O Que For Pra Ser, Será...
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Rachel acordou e tudo que desejava era que o que aconteceu na noite passada tivesse sido um sonho. Mas ela estava completamente enganada. Foi real, todas as lembranças estavam lá: o porre, os homens, a briga, a mágoa nos olhos de Quinn, a loira a deixando... E de quebra Rachel ainda tinha uma ressaca enorme! Sua cabeça doía tanto que ela se perguntava se em algum momento tinha batido em algum lugar. Mas suas últimas lembranças eram dela saindo da boate, pegando o primeiro táxi que viu, vindo para casa sozinha sem nem ao menos avisar a Santana ou Kurt e o choro até finalmente pegar no sono. Em nenhum momento ela lembrava de ter batido a cabeça.
Ela queria se levantar, tomar um banho e, principalmente, um remédio para curar a sua ressaca. Mas ela não conseguia. Todo o seu corpo doía junto com sua cabeça e também seu coração. Ela estava acabada física e emocionalmente. Tudo que ela menos queria era perder Quinn novamente. Mas foi isso que aconteceu. Rachel voltou a sentir lágrimas correndo pelo seu rosto e ela sabia que o melhor seria passar o dia inteiro em seu quarto...
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Quinn estava deitada em sua cama, olhando para um ponto fixo no teto. Ela não havia dormido. Não tinha sono e sempre que fechava os olhos via a imagem de dois orbes castanhos chocolates. Rachel a atormentou a noite inteira. Da hora que ela saiu da boate até agora, ela só havia pensado na morena, em seus olhos inchados, seus rosto vermelho e manchado pelas lágrimas. No momento em que saiu do banheiro, a sua vontade era voltar e embalar Rachel em seus braços, afagar a sua dor, calar seu choro e limpar cada gota das suas lágrimas. Mas ela sabia que não podia, mesmo a amando.
– Oh, eu disse que a amava – Quinn falou para si mesma – Meu deus! Eu disse que a amava! Eu enlouqueci? O que será que ela está pensando agora? Eu não podia ter dito que a amava. Isso só vai bagunçar as coisas ainda mais. Eu sou uma idiota! Idiota! Idiota!
Quinn agora gritava consigo mesma. Ela colocava toda a sua dor pra fora. Ela queria correr, fugir. Ela queria... Ela queria Rachel. Rachel a acalmava. Mas ela não podia e isso só a deixou mais furiosa. Ela gritava cada vez mais alto, seu grito cortado pelo choro, ela queria descontar a sua raiva em qualquer coisa e fez isso com o despertador que ficava ao lado de sua cama, rebolando-o na parede.
– Oh meu deus, Quinn! – Hanna entrou no quarto e correu em direção a loira que agora, já de pé, esmurrava paredes e sem perceber acertou um espelho.
Hanna abraçou Quinn pelas costas e segurou os braços da loira ao lado do seu corpo. O punho direito sangrava e a loira chorava e continuava gritando. Hanna mesmo sendo menor e mais fraca, conseguiu conter Quinn. Puxou-a a para cama e a sentou, ficando ajoelhada na sua frente.
– Quinn, ei, olha pra mim – Hanna pediu e Quinn levantou seu olhar – O que aconteceu? Por que você está assim? Olha só a sua mão, o estrago. Eu vou pegar o kit de primeiros socorros e vou tentar fazer alguma coisa.
Hanna saiu do quarto e logo voltou com o kit de primeiros socorros na mão. Ela abriu, pegou algumas gazes e começou a estancar o sangue da mão de Quinn, que ainda chorava.
– A sua sorte é que não pegou em nenhuma veia ou algo do tipo, se não o estrago teria sido pior. Não vamos precisar ir no hospital nem nada – disse Hanna quando começava a enfaixar a mão da loira – Mas será que você pode me falar o que aconteceu? Eu fiquei assustada, Q. Como se acordar com os seus gritos já não fosse bastante, chego aqui e te vejo esmurrando tudo. Olha só como está a sua mão. Sorte que não quebrou nada.
Quinn continuava chorando, sem falar nada. Hanna se sentou ao seu lado e passou um braços pelos seus ombros, trazendo-a para perto.
– Olha, você não precisa me falar agora, okay? Só me deixa ficar aqui com você. Não quero te deixar sozinha...
– Eu a amo. E eu disse isso a ela ontem. Então depois eu fui embora.
– Ela quem? Do que você está falando, Q?
– Rachel – a loira levantou a cabeça e encontrou o olhar da amiga – Eu a amo e eu disse isso a ela. Mas depois eu apenas a deixei chorando no banheiro e vim embora.
– Okay, vamos voltar um pouco. O que aconteceu? Me conta do começo que eu ainda não entendi...
Quinn contou a Hanna tudo que aconteceu na noite anterior. O seu choro aumentava a cada lembrança e por vezes ela precisou parar para se acalmar.
– ...Então a última coisa que disse a ela antes de sair do banheiro e deixa-la sozinha foi “eu te amo” – finalizou Quinn.
– Wow... E eu aqui pensando que a minha noite tinha sido animada – disse Hanna – Mas me diz uma coisa, o que te levou ao ataque de loucura?
– Eu fiquei com raiva de mim por ter dito que a amava naquele momento. Não era certo. Na verdade, não é certo em nenhum momento. Eu não posso amá-la. Eu vou magoa-la. Ela não me quer e mesmo que quisesse, eu ferraria com tudo. Eu sempre faço isso. E ela ainda me vê como a Quinn do colégio, a que a machucava, ama-la seria como o golpe de misericórdia. Seria a maior dor que eu poderia causa-la, porque ela não me amaria de volta e conhecendo a Rach como eu conheço, ela se culparia.
– Calma ai, cowboy! – Hanna disse levantando a palma da mão – Como você sabe que ela não te ama? Ela te disse isso em algum momento? Você é muito inteligente, mas você não é capaz de saber o que os outros sentem, Q. Mesmo que esse outro seja a Rachel.
– Não tem como ela me amar, okay? Não depois de tudo que eu fiz pra ela...
– Você não sabe disso, Quinn! Quer saber? Eu vejo como a Rachel te olha desde aquele dia na boate. Se aquilo não for amor...
– Não! Não, Han... – Quinn colocou o rosto entre as mãos – Ela não pode me amar. Eu... eu não posso deixar que ela me ame. Eu não posso machuca-la como eu fiz com tantas outras. Eu prometi protege-la.
– Quinn, você não pode sofrer por antecipação, okay? A Rachel é diferente de todas as outras. Você a ama e eu sei que você nunca a machucaria. Mas você precisa encarar as coisas e, principalmente, encara-la. Aceitar os sentimentos que ela tiver por você. Priva-la de viver esse amor pode ser a maior dor que você a causará.
– Eu não sei... Eu não acho que sou capaz.
– Ei, essa não é a Quinn que eu conheci em Yale – Hanna colocou a mão no rosto de Quinn e a fez olhar diretamente para ela – A Quinn que eu conheci não tinha medo, ela enfrentava as coisas e frente e, se não fosse capaz, ela se tornaria. A Quinn que eu conheci lutaria e faria o impossível por aquilo que quer. Ela não desistia nem mesmo depois de diversas tentativas – Hanna sorriu – Então faça o favor de trazer a minha amiga Quinn de volta!
Quinn devolveu o sorriso para Hanna e a abraçou.
– Obrigada, Han. Mesmo. Eu não sei o que seria de mim sem você e a Britt em momentos como esse – Quinn deu um beijo no rosto de Hanna e se afastou – Por falar nisso, cadê aquela filha da mãe que não se importa nem em vir aqui?
– Como assim, cadê? – Hanna a olhou confusa – Você não sabe da Britt?
– Não – Quinn a olhou mais confusa ainda – Como eu disse, depois de tudo peguei um táxi e vim pra casa sozinha. Ela não voltou pra casa?
– Aparentemente, não. Se voltou, não sei onde ela se escondeu... Será que aconteceu algo?
– Olha, não se preocupa. Eu vou ligar pro Kurt. Vai ver eles ficaram muito bêbados e ele preferiu leva-la pra casa deles. Relaxa, okay?
– Okay...
– Quer tomar café? Vamos lá pra cozinha e eu preparo alguma coisa pra gente e depois ligo pra ele...
– Tudo bem, vamos...
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Rachel permanecia deitada em sua cama. Seu travesseiro ensopado com suas lágrimas. Ela sentia seus olhos pesarem, agora em sincronia com todo o resto do seu corpo. Era demais para suportar, mas ela também não queria fazer nada. Ela se achava merecedora de toda aquela dor. Depois de tudo que ela fez com Quinn na noite passada, aquilo era pouco.
– Como eu pude machuca-la tanto? – perguntou a si mesma.
Seus pensamentos foram interrompidos por batidas em sua porta. Ela não queria ver nem falar nem ouvir ninguém que não fosse Quinn.
– Vai embora! – ela gritou, mas as batidas persistiram – Mas que droga! Vai embora!
As batidas pararam e quando ela pensou que poderia voltar para a sua sessão de auto sofrimento, ela ouviu a porta sendo aberta. Será que não se pode mais nem sofrer em paz? Ela tentou diminuir a intensidade e volume de seu choro, mas não fez nenhum movimento a fim de ver quem invadia a sua privacidade.
– Ei Rach, desculpa invadir seu quarto, mas é que... – Emily havia colocado a cabeça para dentro do quarto, mas interrompeu seu pensamento ao ouvir o choro baixinho de Rachel – Ei, está tudo bem? Por que você está chorando?
– Vai embora, Em! – Rachel disse entre lágrimas e em seguida ouviu uma batida na porta. Achou que Emily tivesse ido embora, até sentir sua cama afundando e uma mão nas suas costas.
– O que aconteceu, Hob? – perguntou a morena, preocupação evidente em sua voz – E não me diz que não foi nada. Eu te conheço tão bem quanto a Santana.
Rachel sabia que não havia como lutar contra Emily. Ela era insistente e não sairia dali até obter suas respostas. Além de tudo, era verdade, Emily a conhecia muito bem. Ela era observado e sabia ler e compreender as emoções dos outros. Por vezes eles brincaram dizendo que a morena devia fazer psicologia ao invés de cinema. Então ignora-la ou mentir estava fora de questão. Só restava-a a opção de falar. Talvez conversar com alguém fosse até bom. Ela se virou lentamente e encontrou Emily a analisando, sua expressão mudando para surpresa ao ver o rosto de Rachel.
– O que diabos aconteceu contigo? Alguém te bateu? Olha o estado do seu rosto, dos seus olhos. Me fala e eu vou lá matar o animal que fez isso com você! – exclamou a morena.
– Quinn – foi tudo que Rachel conseguiu dizer.
– O QUE? – ela gritou e se levantou da cama – Como a Quinn pode fazer isso com você? Ela enlouqueceu? A Quinn te ama, como ela poderia te bater, te machucar...
– Não, não, Em – Rachel interrompeu o ataque da outra – A Quinn não me bateu, nem encostou em mim.
– Então o que?
– Foi tudo culpa minha, eu a magoei e ela me deixou...
– Como assim ela te deixou? O que aconteceu?
Rachel contou a Emily toda a história da noite passada, cada detalhe e a morena ouviu tudo atentamente.
– Sério que ela bateu em dois caras de uma vez? Essa mulher é o que? O Thor travestido?
– Ela bateu neles pra me defender e eu fui uma idiota...
– Rachel, você não foi idiota. Não foi das mais espertas, mas idiota também não.
– Você não está ajudando, Em...
– Okay, desculpa, desculpa. Então... – Emily começou – Ela finalmente falou que te amava?
– Como assim, finalmente? – Rachel perguntou confusa.
– Rachel, não me diz que você ainda não tinha percebido... Agora sim eu vou te chamar de idiota! Estava na cara para quem quisesse ver o quanto essa criatura ama você. Desde aquele dia na La Roja, eu vi quando os olhos dela brilharam ao te ver e desde então a intensidade desse brilho só aumentou.
– Como eu não percebi isso?
– Sinceramente? Eu acho que você percebeu e retribuiu. Mas estava com medo de admitir isso tudo para si mesma. Ai ontem aconteceu de tudo explodir. Seu inconsciente bêbado quis fazê-la ciúmes, para ver se assim ela agia, mas tudo deu errado. Seu tiro saiu pela culatra.
– Eu não posso perde-la, Em. Não agora que eu acho que sei o que sinto...
– Ai está. Você não pode chegar pra ela só com achados. Você precisa ter certeza do que sente, antes de dizer isso pra ela. Você precisa acreditar, antes de fazê-la acreditar com você. Talvez esse tempo seja até bom...
– Eu não posso ficar longe dela. Eu não sou capaz.
– Você é. Você é Rachel Berry e é capaz de qualquer coisa, principalmente se isso terá um bom resultado. E agora eu te digo, use esse tempo e esclareça seus sentimentos. Você precisa ter certeza se realmente a ama antes de chegar pra ela, porque de uma coisa não resta dúvidas, aquela ali é louquinha por você.
Emily sorriu e sentiu-se ser puxada para um abraço apertado, estilo Rachel Berry.
– Obrigada Em, de verdade. Você me ajudou bastante.
– Não precisa agradecer, okay? Só faço o que é certo e eu ficarei feliz pela sua felicidade, anãzinha.
– Eu te amo, Em – Rachel sorriu.
– Yeah, yeah... Eu sei – Emily disse com um sorriso convencido e já se encaminhava para a porta do quarto quando ouviu Rachel.
– Em? O que você queria quando bateu na porta do meu quarto?
– Ah... Eu queria saber cadê a Santana.
– A Santana? Ela não voltou pra casa?
– Aparentemente não. Pelo menos não pra essa casa...
– Oh... Eu vou tentar descobrir onde ela está. Vai ver ela dormiu no apartamento da Quinn, sei lá. Qualquer coisa eu te aviso.
Emily acenou positivamente com a cabeça e saiu do quarto. Rachel se virou em busca de seu telefone, sua cabeça entoando um mantra: Que a San não tenha dormido com a Britt, que a San não tenha dormido com a Britt, que a San não tenha dormido com a Britt...
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