas apenas choraram. Até que em um momento apenas estava, abraçadas. O choro havia cessado.
– Melhor? – Quinn perguntou se afastando para poder olhar para Rachel.
– Sim... – a morena assentiu.
– Vem, eu vou te levar pra casa... – a loira já se levantava.
– Quinnie... – Rachel a puxou pela mão – É a minha vez de falar.
Quinn assentiu e sentou-se novamente, de frente para a morena que parecia buscar como começar.
– Eu sempre achei que você me odiava – Rachel disse pensativa – Todos os dias eu chegava em casa e chorava sozinha no meu quarto, buscando a explicação pra você me odiar tanto. Eu não entendia. Eu não via motivos para tudo aquilo, então apenas tomei a decisão Rachel Berry e comecei a tentar fazer você ver que não precisaria me odiar. Que nós podíamos ser amigas. Meus pais, Kurt, Tina, Mercedes... Eles sempre me diziam que eu deveria apenas parar. Mas quanto mais você me atacava, mais alguma coisa me ligava a você. Eu não poderia desistir assim. Então é impossível definir a minha felicidade quando você aceitou ser minha amiga. Quando você parou de me odiar. Foi mágico. E então ao invés de chorar todas as noites, eu sorria. Meus pais notaram a mudança e quando você passou a frequentar minha casa, eles sabiam. Você era o motivo. Eu não havia desistido e você era o meu prêmio.
Elas se olharam novamente e Rachel continuou.
– Então eu vim para New York e você nunca cumpriu a sua promessa. Meu pensamento foi que nada havia mudado. Você apenas continuava me odiando. Mas eu não te esqueci. Eu sempre lembrava de você e voltei a chorar todas as noites, porque você me odiava novamente. Então o tempo foi passando e eu fui escondendo aquilo lá no fundo. Você se tornou apenas a lembrança boa. Eu terminei com Finn, Santana se tornou minha melhor amiga e as coisas iam bem. Até você reaparecer e virar meu mundo de cabeça para baixo... Eu nunca pensei que te veria de novo. Mas eu vi e eu só queria lutar novamente. Eu queria o meu prêmio, eu queria você. E eu consegui. Ficamos ainda mais próximas, até eu começar a perceber que tudo estava confuso. Eu já não conseguia ficar longe você. Cada segundo sem a sua presença, era como ficar sem ar para respirar. Eu precisava de você e Santana continuava me dizendo que aquilo era amor. Eu duvidava. Não podia ser. Se fosse, como eu não percebi? Então teve o incidente na boate. Você não quis dançar e depois chegou toda possessiva. Eu vi ciúmes nos seus olhos, que somado ao meu estado bêbado, me fez querer te ver lutar. Me fez querer ver o que você realmente queria de mim, Quinn. E eu vi. Vi e depois ouvi você dizer que me amava e ir embora. As três semanas longe você foram sufocantes. Eu não conseguia dormir, porque já não tinha mais o seu boa noite. Eu passava o dia inteiro agarrada ao celular, esperando que você me ligasse ou qualquer outra coisa. E isso não aconteceu.
Rachel derramou uma lágrima triste, que foi secada pelo polegar de Quinn.
– Quando você apareceu na minha porta aquele dia, eu fui feliz de novo. Seu cartão, as flores, tudo foi perfeito. Mas você era o que eu mais queria. Eu trocaria qualquer papel da Broadway apenas para ter você. Eu finalmente percebi que eu te amava. Mas você não demonstrava o mesmo. Você parecia fugir de mim e eu não podia amar sozinha. Então apenas deixei... Eu só queria te ter por perto, aquilo era suficiente. Ouvir tudo isso de você, é provavelmente o que eu esperei por muito tempo. Você me ama, Quinn. Me ama como eu te amo. Nada pode acontecer agora, mas você me ama e eu morreria feliz nesse exato momento.
– Não – disse Quinn – Você não pode morrer. Não agora, quando eu sei que você me ama. Você não pode morrer sem que eu tenha tentando te fazer feliz, sem que eu tenha te beijado. Eu não vou deixar você morrer. Nunca.
Rachel não podia mais segurar. Ela se aproximou de Quinn e juntou seus lábios com os da loira. Era um beijo calmo, que nem parecia ter esperado por tanto tempo. Não havia língua, apenas um reconhecimento de lábios. Elas se separaram logo em seguida.
– Isso é mais um sonho, não é? – Quinn perguntou ainda de olhos fechados, fazendo Rachel sorrir.
– Abre os olhos – pediu a morena.
Quinn atendeu ao pedido e encontrou lindas orbes chocolate brilhando e encarando-a. Rachel tinha um sorrido brincando nos lábios.
– Não é um sonho, Quinnie. Se for, eu não quero acordar... – disse a morena.
– Eu quero ficar com você, Rach. Me deixa tentar, por favor. Eu sei que não mereço, mas me dá uma chance. Uma chance de te fazer feliz.
– Eu dou uma, duas, mil chances! Só me promete que não vai fugir de novo. Nem de mim, nem do que sente.
– Eu prometo. Eu só quero você. Eu faria qualquer coisa por você.
– Eu te amo – Rachel disse emocionada.
– Eu te amo muito. Muito, muito, muito!
Quinn beijou Rachel novamente. Um beijo igualmente calmo ao primeiro, mas ao mesmo tempo com mais atitude. Ela pediu passagem com a língua que foi prontamente cedida pela morena. A sensação era boa demais. Tudo parecia realmente um sonho. Um sonho do qual nenhuma queria acordar.
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