O Que For Pra Ser, Será...
20 Capítulo 20
Notas iniciais
– SOCORRO! SOCORRO! ALGUÉM ME SALVA DAS MÃOS DESSA MALUCA! – gritava Rachel batendo cada vez mais nas costas de Quinn.
Quinn exalava ódio. Como se não bastasse toda a cena na pista de dança, Rachel ainda a batia e chamava de maluca. Nota mental: nunca mais deixar essa mulher beber, disse para si mesma. A loira entrou no banheiro ainda com a morena gritando em seu ombro, deu um olhar assassino para as mulheres que ali estavam a ponto delas saírem rapidamente do banheiro sem dizer nada e ignorando os gritos de socorro de Rachel. Quando estavam apenas as duas, Quinn tirou Rachel de seu ombro a colocando no chão. Como já imaginava que a morena tentaria fugir, ela trancou a porta do banheiro e ficou parada na frente dela.
– Sai da minha frente! Me deixa sair! – exclamou a morena.
– Não – disse secamente.
– Como não? Você não pode me matar aqui, todo mundo te viu me carregando. Quando meu corpo aparecer eles vão saber que foi você.
O semblante da loira mudou rapidamente de ódio para mágoa, dor.
– Sério? Você acha mesmo que eu vou te matar? – a loira olhou amargamente para a morena, mas antes que ela pudesse responder, continuou – Eu sabia que precisaria lutar muito pelo seu perdão e te fazer confiar em mim, Rachel. Mas não pensei que você ainda pudesse achar que eu te faria algum mal, que eu te machucaria física e psicologicamente mais uma vez...
Rachel parou. As palavras da loira somado a sua expressão trouxeram a morena de volta a realidade em um rápido instante. Oh meu deus, o que eu fiz?, pensou. E foi ao ver uma solitária lágrima descendo pela bochecha dela que Rachel sabia que precisava fazer alguma coisa, então se aproximou.
– Oh meu deus, Quinn – ela disse tentando tocar a loira que recuou – Me desculpe, por favor. E-eu, eu apenas fiquei com medo. Há muito tempo eu não te via assim, com toda essa raiva, esse ódio. Me desculpe. Eu sei que você nunca faria nada contra mim. Eu fui idiota, falei sem pensar. Me desculpa, Quinn, por favor – a morena estava desesperada.
– Não, Rachel. Você não sabia. Você ainda acha que eu posso te fazer mal a qualquer momento. Você ainda me vê como a mesma vadia que te atormentava no colégio. Eu que fui uma idiota por achar que poderia te ter...
– Isso não é verdade, Quinn. Eu sei que você não me faria mal. Nós somos amigas e você só tem me provado o quanto é boa desde aquele encontro por acaso nessa mesma boate. Você tem estado ao meu lado o tempo todo. Você me alegra, me faz rir, me faz bem. Você não é mais aquela Quinn do colégio e eu sei disso.
– Rachel, não tente mentir. Eu vi o pavor nos seus olhos. Você recuou quando eu tentei me aproximar, você me bateu, você pediu socorro, pediu para te salvarem de mim. E o pior, você achou que eu iria te matar;
– Sim, eu estava com medo. Como eu disse, não te via com tanto ódio há muito tempo. O modo como você enfrentou aqueles dois homens, as ameaças, as agressões. É óbvio que me assustou, mas eu sei que deve haver uma explicação.
– Claro que há uma explicação! – exclamou a loira – A porra da explicação é que eu estava te defendendo! Você estava tão bêbada que não percebeu aqueles dois idiotas se aproveitando de você, tocando o seu corpo, esfregando aquelas malditas ereções na sua bunda, na sua virilha. Eu estava te defendendo e você me enfrentou, dando moral para aqueles dois filhos da puta! Então sim! Eu estava com um ódio infernal e eu mataria eles se possível, porque... Merda. Porque eu faria qualquer coisa por você!
Rachel paralisou. As palavras de Quinn a perfuraram como um tiro. Tudo era culpa dela. Quinn estava tentando protege-la e ela foi uma bêbada idiota. E ainda disse e fez coisas horríveis. Rachel estava se sentindo um lixo. Ela magoou Quinn. De uma forma que, talvez, ela nunca tenha sido magoada pela loira. Ela a quebrou, a pisou.
– Me desculpa, por favor... – foi o que ela conseguiu dizer com o fio de voz que saiu entrecortada pelo choro.
Quinn olhou para Rachel e viu que a morena estava chorando. Ela se sentia mal por fazê-la chorar, mas também estava destruída pela atitude e pelas palavras da morena. Ouvia a morena repetindo pedidos de desculpas que saiam baixo devido o choro que se intensificava. O coração de Quinn apertou e mesmo com toda a dor que seu próprio coração sentia, ela se aproximou da morena e a abraçou. Colocou seus braços ao redor da cintura e sentiu Rachel enlaçar os braços ao redor do seu pescoço, colocando o rosto em seu ombro. Quinn sentia sua camisa ficar encharcada pelas lágrimas, sentia a morena tremer em seus braços com os soluços. Ela queria falar, mas não conseguia, não sabia o que. Então apenas apertou a morena ainda mais em seus braços, afagando suas costas. Naquele momento era tudo que conseguia fazer...
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– Tem certeza que não devemos ir ver se elas estão bem? – perguntou Brittany para Santana pela milésima vez.
– Pelo amor de deus, relaxa! – exclamou a latina – A Quinn preferia se matar a fazer algo contra a Anã.
– Mesmo assim, Santana... Já faz muito tempo.
– Elas devem estar transando no banheiro, logo estão ai com sorrisos idiotas no rosto – disse tomando mais um gole do seu whisky – Para de se preocupar com elas e se preocupa com a gente.
– Com a gente? – a loira engoliu seco.
– Sim. Não tem como a gente se divertir enquanto você fica pensando nelas, e como o casal purpurina sumiu, só me sobra você como companhia, já que não posso procurar outra mulher...
– Ah – Britt deu um gole em sua bebida para disfarçar o nervosismo.
– E então, vamos dançar ou não?
– Mas você não gosta de dançar em multidões, com os outros se esfregando em você.
– E quem disse que vamos pra multidão? – perguntou a latina já ficando de pé – Temos uma área vip inteira pra usarmos como pista de dança.
– Okay...
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– Eu não acredito que você deu uma cantada em espanhol na garçonete! E o pior de tudo é que ela acreditou que você era mexicana! – disse Hanna dentro do carro, enquanto Emily dirigia – Ela é louca? Como você com esses olhinhos puxados seria mexicana?
– Ei! Eu podia ser descendente, ora – disse a morena rindo.
– Queria saber o que a sua namorada ia achar de você dando cantadas em garçonetes.
– Ela eu não sei, mas você parece não ter gostado muito...
– Idiota – resmungou a loira no mesmo instante em que Emily parou o carro em frente ao prédio.
– Está entregue, senhorita – disse tirando o cinto e se virando para a loira.
– Obrigada – a loira sorriu – Pela carona, mas também pela noite.
– Eu que agradeço, Hanna. Você é uma ótima companhia.
– Então até a próxima?
– Com certeza!
Emily se aproximou e puxou a loira para um abraço. Hanna retribuiu com a mesma intensidade. Então estremeceu ao sentir a voz em seu ouvido.
– Boa noite, Han – sussurrou a morena.
Então aconteceu. No mesmo instante em que Hanna iria se virar para a olha-la, Emily decidiu dar um beijo em sua bochecha. Lábios se encontraram. Hanna paralisou. Os lábios de Emily eram tão macios que ela não fez nenhum movimento para separá-los, apenas ficou ali, sentindo. E em um movimento inesperado Emily aprofundou o beijo. Uma de suas mãos encontrou a nuca da loira. Hanna tinha seu lábio inferior preciso entre os da morena, que lambia, chupava. Então quando abriu a boca para respirar, a morena tomou aquilo como um sinal e suas línguas se encontraram. As duas sabiam que aquilo era errado, mas no momento parecia tão certo. Então, em um tiro de consciência, tão rápido quando começou, o beijo parou. Lábios vermelhos e olhos que se encaravam sem saber o que dizer, qual seria o próximo passo.
– Hanna, me desculpa. Não foi minha intenção – começou Emily.
– Tudo bem... – respondeu ainda atordoada.
– Desculpa se eu te desrespeitei. Nós nos conhecemos a tão pouco tempo, me desculpa, mesmo...
– Emily, tudo bem. Aconteceu, okay? Não foi só culpa sua – a loira viu o olhar culpado da morena – Agora eu preciso ir. Outra hora a gente se fala...
E antes que mais alguma coisa pudesse ser dita, Hanna saiu do carro e correu para dentro do seu prédio. Emily ainda ficou estática, para no mesmo lugar, até mecanicamente ligar o carro e ir rumo a sua casa.
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Algumas músicas e muitas doses depois, Santana já perdia completamente a noção. Brittany também já estava, mas pra lá do que pra cá. As duas dançavam cada vez mais próximas. No fundo a loira sabia que toda a simpatia da latina era por causa do álcool, mas naquele momento ela também não se importava. Só queria aproveitar o momento, aproveitar que ela e Santana estavam bem, depois de tanto tempo.
A música rolava e Brittany, como a dançarina que era, não parava um minuto. Seu corpo balançava de acordo com o som e ela apenas se deixava levar, olhos fechados. Santana foi até a mesa, pegou a garrafa de whisky que estava lá e deu um caprichado gole. Virou-se com a garrafa ainda em mãos e viu Brittany, que parecia estar em outro mundo, rebolando, os braços jogados pra cima, olhos fechados e sentindo cada batida.
A latina caminhou com a garrafa ainda em mãos e foi se aproximando da loira, hipnotizada por aqueles movimentos. Brittany dançava, até que sentiu uma mão em sua cintura, fazendo a abrir os olhos, mas antes de qualquer reação ela rapidamente foi puxada para trás, de encontro a um corpo. Outra mão surgiu na frente de seu rosto, com uma garrafa de whisky, uma respiração quente em sua nuca.
– Quer? – sussurrou Santana no ouvido da loira – Não é vodca, mas é igualmente quente.
Brittany sentiu arrepios percorrerem todo o seu corpo ao sentir a voz da latina e seus lábios tão perto de sua orelha. Ela já tinha uma se suas mãos por cima da mão da latina que estava em sua cintura e com a outra ela pegou a garrafa tomando um grande gole. Devolveu-a logo em seguida.
– Por que parou de dançar? – perguntou a latina ainda no ouvido da loira – Eu gosto dos seus movimentos.
Brittany logo atendeu ao pedido de Santana e voltou a se movimentar. Os corpos juntos, então cada passo da loira, era um passo da latina. A mão de Santana saiu da cintura de Brittany e pousou em seu abdômen. A latina tinha seu rosto próximo a nuca da loira e vez ou outra roçava seu nariz, fazendo Brittany arrepiar cada vez mais.
Santana era uma provocação. Sempre foi. E Brittany sabia que não podia deixa-la ter o controle da situação. Rapidamente ela se virou ficando de frente para a latina que sorriu, colocando uma de seus pernas entre as delas e descendo sensualmente até o chão. Foi a vez de Santana tremer. Quando Brittany subiu de volta, Santana colou ainda mais seus corpos e colocou seu rosto na curva do pescoço da loira e deu um leve beijo lá.
Aquilo era tão errado. Santana sabia que não podia esquecer o que Brittany fez, mas ela só queria saber se a sua Britt-Britt ainda existia, se ela ainda estava ali. Era errado, mas ela precisava de uma resposta. Então ela apenas a beijou. E foi retribuída imediatamente. Brittany tinha os braços ao redor do pescoço da latina e uma das mãos entre seus cabelos. O beijo foi ficando cada vez mais quente, a latina agora tinha as mãos na bunda da loira. Porém, o ar foi necessário, interrompendo assim o beijo. Ambas tinham as testas coladas e respirações pesadas.
– Eu senti falta disso – disse Brittany, enquanto acariciava a nuca da latina – Eu senti falta de você.
– Você me deixou – disse a latina olhando nos olhos da loira, uma tristeza evidente em seus próprios olhos.
– Mas eu nunca deixei de te amar...
– Você me ama? Ainda?
– Claro! Sempre foi e sempre será você...
As duas se beijaram novamente. Nenhuma conseguia compreender se aquilo era um efeito do álcool ou apenas a liberação de sentimentos reprimidos. Mas elas pensariam nas consequências depois, naquele momento tudo que importava eram suas bocas juntas e o calor que emanava de seus corpos...
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Quinn não sabia há quanto tempo ela estava abraçada com Rachel, mas parece que finalmente a garota parava de chorar. Ela sentiu os soluços diminuírem e já não sentia mais uma poça se formando em sua camisa. Ela se separou da morena vagarosamente. Rachel tinha os olhos inchados, rosto vermelho que era perceptível mesmo sua pele não sendo tão clara. Ela olhava para Quinn e tudo em sua expressão pedia perdão por ter magoado a loira. O silêncio reinava, mas elas sabiam que não podiam ficar a noite inteira dentro daquele banheiro. Elas precisavam sair e pra isso algo precisava ser dito.
– Tudo bem? Mais calma? – Quinn perguntou.
– Me desculpa, por tudo... Eu fico uma idiota quando bebo, eu não queria que nada disso tivesse acontecido.
– Mas aconteceu – disse a loira friamente. Ela ainda estava magoada. Rachel mostrou ainda ter medo dela, do que ela podia fazer. A morena ainda acreditava que Quinn podia machuca-la e isso foi o que mais doeu.
– Me desculpa Quinn, por favor... – Rachel agora demonstrava que a qualquer momento começaria a chorar de novo.
– Ei, ei, não chora de novo... Eu te desculpo, okay? Mas... – a loira parou.
– Mas o quê? Eu faço qualquer coisa pelo seu perdão, Quinn. Por favor.
– Qualquer coisa?
– Qualquer coisa – Rachel confirmou e se aproximou da loira.
– Eu preciso de tempo.
– Tempo? – a morena perguntou em dúvida – Como assim? Tempo pra quê? Por quê?
– Tempo pra mim. Acho que hoje muitas coisas foram colocadas pra fora e eu preciso pensar nisso. Pensar se o resto deve continuar guardado ou não. E eu acho que você também precisa disso.
– Não! – exclamou Rachel – Não Quinn, eu não posso ficar longe de você, por favor. Eu não preciso de tempo. Nós podemos resolver, okay? Juntas nós podemos qualquer coisa. Eu disse que ficaria com você pra sempre – a essa altura a morena já chorava novamente, se agarrando mais uma vez ao pescoço da loira, como se isso fosse fazê-la ficar.
O coração de Quinn estava destruído, por tomar essa decisão e por ver Rachel chorar, mas sua cabeça dizia que aquilo era preciso. Tudo estava uma bagunça e ela precisava resolver as coisas. Além disso, Rachel mostrou que ainda precisava esquecer a antiga Quinn e ela teria que fazer isso sozinha. Ela afagou os cabelos morenos, deu um leve beijo no templo da morena e sussurrou em seu ouvido:
– Eu sempre estarei com você, Rach. Não há nada que eu queira mais do que ter você ao meu lado, por toda a minha vida. Ao infinito e além, lembra? Mas às vezes sacrifícios são necessários e chegou a hora do meu, do nosso. Não chore, não fique triste. Eu estarei pensando em você. E o que for pra ser, será... Eu te amo.
Com isso Quinn soltou-se de Rachel e saiu rapidamente do banheiro, deixando-a sozinha e sem chão. Rachel queria sair dali e correr atrás de Quinn, mas suas pernas não obedeciam, apenas uma coisa ecoava em sua cabeça, fazendo sua confusão ainda maior. Eu também te amo Quinn, ela disse para si mesma e continuou a chorar...
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